06 fevereiro 2013

Como fazer o meu namorado ficar virado do avesso:

Basta perguntar-lhe, em tom de cusquice: Ah, a tua namorada é brasileira? Então conta lá... como é namorar uma brasuca? É mesmo verdade que...

É coisinha para deixar o meu homem com sangue nos olhos e vontade de pular no pescoço da criatura que faz tal pergunta. Já presenciei a cena duas ou três vezes {enquanto pensavam que eu não estava a ouvir} e digo-vos: não foi bonito.

O M., que é branquinho como um papel, fica logo todo corado e dispara uma catrafada de palavras que não convém repetir. Da última vez ia lhe rebentando uma veia do pescoço. Fica furioso por esse estigma maldito que cerca as brasileiras na Europa. Eu? Eu já nem ligo.

Antes ficava irritada, queria a todo custo que me enxergassem por aquilo que eu sou e que não me julgassem pelas outras... cheguei ao cúmulo de ter um ataque de choro dentro do comboio, uma vez que um gajo apalpou-me e eu perguntei-lhe se ele era louco. Ao que ele me respondeu: não finjas que não gostas, puta. 

Escusado será dizer que sai na estação a seguir, a tremer por todos os lados e a chorar baba e ranho... Lembro-me de chegar em casa e repetir vezes sem conta: quero ir para casa, quero voltar pro Rio, não fico mais nesse lugar... {que, ironia das ironias, também é o meu lugar}.

Depois de quase oito anos a conviver com situações chatas, eu só poderia ser muito estúpida {ou masoquista} para dar importância e continuar incomodada. Agora simplesmente ignoro. É para o lado que durmo melhor, sinceramente. O assunto passou a não me incomodar porque depois de um certo tempo, nós descobrimos quem somos de verdade. Sabemos o nosso valor. E eu sei o meu.

É verdade que há putas brasileiras que enxergam Portugal como uma mina de ouro e vêm para cá vender o corpo? É, sim senhor. É verdade que há brasileiras que aceitam ser amantes de homens casados em troca de dinheiro? É, sim. Mas isso é com elas.

Eu sei quem sou. E isso me basta.


Por isso, amor da minha vida, eu sei que adoras armar-te em cavaleiro andante que salva a sua princesa mas... não é preciso, tá? ;)

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11 comentários

  1. Cara "Garota de Ipanema"
    É bom e refrescante ouvir falar abertamente do preconceito que as Portuguesas têm sobre as mulheres Brasileiras.
    Putas há em todo o lado! As Portuguesas que se cuidem (não me levem a mal, mas em geral não há a cultura do corpo em Portugal como vi existir no Rio de Janeiro) e que se valorizem.
    Continue assim, segura de si :)

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  2. Este país e os preconceitos descabidos.
    O meu namorado também é brasileiro e já sofreu muuuiiiiito preconceito (óbvio que não foi chamado de menino da vida xD). Acham-no sempre malandro, e sempre que eu digo que o meu namorado é brasileiro, acham que tenho um par de chifres na testa (?) e que ele tem de me ensinar a sambar (visto que nem do rio é!), mas já não ligo e ele muito menos x)
    Parabéns garota, ainda bem que te mantens sempre fiel a ti mesma :)

    Beijinhos

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  3. Até parece que é só em Portugal...

    Os meus tios que vivem no Brasil são constantemente olhados de lado e criticados pelo sotaque que têm por exemplo. É triste ouvir da boca deles a forma como os Brasileiros desvalorizam a mulher portuguesa e Portugal... Aliás, eles afirmam que nunca viram um povo tão preconceituoso com os seus como o povo brasileiro.

    Basta ir ao Yahoo para se ler umas quantas pérolas.

    Gente de má lingua há em todo o lado e apesar de não ser agradavel aquilo que tu estás aqui a partilhar, acredita que não é nada ao lado daquilo que os meus tios já passaram no Brasil.


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  4. Pois é Anne, a fama das brasileiras ñ é das melhores, td a gente sabe... Por umas pagam as outras e esses raciocínios dedutivos não ajudam em nada! Bem, mas essa do homem no comboio foi absolutamente nojento!!! Imagino as piadinhas que o M. ouve, quem namora com angolanos ou russos tb ouve, pensam q há smp interesse financeiro. às xs há outras não. Mas, qual q fama dos tugas no Brasil? Beijinhos e não esqueças o post dos creminhos da mamãe mas sem esquecer q ela já colocou botox. Como correu o implante mamário? Beijinhos

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  5. Desejo que esse velho do comboio morra depois de 5 dias de diarreia. Mesmo sendo portuguesa sofri, e muito, esse preconceito quando morei em Lisboa... E horrivel mas o melhor é ignorar...


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  6. E a história se repete vezes sem conta...
    Sou brasileira com muito orgulho, mas filha de pais portugueses, (o que faz de mim neste momento um ser apátrida, aqui sou brazuca, lá sou portuga) moro em Lisboa há 12 anos e sinto na pele o preconceito às vezes velado às vezes não. Não sei se vc já estava por aqui quando do episódio das mães de Bragança, mas foi a gota de água que faltava para qualquer brasileira honesta se sentir mal.
    Já cheguei a ser convidada por um senhor de aparência muito séria a dividir um apartamento com "outras" meninas. Isso enquanto estava com os meus filhos no parquinho! Nesse dia quis morrer, mas ainda estou aqui.
    Lá no Brasil , mesmo sendo brasileira de nascimento, já passei por situações desagradáveis. Quando era criança, tudo era porque eu "era filha de português", aquele português da mercearia, que "roubava no peso e nos trocos". Hoje quando vou ao Brasil alguns tolos procuram, ainda que na brincadeira, onde está o meu bigode e os meus tamancos.
    É a vida, fazer o quê?
    Sermos nós próprias e passar por cima disso. Uma coisa que acabamos por aprender com o tempo e a idade.
    Bjs

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  7. @Mara Ribeiro: O tema dos preconceitos não é muito abordado aqui no blog, aliás, esta foi mesmo a primeira vez que toquei no assunto. Não gosto de valorizar muito, sabe? Concordo contigo, putas há em todo o lado mas parece que só enxergam as brasileiras. É verdade que também há muitas brasileiras que dão motivo, que vestem-se de forma escandalosa, que é vulgar... e depois nem sequer podemos reclamar porque elas é que se "auto-envergonham". Obrigada pelo comentário ;)

    @Inês: Olá! Tens razão, ainda há muito preconceito velado por ai, é pena... É engraçado mas o meu irmão nunca sofreu nenhum tipo de discriminação, pelo contrário, sempre foi muito bem tratado. Acho que o preconceito é, maioritariamente, com as mulheres brasileiras.

    Também já disseram ao M. para ele ter cuidado porque as brasileiras só querem saber de dinheiro e são mulheres fáceis. Enfim... Mentalidades de merda, é o que é.

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  8. @Anónimo: Eu não disse que era só em Portugal mas tendo em conta que vivo cá, só posso falar pela minha experiência, não é? Tens toda a razão, há muitos brasileiros que ainda têm aquele estigma de que a mulher portuguesa tem bigode, cheira mal e é horrorosa. Há montes de piadas sobre portugueses burrros e tal. É uma pena, porque são estereótipos que em nada combinam com a realidade... Odeio esse tipo de pensamento!

    @Anónimo2: O que vale é que quem realmente me conhece, não se deixa levar por essas idéias de merda ;) As pessoas acham estranho o fato do M. andar há 7 anos comigo, na cabeça delas é impossível um português andar com uma brasileira por 7 anos sem levar um par de chifres na pinha. Ou acham que estou com ele por interesse financeiro (como se eu precisasse...), ou acham que ele está comigo pelo sexo (ahahahah).
    Há maluquinhos para tudo nessa vida.

    Estou a preparar o post com os cremes que a minha mãe usa. Quanto ao botox, ela fez só uma aplicação para suavizar as linhas de expressão. Ainda não chegou àquela fase Lili Caneças (e espero bem que nunca chegue!). O implante mamário correu super bem, ficou lindo e ela adorou ;)

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  9. @Blog da Bel: Ai, Bel, tive que rir com o teu comentário ahaha. Eu fiquei tão furiosa, queria ter gritado, xingado, feito um escarcéu... mas fui tão pega de surpresa que só me deu para chorar (mico!). É lixado conviver com o preconceito mas a minha melhor arma é sorrir e cagar no assunto. Tiro e queda ;)

    @Mila Matos: Bem-vinda ao clube, Mila! Eu cheguei em 2004, conheço a história das Mães de Bragança {coisa mais ridícula, impossível) e para mim só demonstrou uma incrível falta de auto estima pelas mulheres do "movimento". Mas alguma vez, se o M. me trocasse por alguém, eu andaria a fazer movimentos a implorar o quer que seja? Amor-próprio, não há? Pfff!

    Quando vou de férias para o Rio também escuto piadinhas (porque, invariavelmente, solto algumas expressões tugas: se calhar, pois, telemóvel...) e aí, está o circo armado. Gozam que se fartam.

    Tens toda a razão: nada como o tempo para nos ensinar a lidar com estas chatices.

    Um beijo!

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  10. Já passei por quase tudo e tal como o teu M. eu solto a língua mesmo, e vivo dizendo que assim que eu voltar ao Brasil vou fazer questão de ficar um dia inteirinho dizendo turistas portugueses: Voltem pra vossa terra. que é a frase que eles mais adoram dizer aos imigrantes, só mesmo para me aliviar, depois peço desculpa educadamente e vou-me embora ;)

    Eu não sou cidadã brasileira, não sou cidadã portuguesa nem européia, sou uma cidadã do mundo, tenho o direito, e o dever, de querer estar e viver onde quiser e com quiser, mas vai demorar anos luzes para que o mundo se aperceba dessa realidade.

    Beijinho

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  11. Enfim, tenho peno que no meu país ainda haja gente que pense assim. As p**** tanto são brasileiras como são portuguesas, enfim :S

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