Vida suspensa.

23 Outubro 2014
Tudo começou uma semana antes do meu casamento. Fomos ao El Corte Inglés buscar o vestido da minha mãe que tinha ficado para fazer uns ajustes e assim que enfiou o vestido pela cabeça, espanto, o vestido não lhe fechava atrás. Apertadíssimo na barriga, coisa que não tinha estado uma semana antes. A vendedora achou estranho e confirmou as medidas e não coincidiam em nada com as anteriores. Mamãe tinha quase 8cm a mais na cintura.

Ainda brinquei e disse: "andas a comer muito, lontrinha...". Não fomos ao médico, achamos que pudesse ser retenção de líquidos, por ela ter estado a mil por causa do casório. Quando voltei de lua-de-mel, achei que ela estava bem mais gordinha, com uma barriga mais saliente mas não dei atenção ao facto. No sábado passado ligou-me já tarde da noite a dizer que estava com imensas dores na barriga e que tinha febre. Fui ter com ela e fomos as duas para o Hospital da Luz. Ao meu lado, no carro, ela contorcia-se de dor e eu pensava com os meus botões que provavelmente seria uma crise de apendicite.

Felizmente foi logo atendida e o médico das urgências pediu-lhe uma TAC, para confirmar se era o apêndice. Não era. Encaminhou-a então para a ginecologista de serviço naquela noite, que fez-lhe uma ecografia.

A médica que nos atendeu era bastante insensível, diria mesmo bruta. Cumprimentou-nos sem olhar nos olhos e pediu que a minha mãe se deitasse que ia começar o exame. Durante o exame, nem ai nem ui. Franzia a testa, olhava para mim com um olhar esquisito, continuava a olhar para o monitor, depois perguntou numa voz metálica: "Há quanto tempo não faz uma ecografia?" ao que a minha mãe respondeu que a última tinha sido há uns seis ou sete meses. Silêncio do outro lado.

Saiu da sala e voltou com mais dois médicos. A essa altura já eu tinha deixado de ouvir, já estava em pânico a imaginar os piores cenários possíveis. Os médicos estiveram a olhar para o ecrã, naquele monitor a preto e branco que não se percebe coisa nenhum (para mim é chinês) e começaram a falar de medidas: "este tem cerca de dois cêntimetros", "este é maior, deve ter quase três", a minha mãe com os olhos do tamanho de um prato, arregalados e com cara de quem ia desfazer-se ali mesmo. Perguntei um tímido: "passa-se alguma coisa?".

Sim, passa-se. São tumores. Quatro deles. Dois relativamente pequenos, outros dois com tamanho avançado, tão avançado que o útero está bastante distendido (a tal barriga inchada), de tal maneira que equivale, em volume, ao útero de uma grávida de quatro meses. Ainda não sabemos se são benignos (miomas) ou malignos, vamos ter que fazer uma biópsia para avançarmos com o tratamento correcto

E é isto. Até agora ainda não sabemos de nada. Os exames já foram feitos, só nos falta o resultado. Não pudemos ainda avançar com nenhuma medicação até que saibamos com o que estamos a lidar. Se forem benignos, há uma medicação que os faz regredir ate desaparecerem. Se forem malignos, bem, vocês já sabem o que isso implica. E eu não quero nem cogitar essa hipótese (apesar de saber que é real).

Sinto um medo que nunca antes senti. É desesperador, de verdade. Que me digam logo o resultado e seja o que for, vamos em frente. Temos bons médicos, um excelente seguro de saúde, conhecimentos na área, até podemos ir para outro país se for preciso, não quero saber, quero é que a minha mãe fique boa. Nem que gaste todo o dinheiro que tenho, nem que tenha que pôr tudo à venda, não me interessa. Só quero saber contra o quê estamos a lutar e avançar com o tratamento.

Vamos vencer, seja o que for. Tenho medo, muito. Mas uma fé gigante que me faz ter a certeza que Deus não nos dá um fardo maior do que aquele que podemos carregar. [obrigada pelos vossos comentários, é muito reconfortante saber que há gente deste lado que torce por nós]

Tic Tac Tic Tac

22 Outubro 2014
Ando num compasso de espera. Logo eu, que detesto esperar. Logo eu, que detesto hospitais. Logo eu, que odeio essa doença mais que tudo. Os exames estão feitos. A consulta está marcada. E eu não tenho paciência nenhuma para escrever nada aqui. Só me apetece esconder-me num sítio qualquer e dormir duas semanas. Acordar quando tiver as notícias que espero ouvir. As boas notícias.

Sou pessoa optimista por natureza, mas desta vez... não sei. Sinto um nó no estômago e só consigo pensar em como a minha vida vai mudar. Em como a vida muda, assim, de uma hora para a outra. Estava a viver uma das melhores fases da minha vida e de repente...puft! A vida fica suspensa. Presa por um fio, por uma resposta que tarde em vir. Custa-me tanto pensar no pior mas não consigo esquecer o olhar que os médicos trocaram durante o exame. Um olhar de consternação. Um olhar que me arrepiou até a alma. Espero que estejam errados, espero que seja um engano. Mas no fundo, não sei. Não sei mesmo.

Para os amantes de lareiras: Companhia das Lenhas

19 Outubro 2014
É sabido que sou pessoa do mais friorenta que há [apesar de adorar o Outono e o tempo assim mais fresco], é inegável que sofro um bocadinho no inverno porque sinto montes de frio e preciso andar com camadas e camadas de roupa para me sentir 'confortável'. Em casa é um drama. Pre-ci-so de ter os aquecedores ligados, quando vou tomar banho as toalhas têm que estar aquecidas e é claro que com esta brincadeira já cheguei a pagar mais de 200€ numa única fatura de gás. Pois.

Por isso, assim que eu e o marido [adoro falar 'marido', pessoas, relevem que daqui a pouco passa-me a panca], pois bem, dizia que assim que começámos a procurar a nossa casa, um ponto tornou-se fulcral: tinha que ter lareira na sala [que eu não estava para gastar um balúrdio de gás por mês]. Confesso que, para além da funcionalidade, acho um charme a lareira na sala e adoro sentar-me à frente de uma, numa tarde fria, com um tapete peludo aos pés e um bom livro...

Há uns dias abri a minha caixa de correio, vi um folheto da Companhia das Lenhas e fiquei deveras interessada: entregavam a lenha em casa, tinham várias espécies de madeiras e preços convidativos. Prendi o folheto no frigorífico e fiz uma nota mental para, assim que chegasse o frio à sério, fazer uma encomenda.


E com as chuvadas dos últimos dias, achei que era a altura ideal de abastecer-me de lenha para enfrentar os dias mais geladinhos. Fui ao facebook da loja e fiz a minha encomenda online, optando pela mistura de sobro e azinho.

Não percebo patavina de madeiras, mas daquilo que li na internet, pude perceber que há lenhas para cada tipo de ocasião: Há aquelas que queimam rápido, há aquelas que possuem um fogo suave e constante, há as madeiras mais densas que duram e duram... enfim, há de tudo. Tendo em conta o rendimento e consumo, optei pela mistura de duas árvores: Azinheira (de combustão mais lenta e duradoura) e Sobreiro (ateia e aquece rápido), que no fundo reúne o melhor dos dois mundos: uma lenha que aquece rápido e mantém o fogo constante (detesto ter que estar a toda a hora a reabastecer a lareira).

Fiquei a saber que toda a lenha vendida pela Companhia das Lenhas é resultado do reaproveitamento de recursos florestais, ou seja, utilizam apenas árvores já mortas no processo, até porque cá em Portugal tanto o sobreiro como a azinheira são espécies protegidas. Aproveitei a promoção de lançamento e trouxe 100kg de lenha por 23€, já com entrega em casa e arrumação do excedente (é imeeeensa lenha) na minha arrecadação. Os rapazes que vieram entregar a encomenda foram uns amores, chegaram à hora combinada, carregadinhos de madeira e lá nos deixaram a encomenda. Serviço impecável, a repetir mais vezes (espero que só lá para o ano que vem, que tanta madeira é coisa para me durar o inverno inteirinho).  

Logo que Outubro venha... procure lenha! :)

Retirei cerca de 1/3 dos 100kg para deixar num cantinho da sala [agora preciso comprar uma cesta gira para arrumar a lenha ao lado da ladeira] e o restante ficou mesmo na arrecadação, que eu não tenho espaço para tanta madeira na sala. A nossa arrecadação fica no último andar do prédio [felizmente tem elevador] e quando o nosso 'stock' da sala acabar, é só ir lá acima buscar mais e reabastecer o cesto. E pronto, sala quentinha e preparada para receber os dias mais frios. Tão bom!

 (sim, o M. acompanhou os rapazes da Companhia das Lenhas até a arrecadação mas não teve a inteligência de forrar o chão antes dos rapazes descarregarem tudo para ali... homens!)

E vocês, onde costumam comprar a lenha para a lareira? Conhecem um sítio mais barato e que entregue em casa? Contem-me os segredos todos que eu sou uma naba no assunto. E aquela história das pinhas servirem como acendalha, dá resultado? Partilhem lá as dicas para manter a nossa casa sempre quentinha e acolhedora...

Pra encerrar o assunto de uma vez por todas:

13 Outubro 2014
Posso dizer-vos que, sem exagero, todas as semanas recebo comentários anónimos (seeempre eles) sobre um post que escrevi exactamente há um ano (este), a contar do mau atendimento prestado num cabeleireiro de Lisboa. Como eu não sou pessoa de meias medidas e acho que, assim como o bom atendimento merece todas as honras, um mau atendimento é coisa que partilho com Deus e o mundo porque quero, a todo custo, evitar que mais pessoas passem pelo mesmo.

E por isso escrevi sobre a TA Cabeleireiros & Estética, porque nunca nos meus vinte e sete anos de vida fui tão mau atendida como neste sítio. Um horror autêntico, que eu não desejo a ninguém. E acho que se tenho um blog com algum poder de visualização (nada de especial, cerca de 80 mil visitas mensais), por quê não falar sobre tal assunto?

A verdade é que desde que o fiz, já recebi quatro mails a pedir que retire o post do ar porque 'corro o risco de ser processada' (processada por dizer a verdade e relatar uma situação da qual tenho todos os comprovativos da reclamação?!), já perdi a conta dos comentários que recebo (só hoje foram três) a dizer que tenho um cabeleireiro na zona e por isso estou a fazer 'má publicidade' ao espaço concorrente, que sou uma pessoa má que anda a difamá-los, que isto, que aquilo.

Só posso lamentar. Lamento por precisarem ameaçar pessoas com processos ridículos para que retirem o post do ar, lamento que ao pesquisarem pelo nome do espaço no google, o segundo link que apareça seja logo o do meu post, lamento pela péssima postura que continuam a ter, com comentários anónimos a auto elogiarem-se no post em questão. Só lamento, como se diz na minha terra.

Se fossem honestos e enviassem um mail com educação, a pedir para que eu retirasse o post por estarem prejudicados, se mostrassem que mudaram a forma de trabalhar e de lidar com o cliente, então sim, era menina para retirar o post do ar. Mas agir assim? Nem pensar. Não retiro o post e ainda pior, destaco-o. Continuem assim e vão ver se não espeto com uma imagem bem grande na barra lateral a dizer 'click me' e a redirecionar para o dito post. A escolha é vossa. (ameaça por ameaça, tomem lá com esta).

E dicas para quem vai à Rússia?

12 Outubro 2014
Pois é, acabei de saber que vou à Rússia em breve e isto significa encarar São Petersburgo em pleno inverno (fofinho esse meu marido), com temperaturas indecentes de tão frias mas pronto, vamos praticamente 'à borla' e viagens destas não dá para recusar.


Confesso que nunca tive grande interesse em conhecer a Rússia (pelo menos não até conhecer todos os outros países que me fascinam primeiro), por isso mesmo, não tenho a mínima ideia do que fazer por lá, o que visitar, os passeios imperdíveis, enfim...

Vamos para São Petersburgo e estaremos por lá 5 dias, numa viagem inesperada (há que saber aproveitar oportunidades e eu nunca digo 'não' a uma viagem) mas que queremos aproveitar ao máximo o nosso primeiro passeio ao leste europeu.

Todas as dicas são bem-vindas e eu conto com vocês, pessoas que já estiveram por aqueles lados, para me auxiliarem no meu roteiro :)

Receita infalível para animar o fim-de-semana:

11 Outubro 2014
Receber mais de 3000 fotografias do nosso casamento e ter a simples tarefa de escolher 100 delas para a montagem do álbum... E para quem reclama que nunca mostro fotografias de rosto, vai ter uma surpresinha com este post, afinal, não há ocasião mais bonita para 'aparecer' pra vocês do que no dia do meu casamento, certo? E, bem vistas as coisas, depois de quase três anos de blog... já não era sem tempo!

Isla Contoy, México // um paraíso na terra

10 Outubro 2014
Faz hoje duas semanas que viemos do México (snif, snif) e quero partilhar com vocês um dos lugares mais lindos em que já estive: a Ilha Contoy! Durante a nossa lua-de-mel visitámos as três ilhas da Riviera Maya: Cozumel, Isla Mujeres e Isla Contoy e não posso negar que adorei conhecer todas elas mas quando o nosso barco chegou pertinho da Ilha Contoy, não consegui conter um "uau". É muita beleza natural! Uma perfeita ilha das Caraíbas, com mar quentinho (quente até demais, parecia uma sopa), águas turquesas, areia branca, vida selvagem ao redor...

Não, eu juro que não é photoshop, a cor da água é mesmo assim: até encadeia os olhos.