23 janeiro 2012

domigo é dia de que? de hospital.

Acordei cedo no domingo e fui ao Pingo Doce comprar coisinhas gostosas para enfardar no pequeno-almoço [croissants, pastéis de nata, chás e chocolates]. De repente toca o meu telemóvel. Era a mãe a dizer que a Vi tinha febre e estava a vomitar. E, como já é hábito, veio a clássica pergunta: o que achas que pode ser?. A sério. A minha família ainda não percebeu que eu tirei Biologia e não Medicina. E lá por fazer um mestrado ligado a área médica, isto não me dá competências para fazer diagnósticos. Irrita-me tanto! E ainda tenho a minha avó que diz às amiguinhas velhotas que podem me ligar quando estiverem doentes porque a neta sabe tudo de bactérias e vírus e essas doenças todas... Eu mereço!
Fui para casa ver como andava a minha pequenina. Parecia um passarinho com a asa partida. Reclinada na cama, com a tv ligada na Disney e um ar tão abatido... Tinha 39.4ºC, vómitos e dores de barriga. Disse à minha mãe que era melhor irmos ao hospital [eu cá não gosto de negligenciar qualquer sintoma] para ver do que se tratava. Ainda pensámos em ir à cuf, que é a cinco minutos de casa, mas costuma estar sempre tão cheia que escolhemos outro.

Chegámos ao Hospital da Luz e aquilo parecia que havia festa. Tanta gente, tanta gente [quase tanto como na cuf]... Fomos à triagem e nos entrentantos, mais uma vomitadela. Tinha levado um saco plástico e foi a nossa salvação. A rapariga da triagem mandou-nos logo para a área da pediatria e quando lá chegamos havia mais umas quatro crianças com os mesmos sintomas. Eu estava com uns nervos... A minha mãe ameaçava chorar a cada cinco minutos quando uma das crianças passava mal. De repente a Vi diz: quero ir a casa de banho.... Levantamos e fui perguntar à enfermeira onde era a casa de banho mais próxima. Quando volto com a informação vejo que já era tarde. A miúda estava toda suja e a chorar baixinho com vergonha.
Valeu-nos o serviço maravilhoso da ala de pediatria do hospital. Na mesma hora veio a enfermeira [a mesma que me tinha dado a informação da casa de banho] e disse que essas coisas aconteciam a toda hora e que eles já estavam preparados para estes casos. Levou-nos para uma casa de banho no andar de cima que mais parecia um hotel. Disse que ali podíamos dar um banho à Vi e que ela já voltava com roupas limpas. E eu a pensar: isto é real?!.

Liguei a água quente da banheira e meti a Vi lá dentro. Demos um banho nela [havia imensos produtos de limpeza da Johnson] e nisto volta a enfermeira com uma toalha e um pijama limpo e passado. Vestimos a roupinha nela e fomos encaminhadas para a sala de observação. Deitaram-na numa cama com lencóis de ursinhos e perguntaram se ela queria ler um livrinho porque o médico estava a atender outra criança e ainda demorava um bocadinho. Ela fez que não e disse que doía-lhe a cabeça. "Então queres ver um bocadinho de televisão?" e nisto eu reparei no LCD preso à parede, mesmo em frente à cama dela. A enfermeira [que a esta altura já tinha adquirido o estatudo de santa] ligou o aparelhinho e deu o comando na mão da Vi. "olha, se quiseres mudar de canal, é aqui. Também há o canal Panda". 

Eu mal conseguia disfarçar a cara de parva. Tive vontade de fotografar tudo mas o bom senso [o pouco que tenho] falou mais alto. A Vi já tem seguro de saúde há uns dois anos mas nunca havia precisado de ir ao hospital de urgência [geralmente ela vai em consultas de especialidade] de maneira que eu não fazia idéia de que este era o tratamento. Talvez para um adulto não faça tanta diferença ter livros disponíveis, pijamas quentinhos e limpos ou canais para assistir, mas para uma criança que está doente... foi mesmo o pote de ouro no fim do arco-íris. Havia barbies, legos, bonecos desenhados na parede, puzzles e mais uma data de coisas.

Ela foi consultada e confirmou-se a minha suspeita: gastroenterite. Ainda ficamos no hospital até as 23h [ela ficou a tomar soro e mais outro medicamento] e voltamos para casa com uma série de recomendações e uma conta para fazer na farmácia.

Hoje ela não foi ao colégio mas já está bem melhor. Diz que o hospital era muito giro e que até gostou de ter ficado doente. E eu só não me zanguei porque ela começou logo a rir-se e ao ver aquele sorrisinho maroto... só me apeteceu rir também.
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3 comentários

  1. um seguro de saúde é umas das prioridades cá de casa..., nessas horas o conforto é mesmo muito reconfortante...

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  2. Bem isso é que foi um tratamento maravilhoso! Por coincidência vim agora do hospital privado aqui da minha cidade e também fiquei pasmada com a diferença no tratamento...Imagino então uma criança...

    Beijinho*

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  3. @Débora Nogueira: Olá Débora! Aqui em casa também é uma prioridade ter seguro de saúde. Preferimos cortar noutras coisas a abdicar do seguro, que ao meu ver, é essencial nos dias que correm [quando não há médico de família nos hospitais e só há consultas de especialidade depois de 5 meses de espera]. Há quem ache frescura, eu cá acho que é mesmo prioridade ;) Então para a minha pequenita, é mesmo coisa de que não abro [abrimos] mão.

    @Pretty in Pink: Foi mesmo. Eu fiquei surpreendida [pela positiva, claro] porque jamais vi um hospital ter um tratamento assim com os seus doentes. E, para quem está doente, faz uma diferença enorme ser tratado com carinho e com atenção [e não como "apenas mais um"]. Beijinhos :***

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