10 outubro 2011

Maldita doença.

Ontem ao fim do dia recebi um sms estranho, vindo de uma das minhas melhores amigas: "Podes vir ter comigo? Estou no Campo Pequeno." Liguei para ela na mesma hora, porque não é típico dela mandar-me sms deste tipo e eu estranhei. Não me atendeu. Comecei a ficar aflita e desmarquei o cinema com o namorado, indo directo para o Campo Pequeno. Continuo a insistir e ela atende, a chorar. Diz que não consegue me explicar por telefone e que está sentada nos bancos em frente à Praça dos Toiros. Começo a pensar em mil coisas ao mesmo tempo e meto o carro em uma qualquer vaga numa das ruas perpendiculares.

Mal atravesso a rua e vejo-a sentada, com um top vermelho e a cara tão vermelha quanto. Não quis perguntar: "E então?!" e limitei-me a abraçá-la e deixar que ela chorasse. No meio de tantos soluços, uma palavra ecoava na minha mente, como um pisca: Cancro. Cancro. Cancro.

A minha melhor amiga tem cancro. Tem 22 anos e um cancro de útero. Formou-se este ano em Educadora de Infância e é apaixonada por crianças. E, ironia das ironias, provavelmente jamais terá um filho biológico. Ela, que é tão apaixonada por crianças. Não me conformo. Não acho justo.

Quando ela conseguiu ficar mais calma, lá contou-me tudo. Que começou a ter um sangramento fora da época do período mas como estava stressada com o trabalho final de curso, achou que era normal. Depois começou a ter dores na barriga e só então procurou ajuda. Hoje fez uma ecografia e descobriu que tem um tumor de 8 cm no útero. E a médica mandou-a directo para o IPO para ser seguida. E começar o tratamento.

Ela, que tem um cabelão até quase a cintura, diz que não consegue mais nem sequer tocar no cabelo e imaginar que daqui a nada estará careca. E eu já nem tinha palavras para dizer nada a ela. Ela vai hoje contar aos pais e como é filha única, eu nem quero imaginar como eles receberão a notícia.

Maldita doença, que surge em pessoas tão novas e com tanta coisa pela frente. Maldita doença que aparece quando as pessoas já são mães/pais e que deixa tantos órfãos por este mundo. Maldita doença...
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2 comentários

  1. :(
    É horrivel mesmo, só quem passa por situações destas de perto, sabe o drama e o sofrimento dos doentes e familiares :(
    A tua amiga agora precisa de toda a força do mundo. Espero que ela melhore rapidamente. Beijinho

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  2. Olá Gi! Pois é, a situação é muito complicada e eu nem sei bem o que hei de fazer para animá-la. Hoje conversei imenso com a mãe dela, acalmei-os um pouco porque estavam desesperados e não percebiam muito bem como funciona o cancro, achavam que a rapariga estava com metástases, foi um caos. Lá consegui explicar as coisas e espero que tudo corra bem. Tem que correr. Obrigada :**

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