28 dezembro 2012

O meu futuro é no Júlio de Matos, eu sei #2

Que eu detesto bagunça e coisas fora do sítio, isso vocês já sabem. Mas pelos vistos o meu homem não fazia idéia porque andou ali uns dias no limiar no perigo, deixando tu-do espalhado pela casa e testando a minha paciência.

Vejam lá se eu não tenho razão: Como eu vivo na minha casa e o querido vive na dele, fizémos um acordo: um fim-de-semana ele passa cá e no outro a seguir eu vou para casa dele. Como é óbvio, para não andar a trazer roupa de um lado para o outro, eu surrupiei uma porta do roupeiro dele {não sou nada exagerada} e em troca ofereci-lhe duas gavetas do meu closet pequenino {ahahah}.

Acontece que sempre que vem passar o fim-de-semana cá em casa, o homem chega feito furacão: é sapatos no corredor, é meias pelo chão, blusão jogado em cima da minha poltrona, carteiras e chaves por todo o lado... ai senhores, isto dá cabo dos meus nervos.
Oh, que caraças, se eu separei {a muito custo, confesso} duas gavetas inteirinhas para o raio do homem guardar as coisas dele, porque a criatura insiste em espalhar tudo? Fico possuída.

Na primeira vez falei com jeitinho "oh, amor, guarda lá as tuas coisinhas no sítio...". Na segunda vez, já meio enervada, disparei um: "então, pá? A empregada está de folga hoje, vê lá se arrumas tudo...". Na terceira, ai, na terceira... foi logo: "olha lá, vou dizer-te pela última vez: se volto a encontrar cenas tuas espalhadas pela casa, mando tudo pela janela". Ele riu-se, como que a duvidar das minhas palavras.

Na semana passada, mal chegou do trabalho, fez novamente a sua baguncinha habitual. Não me fiz de rogada: esperei ele ir para o banho e, maluca como eu sou, agarrei nos sapatos e no blusão, abri a janelinha do meu quarto {que dá para uma das ruas principais do meu bairro} e pluft: mandei tudo lá para baixo.

É que nem pensei duas vezes, foi tipo ato reflexo. Meus amigos, eu não tenho vocação para papagaio e detesto andar sempre a bater na mesma tecla. Avisei uma vez, aviseu duas, avisei até três. Depois disso, já é confiar muito na sorte.

Eu queria ter gravado a cena que se passou depois: ele sai do banho, enrolado na toalha, entra no quarto e exclama: as minhas coisas? 
Eu, muito distraída a ver os mails, nem levanto a cabeça e respondo: mandei tudo pela janela. Imaginem uma pessoa sem reacção: foi o meu rapaz. Ficou assim meio parvo a olhar para mim até que lhe caiu a ficha e exclamou, possesso: "tu fizeste o que, caraças?! Epá, não acredito nesta merda!" e desata a vestir o primeiro trapo que vê pela frente para ir lá abaixo buscar as coisas.

Voltou com o casaco todo cagado {é branco, imaginem!}, a deitar fumo pelas orelhas e exclamou: tu és maluca, só podes. 

Maluca ou não, a verdade é que hoje, mal adentrou cá em casa foi logo dobrar toda a roupinha na gaveta e arrumou tudo como deve ser. Eu sabia: a terapia de choque resulta sempre. Lindo menino.

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8 comentários

  1. Ahahahaha és do caraças, Anne! Sou tua fã!

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  2. Oh, meu Deus, eu não era capaz. O meu namorado enerva-me as vezes mas dai a mandar tudo pela janela... os teus vizinhos devem achar que és louca! lol

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  3. ahaha adorei e começo a achar que temos muito em comum...a começar no facto de eu ser Engenheira Biológica! ;)

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  4. hEHEHEHH O que eu me ri com este post, exelente!!!

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  5. Acabas de subir mais 10 pontos no meu conceito (que já era alto!)
    Mulher de coragem... Inveja!

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  6. Aqui no Alentejo só se pode comentar situações destas da seguinte maneira: "eh mulher braba" :p

    Beijinho e continua assim, mostra quem manda! ahah

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  7. Ahahah gosto da tua abordagem, mas eu acho que fazia uma fogueirinha com as coisas. Assunto arrumado :D

    Acho que nos havíamos de dar bem!

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