29 outubro 2011

Querido Rio de Janeiro,


Há mais de dois anos que eu espero te ver novamente. Sonho com as suas praias de água quente, com o povo sempre feliz e festivo... Como é incrível essa felicidade que contagia quem por aí passa! Ah Rio… Se você soubesse a falta que me faz!

Mal posso esperar para deitar o meu corpo na areia da praia mais linda do mundo e sentir aquele sol gostoso queimando as minhas costas… Ao longe sei que vou ouvir o tradicional vendedor de rosquinhas de polvilho e o homem do picolé de uva.  Lá na frente, no calçadão, vão estar as habituais barraquinhas de água de coco. 

E dessa vez, Rio, eu não vou exclamar: “O quê? 3 reais por uma água de coco? Que roubo!” porque eu aprendi a dar valor  as pequenas coisas que só você tem, Rio. E vou pagar, contente, os 3 reais pelo meu coco. Vou sentar naqueles banquinhos em frente ao posto 9 e vou suspirar de felicidade. É Rio... quem te visita, não te esquece. E quem tem a sorte de nascer nos teus braços sabe que jamais se sentirá completo em outro lugar.

Sei que chegarei aí numa quarta feira. E ah Rio! Eu mal vou poder esperar pelo fim-de-semana… Já sinto o aroma do churrasco no quintal de casa, da farofinha e do cheiro de cloro de quem passou o dia alternando entre piscina-e-rua. A música animada tocando, as crianças correndo e brincando… e a risada involuntária que sai do fundo da alma e tem o poder de exprimir muito mais do que qualquer palavra.

É, Rio… hoje faz oito anos desde que eu te disse aquele adeus definitivo. Parece que faz tão pouco tempo… E apesar de amar a cidade onde eu vivo agora, Rio, é por você que o meu coração acelera. E o meu riso se torna fácil. É no colorido das suas ruas que eu consigo me achar de verdade. É com você que eu me reconheço. Mas a nossa relação é impossível e você sabe.

Eu sempre ouvi dizer que às vezes só o amor não basta. E eu sempre me questionei o porquê. Hoje eu entendo. Eu te amo, Rio. Com toda a força da minha alma. Mas só o amor não basta. Eu preciso de muito mais. Eu preciso de segurança. Eu preciso de me sentir em paz. Eu preciso de educação pública de qualidade. Eu preciso de uma moeda forte. Eu preciso de poder andar nas ruas sem ter que estar sempre alerta. Eu preciso andar com o meu telemóvel na mala e poder atendê-lo em qualquer lugar. Você me entende, Rio? Eu preciso de coisas que você não soube me oferecer. E então eu tive que te trocar. Por um país mais frio, com pessoas mais fechadas, um país não tão colorido como você, mas um país aonde eu vivo em paz. Um país que me deixa atender o telefone na rua sem me preocupar com assaltos. Um país que me deu uma licenciatura em uma universidade pública onde os professores não ficam 4 meses em greve como acontece nas suas faculdades, Rio. No país onde eu estou, eu posso chegar em casa de madrugada e continuar viva. Eu não corro o risco de ser sequestrada enquanto compro pão numa manhã de domingo... É triste dizer isto assim, mas você sabe do que eu estou falando. O dia-a-dia com você não é fácil.

A verdade é que eu te amo, Rio. De longe. Eu sempre vou te amar. Mesmo que os anos passem. Mesmo que eu tenha outra nacionalidade. Você sempre será o meu primeiro amor. E eu sempre vou te esperar, de longe. Sempre com a esperança de que um dia você mude. E então ficaremos juntos de novo. Você e eu. Como antes.

Do alto do bondinho do Pão de Açúcar :: 2008
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2 comentários

  1. Sigo o teu blog há uns tempos. Através do post de hoje, vim dar de caras com este e fiquei incrivelmente comovida com o amor por uma cidade. Num momento em que todos planeiam em emigrar, estas palavras fazem-nos, sem dúvida, pensar duas vezes...

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  2. Fiz o mesmo percurso até "aqui", tal qual a Bárbara e senti o mesmo.
    Sei o que é deixar a nossa cidade, os nossos amigos e a nossa antiga vida e todos os lugares onde fomos felizes.
    Por muito que o país ou a cidade para a qual vamos viver nos acolha bem, a verdade é que nunca se está verdadeiramente em casa como no nosso país. Boa sorte!! :)

    Beijo
    Rafa

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