04 abril 2013

Das coisas que só acontecem comigo #6

A empresa onde trabalho está a recrutar um novo colaborador e hoje passámos a tarde inteira em entrevistas. Bom, o que dizer? Foram pérolas do início ao fim e eu só pensava: mas como raios estas pessoas esperam conseguir a vaga se só dizem disparates? Do tipo:

Entrevistadora: Diga-me o que a motivou a candidatar-se a essa vaga.
Candidata 1: Então, primeiro foi o horário, é em part-time e eu tenho um bebé pequeno e só posso trabalhar durante a tarde. Depois, foi a localização, que é mesmo muito próxima da creche do meu filho e assim posso ir buscá-lo quando sair do trabalho. E as folgas são aos fins de semana, o que também me possibilita estar com o miúdo durante dois dias seguidos.
{meus amigos, ainda não sou mãe mas digo-vos, mesmo que tivesse 14 filhos em idade escolar, JAMAIS daria essas respostas. Basicamente, a senhora condicionou toda a sua vida profissional em função do puto. Um autêntico tiro no pé.}

Entrevistadora: Se não for indiscrição, você estava a trabalhar na empresa há mais de 7 anos, o que motivou a saída?
Candidata 2: É simples: começaram a atrasar os ordenados. E sem ordenados, não há quem trabalhe. Trabalhar para aquecer é que não pode ser. Eu ainda falei com os patrões que assim não podia ser, mas eles diziam para esperar e olha, fui logo à ACT fazer uma queixa e agora coloquei-os em tribunal. Comigo não brincam!
{A sério, acho que nem preciso dizer nada. Tribunal, ACT e outras entidades do género não devem ser mencionadas em entrevistas de emprego, na minha opinião. É aquele velho ditado: pelas costas dos outros eu vejo as minhas e empresa nenhuma vai querer arriscar a contratar um funcionário muito espertalhão.}

Entrevistadora: O que a levou a enviar o seu currículo para a nossa empresa?
Candidata 3: Preciso mesmo de trabalhar, o meu subsídio-desemprego terminou há quatro meses e eu preciso receber dinheiro de algum lado, tenho duas miúdas em casa.
{Ok, esta foi sincera (até demais, eu diria) mas tudo é a forma como dizemos as coisas. Há maneiras e maneiras e esta não foi a melhor opção, penso eu.}

Para resumir, de 11 candidatas, só 2 é que passaram à fase seguinte. As pessoas queixam-se do desemprego, queixam-se da crise mas depois quando até surge alguma oportunidade, fazem figuras destas. Um bocadinho mais de bom-senso, se faz favor.

SHARE:

8 comentários

  1. Não acredito no que li! meu deus... como é possível!!
    A educação ficou em 1900 ... boa sorte!

    ResponderEliminar
  2. parece-me que já vi este filme.....falasse em desemprego mas as pessoas não estão preparadas para trabalhar, por falta de sensibilidade ou mesmo por falta de interesse! Parece-me que as pessoas não querem mesmo trabalhar!!! Se falas assim na grande cidade, nem te conto aqui no Interior...boa sorte!

    ResponderEliminar
  3. Epá, ao menos foi tudo sincero, ahahahah. Mas numa entrevista convém levar a lição bem estudada :P

    Bjokas.

    ResponderEliminar
  4. Vou fazer a minha análise, é simples: as duas primeiras são de pessoas que estão a receber subsídio de desemprego e não querem ganhar menos para trabalhar! A outra foi sincera e ingénua, até merecia, ehehe :D Há que ter paciência, trabalhar com pessoas é terrível, recebemos com cada resposta... :D

    ResponderEliminar
  5. querida anne, acredito em todas as palavras que escreveste. já fiz algumas entrevistas e uma pessoa sai de lá... estarrecida com a atitude e postura das pessoas. não me lembro agora de nenhum caso em concreto para além do da senhora que nos (a mim e à minha colega) contou a vida toda, de forma alucinada, e nem nos deixou falar. e depois da entrevista mandou um mail a pedir desculpa, com uma daquelas apresentações em ppt com frases feitas e uma música de fundo a tocar e a dizer para reencaminhar para os amigos.
    eu saía sempre de lá a pensar o mesmo que tu. que aquelas pessoas nunca iriam arranjar emprego.

    ResponderEliminar
  6. Não vejo nada de mal na entrevistada 2,que foi sincera e teve razão em rescindir o contrato com a outra empresa.Se não me pagam pois claro que não vou trabalhar,qualquer pessoa com um mínimo de bom senso entende isto e qualquer pessoa mentalmente sã faria o mesmo no lugar dela.
    Mas claro que o que é esperado como resposta a uma pergunta destas é algo do género "Conheço a vossa empresa sei que têm bastante sucesso ouvi dizer que aqui há um excelente ambiente de trabalho dão condições de progressão na carreira desafios estimulantes bla bla bla...".Coisas que às vezes nem são realmente a motivação da pessoa mas nesta fase tem que ser assim.

    ResponderEliminar
  7. A entrevistada 2, na minha opinião, representa uma bela parte dos portugueses, claro que não é justo uma pessoa trabalhar sem receber o respetivo salário, mas se estava naquela empresa à tanto tempo, acho que poderia ter tido um pouco mais de consideração e paciência, a crise infelizmente afeta a todos.
    A minha mãe trabalha na mesma empresa à quase 30 anos, e é incapaz de deixar trabalho por fazer no fim do dia, nem que para isso tenha de ficar 15/20min a mais, enquanto que tem colegas que se saírem as 18h, às 17h50 estão a desligar o computador e a arrumar, mesmo com montes de trabalho por fazer, mas são bem capazes de chegar atrasadas e de pedir a tarde pra levar o menino ao médico e a empresa é acessivel quanto a isso. Acho que falta um pouco de lealdade e de consideração, gentileza gera gentileza. Acho que nos falta isso.

    Beijinhos Anne e boa sorte em encontrar boas candidatas :)

    ResponderEliminar

© A GAROTA DE IPANEMA . All rights reserved.
MINIMAL BLOGGER TEMPLATES BY pipdig