21 dezembro 2011

Eu sou de outro tempo...

Hoje estava no Continente com a minha mãe quando vi um puto aos berros porque queria um jogo para a Playstation. A mãe, coitada, dizia que não comprava mais nenhum jogo porque ele já tinha muitos em casa e não ligava aquilo. E o miúdo a dizer que tinha 21 jogos e que gostava era desse que tinha na mão e toca a chorar...

E eu fiquei um bocado abananada, tenho que confessar. Não sei em que planeta os putos de hoje vivem. Querem sempre mais e mais e mais. É Playstation, é Xbox, é Nintendo wii, é Ipods, Ipads, telemóveis que custam mais que o ordenado mínimo... No meu tempo as coisas não eram assim. E estamos a falar de 15 anos atrás [o que não é assim muito].

Quando eu era miúda eu não tinha todos os brinquedos que queria [até porque a situação financeira não o permitia] e a minha mãe sempre ensinou-me a dar valor ao dinheiro. Os meus pais separaram-se quando eu tinha 3 anos e a minha mãe ficou na completa penúria nesta altura [e como foi ela que quis o divórcio, o meu pai simplesmente pirou-se e ajudar que era bom, deixa quieto] de maneira que eu não tinha 1542 barbies e 500 nenucos. Sempre tive brinquedos mas as minhas coisas duraram uma vida. Lembro-me de uma boneca que vinha com uns patins [chamava-se Lú Patinadora] e custava os olhos da cara. Eu devia ter uns 5 anos na altura e até me babava quando passava o comercial da boneca na televisão.

Nesta altura a minha mãe tinha dois empregos para conseguir sustentar os dois filhos [eu com 5 anos e o P. com 2] e o dinheiro mal dava para as contas. De maneira que ela fez uma coisa que eu nunca esquecerei:  vendeu todos os vales de transporte que a empresa dava por mês [uma espécia de bilhetes de autocarro para o funcionário ir e voltar para casa - não havia passes sociais nesta altura] e passou um mês inteirinho indo e voltando à pé para para o trabalho [uma distância tipo do Campo Grande ao Marquês de Pombal] só para poder comprar a minha boneca [a minha mãe não existe...]. Eu andei meses agarrada àquela boneca. Eu dormia com ela, eu levava-a na mochila para a pré-primária, eu tinha um cuidado com ela... Porque eu sabia o quão difícil foi para eu conseguir tê-la...

E o que eu vejo hoje é que há por aí mães tão maravilhosas como a minha. Mães que esforçam-se tanto... mães que possuem uma jornada dupla de trabalho... mães que sujeitam-se a qualquer coisa pelos filhos. E do outro lado vejo filhos tão ingratos... Filhos que nunca estão satisfeitos e querem sempre mais e mais. E não reconhecem o esforço que essas mães fazem, todos os dias, por eles. E isso é tão triste, senhores... A ingratidão é das piores coisas que alguém pode receber.
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