19 abril 2013

Das velhas histórias:

Esses dias ouvi, de uma pessoa importante para mim (por mais que eu tente fingir, ele sempre vai ter um grau de importância na minha vida) a seguinte explicação: "desculpa o sumiço, você sabe como é... Tenho trabalhado muito, o tempo voa e quando eu vejo o dia já se foi. A distância atrapalha muito, o fuso horário..." 

Para essa pessoa, todos os motivos são válidos para justificar a ausência na minha vida: excesso de trabalho, fuso horário de quatro horas, milhares de quilômetros de distância, falta de tempo (ou seria de amor?). Eu já aprendi a abstrair e dar-lhe razão, por muito que me doa. Sim, sim, imagino, o tempo voa mesmo... Mas e então, está tudo bem?

A mesma falta de assunto de sempre (logo eu, que tenho sempre tanto que falar), a mesma sensação de esquisitice de sempre, aquela velha sensação de estar a falar com um estranho que nada sabe sobre mim. A mesma merda de sempre. Detesto esse tipo de ligações proforma, para parecer bem perante os outros (estão a ver? estou a ligar para a minha filha, preocupo-me com ela...). Enerva-me o cinismo da coisa. As desculpinhas esfarrapadas.

Oh, pá, mas esta gente acha que eu tenho cinco anos de idade? Como diria a sábia Clarice Lispector (e eu que ainda não fui ver o raio da exposição na Gulbenkian...):

"Não existe falta de tempo, existe falta de interesse. Porque quando a gente quer mesmo, a madrugada vira dia. Quarta-feira vira sábado e um momento vira oportunidade." 

Estou farta que me digam que tenho que ter paciência, que esse é o jeito dele, que foi criado na cultura árabe e por isso demonstra tão pouca consideração com mulheres, que está velho e doente e mais um monte de mimimi. Querem saber? Não tenho que ter paciência, já tive muita (só Deus sabe o quanto). Já rasguei o verbo e  disse-lhe com todas as letras: não quero que me ligues mais, não vale a pena. 

 Mas há um qualquer instinto masoquista em mim que me faz atender o raio do telefone cada vez que vejo o número dele no écrã. Talvez seja a minha veia otimista de sempre, quero acreditar que sim, que um dia vou atender o telefone e vou ouvir a frase que espero há tanto tempo. Não sei. Só sei que esta merda é difícil de aturar.

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