Dilemas da minha vida...

28 maio 2015
À hora do almoço, sentadas na esplanada a almoçar: eu e mais seis raparigas. Suspiro e digo que estou farta desta ventania desgraçada que se faz sentir em Lisboa e que no fim-de-semana vou me pôr na estrada rumo ao Algarve para ver se 'apanho uma corzinha'.

E pronto, tenho seis pares de olhos muito abertos a olharem para mim como se eu fosse louca. Uma delas diz: "Ah, só podes estar a gozar connosco! Nós aqui brancas como cal e tu é que precisas de cor?!"

Epá, preciso, o que é que querem? Lá por ter nascido com esta cor (que não, não é bronze nenhum, é mesmo a minha cor), uma pessoa não pode gostar de estar (mais) moreninha e com aquele tom dourado que só a praia nos dá? E já não podemos gostar de andar a exibir a bela da marquinha do biquíni? No verão gosto mais de me ver pretinha e então? Posso? Obrigada.

Acabei de receber esse texto pelo facebook...

26 maio 2015

 "... Então, você vai ser pai. Então, você e sua companheira estão grávidos. Então, você sabe que precisa comprar uma casa maior. Tem que ter mais espaço pra criança. Tem que ter mais um quarto no apartamento. Tem que ter um berço novo, não pode ser aquele que a vizinha se dispôs a emprestar. Então, você sabe que tem que trocar de carro. Aquele carro não é confortável pra levar a família.

Aquele carro não é seguro pro seu filho. Tem que ter seis airbags, no mínimo. Tem que vir com ar-condicionado de fábrica. Coitado do bebê no verão.

Pai novo, fiz tudo aquilo que me diziam, do apartamento maior ao carro quatro portas, depois dos quais precisei trabalhar mais para poder dar conta das prestações. Trabalhava mais pra poder pagar a melhor creche. No supermercado, apenas a melhor fralda. Comprar a fralda mais barata significava amar menos meu filho. Roupa do brechó, nem pensar. De brinquedos caros, nosso armário está cheio. De culpa também, por ter que passar muito tempo no trabalho.

O que aprendi é que não faz diferença alguma. Um apartamento grande não faz diferença, porque as crianças gostam mesmo é de dormir amontoadas na cama dos pais. Um carro grande não faz diferença, porque as crianças gostam mesmo é de andar de bicicleta. A melhor creche não faz diferença, se você é o último pai a buscar seu filho.

Os brinquedos mais caros e os jogos de videogame não fazem diferença: para crianças, não há nada mais divertido do que se equilibrar no meio-fio ou andar na calçada sem pisar nos riscos. Jogar uma criança pro alto e agarrá-la antes de cair no chão, está aí a melhor brincadeira do mundo para qualquer pequeno. E tem a vantagem de ser de graça.

Adoro aquela tirinha do Rafael Sica sobre o sujeito que está sempre no trabalho pensando no bar. No bar, o sujeito está sempre pensando na família. Em casa, com a família, o sujeito está sempre pensando no trabalho. O sujeito nunca está realmente onde ele está. Cria sempre algum tipo de ruído na relação dele com as coisas. Esse cara sou eu, pensei quando vi a tirinha pela primeira vez.

Então, você e sua companheira estão grávidos. Então, você sabe que não precisa de uma casa maior, de um carro melhor, nem da melhor fralda, nem da melhor creche. Você sabe, no fundo, que só precisa estar lá. De verdade."


E fiquei com um nó na garganta porque parei para refletir e lembrar da minha infância (pobre em luxos mas riquíssima em amor) e as melhores lembranças que tenho dessa fase são sempre de momentos simples, de dormir agarrada à minha avó na rede de embalar, de comer esparguete com salsicha da minha mãe e lamber os beiços de tão bom que aquilo é (a famosa 'comida de pobre'), de cantar o hino nacional toda segunda-feira no pátio da minha escola (pública), de apanhar o 'ônibus' lotado na Tijuca a caminho da praia do Leblon, aos domingos de manhã. E percebi que aquele clichê é mesmo muito verdadeiro: as melhores coisas da vida são à borla.

 (eu de patins, o Pê de bicicleta - eu era tão preguiçosa que queria ir sempre agarrada à ele para não ter que patinar ahahaha - momentos tão bons!) - Méier, Rj | 1995

Escusado será dizer que foi a minha mãe que me enviou esse texto (ela anda maluca por um netinho) e ao ler senti que os meus argumentos caíram um bocadinho por terra. As célebres desculpas de "um filho dá uma despesa do caraças", "só quero pensar nisto quando tiver XYZ de saldo na conta bancária", "só posso ter filhos quando puder mudar para uma vivenda com jardim que eu não quero criar filhos em apartamentos" ou ainda "um filho exige tanto! Vamos gastar com colégio, seguro de saúde, fraldas caras, roupas assim e assado...". Confesso que tenho uma visão racional das coisas (se fosse pelo lado emotivo, já eu estava com meia dúzia de filhos - sou louca por crianças, crianças são a maior pureza desse mundo) daí que só queira pensar nisso quando sentir-me totalmente segura financeiramente. E depois de ler esse texto, pus-me aqui a pensar. Não sei, não.

Lavar o vestido de noiva antes do primeiro ano?

25 maio 2015
Definitivamente, sim!

Quero lá saber de tradições ou superstições (não acredito em nada disso) que nos dizem que 'dá azar' lavar o vestido de noiva antes do primeiro ano de casamento... Na verdade, depois do casamento, o nosso vestido fica irreconhecível! O meu ficou todo estropiado no fim do dia, parecia que eu tinha andado na guerra.

Num casamento, o vestido de noiva sofre e não é pouco. O meu marido, desastrado, passava a vida a pisar a cauda do meu vestido. O véu, que era comprido, passou o tempo todo a ser pisoteado pelas madrinhas, crianças que entretanto corriam para lá e para cá (e me iam levando o cabelo junto), enfim... Para adicionar brilho à festa, assim que acabou a cerimônia religiosa eu descalcei-me e fui curtir a festa. Aqueles sapatos estavam a dar cabo dos meus pés e num dia tão especial para nós, tudo o que eu queria era estar feliz, sem dores e a aproveitar cada segundo, por isso, mal descalcei-me (e perdi logo 7cm de altura), foi ver a barra do vestido a ficar cada vez mais suja mas que se lixe! Era o nosso dia e não estava minimamente preocupada com isso.

No dia a seguir fomos de lua-de-mel e o vestido foi guardado na parte de cima do roupeiro, dentro da capa protectora. Nunca mais me lembrei dele até que há dias fui pôr um fato do M. na lavandaria e estava lá uma senhora a pôr o vestido de noiva para lavar. Quando viu a sujidade do vestido, a senhora da lavandaria disse que quanto mais tempo passasse, pior seria para retirar as manchas e que em alguns casos, era mesmo necessário cortar (!) a barra do vestido. Eu ia tendo um ataque porque o meu vestido estava beem pior que o da senhora e nem pensei duas vezes... Fui logo para casa agarrar no vestido (e respectivo véu) e deixei ambos na lavandaria, com a promessa de que sairão de lá como novos. E aí sim, vou poder guardá-lo limpinho e impecável para, quem sabe, servir algum dia para a Vi (nem que seja só o véu). Não tenho coragem de vender, nem que seja para ficar guardado trinta anos a apanhar pó... adoro-o!

[e vocês, já lavaram o vestido? Acham que dá azar? Ou preferem guardá-lo com as 'marcas de guerra' para lembrarem do vosso dia?]

Entretanto hoje já o fui buscar e está como quando saiu da loja: branquinho, passado e engomado. É verdade que achei um abuso o valor que inicialmente me tinham pedido porque 'o vestido é todo trabalhado e cheio de incrustações', mas acabou por não ultrapassar os 100€ e pelo trabalho meticuloso que foi feito, estou mesmo satisfeita! Entretanto comprei uma embalagem com dois sacos à vácuo (um deles com 1,30m de comprimento) já a pensar em guardar o vestido e assim que o busquei na lavandaria, guardei-o logo no saco (mentira, ainda o vesti mais uma vez e andei a passear-me com ele pela casa ahaha) mas pronto, agora está guardadinho à vácuo à espera dos nossos cinco anos de casados (quando pretendemos renovar os votos e quem sabe, voltar a usar o vestido?).

P.S: Ainda em relação às superstições de casamento, alguém congelou uma fatia do bolo de noivos para comer um ano depois, como manda a tradição? Eu não. Mais uma falha minha... Depois vem daí divórcio e não sei o motivo :P

Badoca Safari Park - uma aventura!

23 maio 2015
No fim-de-semana passado rumámos até o litoral do Alentejo, mais precisamente em Vila Nova de Santo André, para conhecer o Badoca Safari  Park, um parque natural com animais de várias espécies assim num género de safari africano a apenas 150km de Lisboa. Acordámos cedo no domingo e saímos de Lisboa perto das 8h30.

O nosso condutor foi o Pê (nem eu nem mamãe quisemos arriscar levar os nossos carrinhos para o meio do pó e da lama ahahah) que conduz um verdadeiro tanque de guerra no dia a dia e o carro dele está totalmente habilitado para safaris :P

Perto das 9h30 chegámos ao parque, super entusiasmados! Como a bilheteira só abria as 10h, ainda tivemos tempo de passar protector solar, pôr a parte de cima do biquíni (o sol estava imperdoável) e bebermos bastante água.

Retiro o que disse:

22 maio 2015
os angolanos são todos uns queridos e quem me dera que houvesse mais uns quantos como os de ontem por cá a passear em Lisboa. Já lhes perdoei os atrasos todos, as desmarcações em cima da hora, coitados, tiveram imprevistos, acontecem a todos, não é verdade? Vá, estão mais que perdoados (e sintam-se à vontadinha para voltarem quando quiserem, sim? estamos cá sempre às ordens.)

* ontem saímos da empresa perto da meia-noite mas com a sensação de que acertámos o jackpot. Valeu bem a pena e já estou cá a programar as próximas férias. Tão bom! A partir de agora só quero clientes angolanos e de preferência desses que pagam tudo em dólares - sim, eu sei que o dólar tem menos valor que o euro mas continuo a achar que é uma moeda chiquérrima!

A pior coisa do mundo...

21 maio 2015
... é fazer negócio com angolanos (desculpem-me a generalização, falo apenas por alguns).

Marcaram de chegar às 18h30. São 20h38 e ainda não apareceram. A recepcionista ligou-lhes e disseram que estão a caminho, mais cinco minutos e já cá estão. Isto depois de terem agendado para ontem e dez minutos antes do horário ligarem a dizer que afinal tinha que ficar para hoje.

Mas esta gente não tem relógios, caraças? Já vamos todos ter que fazer serão hoje para os atender (sim, diz que são VIPs) e praticamente fechamos o espaço só para eles, não há cá mais nenhum outro cliente. Quer dizer... um bocadinho de respeito não ficava mal. Digo eu.

[isto duma pessoa ter dinheiro e consciência do poder que isso tem... na mão de certas pessoas é um perigo. Vá lá que estão com vontade de gastar uns euros cá em Portugal, caso contrário... era menina para correr com eles em dois tempos.]

Coisas que eu gostava muito de perceber... #3

20 maio 2015
Hoje pela manhã na Segurança Social, esse sítio fabuloso que nos faz querer arrancar os cabelos de ver gente a trabalhar com umas trombas descomunais e a pedir licença a um pé para mexer o outro (produtividade nos píncaros). Estou sentada à espera da minha vez quando entra um senhor com duas canadianas, uma em cada braço, a andar com visível esforço. Apoia-se num balcão e pergunta pelas senhas prioritárias. A resposta da funcionária: "Mas qual é a sua prioridade?!" (a sério? Você é cegueta ou o quê? Não vê que o coitado do homem mal se pode mexer? - só me apetecia era dizer isso).

Entretanto chegou a minha vez, explica daqui, explica de lá, mostra papéis daqui, mostra multa dali e eis que o valor da minha dívida já estava actualizada e graças a Deus, já se encontra devidamente paga (não há coisa que me tire mais o sono do que dever a alguém, principalmente ao Estado - medo!). Entretanto surge uma mãe a empurrar o carrinho do bebé com o puto lá dentro e também pergunta pela senha da prioridade.

Resposta da mesma funcionária: "a prioridade só se justifica para crianças de colo e que estejam ao colo..." e pronto, lá vai a mãe armar uma escandaleira, que o puto só tem 6 meses e estava a dormir no carrinho e ela não estava para o pegar ao colo e o acordar, e depois quem é que o havia de fazer dormir de novo, e se a funcionária era estúpida ou tinha tirado um curso... olhem, a minha alma ficou parva. Estava a ponto de sacar do telemóvel e filmar aquela gente toda. Isto duma pessoa ir à Segurança Social é todo um filme de terror (ou de comédia, depende é do nosso estado de espírito).

(para quem percebe destas coisas de leis e assim... isto da prioridade com crianças é mesmo assim? Se estiverem nos 'ovos' ou nos carrinhos a prioridade já não vale? Eu pensava que bastava estar acompanhado de um bebé que já se justificava. Toda a gente sabe que os bebés precisam de atenção constante, mudas de fralda, leite, hora da sesta... faz mais sentido que mães com bebés pequenos tenham prioridade ou a prioridade só vale se estivermos com o miúdo nos braços? Mistérios da humanidade...)