É tudo uma questão de perspectiva:

30 Outubro 2014
Uma das minhas amigas está à procura de emprego na área da informática. Falei com o M. para ver se ele sabia de alguma vaga na empresa dele ou noutra qualquer da área, já que ele trabalha com isso. Ontem ligou-me à hora do almoço a dizer que uma das empresas onde já trabalhou está neste momento a recrutar, deu-me o mail para dar à minha amiga e ela enviar o currículo.

Liguei toda entusiasmada à minha amiga e disse-lhe: "olha, o M. já deu um 'toque' ao antigo chefe dele, já falou sobre ti, podes enviar o currículo para o mail que te enviei, a empresa fica no TagusPark, em Oeiras".

"Ah, no Tagus? Não há em Lisboa? É que fica tão longe para mim..."

Agarrem-me que vai me dar uma coisinha má. Eu não mereço ouvir uma coisa destas. A pessoa mora em Lisboa, muito próximo do Marquês de Pombal (onde até há um autocarro directo para o TagusPark), tem uma hipótese de trabalhar e acha que é muito longe? Estamos a falar de quê, 30 minutos de viagem? Poupem-me. Fiquei fula da vida, a sério! Está há não sei quantos meses desempregada e desperdiça chances assim? Não entra na minha cabeça.

[acho que esta minha amiga tinha um fanico se soubesse que nós temos uma funcionária que vive no Barreiro, não tem carro e vem todos os dias trabalhar em Oeiras. Acorda as 6h, apanha autocarro até os barcos, apanha o barco até o Terreiro do Paço, vai a pé até ao Cais do Sodré, depois apanha o comboio para Oeiras e finalmente... chega cá na empresa. São quase quatro horas diárias (entre ir-e-vir) que perde todos os dias, é uma lutadora e uma pessoa que já está connosco há quase um ano e só a vi chegar atrasada uma vez, num dia de greve.]

Quem quer faz acontecer. Eu sempre morei em Lisboa e entretanto já trabalhei no Freeport em Alcochete (há quinhentos mil anos, mas não interessa). Estava no 1º ano da universidade, queria a todo custo ganhar o meu dinheiro e desatei a enviar currículos para tudo o que mexia. Só tinha disponibilidade ao fim-de-semana e feriados, a loja pagava bem para apenas 2 dias de trabalho (400€ euros) e olha, lá fui eu. Não tinha carta de condução, apanhava dois metros e dois autocarros para chegar ao meu destino, mas lá estive por um ano e tal. Sem chegar atrasada. Por isso, meus amigos, não me venham com histórias. Quem quer, arranja um jeito.

Agarrar o touro pelos cornos? Bora lá!

27 Outubro 2014
Na sexta-feira fomos buscar o resultado da biópsia e confirmou-se a desconfiança dos médicos: cancro. A palavra que eu mais detesto, a única doença que me mete toda arrepiada. Agradeço a Deus pela sensibilidade do médico que nos atendeu, Dr. Francisco Godinho, que soube conduzir a conversa de forma a não nos desesperar, mas sem omitir nada (que eu sou pessoa chata e andei ali quase uma hora a fazer perguntas).

Disse-nos que sim, é um tumor maligno, mas que por a minha mãe todos os anos fazer ecografias e análises (ela é muito cuidadosa com estas coisas, todo o ano faz o seu check up de rotina), conseguimos descobrir a doença ainda no princípio. O primeiro passo foi começar com a medicação que vai fazer os tumores 'murcharem', já que um deles está bastante grande e não é operável enquanto estiver com este volume. Durante 15 dias mamãe vai tomar essa medicação, fazer carradas de ecografias para avaliar como o organismo está a reagir e daqui há menos de um mês... uma histerectomia total (retirada do útero, trompas e ovários).

Não foi nada fácil. Ouvir aquilo tudo e ter que fazer cara de 'paisagem', manter a calma e a esperança porque afinal de contas, tinha a minha mãe mesmo ao meu lado, quanto tudo o que eu queria era desatar aos berros: "Não, com a minha mãe, não!!!". A parte mais crítica foi quando começámos a ouvir falar dos ciclos de quimioterapia, que a princípio serão só dois, mas que inevitavelmente trará todos aqueles efeitos secundários que já sabemos. A minha mãe chorou o fim-de-semana inteiro, trancou-se no quarto, não queria falar com ninguém... Tive que trazer a Vi cá para casa para que ela não se apercebesse da situação mas a verdade é que nem consigo olhar nos olhos da minha irmã. Tão pequenina e a passar por uma experiência destas. Perdeu o pai no ano passado, vítima de um infarto. Agora isto... Enfim.

Estou (estamos) esperançosa na medicina, no tempo que joga a nosso favor (afinal, descobrimos muito início), no Dr. Francisco Godinho, que é um médico pra lá de excelente. E em Deus, que nos dá sempre motivos para seguir em frente e vencer todas as batalhas. I believe!


Depois do fim-de-semana de catarse emocional, hoje a minha guerreira acordou confiante, sorridente e disposta preparar-se emocionalmente para a cirurgia que aí vem. Nem mesmo os cabelos que começaram a cair hoje (a almofada estava cheia deles), em consequência da medicação, conseguiram tirar o ânimo da minha mãe. E ela sempre foi, tal como eu, uma vaidosa com os cabelos (e tão lindos que eles são) mas é aquela velha história: "vão-se os anéis, ficam os dedos". Tudo vale a pena, desde que ela fique bem de novo.

Vida suspensa.

23 Outubro 2014
Tudo começou uma semana antes do meu casamento. Fomos ao El Corte Inglés buscar o vestido da minha mãe que tinha ficado para fazer uns ajustes e assim que enfiou o vestido pela cabeça, espanto, o vestido não lhe fechava atrás. Apertadíssimo na barriga, coisa que não tinha estado uma semana antes. A vendedora achou estranho e confirmou as medidas e não coincidiam em nada com as anteriores. Mamãe tinha quase 8cm a mais na cintura.

Ainda brinquei e disse: "andas a comer muito, lontrinha...". Não fomos ao médico, achamos que pudesse ser retenção de líquidos, por ela ter estado a mil por causa do casório. Quando voltei de lua-de-mel, achei que ela estava bem mais gordinha, com uma barriga mais saliente mas não dei atenção ao facto. No sábado passado ligou-me já tarde da noite a dizer que estava com imensas dores na barriga e que tinha febre. Fui ter com ela e fomos as duas para o Hospital da Luz. Ao meu lado, no carro, ela contorcia-se de dor e eu pensava com os meus botões que provavelmente seria uma crise de apendicite.

Felizmente foi logo atendida e o médico das urgências pediu-lhe uma TAC, para confirmar se era o apêndice. Não era. Encaminhou-a então para a ginecologista de serviço naquela noite, que fez-lhe uma ecografia.

A médica que nos atendeu era bastante insensível, diria mesmo bruta. Cumprimentou-nos sem olhar nos olhos e pediu que a minha mãe se deitasse que ia começar o exame. Durante o exame, nem ai nem ui. Franzia a testa, olhava para mim com um olhar esquisito, continuava a olhar para o monitor, depois perguntou numa voz metálica: "Há quanto tempo não faz uma ecografia?" ao que a minha mãe respondeu que a última tinha sido há uns seis ou sete meses. Silêncio do outro lado.

Saiu da sala e voltou com mais dois médicos. A essa altura já eu tinha deixado de ouvir, já estava em pânico a imaginar os piores cenários possíveis. Os médicos estiveram a olhar para o ecrã, naquele monitor a preto e branco que não se percebe coisa nenhum (para mim é chinês) e começaram a falar de medidas: "este tem cerca de dois cêntimetros", "este é maior, deve ter quase três", a minha mãe com os olhos do tamanho de um prato, arregalados e com cara de quem ia desfazer-se ali mesmo. Perguntei um tímido: "passa-se alguma coisa?".

Sim, passa-se. São tumores. Quatro deles. Dois relativamente pequenos, outros dois com tamanho avançado, tão avançado que o útero está bastante distendido (a tal barriga inchada), de tal maneira que equivale, em volume, ao útero de uma grávida de quatro meses. Ainda não sabemos se são benignos (miomas) ou malignos, vamos ter que fazer uma biópsia para avançarmos com o tratamento correcto

E é isto. Até agora ainda não sabemos de nada. Os exames já foram feitos, só nos falta o resultado. Não pudemos ainda avançar com nenhuma medicação até que saibamos com o que estamos a lidar. Se forem benignos, há uma medicação que os faz regredir ate desaparecerem. Se forem malignos, bem, vocês já sabem o que isso implica. E eu não quero nem cogitar essa hipótese (apesar de saber que é real).

Sinto um medo que nunca antes senti. É desesperador, de verdade. Que me digam logo o resultado e seja o que for, vamos em frente. Temos bons médicos, um excelente seguro de saúde, conhecimentos na área, até podemos ir para outro país se for preciso, não quero saber, quero é que a minha mãe fique boa. Nem que gaste todo o dinheiro que tenho, nem que tenha que pôr tudo à venda, não me interessa. Só quero saber contra o quê estamos a lutar e avançar com o tratamento.

Vamos vencer, seja o que for. Tenho medo, muito. Mas uma fé gigante que me faz ter a certeza que Deus não nos dá um fardo maior do que aquele que podemos carregar. [obrigada pelos vossos comentários, é muito reconfortante saber que há gente deste lado que torce por nós]

Tic Tac Tic Tac

22 Outubro 2014
Ando num compasso de espera. Logo eu, que detesto esperar. Logo eu, que detesto hospitais. Logo eu, que odeio essa doença mais que tudo. Os exames estão feitos. A consulta está marcada. E eu não tenho paciência nenhuma para escrever nada aqui. Só me apetece esconder-me num sítio qualquer e dormir duas semanas. Acordar quando tiver as notícias que espero ouvir. As boas notícias.

Sou pessoa optimista por natureza, mas desta vez... não sei. Sinto um nó no estômago e só consigo pensar em como a minha vida vai mudar. Em como a vida muda, assim, de uma hora para a outra. Estava a viver uma das melhores fases da minha vida e de repente...puft! A vida fica suspensa. Presa por um fio, por uma resposta que tarde em vir. Custa-me tanto pensar no pior mas não consigo esquecer o olhar que os médicos trocaram durante o exame. Um olhar de consternação. Um olhar que me arrepiou até a alma. Espero que estejam errados, espero que seja um engano. Mas no fundo, não sei. Não sei mesmo.

Para os amantes de lareiras: Companhia das Lenhas

19 Outubro 2014
É sabido que sou pessoa do mais friorenta que há [apesar de adorar o Outono e o tempo assim mais fresco], é inegável que sofro um bocadinho no inverno porque sinto montes de frio e preciso andar com camadas e camadas de roupa para me sentir 'confortável'. Em casa é um drama. Pre-ci-so de ter os aquecedores ligados, quando vou tomar banho as toalhas têm que estar aquecidas e é claro que com esta brincadeira já cheguei a pagar mais de 200€ numa única fatura de gás. Pois.

Por isso, assim que eu e o marido [adoro falar 'marido', pessoas, relevem que daqui a pouco passa-me a panca], pois bem, dizia que assim que começámos a procurar a nossa casa, um ponto tornou-se fulcral: tinha que ter lareira na sala [que eu não estava para gastar um balúrdio de gás por mês]. Confesso que, para além da funcionalidade, acho um charme a lareira na sala e adoro sentar-me à frente de uma, numa tarde fria, com um tapete peludo aos pés e um bom livro...

Há uns dias abri a minha caixa de correio, vi um folheto da Companhia das Lenhas e fiquei deveras interessada: entregavam a lenha em casa, tinham várias espécies de madeiras e preços convidativos. Prendi o folheto no frigorífico e fiz uma nota mental para, assim que chegasse o frio à sério, fazer uma encomenda.


E com as chuvadas dos últimos dias, achei que era a altura ideal de abastecer-me de lenha para enfrentar os dias mais geladinhos. Fui ao facebook da loja e fiz a minha encomenda online, optando pela mistura de sobro e azinho.

Não percebo patavina de madeiras, mas daquilo que li na internet, pude perceber que há lenhas para cada tipo de ocasião: Há aquelas que queimam rápido, há aquelas que possuem um fogo suave e constante, há as madeiras mais densas que duram e duram... enfim, há de tudo. Tendo em conta o rendimento e consumo, optei pela mistura de duas árvores: Azinheira (de combustão mais lenta e duradoura) e Sobreiro (ateia e aquece rápido), que no fundo reúne o melhor dos dois mundos: uma lenha que aquece rápido e mantém o fogo constante (detesto ter que estar a toda a hora a reabastecer a lareira).

Fiquei a saber que toda a lenha vendida pela Companhia das Lenhas é resultado do reaproveitamento de recursos florestais, ou seja, utilizam apenas árvores já mortas no processo, até porque cá em Portugal tanto o sobreiro como a azinheira são espécies protegidas. Aproveitei a promoção de lançamento e trouxe 100kg de lenha por 23€, já com entrega em casa e arrumação do excedente (é imeeeensa lenha) na minha arrecadação. Os rapazes que vieram entregar a encomenda foram uns amores, chegaram à hora combinada, carregadinhos de madeira e lá nos deixaram a encomenda. Serviço impecável, a repetir mais vezes (espero que só lá para o ano que vem, que tanta madeira é coisa para me durar o inverno inteirinho).  

Logo que Outubro venha... procure lenha! :)

Retirei cerca de 1/3 dos 100kg para deixar num cantinho da sala [agora preciso comprar uma cesta gira para arrumar a lenha ao lado da ladeira] e o restante ficou mesmo na arrecadação, que eu não tenho espaço para tanta madeira na sala. A nossa arrecadação fica no último andar do prédio [felizmente tem elevador] e quando o nosso 'stock' da sala acabar, é só ir lá acima buscar mais e reabastecer o cesto. E pronto, sala quentinha e preparada para receber os dias mais frios. Tão bom!

 (sim, o M. acompanhou os rapazes da Companhia das Lenhas até a arrecadação mas não teve a inteligência de forrar o chão antes dos rapazes descarregarem tudo para ali... homens!)

E vocês, onde costumam comprar a lenha para a lareira? Conhecem um sítio mais barato e que entregue em casa? Contem-me os segredos todos que eu sou uma naba no assunto. E aquela história das pinhas servirem como acendalha, dá resultado? Partilhem lá as dicas para manter a nossa casa sempre quentinha e acolhedora...

Pra encerrar o assunto de uma vez por todas:

13 Outubro 2014
Posso dizer-vos que, sem exagero, todas as semanas recebo comentários anónimos (seeempre eles) sobre um post que escrevi exactamente há um ano (este), a contar do mau atendimento prestado num cabeleireiro de Lisboa. Como eu não sou pessoa de meias medidas e acho que, assim como o bom atendimento merece todas as honras, um mau atendimento é coisa que partilho com Deus e o mundo porque quero, a todo custo, evitar que mais pessoas passem pelo mesmo.

E por isso escrevi sobre a TA Cabeleireiros & Estética, porque nunca nos meus vinte e sete anos de vida fui tão mau atendida como neste sítio. Um horror autêntico, que eu não desejo a ninguém. E acho que se tenho um blog com algum poder de visualização (nada de especial, cerca de 80 mil visitas mensais), por quê não falar sobre tal assunto?

A verdade é que desde que o fiz, já recebi quatro mails a pedir que retire o post do ar porque 'corro o risco de ser processada' (processada por dizer a verdade e relatar uma situação da qual tenho todos os comprovativos da reclamação?!), já perdi a conta dos comentários que recebo (só hoje foram três) a dizer que tenho um cabeleireiro na zona e por isso estou a fazer 'má publicidade' ao espaço concorrente, que sou uma pessoa má que anda a difamá-los, que isto, que aquilo.

Só posso lamentar. Lamento por precisarem ameaçar pessoas com processos ridículos para que retirem o post do ar, lamento que ao pesquisarem pelo nome do espaço no google, o segundo link que apareça seja logo o do meu post, lamento pela péssima postura que continuam a ter, com comentários anónimos a auto elogiarem-se no post em questão. Só lamento, como se diz na minha terra.

Se fossem honestos e enviassem um mail com educação, a pedir para que eu retirasse o post por estarem prejudicados, se mostrassem que mudaram a forma de trabalhar e de lidar com o cliente, então sim, era menina para retirar o post do ar. Mas agir assim? Nem pensar. Não retiro o post e ainda pior, destaco-o. Continuem assim e vão ver se não espeto com uma imagem bem grande na barra lateral a dizer 'click me' e a redirecionar para o dito post. A escolha é vossa. (ameaça por ameaça, tomem lá com esta).

E dicas para quem vai à Rússia?

12 Outubro 2014
Pois é, acabei de saber que vou à Rússia em breve e isto significa encarar São Petersburgo em pleno inverno (fofinho esse meu marido), com temperaturas indecentes de tão frias mas pronto, vamos praticamente 'à borla' e viagens destas não dá para recusar.


Confesso que nunca tive grande interesse em conhecer a Rússia (pelo menos não até conhecer todos os outros países que me fascinam primeiro), por isso mesmo, não tenho a mínima ideia do que fazer por lá, o que visitar, os passeios imperdíveis, enfim...

Vamos para São Petersburgo e estaremos por lá 5 dias, numa viagem inesperada (há que saber aproveitar oportunidades e eu nunca digo 'não' a uma viagem) mas que queremos aproveitar ao máximo o nosso primeiro passeio ao leste europeu.

Todas as dicas são bem-vindas e eu conto com vocês, pessoas que já estiveram por aqueles lados, para me auxiliarem no meu roteiro :)