O corte do cordão umbilical.

05 março 2015
Toda a gente me disse que essa fase seria particularmente complicada, por ser uma fase de adaptação a uma nova rotina, casa nova, ambiente novo... Eu sabia que sim, que não seria simples deixar a casa da minha mãe. Acho que para mim, que sou mesmo muito ligada/apegada/apaixonada pela minha mãe, a coisa ainda se revelou pior do que eu pensava.

Sinto montes de saudade da minha mãe e da minha bebé (que já não é bebé nenhuma mas adiante, para mim será sempre bebé), saudade da nossa rotina, dos conselhos diários, da companhia, da comidinha da minha mãe... Quem me ouve falar assim até julga que moramos muito longe (que nada, são só 4km de distância) mas mesmo assim, sinto que me falta uma 'parte' e já me apanhei em casa, tristíssima, a pensar porque é que não podemos viver assim todos juntos, numa espécie de cabana-T5-do-amor. Eu sei, sou maluquinha.

Costumo dizer que a única coisa 'chata' de ter a nossa própria casa é ter que sair da casa da mamãe. E não falo isso por comodismo, por querer 'ter tudo feito' ao chegar em casa, por não ter que pagar contas... não é nada disso. Ok, é claro que sinto falta do frigorífico cheio 'por milagre' (raramente ia às compras de supermercado quando vivia com mamãe) e de outras mordomias mas é da convivência diária, das conversas antes de dormir, de assistirmos novela juntinhas no sofá... é disso que sinto mais saudade.

E a minha mãe é daquelas que não se calava com a frase: "por mim, vocês moravam comigo o resto da vida..." e nunca fez força nenhuma para que eu fosse viver sozinha ou casasse logo. Aliás, na época do noivado e enquanto eu ia comprando coisas e encomendando móveis para casa, a minha mãe já chorava só em ouvir falar no assunto. Sair de casa da minha mãe foi tristíssimo para mim, não nego. Na primeira noite em que dormimos no nosso apartamento, recém-chegados da lua-de-mel, chorei como uma madalena. Mas é como em tudo na vida: uma questão de hábito. É uma nova fase da minha vida, eu adoro estar casada, adoro a nossa casa e tudo o que ela representa para nós... mas ao mesmo tempo, morro de saudade da companhia da minha mãe e da minha irmã. (do meu irmão também, é claro, mas como ele vive sozinho desde os tempos da universidade, eu já estava 'habituada' a só vê-lo aos fins-de-semana, então, não doeu tanto).

Por isso, de vez em quando faço uns olhinhos de bambi e o marido lá conforma-se: "já sei, queres ir dormir em casa da tua mãe..." e lá vou eu, feliz e contente (nem preciso levar mala nem nada, que mamãe tem sempre pijamas e coisinhas minhas por lá). Felizmente o meu marido compreende o valor que a minha família tem para mim e eu amo-o ainda mais por ser tão compreensivo neste ponto. Nunca brigamos por isso, nunca me disse: "nem pensar, não vais", nunca fez cara feia. Já brincou a dizer: "vê lá se quando vieres amanhã para casa não encontras isto aqui tudo cheio de gajas boazonas", mas até é divertido porque me faz lembrar dos tempos de namoro e noivado: eu em casa da minha mãe e ao telefone com ele até a hora de dormir. Hoje é um destes dias. Saio do trabalho e vou direto ter à casa da minha mãe. Ô delícia!

[vá, agora dava-me jeito vocês não me deixarem ficar mal e dizerem que sim, senhora, convosco passou-se a mesmíssima coisa e também não passam sem a presença das suas mãezinhas. Vá, assumam...]

Segredinho doméstico #2

03 março 2015
Quem acompanha este blog há algum tempo sabe que eu sou viciada em cheiros e aromas. Adoro sentir um cheiro especial e voltar dez anos atrás, gosto de entrar num elevador e sentir o perfume que o meu pai usa e automaticamente, sentir vontade de falar com ele... Cheiros remetem lembranças tão boas, não é? Por isso, gosto de ter em casa sempre um aroma especial. Logo à entrada da casa tenho a minha Pomegranate Noir da Jo Malone (que acendo quando o rei faz anos porque ela é tão linda - e cara - que uma pessoa até fica com pena de a gastar). Na sala, por cima da lareira, reina absoluta a Mimosa da Diptyque (o cheirinho do nosso casamento). No quarto, tenho na cómoda a Tubereuse, também da Diptyque (é a minha marca de eleição e uso e abuso destas velas).

Em contrapartida, detesto incensos e a fumarada que deixam pela casa. Depois largam aquele rastro de cinzas e suja-me tudo, não gosto mesmo nada. Há tempos ouvi falar das lamparinas Lampe Berger que deixam a casa super cheirosa mas não faço ideia de onde se vendem cá em Lisboa (também não investiguei muito bem, verdade seja dita).

Quando comecei a decorar o closet, logo percebi que precisava de um cheirinho para esta divisão, algo discreto e suave como eu gosto. Ultimamente ando a apaixonada por um perfume da Calvin Klein, então... cismei que queria esse cheirinho no closet. Mas, como fazer? Moça de armas que sou, apelei ao amigo google e descobri que podemos fazer auténticos pot-pourri caseiros com uns raminhos de folhas/flores secas e borrifadelas no nosso perfume preferido. Foi dito e feito!

 Por acaso tenho sempre cá em casa raminhos de Statices (flores que parecem de papel, super delicadas e que preservam a sua cor mesmo depois de secas) pelo que aproveitei estas flores para experimentar a ideia do pot-porri. Três borrifadelas do Sheer Beauty da CK e temos cheirinho espalhado por toda a divisão! (a leiteira branca é dos saldos da Área, 3€)

Fiz esta 'experiência' no fim-de-semana e hoje mal cheguei em casa e abri a porta do closet... o cheirinho fresco e suave inebriou o ambiente. Tão bom! Poucas coisas me deixam tão bem-disposta quanto chegar e encontrar a minha casa a brilhar de tão limpa, caminha feita de lavado e cheirinhos deliciosos pelo ar. Parece que fico automaticamente em modo 'zen', experimentem vocês também e digam lá se também não ficam logo relaxadas e tranquilas. (e eu, que trabalho sob pressão e ando sempre a mil por hora, adoro ter estes momentos de calma e paz).

P.S: Diz quem percebe do assunto que utilizando a mesma ideia das folhas/flores secas com perfume, também podemos fazer sachets com saquinhos de organza ou linho e as nossas flores lá para dentro, devidamente cheirosas. Óptimo para perfumar gavetas e roupeiros. 

Parabéns, Rio! [450 anos da cidade maravilhosa]

01 março 2015
Praia de Araruama, Rio ❤ Abril de 2012 
 
" (...) Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Copacabana, Copacabana (...)"

- Samba do Avião // Tom Jobim -
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[A verdade é que ainda te amo. Não posso dizer de outra forma. Tem que ser abrupto. É amor, é amor ainda. É verdade, quem foi embora fui eu, de repente e logo para outro continente. Você, Rio, com esse gênio bruto, esse ar de quem sabe que é bonito, de quem pode fazer exigências estapafúrdias...Tem coisa que eu não posso pagar, meu amor, por mais que te ame. (...) As notícias que recebo daí não são muito boas. Ainda assim, te amo. Ainda. Digo a todo mundo que a linha das suas montanhas é a linha do meu eletrocardiograma. Não me olha desse jeito, senão eu volto...]

          - Volta // Victor Heringer -

                        
Ontem a Vi ficou cá em casa e aproveitámos para ir passear com ela em Sintra e aproveitar para fazer um programa mais cultural já que ela, tal como eu, é amante de palácios, museus e sítios cheios de história. Dei-lhe várias sugestões: Palácio da Pena, dos Mouros, de Monserrate e o Chalet da Condessa de E'dla, acabando este último por ser o escolhido.


Nunca tinha lá ido e não fazia a mais pálida ideia de quem tinha sido a tal condessa. Ao chegar lá, fomos primeiro à lojinha que vendia souvernirs, livros e montes de coisas da condessa (e claro que aproveitei para ler os vários folhetos informativos sobre a história do lugar e poder explicar tudo à Vi com ar de quem sabe aquilo tudo de trás para a frente e já trata a Condessa por 'tu' ahaha).

Reza a lenta que em 1800 e picos, um nobre português chamado D. Fernando II apaixonou-se por uma nobre de origem suiço-alemã chamada Elise Hensler, que era estudante de canto e veio terminar a sua educação em Portugal, em 1860. Apaixonaram-se perdidamente e com o casamento, Elise passou a ser conhecida como a Condessa d´Edla. Dom Fernando fazia-lhe as vontades todas e quando Elise engravidou, ficou muito melancólica e com saudades da sua terra natal, o que fez com que o seu amado tivesse a ideia de construir um chalet inspirado nos chalets alpinos e cujo projecto foi inteiramente desenhado de raiz pela própria Elise. Deu-se então inicio à construção do Chalet na Serra de Sintra, de forma a que Elise pudesse sentir-se sempre 'em casa'. Quando D. Fernando faleceu, vinte anos depois da construção do Chalet, deixou todos os seus bens para Elise, que entretanto ficou desgostosa e vendeu os imóveis ao estado português. Refugiou-se num convento, onde veio a falecer aos 92 anos de idade, vítima de insuficiência renal.

Eu não sei vocês mas eu adoro ouvir histórias assim, de amores arrebatadores, daqueles que nos fazem esquecer o bom-senso e mandar a lógica às favas para satisfazer um capricho do nosso amor. A Vi adorou conhecer a Condessa mais em pormenor e apesar do Chalet em si ser pequenino e coisinha para ser vista em uma hora, o jardim e toda a atmosfera exterior já fazem valer o passeio!


Chalet e Jardim da Condessa d'Ela
Horário: 10h - 18h
Bilhetes: 8,50€ adultos, 7€ jovens (6-17 anos)

(aos domingos até as 13h é gratuito para os moradores do concelho de Sintra)

E vocês, já conheciam este passeio? Agora acho que abri uma 'caixinha de Pandora', por que a Vi não cansa de perguntar se no próximo fim-de-semana podemos ir ao Palácio de Monserrate e depois no dos Mouros e depois na Quinta da Regaleira... Quer-me parecer que vamos ser presença garantida por Sintra nos próximos fins-de-semana que esta miúda não vai descansar enquanto não correr aqueles museus e palácios todos. Não sei a quem ela puxou :P

Das coisas que me ultrapassam:

28 fevereiro 2015
A maldade humana, sempre ela. Não consigo compreender o que faz uma pessoa perder o seu tempo para prejudicar, gratuitamente, outro alguém. A troco de quê, meu Deus? Fico possessa quando vejo injustiças deste calibre, mas nesta situação em concreto não posso fazer nada. Hoje recebi a notícia de que uma das minhas melhores amigas, infelizmente ilegal no país há cerca de 8 meses, foi denunciada por uma colega de trabalho e recebeu uma carta de expulsão.

Acho que posso contar nos dedos das mãos a quantidade de amigos brasileiros que tenho cá. São bem poucos, que infelizmente a maior parte dos brasileiros que imigram para cá são de uma 'classe' que eu vou te contar, dá até vergonha de dizer que compartilhamos a mesma nacionalidade. Pode até parecer estranho uma brasileira dizer isso, mas não é preconceito, é a pura realidade. Adiante.

Essa minha amiga conheço-a desde os tempos de faculdade (tirou um curso diferente do meu mas no meu último ano escolhi a tal 'disciplina opcional' que fazia parte do curso dela e foi então que nos conhecemos). Desde esta altura que nos tornamos amigas e nunca mais perdemos o contacto. Vejo-a sempre aos domingos porque frequentamos a mesma igreja, saímos juntas, é uma miúda impecável mesmo. Batalhadora, esforçada, está cá sozinha desde os 22 anos quando veio tirar o curso (tinha visto de estudante nesta altura) entretanto acabou o curso, começou a trabalhar (tinha então visto de trabalhador, por dois anos, acho). Recentemente o contrato de trabalho terminou, não lhe renovaram e pronto, está há 8 meses sem documento e não encontra nenhuma empresa disposta a legalizá-la nestas circunstâncias (o que é óbvio, com tanto português desempregado, qual é a empresa que vai querer contratar uma imigrante ilegal?).

Essa minha amiga nunca dependeu do estado para abonos, subsídios e outros que tais. Sempre trabalhou a descontar. Neste momento trabalha num cabeleireiro, uma área que em nada tem a ver com a sua, mas diz que não se importa, quer mesmo ficar cá. Como é super atenciosa com os clientes e trabalha sempre bem disposta, em poucos meses neste cabeleireiro, conseguiu fidelizar grande parte dos clientes de lá, que agora só querem ir arranjar as mãos e pés com ela. Ela ganha à comissão. Tem outra colega, portuguesa, que também é manicure no mesmo cabeleireiro e que não a suporta porque tem que ouvir, todos os dias, a frase: "a outra moça não está? A brasileira? É que queria mesmo fazer com ela, se ela não estiver eu volto noutro dia."

A inveja, sempre a inveja. Há dias a tal colega de trabalho disparou: "sabes que mais? Eu se fosse a ti começava já a arrumar a malinha para voltar para o Brasil..." e estava constantemente a mandar bocas destas. Ontem a minha amiga ligou-me desesperada a chorar, que recebeu uma notificação do SEF e o cabeleireiro foi multado em não sei quanto, por dar apoio à imigração ilegal. Foram denunciados.

Hoje faz 10 anos...

26 fevereiro 2015
... que o meu olhar cruzou com o par de olhos azuis mais lindos desta Lisboa, numa tarde fria de inverno. Não dei nada por ele, quer dizer, do alto dos meus 18 anos, aquilo pareceu-me mais um piropo qualquer, mais um com a mania que é todo bom, "olha-me este parvo, a tentar engatar-me assim, que grande lata!".

E lata ele tinha (e tem), andou ali quase dois meses à caça, a tentar cercar-me, a ser inconveniente (porra, mas o homem não desiste?!) pensava eu. Que chato do caraças! Ok, é giro e mede mais de 1,80m (as minhas premissas adolescentes de 'homem ideal' ahahaha que pita!) mas tem ar de ser um ordinário de primeira e eu já tive a minha cota de ordinários, não quero mais um. Tinha apanhado uma daquelas desilusões de caixão à cova e simplesmente não queria sequer pensar em gajos naquela altura. Por mais giros e insistentes que fossem.

Mas então um dia ele estava novamente a rondar-me (passou a almoçar no mesmo sítio onde eu comia todas as vezes) e teve uma atitude absolutamente admirável quando achou que eu não o estava a ver. Aquilo derreteu-me o coração e pensei que se calhar, só assim se calhar, não seria mal pensado dar-lhe uma chance. Combinamos então um café para o fim-de-semana a seguir, escondido da minha mãe que pensou que eu ia estudar em casa de uma amiga (ahahah as mães, sempre enganadas) e começámos a curtir.

Depois a coisa tomou outras proporções, começamos a namorar 'oficialmente' entretanto uns meses depois me deu 'a louca' e terminamos. Ele meteu os papéis para ir para Erasmus, era o último ano dele na universidade e achei que nunca mais o via e que tinha mesmo metido o pé na poça. Achei que morria outra vez de desgosto. Não morri e ele acabou por ficar cá, comigo.

E hoje, quando olho para trás e vejo toda a nossa história, os altos e baixos típicos da juventude, a paciência que ele teve comigo (e que ainda hoje me surpreende), o amor desmedido e aquela sensação de que ele é a pessoa pela qual esperei desde sempre... só posso agradecer por ter esbarrado no amor da minha vida, naquele 26 de Fevereiro de 2005.

Pequenos em tamanho, grandes em barulho:

25 fevereiro 2015
Há bocado recebemos cá na clínica uma cliente com o seu bebé de três meses. Coisinha mais linda, tão risonho, tão fofinho... Intrometida que sou, lá arranjei maneira de 'capturar' o bebé enquanto a mãe dele ia à consulta. "Ai que cheiras tão bem, coisinha linda...", "olha-me esta bochecha, tão macia..." "ahh e os barulhinhos deliciosos que faz, coisa tão boa!", andei ali a babar-me pelo miúdo, tão lindo e pestanudo que só. Uma delícia.

Nos entretantos, a criança bolsou para o meu ombro. Horror absoluto, um cheiro azedo do caraças! Como já estou há uns anos sem contacto com crianças tão pequeninas, fez-me cá uma impressão... Com um esgar de nojo, afastei o puto de mim e corri para a casa de banho buscar papel para o limpar (e a mim também). De repente, sabe-se lá o porquê, o miúdo desatou nuns gritos capazes de ensurdecer qualquer um. Fiquei parva! Guinchava, sacudia-se, ficou todo vermelho, abria tanto a boca para berrar que até se via as amígdalas a chacoalharem, uma coisa fora do normal.

É que nem pensei duas vezes: fui pô-lo logo ao colo da sua santa mãezinha, que aquilo não era pulmão para se brincar. Xiça, como é possível uma coisinha tão querida e amorosa fazer tamanho estardalhaço?! Tão depressa como me veio a 'vontade', ainda mais depressa me passou. Livra!