21 maio 2014

Ainda a saga do casamento...

Hoje lá pela fresquinha [que é como quem diz, logo as 8h30] estava eu à porta do Registo Civil de Lisboa. Fui a primeira a chegar, entretanto começaram a chegar mais pessoas e quando já faltavam 5 minutos para a Conservatória abrir, adivinhem: aparece-me uma senhora, de fato e gravata e exclama: "com licença, sou advogada" e eu fiquei com uma enorme vontade de lhe responder: "Prazer, sou bióloga" e de fazer todo um discurso sobre a injustiça que é uma pessoa levantar-se as 6h para estar na merda da conservatória meia hora antes da abertura e vir uma senhora, cinco minutos antes e passar a frente a toda a gente que estava em pé há quase meia hora. Mas prioridades são prioridades e apesar de não concordar em nada, lá deixei a senhora passar.

Entretanto chegou o M. e fomos os dois entregar os papéis do casamento [certidão de nascimento minha incluída]. Íamos de sorriso no rosto, contentes por finalmente o assunto estar tratado até que oiço a senhora dizer: "ah mas espere lá, falta aqui um documento..."

Oh que caralh#, não acredito nisto. Pois, faltava a tal credencial de ministro religioso para a celebração do casamento civil sob forma religiosa [preferi realizar as duas cérimonias em conjunto, ao invés de ter que ir casar na conservatória de manhã e só depois casar no religioso, acho uma seca]. Lá fui eu ligar à minha igreja e tratar de ir buscar o documento. Voltei a Oeiras, agarrei na tal credencial, voltei a Conservatória em Lisboa para entregar o documento mas... "ah mas o documento precisa ser autenticado pelo Registo Comercial de Pessoas Colectivas, porque vem de uma igreja". Aiiiiiiiiii-segurem-que-vai-me-dar-um-ataque-qualquer.

Lá vou eu para Sete Rios, à procura do tal Registo de Pessoas Colectivas, tiro a senha [dezassete pessoas à minha frente], entrego o tal documento para ser autenticado, pago o emolumento e oiço o senhor dizer: "pronto, agora pode vir buscar o documento daqui a dois dias". 

Portanto, só na segunda-feira é que vou conseguir buscar a tal credencial de ministro religioso para então dirigir-me à Conservatória de Lisboa e finalmente... dar entrada nos papéis do casamento. É preciso muita paciência, pessoas... e muita vontade de casar porque senão, olha, já tínhamos desistido. [e assim ficou uma manhã de trabalho perdida - minha e dele]

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9 comentários

  1. A próxima vez que tenhas de tratar de burocracias, telefona antes para os serviços e certifica-te que te dizem, tintin por tintin, tudo o que é necessário teres no dia, para não teres surpresas destas! Faz as perguntas todas, põe todos os cenários, mas não desligues sem que te confirmem tudo. Eu faço sempre isso e tenho mil cuidados, tenho pânico de estar horas numa fila e mandarem-me voltar noutro dia porque falta algo. Até agora nunca aconteceu :)

    Quanto à prioridade da advogada, há uma razão para ela existir: primeiro, ela só pode ser invocada se o advogado for tratar de assuntos relacionados com a sua atividade profissional, e não assuntos pessoais (ela não teria prioridade para tratar do seu próprio casamento, por exemplo). Isto justifica-se porque uma parte do trabalho de um advogado pode envolver ir diariamente a uma série de serviços de atendimento ao público tratar de assuntos de clientes seus, logo, não fazia sentido obrigá-los a se deslocarem a esses serviços às tantas da madrugada (como anda a acontecer com as filas nas lojas do cidadão), ou ficarem horas numa fila, quando estão em trabalho e quando esse tipo de actos é uma prática comum do seu dia-a-dia profissional.

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  2. Pelo-amor-de-Deus!!! Tanta coisa!? Ainda para mais em Lx onde tudo é longe de tudo!

    Eu também sou apologista de telefonar/mandar email a perguntar antes, porque se puder fazer tudo sem ir ao local melhor!

    Enfim, boa sorte, espero que a saga termine em breve e fique tudo pronto!

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  3. Desculpa intrometer-me Anne...tudo bem que os profissionais das áreas jurídicas (sim, não disse advogados e foi por uma simples razão, também os notários ou os solicitadores, por exemplo, se dirigem aos serviços ou repartições públicas em trabalho) vão a esses sítios em trabalho, mas a verdade é que a minha patrona nunca passou à frente. Chega à Conservatória, às Finanças ou à Segurança Social e tira a senha e espera como outra pessoa qualquer, apesar de estar ali para tratar de assuntos dos clientes. Acho que isso depende da moral de cada um e também de quem se encontra nesses serviços, se vão deixar que isso aconteça ou não. Acrescento ainda que durante 1 ano de estágio nunca vi nenhum colega a usar o título para passar à frente - aliás, até ouço histórias de colegas que passaram manhãs ou tardes inteiras numa repartição das Finanças, por exemplo (a altura da entrega do IRS é sempre um caso desses) ou na Conservatória, na altura de férias, em que os emigrantes estão cá.

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  4. Ola Anne,
    eu também caso este ano e não precisei de fazer metade do que estas a fazer, e vou casar com convenção pré-nupcial... as questões da nacionalidade até entendo, mas o resto.. estão a complicar-te a vida!
    so precisei de ir ao registo civil (loja do cidadão) e la fizeram na hora o certificado que diz que nos podemos casar... agora só preciso de entregar os papeis ao padre para ele entregar na diocese (hoje em dia é "automático", casar na igreja implica casamento civil)

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  5. ja por isso que nao saio de casa sem ligar pros devidos lugares a perguntar tudo o que preciso de levar :D

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  6. Eu não percebo, eu casei pela igreja e entreguei os documentos todos na igreja e eles trataram de tudo na conservatória sem ter que mover uma palha, porquê que o teu é diferente? Quando assinei os papeis da Igreja assinei também os do registo civil.

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  7. Também me casei este ano, cerimonia só civil mas no local da festa, num sábado e não tive trabalho nenhum. Apenas levei o cartão de cidadão, meu e do conjugue, preenchi um papel (onde podia escolher tb o casamento religioso), paguei e vim embora com o certificado. Perto da data liguei a combinar horas e transporte da conservadora...

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  8. Acho que faz todo o sentido o advogado, no exercício da sua profissão, ter prioridade. Não esqueçamos que está a perder horas de trabalho para tratar de um assunto de um cliente sendo que, muitas vezes, esse tempo não é pago. Os advogados não ganham assim tão bem quanto se pensa...
    Quanto às burocracias é verdade, não há como fugir!

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    Respostas
    1. Não se esqueça que nos honorários se incluem as diligências a serviços públicos (e o valor até nem é assim tão baixo).
      E já pensou que também um outro cidadão qualquer precisa de perder horas de trabalho para poder tratar destes assuntos? É que nem todos os municípios têm loja do cidadão, por exemplo, na minha cidade não tem e estes serviços fecham às 17h, logo quem trabalhe até às 19h terá de ir em horário de trabalho ou tentar ir no intervalo do almoço (sendo que a esta hora é complicado porque há muita gente a tentar ir a esta hora). Basicamente o que quero dizer é que, enquanto os advogados estão lá a perder tempo, mas a receber dinheiro, as outras pessoas, maior parte das vezes, estão a perder dinheiro.

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