29 março 2014

A tal da juventude desviada...

Ontem de manhã fui levar a Vi ao colégio, eram 8h15 e como ainda tínhamos tempo, fomos tomar o pequeno-almoço no café em frente. Ainda para mais era um dia de passeio (a turma ia a um museu) e estavam "liberados" da farda nesse dia. Entramos no café e reparei logo numa miúda sentada mesmo na mesa ao lado da nossa, a fumar um cigarro. A miúda me parecia estranhamente familiar. Perguntei a Vi se a conhecia.

"sim, mana, é a Catarina Campos, da minha turma. Não te lembras dela?". Fiquei estupefacta. Uma pita, que mal saiu das fraldas, a fumar montes de cigarros (nos dez minutos que ali estive, contabilizei três). Perguntei a Vi porque não se tinham cumprimentado e ela respondeu-me que já não se dão porque a Catarina agora só faz amizade com meninas mais velhas do secundário.

A minha alma ficou parva. E mais parva fiquei eu quando a tal Catarina levantou-se da mesa, com uns micro-calções de ganga e meias de vidro (a sério?) e foi cumprimentar um rapaz bem mais velho (o miúdo devia ter uns 17/18 anos) que tinha acabado de entrar no café. Com um beijo na boca.

A esse momento já eu estava a ponto de enfiar a Vi dentro da minha mala e correr para casa com ela, porque olha, não é fácil ver o que os "outros" da idade dela estão a fazer. E pensar que hoje é a Catarina, amanhã pode ser a Vi. Não sei que merda se passa na cabeça destas pitas de hoje, a sério. Ele é cigarros, ele é rabos à mostra, ele é pílulas do dia seguinte, é abortos a torto e a direito (uma prima do M., de 17 anos, já vai no 2º aborto - ou, se quisermos ser fofinhas e mascarar a coisa, pronto, vai na 3ª IVG).

Eu que tanto me queixo do excesso de cuidados de mamãe, sempre a querer saber onde estamos, quando chegamos, sempre a levar e a buscar a Vi nas actividades sem nunca deixá-la ir sozinha nem ao café... É verdade que por vezes soa a exagero mas quem é maluco de arriscar soltar uma criança nos dias de hoje?

Para se enfiarem no cigarro, nas más companhias, nos relacionamentos da treta... A cada vez que penso nisso (e na sociedade actual), dá-me um pavor de pôr filhos no mundo que não imaginam. Cheira-me que vou ser uma mãe neuroticazinha do pior. Como a minha mãe é connosco [mas que, muito graças a isso, nunca experimentei drogas e só fui acender um cigarro (o primeiro e o único) quando já estava na universidade]. E não sinto - nem nunca senti - que estava a perder "experiências de vida" por não seguir a manada e puxar do cigarro. Até porque, cigarro é coisa que me faz logo querer vomitar, odeio o cheiro, o que faz aos dentes e o mau hálito de quem fuma.... Ainda estou para aqui a pensar na miúda e no que anda a mãe/pai dela a fazer para permitir que uma filha tão nova saia de casa naqueles preparos para ir à aula. É que vou morrer sem entender... [vá, chamem-me retrógrada e antiquada]


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7 comentários

  1. "E não sinto - nem nunca senti - que estava a perder "experiências de vida" por não seguir a manada e puxar do cigarro."
    Anne, parece que lês os meus pensamentos! Tenho exactamente a mesma opinião que tu. Não sei o que se passa com esta juventude, que para mim, de juventude não têm nada!

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  2. Anne,

    Compreendo mt bem o teu escândalo. Eu tenho 30 anos e a minha adolescência já lá vai mas já quando eu era miúda tinha colegas que aos 13 anos já tinham relações sexuais com rapazes de 20 anos, já fumavam, consumiam drogas leves... Isto não é de agora. E claro que já haviam raparigas + certinhas, enfim, há de tudo sempre...
    Mas, não deves julgar os pais dela. Essas minhas colegas de quem te falo saíam de casa com uma roupa e levavam outra na mochila e dp trocavam no WC da escola. Os pais julgavam que tinham ali umas santas...

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    1. Concordo! Tenho 27 anos e quando tinha 13 também tinha colegas com essas atitudes. Que iam bêbadas para a escola, que andavam com rapazes mais velhos, saíam à noite todas as semanas, faziam imensas coisas às escondidas dos pais... e depois havia outras, como eu, que não me revia minimamente nesse tipo de comportamentos e me dava com outras colegas que também eram mais "do meu estilo". Haverá sempre míudos mais armados em rebeldes, outros mais certinhos, acho que não é por proibir ou proteger muito que se vai ser de um tipo ou outro. Os meus pais nunca tiveram de me proibir essas coisas, eu é que sempre as achei erradas, ou pelo menos eram comportamentos que eu nunca quis adoptar, os outros lá sabem da vida deles. Nunca cedi a pressões, em variados momentos da vida (nessa altura, depois na faculdade), em muitas coisas em que via certas pessoas alinharem só porque "toda a gente" alinhava, mesmo sem gostarem ou quererem também fazê-lo. Não sei se tem a ver com a educação que se recebe, porque essas míudas da minha turma que faziam essas coisas eram todas de famílias de "bem" que certamente não admitiam esses comportamentos, mas lembro-me delas falarem de imensos esquemas para contornar os pais (ao ponto de porem comprimidos para dormir na sopa da mãe de uma, para esta adormecer e elas poderem sair... ya). Acho que sempre haverá fases parvas, mas se os míudos tiverem proximidade com os pais para falarem com eles sobre tudo e tiverem uma moral e auto-confiança que lhes permita dizer não quando vêem toda a gente a dizer sim, tudo correrá bem :)

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  3. como deves calcular, como assistente social, o teu texto fez-me rir :)
    fizeste-me lembrar que a a maioria das pessoas pensa realmente como tu e eu não quero de todo tentar legitimar tal comportamento de adolescentes, mas a verdade é que sou tão inundada de casos assim todos os dias que até já me passam por naturais... deixa-me dizer-te que se não tiver começado a fumar haxixe aos 6/7 anos, já é muito bom! Embora o comportamento dela, seja mau... verdade!!

    A questão é... não precisas de te preocupar com a Vi (apesar de entender a preocupação) ela já provou que distingue o que devo do que não deve fazer, relaxa...
    Beijinhos

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  4. Olá Anne,
    Apesar de concordar com tudo aquilo que referiu acho que não deveria ter publicado o nome da criança (caso esse seja o verdadeiro nome dela).
    Bj

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  5. Olá Anne, existem 2 livros óptimos do Francisco Salgueiro que retratam muito bem alguns aspectos que ocorrem hoje. São ''O Fim da Inocência'', o I é sobre uma rapariga e o II sobre um rapaz. Aconselho vivamente a ler caso não conheças. Beijinhos*

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    1. Ia sugerir estes livros, apesar de não ter lido o I, deu para perceber bem como é que as coisas funcionam. E eu, nos meus 27 anos, fiquei verdadeiramente chocada e escandalizada.
      Mas acho que tem sempre que ver um bocadinho com a personalidade das pessoas e também com a educação e acompanhamento que se tem em casa.
      Ser pai não é fácol, mas ser uma criança sem apoio e atenção também não o deve ser. E é aqui que a personalidade e o bom senso entram.

      Beijinhos

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