25 julho 2012

da minha boa fé.

Sou o tipo de pessoa que, ao encontrar alguém em apuros, é logo a primeira a estender a mão. E digo-o sem presunção, sem querer parecer boazinha ou insinuar que sou a Madre Teresa de Calcutá, que eu defeitos tenho-os aos montes. Digo-o porque é mesmo verdade e acho que é das características que mais sobressaem na minha personalidade.

Sou aquele tipo de pessoa que, ao passar de carro por uma rua e deparar-se com uma velhota carregada de sacolas, pára o carro e oferece boleia {a minha mãe passa-se quando eu faço isso}. Sou a gaja que dá sempre moedas às mulheres com crianças ao colo que andam pelo metro a pedir dinheiro. Sou aquela que, em dias de chuva, oferece o chapéu a algum desavisado que está a apanhar uma molha. Sou assim desde que me lembro e, na maioria das vezes, gosto da minha forma de ser. Gosto de ajudar as pessoas porque é algo que não me custa {quase} nada e sempre faço alguém {mais} feliz.

É claro que levo na cabeça por ser assim, com a idéia de que posso mudar o mundo. Diz a minha mãe que, com essa minha mania de dar boleia a velhotes, um dia ainda vou acabar por ser assaltada ou coisa pior. Mas é inevitável.... quando vejo um velhinho a precisar de ajuda, é como se algo me empurrasse em direcção à ele e eu tenho mesmo de fazer alguma coisa. Talvez seja um reflexo do amor gigantesco {e das saudades, também gigantescas} que eu tenho da minha avó e esta seja uma forma de senti-la mais perto. Não sei, senhores.

Quando encontro-me com mulheres com filhos ao colo a pedirem dinheiro, o M. até diz, em tom de gozo: "vá, vê-la se tens dinheiro ou se queres ir ao multibanco levantar.." e goza com o assunto. Diz que elas possuem um bom corpinho para trabalhar e blá blá blá. Eu sei que é verdade, mas ver aqueles bebés com ar de mortos de fome e todos sujos, parte-me o coração. O meu ponto fraco são mesmo velhotes e crianças. Não consigo ficar indiferente, por mais que queira. Chamem-me ingénua, parvalhona, crédula demais, mas é assim que sou.

Tudo isso para dizer que hoje uma amiga ligou-me desesperada a pedir-me quatrocentos euros. Sim, 400€. Diz que está a dever a renda da casa porque emprestou o dinheiro a um tio e que ele não a pagou. E que o senhorio foi hoje à porta dela fazer um escândalo e quer o dinheiro na conta até amanhã. E eu estive ali num limbo que vocês não imaginam... Ela prometeu que me paga no fim do mês, quando receber o ordenado e pronto, emprestei-lhe o dinheiro.

O M. até ia caindo da cadeira quando lhe contei. "és uma tonta se achas que que ela te vai pagar... podes dar adeus ao teu dinheiro, tu não podes ser assim, tão crédula nas pessoas. Nem toda gente é honesta, quer dizer... quantos anos tu tens mesmo?" e foi uma discussão do caraças. Às tantas, perguntei-lhe, assim como quem não quer a coisa: "olha lá, mas o dinheiro é de quem mesmo? Ah, tá. Era só para eu refrescar a minha memória.". Sou louca pelo meu namorado mas às vezes gostava que se colocasse mais no lugar das outras pessoas. Um dia são eles, amanhã somos nós. Eu sei que às vezes exagero, que pareço a nossa-senhora-dos-necessitados mas, caramba, é mais forte que eu! Dizem as más-línguas que eu escolhi a profissão errada e que, ao invés de bióloga, devia era ter ido para assistente social ou coisa que o valha. Será?!
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9 comentários

  1. Sou sincera, não emprestaria. Já diz o ditado que se queres perder amigos, empresta-lhes dinheiro! É algo assim! Só emprestaria a pais e irmãos!

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  2. sendo uma amiga empresto, mas só a amigos pq tive uma grande chatice com uma colega aqui há uns anos... Tive de por advogado para reaver o dinheiro, a "sorte" foi ter feito TB! Bjs

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  3. Os meus pais, por exemplo, emprestaram a uma amiga de família (que era "amiga" há mais de 25 anos) e estão, até hoje, à espera de um dinheiro que não volta. E eu, embora numa quantia mais pequena,estou a passar pelo mesmo.

    Eu percebo-te, juro que sim. Mas,nunca confiando. *

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  4. não podias ser assistente social, desgraçavas-te! trazias toda a gente para casa e ficavas na falência a tempo inteiro... envolver-te-ias em demasia!

    Mas é bom saber que ainda há pessoas de bom coração, genuinamente.

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  5. Imagino que este post esteja relacionado com o anterior. Acho, sinceramente, que estás a ser demasiado dura com o teu namorado. Não me parece que ele seja pouco humano ou insensível por manter um pé atrás relativamente às pessoas, ou ser um pouco desconfiado. Pessoalmente, no teu caso, provavelmente também não emprestaria o dinheiro. Dependeria muito de que amiga se tratasse. Ainda que o dinheiro seja teu e com ele fazes o que quiseres, acho que consegues admitir que há um certo risco de a pessoa não te devolver o dinheiro, logo, o teu namorado tem alguma razão em duvidar. E uma vez que se preocupa contigo, nada mais natural do que tentar "dar-te na cabeça" por tomares uma atitude que ele considera ingénua.

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  6. Parabéns!!!

    E é isso mesmo,um dia eles amanha nos!

    Mas vou confessar, já perdi a conta a esses empréstimos que na verdade foram doações mas lá acabo por concluir que a quem emprestei, digo doei, faltou mais do que me falta a mim e como faz tempo que não dou esmola........

    :*

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  7. Eu gostava de ser mais como tu, mesmo. Mas tornei-me super desconfiada. Em questões de dinheiro empresto só se souber que a pessoa tem carácter suficiente para o devolver logo que tiver. Isto porque há coisa de um ano emprestei dinheiro a uma amiga (dinheiro que não cai do céu) e ainda hoje estou à espera. O pior é que enquanto eu me esfalfo como estagiária num escritório oito horas por dia, ela passa a vida em compras. Sei lá, não gosto de julgar ninguém, mas cai-me tão mal saber que gasta rios de dinheiro em porcarias quando ainda me está a dever a mim.
    Não sejas tão dura com ele. Esta vida é que é uma selva.:(

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  8. Revejo-me totalmente neste post! Gostei muito de ler! Se ajudar, há (muitos) anos emprestei dinheiro a um namorado (agora ex, graças a Deus!), entretanto até terminamos e quando toda a gente me dizia que era uma burra e nunca mais na vida ia ver o dinheiro, eis que ele me pagou tudo. Há que ter esperança! ;)

    Cisca

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  9. Eu também sou assim... parva! Mas com dinheiro já aprendi, se o empresto é com a intenção de que não o vou ver mais. Perdi duas amigas assim. e ainda se o dinheiro não me fizesse falta, tudo bem. Mas infelizmente faz e custa-me.

    Se fosses assitente social ainda davas o teu ordenado! Deixa-te ficar como bióloga :D

    Beijinhos

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