28 abril 2013

bye bye, LG!

Contei-vos neste post que perdi o telemóvel há cerca de uma semana. Pois bem, a pessoa que o encontrou quis mesmo ficar com ele porque, apesar de lá ter todos os meus contactos (mail, whatsup, facebook, instagram...) não entrou em contacto comigo para o devolver. E sim, eu sou daquelas que devolve tudo o que encontra e que não me pertença (vá, briguem com a minha mãe que ensinou-me a ser assim) por isso, é natural que tenha esperado por um contacto a dizer "olhe, tenho aqui o seu telemóvel comigo".

O M. chama-me sonhadora, utópica, demasiado boazinha mas a verdade é que desde pequena fui ensinada a não ficar com nada que não fosse meu. Lembro-me de, no primeiro ano, chegar a casa com um lápis novo ou uma caneta e a minha mãe exclamar: "de onde surgiu isso?", eu responder: "ah, foi a professora que ofereceu" e ela ir no dia a seguir confirmar a história com a professora para ver se realmente me tinha sido dado. Mamãe sempre me ensinou que só devemos nos apropriar daquilo que é nosso. Todo o resto, achado ou encontrado, não nos pertence.

Talvez por isso, há uns três anos, quando trabalhava em part-time na Zara (fase-negra-da-minha-vida) e encontrei um iphone nos provadores, nem sequer pestanejei: liguei para o último número discado e informei que o telemóvel estava na Zara e que a pessoa entrasse em contacto com o dono e avisasse. Escusado será dizer que o segurança da Zara ficou possesso comigo porque queria ser ele a "entregar" o iphone e que era minha obrigação, enquanto vendedora da loja, comunicar primeiro à ele e cabia à ele decidir o que fazer (pois...). Passado uns vinte minutos o dono do iphone entrou na Zara, meio esbaforido e a agradecer-me tantas vezes que, juro, fiquei constrangida. A minha atitude não deveria ser uma excepção à regra, deveria ser A regra. Ok, o iphone custava mais que dois meses de ordenado que eu ganhava ali (não gosto nem de lembrar) mas não era meu, não me pertencia. Simples assim.

Hoje as pessoas usam a desculpa da crise para tudo. Ai, pois foi, encontrei o telemóvel mas olha, não tenho dinheiro para comer, por isso fiquei com ele. Isso não é desculpa. A crise não é desculpa para falta de carácter porque, desculpem lá, mas qual é verdadeiramente a diferença entre encontrar um telemóvel na rua e decidir ficar com ele... ou assaltar uma pessoa e ficar à mesma com o telemóvel? O resultado é o mesmo e, aos meus olhos, não há lá tanta diferença.

Tudo isto para dizer que, passado mais de uma semana e depois de ter feito a participação à PSP de extravio do aparelho (e eles terem bloqueado o IMEI), não tenho grandes esperanças de reaver o telemóvel... E eu gostava tanto, mas tanto daquele telemóvel que sou capaz de comprar outro igual (mas em branco). Fiquei triste, até porque não estava nada a contar com essa despesa extra (estou na fase de juntar o máximo possível para levar para o Rio) mas pronto, já passou e não vale a pena andar a pensar toda hora no assunto. Tenho o meu blackberry velhote e será o meu fiel amigo por mais uns tempos, enfim... =/

Esta é a razão pela qual os comentários estavam moderados. Gostava de "monitorá-los" através de uma app android que tinha no outro telemóvel (e que o blackberry não tem) mas tendo em vista que não vou ter o meu LG fofinho de volta... os comentários estão novamente liberados.
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9 comentários

  1. Deixa lá n és a única a devolver tudo o que encontras! Eu cá também devolvo, seja o que for, não sou capaz de ficar com algo que não seja meu!

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    1. Que bom saber que não sou a única "esquisita" que devolve aquilo que encontra na rua... Hoje, da forma como as coisas estão, somos seres em vias de extinção, margas ;)

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  2. Acho que todas as pessoas que tiveram um boa educação devolvem tudo o que encontram. A não ser que seja dinheiro que viste no chão e não viste ninguém a deixá-lo cair :P

    Se gostavas tanto do teu LG em preto, vais amar mais em branco, é liiiindo! E eu tenho :P

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    1. Oi Ana! Tens razão, a única coisa que não temos hipótese de devolver é dinheiro e mesmo assim, se não tiver ninguém por perto... A minha consciência acusa-me logo e começo a pensar que a pessoa que o perdeu pode estar a passar por dificuldades e ficar sem dinheiro para comer (drama). Não consigo ficar com nada dos outros, sinto-me o cocó do cavalo do bandido :P

      Quero muito comprar o LG branquinho mas está esgotado em todo o lado... Estou a ver online, se o encontro ;) AMO esse telemóvel, é super funcional e me atende muito bem :*

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    2. Na altura comprei na PhoneHouse, acho que era o único que sítio que tinha em branco. Tenta lá ;)

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  3. Parabéns! Se toda a gente pensasse assim o mundo seria muuuuito melhor! Merecia que o tlm aparecesse!Descobri o seu blog há pouco tempo e adoro a sua maneira de escrever!

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    1. Acho que é uma questão de consciência, basta nos colocarmos no lugar da outra pessoa: se nós perdessemos algo, gostaríamos que quem o encontrasse fosse devolver? Sim? Então... só nos resta devolver também quando encontramos algo que não nos pertence.
      Obrigada :**

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  4. Também já perdi a conta ao número de telemóveis que devolvi, sempre com o mesmo método de ligar para os últimos números. Malas no metro e aqueles rolinhos de projectos de arquitectos ou estudantes de artes. Concordo plenamente em fazer os possíveis para devolver o que não me pertence. Como tal, desde que há 3 dias perdi (ou me roubaram) o meu querido iphone, mantenho uma pequena esperança cá dentro de o reaver... Infelizmente sei que também sou aquilo que o M. chamaria de "sonhadora, utópica, demasiado boazinha" e que me tenho de começar a habituar à ideia de que não vou voltar a tê-lo. Bacione*

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  5. Eu também sou assim! Há muitos anos, no Colombo, eu e uma prima encontrámos uma carteira cheia de dólares, que por sinal era de uma estudante que nesse dia teve muita sorte!

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