15 março 2012

Dos fantasmas do passado

Hoje tive um género de encontro com um fantasma do meu passado. Um fantasma que assombrou-me durante mais de dois anos. Hoje ao abrir o facebook {esse antro de reencontros} recebo uma mensagem vinda directamente do além. Era ele, o homem que me fez descer ao inferno. Depois de seis anos em que não soube se estava vivo ou morto, eis que a criatura encontra-me no facebook {estou a pensar seriamente em mudar de nome... é que com o meu nome invulgar e um apelido árabe, sou extremamente fácil de ser encontrada} e não só tem a lata de me adicionar como ainda envia-me mensagem inbox.

Ainda pensei em apagar a mensagem sem a ler mas a minha veia cusca {e masoquista} falou mais alto e lá fui eu desvendar o mistério. As frases clichês de sempre: "Andei tanto tempo à tua procura...", "sabes, conheci algumas pessoas depois de ti mas nada foi igual e hoje tenho a certeza de que és a pessoa que eu tanto procurei", "achas que podemos ter outra chance de consertar tudo?" e claro, a tradicional "continuas tão linda...". E termina com a cereja no topo do bolo: "eu vi no teu mural que vens agora ao Rio em Abril, vais ficar em casa da tua avó?" 

O meu primeiro pensamento foi: "amigo, estás pelo menos seis anos atrasado". E se há coisa que não volta atrás nessa vida, é o tempo. Só Deus sabe o quanto eu sofri pela criatura, o tanto de noites que passei a chorar como uma condenada, as vezes em que ia para o colégio com a cara inchada e os olhos vermelhos. Naquela época, com a parvoíce típica dos adolescentes, eu perdi completamente o amor-próprio. Eu me rebaixei, me humilhei, eu aceitei ser uma entre muitas. Eu achava, na minha ingenuidade, que por mim ele mudaria. Que parva! Estive quatro meses num limbo, a oscilar entre momentos de felicidade instantânea {quando estávamos juntos} e momentos de puro desespero {quando o via com outras}.

Até que um dia ele veio com a conversa habitual {sobre darmos aquele passo} e eu disse que não. Que não era a hora, que ainda não tínhamos o tipo de relação que eu queria e que eu tinha esperado tanto por aquele momento que não aceitaria nada pela metade {aleluia!}. Pronto, o gajo passou-se. Tivemos uma discussão horrível, eu cheguei a casa de rastos e dei o grito do Ipiranga.

Sentei na varanda e chorei como se estivesse a ser mutilada. Quis pôr tudo para fora, quis fazer enterrar aquele sentimento para sempre. Foi uma dor horrível, eu sentia como se me esmagassem por dentro, nunca antes tinha sentido tal coisa {e felizmente nunca mais voltei a sentir} mas foi necessário. Eu pensava: Meu Deus, como é possível que eu esteja a passar por isso? Sou inteligente, bonita, tenho uma vida pela frente, porque estou presa à uma pessoa assim? Chega. Acabou. Hoje vai ser o último dia em que choro por ele. 

E assim foi. Lembro-me que faltava uma semana para as férias de Dezembro e, como eu já tinha feito todos os testes, nem sequer fui mais às aulas. Uns dias depois a minha mãe foi ao colégio buscar o meu diploma do secundário e eu nunca mais voltei a meter lá os pés {razão pela qual não tive festa de formatura, viagem de finalistas, nada.}.

Passei o mês de dezembro em Búzios, na casa de praia de uma tia. Só eu e ela. Todos os dias ia caminhar pela praia, sozinha, e lembro-me de dois rapazes que entretanto vieram meter conversa comigo {eram giros, giros} e eu simplesmente não me interessei. Não estava mais praí virada, sabem? Nunca acreditei que se esquece um amor com um novo amor. Tretas.

Depois de uns meses viemos para Portugal {não, não teve nada a ver com o meu "chute no rabo"} e dois meses depois conheci o M. E por causa dessa história toda é que não queria nada com o meu príncipe. Morria de medo de voltar a acontecer tudo novamente. E por isso hoje digo-o com todas as letras: não há gajo como o meu. Não há nada que se compare àquilo que ele me faz sentir todos os dias.

Portanto, ó fantasma, volta para o sítio de onde saíste e não me chateies mais. A sério, poupa-me. Poupa-me dessas frasezinhas clichés, da tua conversa de chacha, das tretas do costume, sim? Não subestimes a minha inteligência com este tipo de coisas. Eu já não perco o meu tempo com merdas.
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8 comentários

  1. Homens mulherengos, vivos ou mortos, são de exorcizar para bem longe. E as frases clichê, Senhor! Quantas amigas já vi a cair nessa patranha. Vivendo e aprendendo...espero que o cavalheiro tenha levado uma resposta à altura, só pelo atrevimento.

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  2. Dizes e bem, "é um antro de desencontros" e eu funciono mal com eles, não admira já ter apagado aquilo duas vezes.

    Quanto a essa situação, não passa de manipulação psicológica, "mandar verdes para apanhar maduras". Sei que existem pessoas do passado que têm o poder de conseguir perturbar durante anos e eu já tive uma pessoa assim. É melhor nem ver...
    Espero que não o voltes a ver e que cortes qq tipo de contacto futuro.
    O passado ficou lá atrás e quando assim é, deve ser enterrado e nunca reavivado. Vai por mim.

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  3. É isso mesmo...respondeste-lhe? ;) bjs*

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  4. MUITO MUITO bem dito!
    Teve o seu tempo, não aproveitou a princesa, AZAR !

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  5. @Imperatriz Sissi: Homens mulherengos são uma praga, há que exterminá-los e rápido! :P
    Fiquei com vontade de responder mas sinceramente, nem quis perder energia com tal coisa. Apaguei a mensagem, cancelei o convite de amizade e esqueci o assunto. Porque eu já conheço a peça... eu responderia, ele enviaria outra resposta e ficaríamos eternamente nesse vai-e-vem de mensagens. Toda distância é pouca para esta criatura, acredita. Beijinho :**

    @Martini Bianco: Também já exclui a minha conta uma vez mas depois como vivo longe de grande parte da família {e não uso messenger, orkut, twitter ou coisa que o valha} a comunicação com o "meu povo" fica complicada. Acabei por voltar atrás =/

    Cortei todos os laços que tinha com ele e recusei-me a responder a mensagem no facebook. Pra mim é carta fora do baralho e bem sei que certas pessoas devem ser evitadas ao máximo, portanto, nem perdi o meu tempo. Jamais arriscaria a relação que tenho agora por uma pessoa que não merece sequer, uma palavra minha. Acabou. Ponto final.

    @mrfashionmood: Não lhe respondi, apenas apaguei a mensagem, cancelei o pedido de amizade e para mim ele está morto e enterrado.

    @Sofia: Concordo contigo. Desperdiçou quando era o momento, agora não há nada a fazer. Como se diz na minha terra "a fila andou" :P

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  6. Eu também sei o que isso é, o pior é que o meu é mais recente(já vai à quase 3 anos) e frequenta o meu bairro..

    Eu começei a namorar à pouco tempo(não tive mais nenhuma relação depois do outro)e estou muito feliz com meu namorado, ele é TUDO o que eu queria e precisava! Mas parece que esse fantasma não me larga.. tenho sempre receio de me cruzar com ele, já que o bairro é tão pequeno e ele vem sempre visitar a "amiga".

    A única coisa que desejo é que ele me esqueça e me deixe ser feliz.

    beijinhos
    S*

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  7. S*: Olá! Pois, no teu caso é ainda mais complicado porque ele vive ao pé de ti e eu bem sei como é difícil evitar cruzar com certas pessoas...

    Se estás feliz com o teu actual namorado, se ele te "enche as medidas", então não vale a pena remexer no passado. Eu penso assim, claro.

    Jamais arriscaria o relacionamento que tenho agora {e que nem compara ao anterior, que nem namoro aquilo era} por uma paixão do passado. Porque o que tenho agora é demasiado valioso para mim e acho que se calhar tu pensas como eu e já só queres esquecer essa pessoa do passado.

    Se o ignorares e mostrares que estás feliz com outra pessoa, de certeza que já não te procura. A não ser que goste de levar com "nãos" a toda a hora =)

    Beijinhos :**

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  8. Sim, penso como tu. obrigada pela atenção:D

    beijinhos
    S*

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