08 maio 2014

Aos brasileiros que querem vir para Portugal...

... e que me enchem de perguntas do género: "como está o país, dá para conseguir emprego?", "os salários são bons?", "a gente compra carro com facilidade aí?", "é fácil conseguir viajar para outros países europeus ai pertinho?", "você se legalizou rápido?".... por favor, não levem as minhas respostas em consideração. Pelos vistos, não sou um bom modelo de comparação para vocês. Isto por que estava eu a responder a sim a todas essas perguntas que um amigo me fazia quando o M. surgiu de repente na sala, horrorizado, a dizer que eu não posso dizer isso às pessoas, que estou a induzi-las em erro.

Ora, se as pessoas pedem a minha opinião, só posso falar sobre o meu ponto de vista, certo? Não vou andar aqui a inventar. Se querem saber se para mim foi fácil arranjar emprego, viajar para destinos europeus ou comprar um carro... devo mentir? Falo da minha experiência, unicamente. Se foi um mar de rosas ao princípio? É claro que não foi! Mudar de país é sempre complicado nos primeiros meses (no meu caso, foi mesmo o primeiro ano, horroroso) mas depois disso a coisa entrou nos eixos.

Qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe bem a crise que o país atravessa, assim como sabe que o facto de haver crise não significa que toda a população ande a contar moedas. Mas pronto, pelo sim, pelo não... não me venham com perguntas pré-imigração (termo que acabei de inventar) que não sou, de todo, a pessoa mais indicada para vos auxiliar, segundo o meu noivo. Arre!
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37 comentários

  1. Acho que a resposta às duas primeiras perguntas é claramente que não, independentemente da nossa situação pessoal poder provar o contrário, mas tendo conhecimento do panorama geral de Portugal. Também eu, que acabei o Mestrado em 2010 e comecei a trabalhar logo a seguir, tenho um bom emprego e ganho razoavelmente (para a média portuguesa... porque se comparar com o que ganha alguém na mesma posição no Reino Unido, ou na Alemanha, é de rir - ou chorar), mas responderia sem hesitar que não às duas primeiras, porque sei que a minha situação não é a da generalidade dos portugueses (basta ver o exemplo de outras pessoas da minha idade e com a mesma formação que eu).

    O carro a facilidade de o comprar dependerá do dinheiro que se tem (é assim em Portugal e em todo o lado) e viajar, claro que sim, é super fácil (e barato) dentro da Europa. Quanto à legalização, não faço ideia.

    Acho que não deves considerar que para ti "foi fácil arranjar emprego" e extrapolar desse exemplo o que é Portugal, uma vez que já referiste que trabalhas na empresa da tua mãe e que nem estás a fazer algo ligado à Biologia, que foi a tua área de formação. Não estamos a falar de um emprego na área, para o qual te candidataste entre centenas de pessoas e foste escolhida, isso é que poderia ser um exemplo de facilidade, ou não, na busca de trabalho.

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    1. Concordo plenamente, caro anónimo.

      Amigos brasileiros, nenhum português que ganhe menos que 800€/mês (mínimo aceitável) aconselha quem quer que seja a vir para cá de malas e bagagens e cheio de sonhos. O nosso país não é muito diferente do vosso. Aqui quem tem dinheiro (E CUNHAS!) safa-se, quem não tem é completamente descartado. Também temos corrupção (SE TEMOS...!!), a nossa justiça anda pelas ruas da amargura, estamos sufocados de impostos e com o ordenado mínimo (540€) não se consegue comprar um carro, não se consegue sequer passar um fim-de-semana fora de casa porque a renda que vão pagar por um quarto vai chegar aos 200€ e ainda vão ter que pagar água, luz e comida.

      Se realmente querem mudar de vida e emigrar para a Europa, parem de ser preguiçosos e vão aprender alemão!

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    2. Concordo consigo ... mas só um reparo, tomara que ordenado minimo em Portugal fosse nesta altura 540 Euros que mesmo assim não é nada para o nivel de vida.. mas não o nosso misero ordenado minimo Português é de 485 Euros e não de 540..

      Cláudia

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    3. Concordo em geral com o que foi dito acima.

      Na minha modesta e humilde opinião, se o que estas pessoas perguntam é (como é agora a triste realidade nos nossos tempos e na generalidade dos países, não só no Brasil como em Portugal) se conseguimos EMPRÉSTIMOS facilmente para comprarmos carro, ter férias ou outras tecnologias topo de gama...infelizmente a resposta será, em geral, SIM. É triste mas ainda assim, mesmo na situação catastrófica em que o país se encontra, ainda há muito incentivo ao consumo desenfreado e principalmente ao ENDIVIDAMENTO individual e coletivo. É pior que uma praga e o problema surge num âmbito bem mais delicado: o individual, de cada um dos seres humanos... É um problema de falta de EDUCAÇÃO financeira, não sei bem se será o termo correto, mas há muito pouca gente com consciência e capacidade de análise do que se pode ou não TER de acordo com as nossas POSSIBILIDADES económicas.

      Infelizmente é a nossa realidade.

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    4. Concordo com o que diz a VerdezOlhos. A título de exemplo: ganho 1300€ limpos por mês, não tenho filhos, vivo com o meu namorado, que ganha o mesmo. Temos uma grande capacidade de aforro e todos os meses, assim que recebo o meu salário, 500€ do mesmo vão para um depósito a prazo. Não tenho carro, ando apenas a pé e de transportes públicos, levo marmita para o trabalho, não fumo, não tomo café, só como fora aos fins-de-semana e é em restaurantes que rondam os 15€, não tenho televisão, não subscrevo nenhum pacote de comunicações (uso a net da Zon Fon), tenho um telemóvel do mais básico que existe, já há 6 anos e gasto 7,50€/mês com ele, não tenho empregada doméstica... a minha única extravagância? Viajar. Viajo de 3 em 3 meses, aproximadamente, ainda que o faça sempre modo poupança também (companhias low-cost, hotéis baratos, etc).

      No entanto, vejo pessoas a ganhar o mesmo que eu, ou até bem menos (algumas já com filhos, que adiciona a isto despesas que eu não tenho), com iphones, carro, casa já comprada (ou mais cara de renda que a minha), plasma na sala e no quarto, pacote da Zon ou Meo com 200 canais, empregada doméstica, máquina nespresso, bimby, roupas novas a toda a hora, tablet, etc. No entanto, quando me vêem a viajar, eu é que sou a "sortuda" ou a causadora de "inveja, porque não têm dinheiro para isso".

      Experimentem ir no metro em Lisboa e verem miudos de 16 anos, que não parecem claramente vir das classes mais favorecidas, e ver se não têm já todos o iphone, as sapatilhas de marca, bilhetes para o Rock in Rio e outras cenas assim. As pessoas ainda valorizam muito o ter e o mostrar, o fútil... que o faça quem tem dinheiro e sem dívidas, posso pensar que são apenas más escolhas que eu não faria, agora que o faça quem não ganha para isso e depois se queixa que não tem dinheiro, aí é puramente estúpido.

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    5. Anónimo das 21:23

      Os 540€ são o ordenado mínimo já com subsídio de refeição. Mas sim, já há muita gente que nem sequer vê esse subsídio.

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    6. Ora nem mais, Anónimo das 14:08!!! Eu não estou numa situação tão "boa" como a sua mas espero um dia vir a estar e, independentemente do que se ganhe, lá está é tudo uma questão de valores, educação e consciência, que é coisa que não parece abundar na nossa sociedade. É tudo à grande sem sequer fazerem contas simples de "como é que terei dinheiro para isto". Uma mentalidade de viver sempre acima do que se tem. Se se ganha 500, gastam-se 700 -.-
      Enfim...é só lamentável.

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  2. O noivo tem razão, né? Cê foi muito abençoada, ainda bem, mas quem está de fora fica achando que há muita facilidade em vir morar na Europa. Melhor ficar calada e deixar ele falar :D

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    1. HAHAHAHAAH desculpa, mas o teu comentário só me faz rir. (se foi essa a intenção, conseguiste)

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  3. Nisso dou razão ao noivo. Felizmente a Anne é uma excepção ao que agora é regra. Falta de trabalho, de dinheiro e de qualidade de vida. Já tive um amigo e uma amiga brasileiros que voltaram para o Brasil. Esse meu amigo até já cá estava há 15 anos mas as coisas foram piorando e piorando e agora tem trabalho no país dele e está junto da família.

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  4. Tirando casos a parte, como o teu, os brasileiros estão todos a voltar para o Brasil...

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    1. Tens razão, a maioria dos que eu conhecia já não estão cá. Mas é engraçado porque, apesar de muitos terem ido embora, ainda vejo muita gente a chegar. Não consigo perceber o fenómeno.

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  5. Anne, sabes bem que somos uma família brasileira e tenho as mesmas perguntas feitas por amigos e parentes. O que enche os olhos logo de primeira é exatamente o carro que conseguimos comprar e que no Brasil é muito mais caro por conta de impostos. As viagens pela Europa em voos low-cost também fazem o maior sucesso porque conseguimos em poucas horas estar em Paris, Londres, Roma... Os que vivem lá sofrem no mínimo 10 horas de voo só para botar o pé fora do país. E ficam loucos quando vamos a restaurantes e comemos bacalhau a menos de 10 euros, ou quando vamos ao Freeport e parecem que nunca viram roupa na vida.

    Mas... e tudo tem um mas, quando se fala em salários a coisa fica feia. Amigos e parentes que ganham em trabalhos comuns, salários de 8, 10, 14 mil reais nem conseguem acreditar quando dizemos o nosso salário aqui. E nem pense que este dinheiro dá para sustentar família. Isso é salário para quem mora com os pais ou com outra pessoa que possa compor o agregado familiar e assim ter renda suficiente para viver com um certo conforto.

    Tive uma tia que chegou a perguntar-me se com a reforma dela de 10 mil reais, dava para alugar um apartamento pequenino e viver com dignidade. Ora bolas, 10 mil reais equivale mais ou menos a 3 mil euros!

    E é por isso que muitos brasileiros já voltaram e outros tantos também estão aviando as malas. E eu acho que estão muito certos, e ainda vão para perto da família.

    E para quem comentou acima que "para ti foi fácil arranjar emprego na empresa da tua mãe", não levou em consideração os teus empregos anteriores. E demonstra uma azia profunda em pensar que não deverias trabalhar no que é teu e ser empregado de outros.

    Continuo desaconselhando vivamente aos meus compatriotas a tentarem a sorte por aqui. Pelo menos por agora. Aos olhos deles até parece egoísmo, pois para nós deu certo, mas não é a regra.

    Bjs

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    1. "E para quem comentou acima que "para ti foi fácil arranjar emprego na empresa da tua mãe", não levou em consideração os teus empregos anteriores. E demonstra uma azia profunda em pensar que não deverias trabalhar no que é teu e ser empregado de outros."

      Os empregos anteriores foram estágios e mal pagos, pelo que me recordo a Anne mencionar. Não me parece que possam ser usados como "casos de sucesso" quanto à empregabilidade em Portugal. Não se trata de azia ou de achar que a Anne faz mal em ter este trabalho, é achar que é um exemplo do qual não se pode tirar o todo do que é Portugal, pelas razões mencionadas.

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    2. Gostei muito do comentário e exposição. Não conhecendo muito da realidade brasileira fiquei a perceber melhor e reforça a minha ideia: Portugal não está de "boa saúde".
      Bjs

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    3. Mila
      Estou a viver no Brasil à 2 anos... isso que dizes que em trabalhos comuns se ganha cá 8, 10 e 14 mil reais não é de todo verdade. Não sei quem te faz chegar a ideia desses valores, mas a pessoa que o fez ou faz está a induzir-te em erro.
      Para se ganhar a salários na ordem dos 14 mil reais aqui além de formação superior já tens que ter muita experiência.... não é de modo nenhum um salário comum.
      E mesmo assim há muitos cursos que independentemente da experiência que tens não consegues ultrapassar os 3 mil reais.
      Para teres ideia na empresa onde trabalho, que é uma das maiores empresas de construção do Estado tenho muitos colegas licenciados nas mais variadas áreas que ganham 1600 reais, 2200, no máximo 3000 reais. Só os engenheiros dentro da empresa auferem esses valores de que falas.
      Tenho amigos arquitectos no Rio que nem 4 mil reais ganham... e com muitos anos de experiência. E que por isso tem que viver a 2 horas de distância do trabalho, porque como sabes as casas aqui são um verdadeiro balúrdio... pelo menos aquelas a que realmente podes dar o nome de casas.
      A professora do meu filho faz pastéis em casa para vender para complementar o ordenado miserável de 2200 reais. E claro que não consegue alugar uma casa perto do colégio onde dá aulas onde um T2 mixuruco é na ordem dos 2000 reais mais condomínio, então tem que viver nos subúrbios, com tudo o que tu como brasileira sabes que isso implica.
      Os ordenados comuns aqui não chegam nem perto dos valores que referiste. Para teres uma ideia a maior parte das pessoas que aqui recebe ordenados comuns ainda tem que viver nas comunidades (por estes lados agora não se deve dizer favelas).

      As coisas em Portugal não estão nada bem como todos sabemos... mas acreditem que para se viver condignamente no Brasil tem que se ter um ordenado bem elevado porque aqui o dinheiro vale muito pouco. Tudo é absurdamente caro na ordem de 3, 4, 5 vezes os preços de Portugal. Quando digo tudo é mesmo tudo desde um pacote de leite até a um iogurte.
      Além de que aqui mesmo que não queiras és praticamente forçada a colocares os teus filhos em escolas privadas por, como sabes, a escola pública nem sequer poder ser uma opção. E como os colégios são caros ou se são. E tens que ter forçosamente um seguro de saúde... se a tua familia for composta por 4 pessoas pagas por mês de seguro pelo menos 500 reais...
      Resumindo, quem tiver emprego em Portugal tem de certeza uma vida mais condigna do que a maior parte da população no Brasil.
      Para cá só vale a pena vir quem vier receber ordenados muito altos, que não são comuns para a maior parte dos brasileiros.
      Sei de muitos brasileiros que regressaram às origens depois de anos em Portugal e não se estão a conseguir readaptar....... não só pelo custo de vida demasiado alto mas por todas aquelas questões sociais que sabes que existem aqui.
      Iris

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    4. Para Íris

      Não sei se vc vai chegar a ler a minha resposta, mas a Anne vai e desde já peço desculpas por transformar este espaço em longo debate, mas penso que está sendo elucidativo e proveitoso.

      Íris, a você também peço imensa desculpa por me incluir na classe "comum", na verdade nem sei mais o que é comum ou não, mas sei desde há muito tempo que é comum no Brasil todos cursarem faculdades, mesmo que seja uma faculdade muquirana. Até cotas já temos para isso e sabemos que quem não a tem fica para trás mesmo.

      Sou professora e dava aulas num colégio da zona norte no Rio de Janeiro. E morava também na zona norte, a duas quadras no colégio, assim como os alunos que o frequentavam e as outras professoras, minhas amigas. Há 12 anos nós recebíamos cerca de 1.200 reais e hoje o salário delas é cerca de 6 mil reais. E nunca nenhuma de nós fez pastéis ou outra coisa para complementar salário. Mas dávamos explicações a quem precisasse e cobrávamos por hora-aula.

      Meu marido é engenheiro de informática, Já o era aí e continua sendo aqui, e atualmente o salário dele no Brasil seria de 16 mil reais, tal como colegas dele que continuam no mesmo cargo na mesma empresa.

      Veja você, sem querer ofender mas sem saber exatamente como dizer isso: Nosso agregado familiar teria hipoteticamente uma renda de 22 mil reais. E morávamos no subúrbio, tínhamos apenas um carro velho mas jeitosinho. Não éramos e nem somos atualmente pessoas de jantares fora aos fins de semana, nem de viagens, nem de roupas de grife, ao contrário, só comprava em promoção, coisa que ainda faço.

      Os meus amigos e parentes eram pessoas que eu achava "comuns" como eu, e só mesmo uma mentalidade tacanha e mesquinha como a minha para tomar como parâmetro o meu caso. Mas o caso é que eu tinha uma empregada doméstica a qual eu pagava 2 salários mínimos. Quanto é o salário mínimo no Brasil hoje? Uns 700 reais, mais ou menos. E você acaba de me dizer que há licenciados a ganhar quase o mesmo que eu pagava há 12 anos à minha colaboradora...

      Sim, visto por este prisma, hoje o "comum" é morar nas comunidades, O meu T2 "mixuruco" onde eu morava e que eu deixei aí para alugar (e é mixuruco mesmo! nem tem suíte nem hall) custa exatamente 2 mil reais de aluguel, que eu uso para complementar o plano de saúde da minha mãe, que recebe 6 mil reais de pensão e paga 3 mil de plano, por ter mais de 65 anos e o plano nem é topo de gama. E ela mora quase, mas mesmo às portas da "comunidade", tanto que eu tenho até medo de ir lá hoje em dia. Mas foi a "comunidade" que cresceu, ela não se mudou.

      E sei dos salários de toda a gente porque uma das nossas primas daqui recebeu uma proposta de ir trabalhar como engenheira aí e ganhar 4 mil reais. Coitadinha ficou toda feliz achando que ia se dar bem.

      Concordo com cada letra sua do último parágrafo, Assino por baixo.

      Um grande beijinho e muita sorte no meu país. Estou tendo muita no seu. (que em parte é meu também... ou não fossem os meus pais filhos desta terra)

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    5. Mila
      Tenho mesmo que dizer-lhe isto: cerca de 25% da população brasileira ainda é analfabeta... ainda não é comum todos cursarem faculdade aqui.... já há mais pessoas a fazê-lo mas ainda são muito poucos tendo em conta a população que cá existe.
      Mas nota-se de facto que há cada vez mais vontade por parte de muita gente de estudar.
      Grande parte do pessoal que tenho em obras, por exemplo, ainda assina com cruz....
      O que eu noto aqui no Brasil é que há uma grande tendência à inconsciência social, ao olhar para o lado, ou até olhar mas não ver..... talvez por terem sempre vivido com esta realidade.
      Não são todas as pessoas que agem assim (daí as manifestações do ano passado), mas grande parte das pessoas o faz.
      Há uma inclinação para achar: "se está tudo a correr bem comigo, então o Brasil está óptimo".
      " eu fiz faculdade então todo o mundo faz também"
      Não está.......... a maior parte da população vive mal, em condições tristes e deploráveis.
      E como viu, a sua prima teve uma oferta para ganhar 4 mil reais, mesmo sendo engenheira... um valor ainda bem distante dos 8, 10, 14 mil que referiu, no comentário que fez antes, como valores normais que se recebem em trabalhos comuns aqui.
      Imagine o que ganham as empregadas de balcão, as auxiliares em escolas, os empregados de mesa, as administrativas.......
      O facto de o salário que o seu marido como engenheiro informático receberia actualmente no Brasil andar por volta dos 16 000 reais, assim como os salários de engenheiros civis seniores serem até superiores a esse valor não significa que eu vou achar que outros trabalhos (comuns) aqui são pagos com os mesmos valores. Não são, mesmo.... infelizmente ainda são muito mal pagos.
      A professora do meu filho mais velho faz mesmo pastéis para vender para complementar o ordenado....... por essa e outras razões é que nos vamos deparando com semanas sem aulas por causa de greves.
      Muitas professoras dão aulas de dia num sitio e à noite noutro, porque só com um dos ordenados não conseguiriam viver com dignidade.
      O que eu pretendi mostrar-lhe ao responder ao seu anterior comentário é que aqui os trabalhos comuns, infelizmente, não são os nossos e muito menos os ordenados comuns. Os trabalhos bem remunerados ainda são feitos por uma percentagem mínima da população.
      Quase todas as pessoas daqui que fazem parte do meu circulo de amigos são também licenciadas e também têm ordenados parecidos com o meu ordenado, ou com o do meu marido mas não é por isso que eu me vou fechar numa concha e fingir que não vejo o que se passa à minha volta e que há diferenças sociais gritantes mesmo ao lado do meu prédio e o que o Brasil vai muito além do meu circulo de amigos ou da minha realidade.
      Obrigada pelo carinho ao desejar-me boa sorte aqui... depois de um primeiro ano quase de pesadelo já me sinto mais ou menos adaptada. Fico muito contente por saber que as coisas estão a correr-lhe muito bem em Portugal.... o normal é receber sempre noticias desanimadoras vindas daí, então saber que há pessoas a quem as coisas correm bem por aí é muito bom
      Bjinho

      Iris

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    6. Iris e Mila ambas tem razão. E a discussão aqui é muito interessante pelo que só deve continuar. O Brasil é um pais gigante e as realidades mudam de Estado para Estado e ate mesmo dentro do próprio Estado. Com 4 mil reais (salário comum de um eng júnior no RJ - basta verem os tetos da profissão) a sua sobrinha não conseguiria viver folgadamente no Rio, leia-se, sozinha na zona sul, sair a noite frequentemente, viajar nas férias, vá, manter a vida que se calhar teria em Portugal. Mas obviamente que não morreria a fome, afinal muita gente no RJ ganha menos de mil reais! Por exemplo a maioria das manicures que trabalham na zona norte ou no suburbio e moram lá ou em comunidades. Mas se com 4 mil reais ela morasse por exemplo no Nordeste/Paraiba as coisas eram diferentes. Não tenho a menor duvida! E, não podemos esquecer que são 4 mil reais que para o ano teriam um ajuste (inflacao), um aumento e um plano de carreira a curto prazo. E a divisão de lucros da empresa 1 ou 2 vezes por ano! Mais 13º mes e ferias... Juntando a isso vale transporte, vale refeição e seguro de saude (dados pela empresa) para uma miuda/miudo que saiu da faculdade não é nada mau.
      Há muitas realidades no Brasil e os depoimentos que deixaram são relevantes para que as pessoas saibam que o exemplo da Maria portuguesa que foi para o Brasil ou da Gabriela brasileira que foi para Portugal não são verdades absolutas! Há muitos brasileiros que mesmo com a crise se deram bem e continuaram em Portugal e muitos portugueses que mesmo com as perspectivas do mercado brasileiro nao conseguiram acompanhar o barco...
      Obrigada a todos e também a Anne por ter aberto esta discussão sem querer querendo...
      Beijo
      Ana

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    7. Kkkkkkkk, ou tem brasileiros ja ficando lele da cuca, ou esta obcecado, por tentar deixar o brasil melhor do que portugal, pessoal, realmente os dois paises passam por situacoes dificeis, e cada um tem a sua vantagem, no brasil, qualquer imigrante consegue se dar bem se quizer, pois o governo ajuda mais os imigrantes, do que os proprios brasileiros, ja em portugal, quem nao tem documentacao certa para trabalhar, nao consegue nem vender doce na rua, porem, com mil euros, voce compra um carro bom ai ate o ano 2002 em media, com 50 € voce faz uma compra' que jamais conseguira fazer com menos de 150 reais aii nk Brasil, aqui voce compra coisas de qualidade e baratas, baratas sim, pois oque e 1 real no Brasil?Aqui com 1€ voce cokmpra um pacote de 1 quilo de arroz, mas cada um tem seuspontos bons e ruins, podes olhar experiencias de outros, mas nao podesensar que era da mesma forma consigo, isso e questaode coinsultar a Deus e ter um pouco de sorte , desculpem me pelos erros de portugues, e falta de acentuacao nas palavras, meu cel esta descarregando eestou longe de casa e sem carregador. Abç galera e boa sorte a todos.
      Att,
      Welington Silva

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  6. Mila Matos concordo consigo, é exatamente isso! Vou até copiar e colar para enviar a muitos que me perguntam a mesma coisa...

    Mas tenho apenas um parêntese, os tributos são sempre os maus da fita, mas não é só por causa deles que as coisas são caras aqui no Brasil. O II (imposto de Importação) é de 60% mais aduanas e ICMS o produto leva com uma carga tributária muito alta e que varia de Estado para Estado, mas vamos considerar que a carga tributária para o produto entrar aqui seja de 100%. Se fizermos contas vemos que ha aqui produtos que são 300% mais caros que no pais de origem!!! Sem esquecer que como incentivo à exportação muitos deles saiem isentos (sem tributos) do pais de origem!!! Ou seja, mesmo contando com o valor do transporte, há muita ganancia e muita gente a querer ficar rica já amanha mas se houver quem pague pelos preços absurdos cobrados, acho que eles estão mais que certos em cobrar! Eu não pago! :) Vinhos de 4 euros em Portugal a 40 euros no Brasil? É uma piada só pode!

    Beijocas

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  7. Anne, se não fossem a mãezinha e o namorado a "ampararem-te as quedas", nunca conseguirias viver com o estilo de vida que levas. Porque ainda estarias num qualquer estágio não remunerado / emprego precário desta vida, como estão os outros licenciados em Biologia em Portugal (ou estão com uma bolsa da FCT a fazer doutoramento, ou emigraram). Por isso, o estares tão bem e, no teu caso, ter corrido tudo tão bem, deve-se à tua mãe e ao teu namorado, que ganha bem, se não nunca poderias ter o que tens (nem o emprego que tens, que te permite o salário que agora auferes).

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    1. Concordo plenamente. A Anne passa vida dando uma de boa moça esforçada mas se não tivesse "mamãe" e "amor" com grana tava ralando que nem eu que mal ganho pro alugeu e pra sustentar meus filhos. Garota muito imatura e mimada.

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    2. Anónimo das 14:48: A minha mãe e o meu namorado amparam-me as quedas? LOL mas quais quedas, pá? A minha mãe é, para além de mãe (obvious), minha 'chefe' e damo-nos lindamente em ambiente de trabalho. Não a trato por "mãe", nem ela me trata por 'filha' e o ambiente é estritamente profissional e tem resultado muito bem (já até abrimos uma segunda empresa).

      Antes de vir trabalhar com a minha mãe, posso orgulhar-me em dizer que nunca estive mais de dois meses desempregado, nunca fui despedida (e já trabalhei em 7 sítios distintos) mas sempre fui eu a romper os contratos (e quase sempre para ir para melhores oportunidades). Fiquei amiga de todas as minhas ex-chefes e duas delas estão sempre a pedir para que eu volte, que ainda não encontraram ninguém como eu (e até já lá meteram gente indicada por mim, partindo do pressuposto: "se trabalharem da mesma forma que tu, já estão contratadas".

      Tudo isso só me enche de orgulho e só me faz acreditar que sim, é possível ser reconhecida por mérito próprio, sem cunhas, sem ter que deitar-me com o chefe para subir de posto. E não, nada disso se deve à minha mãe ou ao meu namorado. Deve-se a mim, ao meu esforço. Alias, deve-se à minha mãe também, que sempre me ensinou a não baixar os braços e desistir.

      Anónimo das 03:19: Se mal ganhas para o aluguel e para sustentar os teus filhos, lamento, mas o problema é teu. Muda de emprego, muda de país, mas não te conformes com a situação. E se estivesses à procura de emprego às 3h da manhã (como ficas a comentar em blogs) de certeza que seria mais proveitoso para ti... e quem sabe, no futuro, não precisasses de "ralar" tanto para sustentar os teus filhos. É tudo uma questão de prioridades e de saber optimizar o teu tempo.

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    3. Anne, em algum desses 7 sítios distintos onde trabalhaste ganhavas o que ganhas agora na empresa da tua mãe? Trabalhar em lojas, ou em estágios, é o que há mais por aí... agora, um emprego estável, na área de formação, com bom ambiente, bom salário, boas possibilidades de progressão... já não é assim tão simples. E tu tens esse emprego porque a tua mãe tem uma empresa e te pôs nesse lugar, ponto. Não quer dizer que ache isso censurável, ou estranho, nem que sejas má profissional no que fazes. Simplesmente, se te estivesses a candidatar a funções idênticas numa empresa que nada tivesse a ver contigo ou com a tua família, não sabes se conseguirias entrar. Provavelmente irias competir com mais centenas de candidatos, muitos altamente qualificados, e podias perfeitamente não ser escolhida, sem que isso pusesse em causa o teu mérito. Provavelmente nem eras considerada para o cargo porque a tua formação em Biologia nada tem a ver com as funções a desempenhar, ainda que tivesses capacidade para elas (mas iriam aparecer 12471240 candidatos com formação e experiência na área que te passariam à frente). Essa, sim, é a realidade de Portugal e essa é a realidade pela qual não tiveste de passar para o teu actual emprego.

      E agora vem a 2a parte: se vivesses apenas com o teu actual salário, ou se a tua mãe e o teu namorado ganhassem "apenas" o mesmo que tu, podias suportar o teu actual estilo de vida? Podias viver na casa que vives, ter a empregada que tens, comprar tudo o que compras para a casa nova, pagar o casamento e a lua-de-mel, as viagens, os perfumes, as longchamps, as roupas e acessórios, etc? Parece-me que não. Parece-me que podes, porque contas com uma estrutura à tua volta que to possibilita, porque ganham mais que tu.

      Não estou a dizer que isto é criticável, apenas que faz de ti uma pessoa que não dependeu do esforço próprio para conseguir o estilo de vida que tem, por isso, que não devias dar o ar de "boa moça esforçada", como a pessoa acima refere, quando tens essas duas pessoas que, sim, te "amparam as quedas".

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    4. "Se mal ganhas para o aluguel e para sustentar os teus filhos, lamento, mas o problema é teu. Muda de emprego, muda de país, mas não te conformes com a situação. E se estivesses à procura de emprego às 3h da manhã (como ficas a comentar em blogs) de certeza que seria mais proveitoso para ti... e quem sabe, no futuro, não precisasses de "ralar" tanto para sustentar os teus filhos. É tudo uma questão de prioridades e de saber optimizar o teu tempo."

      Com essa resposta deste razão ao anónimo quando ele/a te chamou mimada. E ainda digo mais, és mimada e não tens a mínima noção da realidade! Lá porque sempre tiveste sorte não quer dizer que toda a gente tenha "nascido com o rabinho virado para a lua". E ainda ficas ofendida com o teu namorado?? Ele consegue ter os pés mais assentes na terra que tu!

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    5. Concordo com o Anónimo das 13h05. Anne, tens um discurso de "se vocês não são tão bem sucedidos como eu sou, é porque não mexem uma palha para isso", quando as coisas não são bem assim. Há, claro, imensas pessoas que não se esforçam, que esperam que os resultados que ambicionam lhes caiam no colo. No entanto, essa não é a realidade para a maioria dos portugueses, que viram os seus salários serem reduzidos nos últimos anos, carga fiscal aumentar, poucas oportunidades para quem está desempregado e quer mudar de emprego, etc. Não é assim tão fácil mudar e quem não o faz não é porque é um acomodado que às 3h da manhã podia estar a procurar emprego. E "fala" alguém que, no meio desta crise, tem um emprego estável, mas não é por isso que vou ter a tua atitude e culpar os que estão à minha volta do seu "insucesso".

      Mas, que sabes tu disso? Se, pelo que contas, a tua mãe parece ter sido uma "self made woman", vir para Portugal com pouco, arranjar emprego cá, ir progredindo ao ponto de criar agora uma empresa dela que tem sucesso, quem és tu? A filha que foi beneficiando desse sucesso todo, sem ter feito asneiras e com o seu percurso académico regular, certo, mas tendo-se esforçado para quê, exactamente? Para ir tendo uns trabalhos em lojas e uns estágios? Isso é a realidade de quase todos os jovens e nem por isso vivem o estilo de vida que tu vives, se calhar estão mas é perto do que descreve a anónima das 3 da manhã e que tu foste rápida em criticar. Dizes que o teu namorado é informático, trabalha numa empresa conceituada e ganha bem. Óptimo e parabéns para ele! Trabalha na área em que se formou, é um bom profissional, tem sucesso. Mais uma vez, o que é que isso tem a ver contigo? No fim do dia, és uma miuda de 26 anos que tem o que tem porque a mãe - e agora provavelmente o namorado - contribuiram para isso. O que conquistaste por ti? Quanto muito o curso e o Mestrado, porque o emprego estável e a ganhar razoavelmente tem-lo porque a mãe to proporcionou, o estilo de vida que levas é graças ao que a tua mãe conseguiu e a partir de agora começa o namorado também a contribuir para isso. Se tivesses que te "fazer à vida", como muito boa gente, bem que podias continuar a ser muito elogiada por ex-patroas, mas a trabalhar por 600€ numa loja, ou a estagiar numa "grande empresa" sem te pagarem um tuste... ou a ter de emigrar para trabalhares na tua área.

      Por isso, não sejas tão dura e tão "certa de ti mesma" quando falas de facilidades e acusas quem se queixa de pouco fazer para as ter, porque estás longe de fazer parte do mundo real e das pessoas que se tiveram de esforçar por algo, candidatar a coisas, levar vários nãos, ou prepararem-se muitíssimo bem para merecer um sim.

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    6. Anónimo das 13:05 (é tanto anónimo que uma pessoa até baralha-se): Se o anónimo anterior (a dos filhos e que “rala pra caramba”) se acha no direito de vir pra aqui chamar-me mimada e imatura, ora, então deu-me todo o direito de dar também a minha opinião sobre o que ela expôs da vida dela (ou acham que só vocês é que têm direito a dar bitaites sobre tudo e sobre nada?). Logo, se a anónima está tão desesperada com a falta de dinheiro e é uma mãe com dois filhos, estar na net às 3h da manhã a comentar insultos no blog dos outros, parece-me um desperdício de tempo. Se está necessitada de emprego (e de dinheiro) então que use este tempo disponível para arranjar um part-time, para mudar de trabalho ou qualquer outra coisa que, a longo prazo, permita-lhe melhorar de vida.
      Para termos “noção da realidade” não é preciso que estejamos desempregadas e a morrer à fome. Tenho noção do estado em que o país está, todos os dias oiço pessoas a queixarem-se disto ou daquilo, posso não estar situação de dificuldade mas isso não me faz “cega” para o mundo. Rabinho virado para a lua? Sorte? Chama-lhe sorte, chama…

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    7. Anónimo das 15:12: Nunca disse que as pessoas desempregadas não mexem uma palha, bem sei que muitos tentam mas não conseguem. Eu vou sempre levantar a bandeira da “mudança” porque quem não está bem, tem mais é que procurar oportunidades onde elas estiverem (noutra cidade, noutra actividade, noutro país, onde houver) e não ficar em casa na internet a alimentar ódios gratuitos contra quem tem emprego e vive uma vida confortável. Em todos os empregos onde estive, nunca deixei de enviar currículos, de ir a entrevistas e sempre ambicionei coisas maiores. Não me conformava com empregos básicos, sem chance de progressão, sem um ordenado que me pagasse as contas.
      Eu vou te dizer quem sou eu: sou a filha que trabalha 11 horas diárias, que é sempre a primeira a chegar (sou eu que abro o negócio) e das últimas a sair. Sou aquela que precisar vir a correr no dia de folga porque a não-sei-quantas sentiu-se mal e não pode vir abrir a loja, por exemplo. Sou a filha que mesmo quando está em casa, de folga, tem que correr para “abrir o mail e responder a um fornecedor de urgência” ou dar um salto à empresa para resolver um qualquer problema. Sou aquela que sai da empresa as 3h da manhã quando é preciso fazer inventários (e faço-os sozinha, sem ajuda de ninguém). Se o alarme dispara, é para o meu número que ligam em primeiro lugar e sou eu que tenho que acordar de madrugada e pegar no carro para ver se está tudo bem na empresa. Se o site vai abaixo por qualquer motivo, sou eu que vou chatear os gajos do servidor e pôr tudo em condições. Só coisinhas boas.
      Sim, trabalhei em lojas enquanto tirava a licenciatura, e daí? Para mim nunca foi motivo de vergonha. Cheguei a responsável de loja e trabalhava em part-time na empresa há 4 meses quando fui promovida, ao contrário de colegas full-time que lá estavam há dois anos. E não, a minha mãe e o meu namorado nada tiveram a ver com isso. Só estive em um estágio (foi quando percebi que afinal se fosse viver da Biologia morria de fome) e isso abriu-me os horizontes e fez-me tirar outros cursos noutras áreas (e uma nova licenciatura este ano, se Deus quiser).
      “… o estilo de vida que levas é graças ao que a tua mãe conseguiu e a partir de agora começa o namorado também a contribuir para isso.” Coitado do meu namorado, que culpa ele tem de ganhar mais que eu? Num casal, dificilmente ambos ganharão o mesmo ordenado, como é óbvio. Se seguir o teu pensamento, então um dos membros do casal (o que ganha mais) estará sempre a contribuir para que o outro (o pobretão) conquiste um estilo de vida “invejável”. E eu poderia escrever muito sobre isso, mas este tipo de comentário já teve muito do meu tempo, não estou para mais. Lamento.

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    8. Minha "amiga" não és a única a trabalhar 11 horas por dia. Sou filha de uma mãe que nasceu numa aldeia e que passou muita fome ao longo da infância, porque perdeu o pai antes de nascer e a minha avô, que sobrevivia a trabalhar para os outros na agricultura, tinha de alimentar 3 bocas. Sou filha de mãe que com 10 anos teve de sair da escola, sair da aldeia para ir trabalhar, uma criança a tomar conta de uma casa e de duas crianças. Sou filha de uma mãe que aos 21 anos veio para Lisboa sozinha e sem nada para arranjar melhores condições de vida. Sou filha de uma mãe que aos 24 anos comprou a sua casa sem ajudas de ninguém e que trabalhou 14 horas por dia para me dar o melhor - roupa, bom acompanhamento médico e comida.
      Sou filha de uma mãe que trabalhou mais de um ano sem receber nada e que pela primeira vez na vida está desempregada.
      Sou filha de um pai que não passou tantas dificuldades mas que tinha de dar todo o seu ordenado aos pais. Sou filha de um pai que não tem horário de entrada nem horário de saída. Sou filha de um pai que tem de estar sempre disponível para o trabalho e para ir trabalhar mesmo que esteja no Rio de Janeiro. Sou filha de um pai que é funcionário público, que deveria ter sido promovido há anos, que deveria receber mais, mas, vê o seu ordenado a ficar cada vez mais curto. Os teus comentários são uma ofensa para quem trabalha para sobreviver, são uma ofensa para quem passa fome e são uma ofensa para quem anda aqui as 3 da manhã e se calhar passa o dia desesperado à procura de trabalho. A realidade das famílias portuguesas não são a realidade em que vives, esta é a verdade.

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    9. @Alexandra Machado
      Desculpe lá, eu entendo que a Anne seja uma excepção, mas o facto de ter tido alguma sorte no que toca ás pessoas que a rodeiam, não significa que não tenha o seu mérito.
      Teve sorte? Epa, provavelmente teve alguns factores que a ajudaram mas não se pode recriminar as pessoas por isso.

      Muito sinceramente, não sei o que pretendia. Se contar a história dos seus pais e do quão dificil foi a vida deles, se simplesmente andar a repetir quase 10 vezes a mesma coisa para deixar as pessoas emocionadas, isto é um blog, não é um concurso de prosa, não precisa de apelar à emoção das pessoas.
      É realmente uma tristeza que o país esteja assim, mas é ridiculo dizer que ela teve tudo de mão beijada e que se não fosse "mamãe e amor, isto ou aquilo" ela não seria ninguém, ninguém dá uma de boa moça esforçada, as pessoas não podem e não devem ler o blog como se o que tivesse escrito nele fosse toda a vida da Anne.

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    10. Certamente não me viu a tirar o mérito a ninguém e também não deve ter percebido que o meu comentário, como todos os outros, é uma resposta a um dos comentários da Anne, daí falar da minha mãe. Se acha que foi um apelo ou uma prosa isso é consigo. E para não me repetir muito, já que isso lhe faz comichão, eu não referi em lado nenhum que a Anne teve tudo de mão beijada. Por isto ser um blog, e já que a mesma se expõe, tem de estar ciente que irá receber opiniões e pontos de vista diferentes dos seus.

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  8. O grande problema é que se a pessoa a quem tiveres respondido isso depois não viverem a mesma realidade, a culpa será TUA. Já aconteceu o mesmo comigo quanto a viver em França. Agora respondo a tudo de uma maneira bastante generalista, assim proteges-te. Beijos. J.

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    1. Tens toda a razão e é por isso que ando a fugir deste tipo de perguntas. Para já, as respostas são muito relativas e dependem de tantos factores que nada do que eu diga parece certo. Antes eu dizia sempre que "não", que o país estava uma miséria, que os próprios portugueses não tinham emprego, imagine um estrangeiro! E então confrontavam-me com o facto de eu ter um bom emprego, poder viajar, poder dar-me certos luxos, do género: "tu estás aí bem e não queres é que a gente vá também", como se eu fosse egoísta em privá-los de vir.

      Portanto, qualquer das respostas que dê, não será a mais correcta. Limito-me a dizer: olha, não sei... Pensa bem, pondera TU os prós e os contras e decide. É o melhor a fazer nesta altura.
      Beijinhos

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  9. Anne, não me leve a mal mas já que aflige tanta gente e a mim me desperta curiosidade (confesso) seria possível partilhar connosco o segredo de poder manter o estilo de vida que (Graças a Deus!) leva, ainda que o país esteja como está? É que mesmo com um ordenado "bom" de 1000€, vamos supor, as coisas estão caras e leva tempo a ter-se algum de parte, por exemplo. Isto para quem, como me parece ser a Anne, não vive (e ainda bem!) com empréstimos ou prestações (bem haja!). E a "coisas" nem me refiro ao consumismo que qualquer pessoa tem direito, refiro-me a comprar carro, casa (não apartamento), mobília e casar. Se me pudesse elucidar eu ficaria muito agradecida porque eu não estou a imaginar, nem ganhando 2000€, como se pode fazer isso sem ser obrigado a contrair empréstimos (mas assumo que o defeito é meu pq é a realidade que conheço!!!).
    bjos
    Maria

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    1. Claro que o salário dela não dá para isso, por isso é que aí entram a mamãe e o noivo :) esses sim ganham para as despesas de luxo da menina mimada que se acha guerreira!

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  10. O Blog da baixaria.
    Morri!😄
    Brincadeira.
    Uma salva de palmas pra moça mimada que se acha guerreira.

    Até entendo que é teu ponto de vista, mas quando você posta ou faz um arquivo sobre ele e publica, tem sim que ser questionado.
    Amei o blog "não, o blof em si" mas pelas pessoas que comentaram sobre esse assunto.
    Seus visitantes são os melhores, tem conteúdo, relatos. Você não pode negar que eles te surpreenderam. Foi um lindo debate.
    Pena que acabou =(
    Todos estão de parabéns, não foi baixo e teve bom senso.
    Beijos!

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