13 fevereiro 2012

Diário de uma vendedora em part-time {1}

Ontem foi o meu segundo domingo a trabalhar na loja [só trabalho aos fds e feriados] e ainda nem vos contei como a coisa está a correr. Hoje já não fiquei tão cansada como no primeiro dia [santas meias de descanso] e já apanhei o jeito da coisa. Consegui dominar os programas da caixa [cada loja usa um software próprio], já tenho autorização para fazer trocas, consigo perceber minimanente os produtos e, mais importante, já consigo atender as pessoas sem estar com medo de falar alguma asneira [por exemplo: esta peça existe noutras cores?].

Recebi o meu cartão de colaborada [com direito a fazer comprinhas com 20% de desconto...uy] e o cartão próprio para funcionários do centro comercial [que dá descontos em restaurantes e outras lojas - apenas para lojistas]. Ainda é cedo para avaliar o ambiente de trabalho mas até agora está tudo a correr bem. Fiz amizade com toda a gente [típico] e como mais da metade das vendedoras está há pouco tempo na loja ainda não há aqueles "grupinhos" irritantes de veteranas e "malta nova".

Ontem aconteceu-me uma situação curiosa. Estava a atender uma senhora na caixa e, como só comprou um lenco [e estava em saldos] a conta deu 4€. Disse o valor à senhora e ela estendeu-me o cartão multibanco. Muito bem, passei o cartão multibanco e pimbas: "não autorizado". Disse assim baixinho: Olhe, este não passou. Quer pagar a dinheiro? E ela, muito rápida: não, não... vamos experimentar este [e entregou-me outro cartão]. Ok, passo o novo cartão e a senhora diz baixinho: "esse é VISA". Respondo que não há problema, a máquina também aceitava VISA.

Mas fiquei a pensar na situação da senhora. Enquanto ela marcava a password fiquei a analisá-la [é feio, eu sei...] e aparentava ter uns 40-45 anos, loira, cabelo impecável, muito bem vestida e com uma mala da CH na mão [se era falsa ou verdadeira, não sei dizer...]. E eu fiquei a pensar na quantidade de pessoas que, ao passar pela senhora na rua, não devem pensar: "essa aí é cheia da guita"... [como toda a equipa pensou porque mal a senhora entrou na loja correram logo duas vendedoras para ver se ela precisava "de alguma coisa"].

Acho graça às pessoas que julgam as outras pela forma como elas vestem-se. Como se isso significasse alguma coisa... Como se isso correspondesse à quantidade de euros que a pessoa tem na carteira...
Mal sabem eles, mal sabem eles...
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3 comentários

  1. Exactamente, mal sabem eles. Não é pela forma de vestir que se vê se a pessoa tem ou não dinheiro para comprar. Por exemplo, existe uma loja na qual já fui mal atendida apenas porque as vendedoras acharam que eu não estava vestida de forma adequada aos preços que a loja vende. Mal sabendo elas que sou uma cliente assídua de outra loja da marca e que quase todos os meus sapatos são de lá. Enfim... Já não se pode vestir de forma desportiva quando se vai às compras sob o risco de se ser mal atendida...

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  2. @Fiona: Em lojas de roupa acontecem muitos casos assim, de pré-julgamentos apenas pela roupa que a pessoa ostenta. Já aconteceu diversas vezes situações parecidas comigo [principalmente no verão quando vou para todo o lado de vestido e havaianas, o mais simples possível] e irrita-me solenemente. Apetece andar ali a dizer poucas e boas. Como se o facto de uma pessoa andar de forma mais descontraída significasse que ela é uma pobrezinha. Aii que nervos. =S

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  3. Felizmente que este tipo de situações não acontece em todas as lojas e muitos são os locais onde vamos e em que dá vontade de regressar devido ao bom atendimento. Mas acho que, durante a formação que as vendedoras recebem, se deveria apelar ao seu bom senso para que entendessem que a roupa não define a conta bancária de ninguém.

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