19 dezembro 2012

Rio, sempre Rio...

Mamãe está maravilhada. Diz que em cinco anos o Rio de Janeiro mudou muito {para melhor} e que ela está encantada. Que depois de todos estes anos, sente-se novamente em casa. E que, se as coisas fossem diferentes, não pensava duas vezes e voltava para o Rio.

E, confesso, não estava preparada para isto. O grande motivo para termos vindo para Portugal foi o facto da minha mãe ter sofrido um sequestro-relâmpago em 2004, enquanto conduzia no Rio. Confundiram a matrícula do carro dela com o de uma delegada de polícia e tinham ordem para matá-la. A minha mãe em pânico, a dizer que não era delegada nenhuma, que tinha três filhos e a pedir pelo amor de Deus para desviarem a arma da cabeça dela... E ficaram na brincadeira por quase três horas, enquanto decidiam se matavam-na ou não.

Portanto, como devem calcular, após a minha mãe ter sido libertada, as coisas não foram fáceis. Ela não dormia, não conseguia conduzir e andava com medo até da própria sombra. Decidiu então tirar umas férias e voltar a Portugal {mamãe nasceu em Viana do Castelo, mas foi para o Rio quando era bebé} para esquecer o trauma. Ficou cá quase um mês e decidiu que queria voltar para cá. Que o Rio era demasiado selvagem para nós e viemos, de mala e cuia.

E eu, que sempre fui apaixonada pela minha cidade, assumi que jamais viveria em paz e em segurança na cidade maravilhosa. Quando estive no Rio, em Abril, tive a mesma sensação que mamãe. A sensação de que tinha, finalmente, voltado para casa. Mas, como tenho a minha vida estruturada em Lisboa, nem me permiti sonhar em voltar para o Rio porque sabia que mamãe jamais aceitaria viver lá de novo.

E agora, isto... ela diz que, provavelmente, teria coragem para voltar. E eu, que não quero nutrir falsas esperanças, só consigo pensar em como seria bom estar na minha cidade novamente. De vez.
Será?!

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