15 novembro 2011

Das coisas que só acontecem comigo #7

Esses dias em conversa com uma amiga fiquei pasma com algumas coisas que ouvi. Ela começou a dizer que estava farta do sítio onde trabalhava, que pagavam mal e exploravam-na e que estava a pensar em meter uma baixa psiquiátrica. Ora eu, que não percebo nada de baixas, abonos, subsídios-desemprego e coisas que tais [e ainda bem! Se há coisa de que posso me orgulhar é de nunca ter dependido do Estado para este tipo de ajudas], perguntei-lhe se estava doente [como seria lógico]. Ela responde-me [a rir] que não, mas que as tais baixas psiquiátricas são pagas a 100% e que uma amiga dela conseguiu meter uma no mês passado e já lhe ensinou os truques todos. Tentem imaginar a minha cara de mas como assim?!

E então ouvi algo tão absurdo como isto:

- Ah e tal, funciona assim: Tens que tentar fazer uma directa de dois dias seguidos. Eu sei que custa, mas é por um bom motivo não é? Ficas dois dias sem dormir e não comas muito, que é para ficares com olheiras e ar abatido. Veste umas roupas assim largueironas, não penteias o cabelo e vai à consulta. Durante a consulta ficas com o olhar vago, perdido... Do tipo, fixas o olhar num objecto e vais respondendo as perguntas sempre a olhar para ali. Dizes que a tua vida não tem sentido, que pensas matar-te e já estiveste quase a fazê-lo. Podes dizer que não dormes e nem comes há não sei quantos dias e tens dificuldade de concentração. E de vez em quando tens alucinações. E que tens dores no corpo. Enfim, enfeitas o pavão. Foi assim que a Catarina fez e lá conseguiu a tal baixa psiquiátrica por 5 meses. Paga a 100%. Claro que depois tens que ir à avaliações constantes mas para receber em 700€ mensais em casa, não há nada que eu não faça. E vá, não me olhes com esta cara, que a vida anda mal para todos...

Pois, a vida anda mal, é verdade sim senhora. E pelo andar da carruagem, a vida vai continuar a andar muito mal pelos próximos anos. E com pessoas a tomarem atitudes destas todos os dias, eu nem quero imaginar como isto será daqui a nada. É preciso ter lata, é só o que vos digo. E irrita-me tanto saber que são os contribuintes [e pessoas que efectivamente trabalham!] que são obrigadas a pagar por aldrabices destas. Não há nenhum tipo de rigor nesta coisa das baixas médicas? Não há exames e testes que se possam realizar? Não me parece lógico que toda a gente invente merdas destas e consiga sair do hospital com um papelinho na mão a dizer que vão ficar com o cú em casa e a receber dinheiro do Estado por não sei quantos meses.

E são mentalidades destas que [infelizmente] contribuem para que o país hoje seja aquilo que é...
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2 comentários

  1. Sim há rigor nas baixas médicas, tanto que em muitos casos é necessário serem autorizadas por painéis de médicos que não aceitam dar baixas a pessoas com sérias doenças físicas e psicológicas. É claro que o que a tua amiga está a fazer é pavoroso, mas há bastante gente com depressões e afins que precisam de baixa e a quem só receitam cargas de medicamentos, e que acabam por se ver obrigadas a recorrer a estratagemas destes. É triste, mas é verdade.

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  2. @A Flor: Pois, eu bem imaginava que era assim, por isso não sei como esse pessoal inventa histórias tristes dessas e conseguem baixas... Enquanto quem realmente precisa de baixa, é obrigado a trabalhar e a tomar remédios em doses cavalares. Não percebo.

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