23 março 2014

Sessão Pipoca // Blackfish - fúria animal


Ontem assisti ao documentário "Blackfish" e fiquei sem palavras. Forte, muito forte. Toda a gente deveria assistir e compreender o que se passa por trás dos parques aquáticos que fazem exposição de animais selvagens (e nisto incluo Seaworld, o Zoomarine e outros tantos). Podem ver o trailler aqui.

Lançado no final de 2013 e dirigido por Gabriela Cowperthwaite, Blackfish conta a história da baleia orca Tilikum, que matou diversas pessoas desde que passou a ser mantida em cativeiro. Para isso, reúne uma grande quantidade de filmagens de espetáculos e dos incidentes trágicos, além de entrevistas com pessoas que estiveram envolvidas com a baleia de alguma forma. Para que o telespectador tenha uma ideia clara do sofrimento dos animais mantidos em cativeiro e da razão de suas reações agressivas, o filme mostra cenas e entrevista os responsáveis pela captura de Tili nos anos 1980, quando o filhote foi retirado à força de seu grupo familiar nos mares da Islândia. A partir daí, remonta a trajetória da baleia, treinada com torturas e castigos físicos, vivendo em péssimas condições em espaços em que mal podia se mexer, isolada de seus pares para não ser agredida e explorada nos espetáculos para entretenimento humano.

O documentário está muito bem feito (tem gravações de acidentes com orcas, depoimentos de pessoas que trabalharam nos parques, depoimentos de ex-treinadores....) e mostra com clareza a diferença entre o comportamento dócil das orcas em ambiente selvagem e a agressividade que demonstram quando criadas em parques aquáticos. Há estudos que indicam que elas têm um sistema emocional e social mais desenvolvido do que o humano e, para além disso, as famílias de baleias ficam juntas por toda a vida, logo, é extremamente doloroso ver as cenas em que as baleias ficam ao redor dos filhotes enquanto eles são capturados por redes (sim, estas 'empresas' só querem capturar os bebés e animais mais jovens) e emitem sons o tempo inteiro, guincham, entram em desespero e nada podem fazer enquanto vêem o barco ao longe, levando embora os seus bebés. É de partir o coração, pessoas, e não pude evitar pensar como é que situações destas podem ser permitidas -e pior - financiadas por nós, que achamos lindo ver os golfinhos e orcas fazendo gracinhas nos parques. É errado, muito errado. 

Sobre o protagonista do documentário, a orca Tilikum, trata-se de um macho de 2 toneladas que é a principal estrela do SeaWorld da Flórida. Capturado na Islândia no fim da década de 80, ele se apresenta desde 1992 e está ligado à morte de três pessoas durante sua vida em cativeiro. Foi a morte da treinadora Dawn Bracheau, considerada a treinadora mais próxima do animal, em 2010 durante uma das apresentações diárias, que motivou a criação deste documentário, já que o parque pôs toda a culpa do ataque nas costas da treinadora e disse que tudo não passou de um "erro de treinamento".

Ainda sobre o documentário, é interessante ressaltar que os representantes do SeaWorld se recusaram a dar entrevistas ou mesmo se pronunciar, o que por si só já mostra o quanto eles não têm como se defender. Afinal, 'contra fatos não há argumentos', não é mesmo? Neste momento o Seaworld está a ser processado pela justiça americana e eu só espero que eles sejam proibidos de continuar com esse 'circo de horrores'. Esperemos.

P.S: Para quem quiser assistir a versão legendada, podem fazê-lo aqui (basta escolher o 'player' e carregar no botão, é tipo youtube, nem sequer têm que fazer o download). Vale bem a pena!

SHARE:
© A GAROTA DE IPANEMA . All rights reserved.
MINIMAL BLOGGER TEMPLATES BY pipdig