16 outubro 2013

Podia ser minha filha:


Porque ás vezes temos que mandar à sanidade às favas, deixar o "socialmente correcto" de lado e seguir os nossos instintos, o nosso coração. Deu vontade de dançar fora do ritmo? Dance, oras! 

Essa menininha do vídeo demonstrou na perfeição o que eu, tantas vezes, faço: cagar para a sociedade. O M. é todo certinho e politicamente correcto, logo, fica completamente sem jeito com as minhas maluquices mas no final acaba por rir-se. E no final, o que importa é mesmo isso: sermos felizes, à nossa maneira.

Lembro de uma vez, com uns sete anos, querer mascarar-me de "gata borralheira" no carnaval carioca. E a minha mãe deve ter percebido mal a fantasia porque apareceu-me com o fato completo da Cinderela, com direito a coroa, vestidão azul, luvas, sapatinho transparente e tudo. Lá vesti o fato, muito puta da vida e com umas trombas descomunais [queria o fato de andrajos, o maltrapilho...] Mamãe fez o coque da Cinderela, encheu o meu cabelo de gel, não havia um único fio fora do lugar, toda eu estava uma perfeição no papel de princesa. Fiquei assim vestida umas duas horas. 

Às tantas devo ter pensado: puta que pariu este fato comichoso, quero é ser feliz! [não necessariamente com estas palavras] e caguei para a fantasia. Arranquei a coroa, desmoronei o coque, sacudi a cabeça para baixo e para cima várias vezes [resultado: fiquei com o cabelo de um espantalho], tirei as luvas, arranquei as mangas do vestido [que eram em renda e faziam uma comichão do caraças] e, descalça, corri para fazer bolinhos de lama com as minhas amigas [também mascaradas]. Foi dos melhores carnavais de que tenho memória. 

Hoje, quase 20 anos mais velha, ainda mantenho a velha máxima: se algo incomoda ou faz comichão... fora com ele! Quero lá saber o que vão pensar, quero é ser feliz! Por isso, um grande clap clap clap para a miúda do vídeo, que não dançou conforme a música mas foi feliz. E é isso que interessa.

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