Só porque o ano chega ao fim...

22 dezembro 2014
... resolvi actualizar a informação na secção 'Autora', que aquilo já tinha pó e ao ler, já não me identificava com nada do que estava para ali. Sem contar que escrever em 3ª pessoa é só das coisas mais esquisitas de sempre (não, não sou jogadora de futebol para fazê-lo), por isso, cá vai a versão nova do meu 'eu', sem firulas, sem terceiras pessoas, só eu, simplesmente.

[e já agora pode ser que o Pai Natal também traga um layout novo aqui para o estaminé que eu estou fartinha deste header e destas cores, apetece-me mudar tudo. Arre, que isto de ser mulher é tramado. Acho que vou ao cabeleireiro, novamente.] 

Os preparativos para a noite mais linda do ano:

21 dezembro 2014
Acho que ontem fomos as últimas pessoas a sair do Colombo... Viemos embora quando já passava da meia-noite, andamos ali horas a ver as coisas, depois fomos jantar, a minha avó a querer comprar meio mundo e o outro ("ah, mas isto aqui custa uma fortuna no Brasil e aqui está tão barato. Vou levar um pra oferecer pra fulana, outro pra beltrana..." - medo!). Às tantas fartei-me de alancar com os sacos e agarrei num carrinho do Continente e vá de mandar tudo lá para dentro, que eu não sou parva.

Fui com mamãe à Parfois e comprámos montes de ganchinhos de cabelo e acessórios para ela variar no penteado, definitivamente, gosto muito mais dela com o cabelo curtinho. Ela, empolgada, ainda comprou um vestido lindo de morte para usar na noite de natal e adorei saber que a minha mãe está 'de volta', entusiasmada e a fazer montes de planos... Pelo meio descobrimos que a Vi já veste o S da Berskha (mas não era ontem que ela usava cueiros? Valha-me Deus que este tempo não anda, voa!) e eu descobri que já só enxergo à frente coisas para a casa. Qual roupa, qual sapatos! Toda eu estava virada para a Area, a Zara Home, a Vista Alegre... Oh, céus! Enquanto não me passar o 'mood' dona-de-casa, é o que temos.

 Uma prendinha da minha mãe, que aproveitou enquanto eu estava no Continente (a comprar faqueiros, acham isto normal?) e comprou-me os copos dos bicos em branco, para combinar com os vermelhos que comprei na semana passada. 

Manter o jogo de cintura...

20 dezembro 2014
... e não deixar a 'peteca' cair, é o meu lema destes dias. Há dias em que só quero estar sossegada no meu canto, sem grandes conversas, só eu ali a pensar. O M. tem sido o meu maior pilar nesta altura, meu companheiro, aquele que me percebe sem eu precisar abrir a boca. Às vezes chego a casa cansada e sem paciência e tenho a certeza que ele é um homem especial: está à minha espera com a mesa posta, o jantar feito, a minha sobremesa preferida no frigorífico . São pequenas coisas, mas que me transmitem um novo ânimo. Ele, mais do que ninguém, sabe o quanto eu preciso demonstrar força neste momento.

Pelos meus irmãos mais novos, pela minha avó que está de férias cá e foi apanhada no olho do furação. O meu irmão está de tal forma 'mexido' com a doença da mãe que precisou afastar-se desse ambiente de hospitais, IPO e cirurgias, e está fora do país, só chega pra semana. O Pê sempre foi assim, sempre sofreu sozinho, em silêncio, sem ninguém para o consolar, desde pequeno que ele 'se isola' para lamber as feridas. A Vi não sabe da missa a metade, que ela é demasiado pequena para tanto. Só sabe que a mãe tem umas 'coisinhas na barriga' e que está a fazer tratamento. Não quero ter que lhe dizer a palavra 'cancro'. É demasiado pesado para uma miúdinha da idade dela.

A minha avó, surpreendentemente, foi aquela que reagiu melhor. Assim que soube da notícia, suspirou: "Graças a Deus que eu estou cá com vocês, se estivesse no Rio acho que tinha caído para o lado". Pensei em poupá-la dos detalhes mas esta velha de 81 anos parece que sabe de tudo o que se passa, tem um radar especial. Talvez por a minha avó ter tido tantos problemas de saúde (um derrame, dois AVCs, um cateterismo e uma cirurgia ao coração para pôr bypass e fazer ponte de safena) e ter saído 'quase' ilesa de todos eles, ela tem a certeza (a mesma que eu tenho) de que estamos no caminho certo para a cura e que mamãe vai ultrapassar essa fase.

Para mim tem sido difícil porque tanto eu como os meus irmãos, principalmente o Pê, sempre  vimos a minha mãe como uma rocha inabalável, uma mulher que nunca se curvou a nada nem a ninguém, que nos criou sozinha, sem apoio do nosso pai, que chegou a ter três empregos para nos conseguir pôr nos melhores colégios, uma mulher que sempre se pôs à margem para que nós vencêssemos, que sempre pensou: 'primeiro eles, depois eu', uma mãe maravilhosa... Sempre a vimos como uma guerreira e por isso, temos a certeza que esta batalha (que, afinal, é só mais uma) já está vencida.
(mas não posso dizer que está a ser fácil, não senhora).

[e para dissipar um bocadinho a névoa escura em que acordei hoje, vamos todos para o Colombo passar a tarde a passear e fazer compras, que é disto que esta família precisa. Vá, talvez não seja bem isso que precisamos mas para já, é um bom começo. Até a minha avó, que odeia centros comerciais, alinhou no passeio. Isto hoje promete!]

(in)tranquilidade:

17 dezembro 2014
Lembram-se disto? Pois bem, já ultrapassámos a questão da cirurgia e mamãe está a ser tratada no IPO de Lisboa (lembrem-me fazer um post sobre isso, fiquei ma-ra-vi-lha-da com o atendimento e carinho das pessoas que trabalham por lá) mas bem, dizia eu que há muito que desistimos da cirurgia no privado, visto que por quatro vezes o médico da minha mãe enviou o pedido para pré-autorização para o seguro e foi sempre negado como sendo 'doença pré-existente'.

Já estávamos conformados com a situação e em pagar os 70€ mensais por um seguro só mesmo para ter o cartãozinho na carteira, tão giro que é. Usar que é bom, nããã, deixe estar, é mesmo só dizer que 'temos um seguro'. Hoje, surpresa das surpresas, mamãe recebeu um mail da Tranquilidade a dizer que, lamentalmente, o seguro de saúde dela tinha sido cancelado, visto que 'diante da sua actual situação de saúde, não nos é financeiramente viável mantê-la como cliente segurada'. E também lembram-se de cancelar o seguro de vida que a minha mãe fez há três (TRÊS) anos, cujos beneficiários somos eu, o Pê e a Vi.

Pois, para a Tranquilidade mais valia cancelar logo os seguros todos, onde já se viu uma pessoa descobrir que tem cancro e continuar a ter seguros de saúde e de vida? Baza daqui, sua cancerosa. Achas mesmo que vamos andar aqui com seguros de vida em que os teus filhos estão como beneficiários? E daqui a nada tu morres e nós ficamos com o prejuízo de ter que sustentar a tua filha de 13 anos até ela completar 21, é isso? Nããã, nem pensar. Achas que não sabemos que fizeste o seguro em 2011, já a pensar no cancro que terias em 2014? Espertalhona! Vai na volta ainda fizeste de propósito para nós andarmos aqui anos a fio a sustentar os teus rebentos, enquanto tu já partiste desta para melhor. Nem pensar, ficas logo sem seguro que é para aprenderes a não te armares em chica-esperta.

A minha mãe está por tudo e quer meter advogados ao barulho e tal. Eu já acho que é inadmissível 'mendigar' para ser cliente de qualquer empresa. Se pago (e bem), o mínimo que espero é ser tratada com cliente. Eles, da Tranquilidade, têm em mãos todos os documentos e exames que provam que a minha mãe só descobriu o cancro há dois meses e tal. Tem o seguro de vida há três anos, o de saúde há 8 meses. Tem uma ecografia feita na altura em que contratou o seguro e estava saudável, sem qualquer tumor. E então, Tranquilidade? Em que é que ficamos? Eu já disse à minha mãe que temos coisas mais importantes para nos preocupar do que com a merda de um seguro que trata as pessoas única e exclusivamente como números (eu sei que toda e qualquer empresa sobrevive através de lucro, mas caramba, estamos a falar de vida, de pessoas doentes! Há que ter um outro posicionamento, acho eu).

Estou desiludida com a humanidade, confesso. Chamem-me utópica, crente demais, o que for. Nunca pensei que pudessem fazer algo assim, sem qualquer fundamento lógico, visando apenas lucros e dividendos. Não sei o que fazer, a quem recorrer. Não sei, sequer, se vale a pena lutar para a minha mãe ter um seguro de saúde. E o que me lixa, o que me fode o juízo, é ver que a minha mãe estava a reagir tão bem às mudanças, ao tratamento, as análises mostram uma óptima progressão, estava tudo a correr tão bem e agora essa porrada. Sim, que ela desde que soube disso só chora e diz que sente que as pessoas não a enxergam mais como cliente, e sim como "a doente oncológica". E isso sim, me mói o juízo e me dá vontade de entrar no edifício da Tranquilidade e desatar aos socos e pontapés a quem me aparecer à frente. Façam comigo, pá, mas não façam com os meus.

E entretanto lembrei-me deste texto d´A Pipoca Mais Doce e constato que, afinal, o modus operandi destas empresas é sempre o mesmo:

De qualquer forma, ninguém vai ao médico ou se põe a fazer exames porque não tem coisas mais divertidas com que ocupar o dia. Vou ao médico quando preciso, e foi para isso que fiz um seguro, PARA O PODER USAR QUANDO PRECISO! O problema é que parece que isto é prática comum. O cliente deixa de ser economicamente interessante e a seguradora põe-no a andar. Ala que se faz tarde, que aqui só nos interessam clientes que pagam muito e gastam pouco. Fosse o nosso sistema nacional de saúde uma coisa altamente eficiente e mandava-os dar uma curva, não queria mais seguro nenhum. Como não é, lá vou eu fazer um novo seguro de saúde, passar por um novo período de carência, e trá lá lá lá lá, que é disso que as seguradoras gostam. Como é que uma coisa que é suposto dar-nos saúde nos esfrangalha o sistema nervoso? Não é um contra-senso? Enfim. 

Thermo Cut, o nosso corte de cabelo:

15 dezembro 2014
Quando decidi que queria cortar o cabelo para animar um bocadinho a minha mãe, tive a certeza de que ficaria horroroso porque já tive a experiência de ter o cabelo no início dos ombros e fiquei com ar de 'cogumelo' mas... a verdade é que estou amando o cabelinho curto, é super fácil de manter com um ar arranjado (no meu caso, basta dormir com um carrapito torcido no alto da cabeça e no dia a seguir acordo com ondas suaves e muito volume - adoro!).

Optámos pelo 'Thermo Cut', ou corte térmico, que é realizado com uma tesoura especial que aquece até 170º, logo, ao cortar os fios as pontinhas ficam logo 'seladas' (ou cauterizadas) pelo calor da tesoura (adeus, pontas duplas) e fica super macias! O cabeleireiro explicou-nos que no corte convencional, as pontas recém-cortadas ficam abertas, fazendo com que o fio perca hidratação e fique exposto às impurezas, daí que os cabelos recém-cortados fiquem normalmente com as pontas ásperas. Nós adoramos e da minha parte, uma certeza: só volto a cortar o cabelo com essa tesoura mágica. É outra vida :) 

(ignorem a cara inchada, tinha acabado de acordar)
E agora é começar (já) a criar coragem para cortar ainda mais. Já disse à minha mãe que ela não está sozinha nisto, estamos juntinhas para o que der e vier. Quero que ela perceba que ter cancro não é o fim do mundo, que perder o cabelo não é a coisa mais horrível à face da terra (como eu própria pensava, antes de passar por essa experiência). Conviver lado a lado com o cancro têm me mostrado, todos os dias, que esta doença não é uma condenação de morte, não é algo incurável, nem é o fim da vida.

É o fim de um ciclo, da vida como a conhecíamos, concordo. Quem passa pela doença jamais continua igual. Com o cancro da minha mãe, acho que me tornei uma pessoa muito mais flexível, tolerante, já não me desespero com pequenas coisinhas, aprendi a relativizar. Ganhei uma nova perspectiva da vida e passei a valorizar apenas aquilo que realmente importa. O que é a perda de um cabelo quando isso significa que estamos no caminho para a cura...?

[não, não é publicidade mas quando o serviço é top, vale a pena partilhar. Por indicação de uma amiga, escolhemos o cabeleireiro Makeover, na Alameda e só posso elogiar. São mesmo profissionais e tiram todas as nossas dúvidas, para além de transformarem o nosso cabelo em algo macio e brilhante. O nosso tratamento foi este.]

"If you jump, I jump. Remember?"

14 dezembro 2014
"Um dia vais cortar mais de metade do teu cabelo para motivar a tua mãe. Hoje foi o dia"

Nunca fiz segredo para ninguém que amo o meu cabelo, que adoro tê-lo comprido, que gasto uma pequena fortuna em produtos e tratamentos para tê-lo sempre fantástico... Estava radiante por ter conseguido deixá-lo enorme a tempo do casamento e não tinha planos de cortá-lo num futuro próximo.

Mas se é verdade que amo o meu cabelo, também é verdade que amo ainda mais a minha mãe e faria [e faço] qualquer coisa para animá-la e fazê-la sorrir. O que é um cabelo quando comparado ao amor que nos une?

Por causa da medicação que a minha mãe está a tomar (e mais recentemente por causa da cirurgia), o cabelo dela começou a cair aos montes, mechas e mechas de fios que caem ao simples passar dos dedos. E como ela tem um cabelão, todos os dias era um sofrimento ver aqueles fios gigantes espalhados na almofada.

E então ela decidiu que queria cortar. Ao mesmo tempo em que chorava, dizia que tinha a certeza, queria mesmo cortar. Disse-lhe que sim senhora, também concordava que era melhor um corte mais moderno e curtinho, que o cabelo dela é fantástico, mas que cresce de novo e daqui a nada ele já está comprido novamente, que é apenas uma fase e eu tenho (mesmo) a certeza de que vai passar logo. "ah, dizes isso porque não é o teu cabelo...", respondeu-me mamãe.

"Então bora, eu corto o meu também. Se tu cortas, eu corto. Simples."

Soltei a frase num impulso, foi uma bravata. Mas depois que disse, pensei: "é, eu corto mesmo."
Ela pensou que eu estava a brincar e não deu muita atenção. Fomos ao cabeleireiro e esperei para ver o corte que ela escolheria. Um long boob, no início dos ombros. Pedi um corte igual e lá se foi metade do meu cabelo.

Agora somos duas mocinhas de cabelo curto e acho que nos fica lindamente. Parceiras e cúmplices em tudo, até nas loucurinhas capilares. Agora a Vi diz que também quer se unir à nós e logo mais também vai fazer o mesmo corte. E nunca a frase: "uma família unida vence qualquer obstáculo" fez tanto sentido para mim. Vamos conseguir, tenho a certeza. ❤

Vermelho!

13 dezembro 2014
Hoje fomos ao Freeport despachar os últimos presentes da nossa lista (pela primeira vez em não sei quantos anos, já tenho tudo comprado, embrulhado e prontinho para a grande noite, com muuuita antecedência) e não resisti em passar pela Vista Alegre para espreitar os copos de bicos. Os meus olhos foram automaticamente atraídos pelos vermelhos, nada a fazer. Havia em montes de cores e fiquei ali um instante indecisa entre o verde e o vermelho mas, caramba, é natal! E natal que é natal... pede muitos apontamentos em vermelho. E assim vieram os copos, baratíssimos que só (isto de irmos a uma loja 'de fábrica' é um pequeno perigo, queria trazer tudo atrás). Ah, e com a vantagem de poder trazer os copos à unidade, que era mesmo o que eu queria. Tão bom!

Sim, trouxe-os por 3,30€ cada! Um achado, eu sei... Nas lojas normais da VA a caixa com 4 copos de vinho (cor vermelha) fica por 36€, o que significa que cada copo sai a 9€. Logo, comprar o mesmíssimo copo por 1/3 do preço tem todo um outro sabor :)

Entretanto deixei encomendado o jarro de água (por míseros 12€) e também a fruteira, tudo em vermelho. Costumava comprar estes artigos sempre na loja do Vasco da Gama mas já percebi que compensa (e bem) cruzar a ponte e dar um saltinho ao Freeport. Só é pena não terem todos os artigos disponíveis (há muitas coisas que não vão para outlet, principalmente as novas cores), mas os artigos mais tradicionais e clássicos estão sempre por lá. Eu adorei a descoberta!

E, entre a compra dos últimos presentes, lá acabei por perder a cabeça com umas botas da Mango, pretas e em pele, um clássico para o inverno. Pronto, foi uma assim uma pequena loucurinha. E já no último corredor, prestes a ir para o parque de estacionamento... dei um saltinho à SPAL e trouxe uns pratos de sobremesa por preços ridículos (eu fico ma-lu-ca com promoções, não lhes resisto), da coleção Gold & Diamond by Fatima Lopes, com detalhes em dourado para juntar ao serviço de jantar dourado que comprei no início deste mês.

E é oficial: estou proibida de pisar no Freeport até o ano que vem (que, assim como assim, é já daqui a duas semanas). E vocês, já têm as prendinhas todas compradas?