07 janeiro 2013

Depois queixam-se dos políticos...

Lembram-se deste post? Pois bem, na última semana de Dezembro a direcção da minha empresa comunicou à tal rapariga que o contrato dela não seria renovado. Neste dia, confesso, tive pena porque sei o quão difícil as coisas estão e ela tem uma filha de 15 meses para sustentar.

Entretanto, logo no dia a seguir ao comunicado, ela não apareceu na empresa. Não deu uma satisfação, não ligou para avisar, nada. No dia 23 enviou um sms a dizer que estava muito mal de saúde e que tinha enviado a baixa médica por correio registado. E efectivamente, foi o que fez:

Estou ligeiramente chocada. Aliás, sou muito reticente com estas coisas das baixas porque há tanta, mas tanta trafulhice pelo meio que uma pessoa fica com o pé atrás. Quer dizer, num dia ela está óptima para trabalhar, bem disposta e risonha... e no outro dia está super debilitada e precisa de baixa médica {o mais ridículo: com ordens para não sair de casa} por motivos de saúde mental?!

A sério, poupem-me. Enquanto existirem baixas fraudulentas, subsídio-dependentes, cheques de inserção social com valores astronómicos {como no caso dos ciganos}, este país nunca vai entrar nos eixos. E depois é ver velhotes, que toda uma vida trabalharam, descontaram e cumpriram com as suas obrigações, com uma reforma de merda, sem dinheiro para remédios e consultas. É tão injusto..

É muito fácil pôr a culpa nos políticos, na Troika, na Merkel, no Sócrates, no raio que o parta {e é claro que eles têm a sua parcela de culpa} mas a culpa não é só deles... A culpa é de quem trabalha sem contratos para continuar a mamar o subsídio-desemprego, a culpa é de quem mete baixas sem realmente estar doente, a culpa é de quem não declara aquilo que realmente recebe...

Estamos em crise, é bem verdade. Mas a pior crise de todas, volto a dizer, não é a econômica: é a de valores. 

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9 comentários

  1. É caso para deixar alguem frustrado. Eu vejo pela minha avó que trabalhou toda a vida, já reve cancro da mama a 9 anos. Actualmente mora em Faro para tomar conta da minha bisavó e vem de 15 em 15 dias a Lisboa (ida e volta no mesmo dia) para fazer tratamento num cancro dos ossos que apareceu em março e recebe uma reforma da treta (leia-se menos de 450 euros), que não dá para nada.

    Beijinho e bom ano :D

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  2. Não acrescento nem mais um ponto! Concordo plenamente.
    Beijinhos
    ps: Adoro o teu blog!!

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  3. Eu sou portuguesa, mas cada vez me mete mais nojo este país, as injustiças...o chico espertismo de alguns, revolta-me!!! o meu marido descontou 32 anos, sem nunca ter estado de baixa(graças a Deus) e de há 2 anos para cá já foi operado 4 vezes a um descolamento da retina. Há 2 anos, quando foi a 1ª vez operado, não teve direito a um tostão de baixa, pois tinha tido o azar de estar 2 anos desempregado e quando voltou á vida activa, teve esse problema de saúde, como ainda não estava a trabalhar há 6 meses, aguentou-se os 4 meses em que esteve incapacitado há custa de muitos sacrificios, sem ver um tostão furado... Agora desta vez, num espaço de 1 mês foi operado 2 vezes ao mesmo problema. Está de baixa há quase 1 mês...dinheiro??? nem vê-lo!!! mas já recebeu 1 cartinha para se apresentar para ser inspeccionado?!!WAF??
    Então uma pessoa desconta 30 anos...sem usufruir 1 única vez da baixa, agora é internado 2 vezes para ser operado e eles desconfiam que ele esteja a quê? a fingir o problema??? Eu até sou uma pessoa super pacífica, mas acho que isto só lá vai á paulada...

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  4. Sou exatamente da mesma opinião. A maior crise vêm das pessoas e não da economia!

    |R.

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  5. Eu estou de acordo. Mas há muitos reformados que nunca descontaram na vida e recebem a reformazinha. ok, tudo bem. Falo da minha avó que recebe todos os subsídios, de Natal, de férias, para quê?? Eu estou desempregada, descontei pouco é verdade mas descontei!, mas nunca tive direito a um tostão do estado, nunca!! E vivo assim, sem ajuda do estado, mas com ajuda dos pais, se não não sei o que seria da minha pessoa...... :/

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  6. Não diria melhor! Vivo num concelho bastante envelhecido do Alentejo e mete-me mesmo nojo ver pessoas a viver do trabalho dos outros, a viver acima das suas possibilidades, a enganar o Estado que no fundo somos todos nós e depois ver velhotes que mal conseguem comer um prato de sopa por dia, sem dinheiro para medicamentos, sem qualquer tipo de condições em casa, e muitas vezes sem possibilidade ou vaga para ir para um lar, já que muitas vezes até pelos filhos - pessoas sem qualquer tipo de valor, eu acho - os abandonam :\

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  7. subscrevo inteiramente. é tão mais fácil falar dos 'grandes' quando no fundo o verdadeiro problema começa na corrupção do dia-a-dia. Daquela que todos somos testemunhas todos os dias mas pouco fazemos para contrariar.

    Acho que esta nossa mentalidade latina só nos prejudica a nós mesmos e enquanto não a conseguirmos mudar haverá sempre este eterno ciclo vicioso.

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  8. Que bom meus amigos se a corrupção estive determinada em um único estado ou município.Aqui na minha cidade de Mafra-SC o prefeito que foi eleito nem bem sentou-se em sua confortável cadeira e já começou seus desmandos.Cortou o vale alimentação dos professores,que aqui na nossa região já ganham uma miséria,agora mais esta porretada só para variar.O que me dói é ver a classe sendo humilhada sem aprestar uma reação,nem uma passeata,nem reclamação.Parecem cordeiros indo para o abate de cabeças baixas.Enquanto isso esse safado do Etto,nome do prefeito,ri da cara dos professores.E enquanto ele corta o vale alimentação,já colocou a parentada em cargos comissionados,ganhando verdadeiras pequenas fortunas.Parabéns povo de Mafra por mais uma eleição equivocada e sem propósito,nós perdemos mais uma vez.PARABÉNS PREFEITO SAFADO.

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