20 março 2014

Acabadinho de acontecer #2

Estava a voltar do almoço e ao passar pela recepção do trabalho, vejo a recepcionista com ar de quem mal segura o riso, enquanto lia uma ficha de um cliente. Assim que eu me aproximei, mostrou-me a ficha. No campo "Nome", estava escrito, à mão (pela cliente): Dra. Joana Campos.

Sim, a cliente escreveu, antes do nome próprio, o seu excelentíssimo título académico. E eu fiquei sem saber se havia de lhe fazer uma vénia ou se corria para servir um chá com bolachas amanteigadas. No final, limitei-me a olhar para a recepcionista com ar de gozo e a pensar que há gente neste mundo que, das duas uma: ou é muito frustrada e precisa de se sentir exaltada/admirada através de títulos ou então nunca pisou numa universidade e faz questão de se gabar de algo que não possui. Não sei, ainda estou pra aqui a pensar.

P.S: No caso daquele pessoal que têm o "Dra." ou "Eng." à frente do nome nos cartões multibancos ou nos talões de cheque, bom, neste caso os coitados não tem grande culpa que é o próprio banco a actualizar esta informação mal terminamos os cursos (no meu caso, que era uma conta universitária, o upgrade foi automático), mas já ouvi por duas vezes, na fila dos bancos, pessoas que fazem esta solicitação ao gestor de conta e só me apetece dizer: para quê?! 

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21 comentários

  1. Anne, não te esqueças que Portugal é o país dos "engenheiros" e "doutores"... e depois, vai na volta, e são todos como o Relvas lolol

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  2. Concordo plenamente, tenho licenciatura, pós-graduação e mestrado e não me sinto superior a ninguém nem faço uso desses títulos. Inclusive á dias fui ao cemitério e a procura da campa de um familiar e dei por mim a ler o título de uma campa vizinha que começava por Dr. Eng. ( nome da pessoa) e pensei para mim mesma, até aqui ??!! Nunca percebi essa necessidade das pessoas e acho que não vou perceber.

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    1. hahahahahaha jura????
      hahahahahahahah nao aguento! hahahahahahahahaha no cemiterio é o fim!

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  3. Epá, realmente escrever-se à frente do próprio nome o "doutora" é só mesmo para aquelas pessoas com a mania dos títulos, snobes como tudo... Entretanto, também eu sou engenheira e fiz mesmo questão de ter o título à frente do nome nos cartões porque para mim é motivo de imenso orgulho ter feito o meu curso, na melhor faculdade pública de Lisboa (já se sabe que as privadas não vale um chavo), por isso fiz mesmo questão de ter o título. Mas não é por ser snobe, é mesmo por orgulho.

    P.S: adoro a maneira como escreves, com aquela pitada ácida que poucos apreciam - eu cá aprecio e muito! Beijinhos

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    1. Mas desde quando é que o orgulho no curso se mostra através do cartão bancária? E por estar lá "Eng.", quem é que vai saber que estudou na melhor faculdade de Lisboa, ou comprou o curso numa privada? A única pessoa a saber isso é a Joana e o orgulho continua a ser seu, não é necessário exibi-lo, que só fica mal.

      Eu trabalhei numa sociedade de advogados onde, felizmente, de sócios a estagiários todos nos tratávamos por "tu" e ninguém era mais que ninguém. Mas já trabalhei noutros sítios depois em que as pessoas se tratavam por "Dr." (e éramos todos doutores... fazia lá algum sentido!), ou queriam que se lhes chamassem "Professor" (e vai-se a ver tinham dado aulas há 20 anos atrás numa escola qualquer que ninguém conhece) e eu detestava isso. Nem gosto que as secretárias me chamem de "Dra.", peço logo para me tratarem só pelo nome. Orgulho no meu CV mostro-o numa entrevista de emprego, ou com quem queira falar de trabalho comigo, não é em "títulos".

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    2. Acho que muita gente simplesmente não entende a dificuldade que é muitas vezes obter esse titulo! Enquanto muitos se intitulam de Doutores e de doutores não são nada. Outros tiveram que por muito trabalho e empenho, talvez tiveram que trabalhar para pagar o curso e para além disso, só não sabe o que se passa para ter o título de Engenheiro quem não esteve num curso de engenharia, entre muitas desistências e afins, só chega ao final quem realmente teve a força para tal, o trabalho, a dedicação, o esforço == motivo de orgulho! Dito isto, não vejo o mal da pessoa se sentir orgulhosa e de apenas pedir que tenham o respeito de se não são amigos e família e etc, tratarem a pessoa, pelo menos, no seu local de trabalho, pelo seu título. Não digo que vejam a pessoa na rua e se ponham "sr engenheiro"! No entanto, não vejo o porquê destas "críticas". Como disse, só quem por lá passa é que sabe! Não estamos a falar de brincar de "estar na universidade". Estamos a falar de total compromisso com o curso /profissão! Certamente vou ter muitíssimo orgulho quando terminar o meu percurso e saber o que me tornei depois de todo o meu esforço. Para todos os outros, que criticarem isso, vivam as vossas vidas e sejam felizes que acho que não se baseia em mais do que isso! :)

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    3. Oh filha, passa-se isso para o curso de Engenharia, o de Economia, o de Direito, o de Medicina... e tantos outros! E não é nada de outro mundo. Já fizeste a primária na altura em que essa era a dificuldade adaptada ao teu nível de desenvolvimento da altura, depois o básico, depois o secundário e agora a Universidade. Não é nada de extraordinário, é a ordem natural das coisas. Se para alguns medíocres é difícil e andam sempre a queixar-se pelos cantos do trabalho que têm, isso não é razão para quem não faz mais que a sua obrigação se sinta muito orgulhoso "do que conseguiu". Não conseguiu nada de extraordinário, conseguiu apenas formar-se na área à qual se propôs a fazê-lo. Se te está a custar assim tanto esforço fazer um curso superior, nem imagino quando tiveres que encarar o mercado de trabalho...

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    4. Oh filha/o, não sei qual é a tua! Só dá para rir os teus argumentos. Se for assim, és um infeliz da vida que nunca tem motivos de orgulho, porque basicamente não fazes mais que a tua Obrigação Sempre! Boa sorte com isso! :) só digo isto.

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  4. Epah, títulos é que não.

    -AM
    http://makingupcolours.blogspot.pt

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  5. Às vezes a questão dos títulos é mesmo para evitar o contrário. As pessoas que se sentem inferiores por nao o terem e fazem questao de te tratar por tu até em ambiente profissional. Às vezes é só questão de respeito e hierarquia. Mas sim, concordo com o absurdo desta situação.

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  6. Eu pedi ao gestor do banco para tirar o "DOUTORA" e olha que não foi fácil. Mas consegui!
    Eu sou licenciada numa boa faculdade publica, mas eu sou da opinião de que só não tem uma licenciatura quem não quer (caso não existam problemas financeiros, quando eles existem já não se pode fazer nada). Ter uma licenciatura não é nada de mais!!!
    Por pensar assim é que uma colega minha do trabalho me trata por doutora, para eu ficar fula da vida!!!

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    1. "Ter uma licenciatura não é nada de mais!!!"

      Completamente! Tenho uma licenciatura e um Mestrado científico (mas pós-Bolonha) numa das melhores Faculdades públicas da minha área e, sinceramente, não acho que isso seja assim "such a big deal". Orgulho-me de o ter feito, sem ter ficado nenhum ano para trás e com uma boa nota, mas sinto também que não fiz mais que a minha obrigação. Não é assim tão difícil nos dias de hoje fazê-lo, não foi assim tão complicado, nem exigiu de mim nenhum esforço sobrehumano. Tenho colegas meus que acabaram a licenciatura em mais uns 2 anos do que era suposto e com uma média miserável, mas quando fazem a última cadeira põem no facebook coisas como "finalmente Doutora!!" e vêm 128470 comentários a dar-lhes os parabéns e a falar daquilo como se fosse um grande feito. Depois demoram séculos para fazer o Mestrado e a tese (que eu e quem seja minimamente desenrascado faz quando já está a trabalhar), embora estejam sem trabalhar e com 1 ano totalmente livre para o fazer... vão pondo fotos de livros no Facebook, queixando-se como estão "cheios de trabalho", quando terminam põem fotos suas em frente à Faculdade com os pais, fotos da tese encardernada... e continua a carneirada toda a comentar e a aplaudir como se fossem pessoas extraordinárias a fazer algo dificílimo. Menos, pessoas, muito menos, Continuo a dizer: hoje em diz toda a gente é licenciada e mestre, em tudo o que é assunto, e, lamento, mas não é assim uma coisa tão difícil ou merecedora de tanto alarido terem-no feito também. Acho que mais mérito tem quem, depois das licenciaturas e mestrados e pós-graduações, se consegue desenrascar no mundo real. Ter um bom emprego, manter-se lá a fazer um bom trabalho, ser reconhecido como bom profissional pelos chefes e pelos colegas, candidatar-se a coisas, em Portugal e no estrangeiro, às quais se candidatam milhares de pessoas, ir a entrevistas, fazer testes e ser escolhido. Isso merece-me mais aplauso que os feitos do "mundinho académico".

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    2. O anónimo das 08:15 disse tudo.....

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    3. Anónimo das 08:15h,

      Isso de demorar séculos para fazer o mestrado e tese quando se tem "1 ano totalmente livre para o fazer" tem muito que se lhe diga. A minha licenciatura é pré-bolonha mas entretanto resolvi fazer um mestrado na minha área, não integrado e tendo já experiência profissional. No primeiro ano de mestrado eu tinha 2 empregos, e apesar do pouco tempo e de bastante jogo de cintura, consegui ir às aulas e fazer os trabalhos, fazer as disciplinas com boas notas e ainda me sobrava muita energia. Depois, acabou o contrato num lado e, meses mais tarde, acabou o contrato no outro lado. Fiquei desempregada. Estou desempregada há ano e meio e estou há ano e meio de volta da tese. Já podia ter acabado e entregado isto há mais tempo? Podia, mas também lhe posso contar sobre o buraco negro em que o desemprego me enfiou. Perdi a energia, perdi as forças, perdi toda e qualquer motivação, perdi a capacidade mental para fazer a tese. Todos os dias era uma luta contra mim própria para sair da cama e olhar para a tese. A minha área está completamente saturada, é muito pouco provável que consiga trabalho nela em Portugal e tenho estado completamente "cega" com o pensamento "Estou a dedicar tempo, neurónios e dinheiro nisto para quê? Agora sou uma licenciada desempregada, depois vou ser uma mestre desempregada". Digo-lhe ainda que não tenho qualquer problema em trabalhar numa outra área qualquer: lojas, call center, hipermercados, o que for....acontece que nem daí obtenho respostas aos currículos enviados. Depois de muito arrastar isto, de ter estado mesmo no fundo do poço, estou finalmente no fim da redação da tese, que será entregue nas próximas semanas. O que mudou? Um currículo que teve resposta, do outro lado do mundo. A perspetiva de um emprego, de um objetivo, deu-me forças para sair do buraco, renascer, ganhar forças, energia e terminar isto. Teria sido muito mais fácil para mim ter feito a tese tendo um emprego/trabalho do que tendo o tempo todo disponível só para ela.

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    4. Os casos a que me refiro são não como o seu, pois eu conheço as pessoas em questão (e não são 1 nem 2, são mesmo uns 80% dos meus colegas de curso). Todos fizemos o mesmo percurso: licenciatura de 4 anos + mestrado de 1 ano parte curricular + 1 ano para a tese. Alguns de nós preocuparam-se em enviar CVs durante o ano curricular, para começar a trabalhar mal este acabasse. Quem o fez, conseguiu, logo aí, começar o estágio que nos permite aceder a uma Ordem profissional. Alguns sairam da cidade em que estudámos (meu caso), outros mantiveram-se por lá, alguns foram pagos durante esse estágio, outros não... mas todos esses que conheço que, como eu, começaram a trabalhar e fizeram a tese durante esse ano, fizeram-na sem problemas, sem pretensões de que ia sair dali "a cura para o cancro" e com boas notas. Depois, há os tais que nunca fizeram uma palha para se mexerem, que optaram por estar esse ano inteiro sem trabalhar, a queixarem-se do trabalho e não conheço nenhum caso em que essas pessoas tiveram uma nota melhor que os outros que referi. Alguns até pediram prorrogação do prazo, nem 1 ano lhes chegou! Portanto, não vejo nenhuma justificação para se deixar arrastar a tese durante tanto tempo, nestes casos que referi, sendo que a questão daqui nem é o demorarem tempo a fazê-la, é depois falarem disto como se fosse um grande feito, algo de que se devem orgulhar imenso, algo que merece os parabéns e os aplausos da sociedade em geral.

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  7. Títulos à parte estou aqui a chorar com o post do teu pai. Deste lado a "conversa" é a mesma e ás vezes dói.

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  8. Eu tenho uma licenciatura, um mestrado, um master e este ano acabo o doutoramento....so what??!?
    A nível profissional todos os colegas me tratam pelo meu primeiro nome, já que é isso que eu me chamo e é o que vem no meu cartão do cidadão.
    Mas já me aconteceu, a nível profissional, tratar uma pessoa pelo nome próprio, ainda que usando a 3ª pessoa, e essa pessoa me corrigir, dizendo que era Eng (licenciado)....
    Digamos que lhe respondi convenientemente....

    Sem Jeito Nenhum Blog

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  9. É muita falta de auto-estima Anne! Quem está segura de si não precisa que lhe lembrem que é Dra ou Engª em todo o lado...

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  10. Estão todos a criticar a dita cliente sem conhecer todos os factos. Pode ter acontecido de os pais dela a terem baptizado de "Dra.". Só para chatear.
    Também pode ser diminutivo de "Adriana" (uns usam "Drica" e ela usa "Dra")
    Não sejam más línguas. Coitada da Dra. Joana.

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  11. Eu nunca mais me esquecerei de uma que se passou comigo ao telefone, há muitos anos: Está a falar com a Dra.Manoel com "o"!" Ficou para a vida!
    Uma prima devolveu ao banco os cheques que eles tinham emitido com o "Dra."

    Os Caracóis Indomáveis"

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  12. Quando se passa muito tempo num dos escritórios de advogados mais conhecidos do país ouve-se disto a toda a hora. Até há secretárias que exigem ser tratadas por Dra... e advogados a que nos pedem para serem tratados pelo nome e a quem temos que dizer que somos obrigadas a tratá-los por Dr.
    Enfim...

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