31 julho 2014

Das lições que a vida nos dá...

Há cerca de quatro meses entrevistei uma pessoa, para uma vaga na nossa empresa, e posso dizer-vos que nunca antes uma pessoa que eu não conhecia teve o poder de me tocar de tal forma... Confesso que, ao ver o currículo [e ao reparar que a Susana só tinha o 9º ano] uma parte de mim pensou: "Mas ela não tem sequer o 12º ano? Nem vale a pena entrevistar..." mas depois li a carta de apresentação e fiquei tão impactada com aquelas palavras, com aquela força que ela demonstrava ter, com aquela 'necessidade' tão visível de arranjar um emprego que achei que não se perdia nada em marcar uma entrevista. E assim foi.

Se é verdade que o currículo não me convenceu [por ter poucos estudos], também é verdade que quando terminamos a entrevista, tive a certeza que ela era a pessoa que procurávamos. A mesma filosofia de vida, a mesma visão, um talento inato para as vendas, uma veia comercial fortíssima, uma pessoa que parecia vestir mesmo a camisola. E quando lhe perguntei se tinha filhos, respondeu-me: "tenho uma menina, tem 3 anos e é a razão da minha vida. Desde que ela nasceu que estou desempregada e não há um dia em que não acorde e pense que ela merece mais do que lhe estou a dar. Quando temos um filho, o nosso orgulho é deixado para trás e fazemos tudo, absolutamente tudo para chegarmos a casa ao fim do dia e ver que a nossa criança tem comida quente no prato e uma cama para dormir." e olhou-me com os olhos cheios de lágrimas.. pediu-me desculpas por estar emocionada e continuou o seu discurso. Fluente. Sem erros de português. Com uma eloquência e uma sabedoria que muita gente 'com canudo' não tem.

E foi ao vê-la ali, naquele misto de desespero e amor desmedido pela filha que veio-me à memória uma cena que eu presenciei aos 5 anos de idade: a minha mãe, dentro de uma farmácia, ajoelhada a pedir ao dono para lhe vender os remédios que o meu irmão [com 2 anos e internado no hospital] precisava para sobreviver. A minha mãe estava destruída, com dois meses de salário em atraso, prestação da casa atrasada, a vida toda parada... e um filho numa cama de hospital. Naquele dia eu percebi que uma mãe faz tudo, absolutamente tudo por um filho. A minha jogou-se aos pés de um farmacêutico, entregou-lhe o BI e uma pulseira de ouro, disse-lhe que voltava no final do mês para pagar pelos medicamentos mas que precisava deles com urgência. Ela saiu daquela farmácia humilhada e envergonhada mas trazia na mão o saco com os medicamentos. E isto salvou o meu irmão de uma morte quase certa.

A Susana entrou na nossa empresa em modo experimental, queríamos dar-lhe uma chance mas ao mesmo tempo, não sabíamos se ela corresponderia. Achamos que valia a pena tentar. A mulher é uma força da natureza, algo que eu nunca vi! Vende tudo, até as paredes [para terem noção, ela chegou a vender 3000€ num único dia!]. As clientes adoram-na! Tem um jeito, um talento para falar com as pessoas que cativa qualquer um. É esforçadíssima e dedica-se tanto ao que faz que consegue ultrapassar qualquer limitação. Está sempre atenta, observa tudo o que se passa nesta empresa e tornou-se no nosso braço direito. Sim, aquela rapariga que só tinha o 9º ano. Tornou-se grande, tornou-se gigante aos meus olhos. Fez-me perceber que uma pessoa não é só um certificado de habilitações. É tão mais que isso!

Ela merece toda a minha admiração, o meu pedido de desculpas por ter sido tão 'céptica' ao princípio e hoje, mais que nunca, a Susana merece os meus parabéns: foi promovida a gerente! [e teve o ordenado praticamente duplicado] Parabéns, Susana. Este é só um pequeno degrau da tua escalada. Obrigada :)

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30 julho 2014

Status:

Os últimos dias, como seria esperado, estão a ser um autêntico terror (muita coisa para fazer e pouco tempo disponível). O passaporte da minha avó atrasou ("ah, e tal, estivemos em recesso por causa da copa") e só ontem ficou pronto. A TAP entrou em greve (felizmente conseguimos comprar o bilhete para o Rio sem problemas) e diz que é já próxima semana que a minha mãe vai aterrar na Cidade Maravilhosa para trazer a minha encomenda mais especial (também conhecia como 'vovó').

Pelo meio, fui à ginecologista na segunda-feira e como estava sem carro (tinha-o emprestado ao meu irmão - que só tem motas - para ele ir fazer compras de supermercado) e fui de metro para a CUF. Cheguei na Gare do Oriente atrasada e decidi apanhar um táxi até o hospital, já que a minha consulta era as 11:15h e já faltavam só 10 minutos. Ui, o que eu fui fazer. Um drama, pessoas. Nenhum taxista me queria levar (ah, menina, mas se atravessar aqui a rua tem um autocarro directo para a CUF) e eu lá explicava que estava atrasada e não podia esperar. A solução? Entrei no último táxi da fila (aquele que, teoricamente, não perderia 'o lugar' para me levar) e fomos embora.

Entretanto no domingo também pintamos a casa (tuuudo branquinho, que eu não quero cá nada de paredes bege-encardidas) e escolhemos uma parede de cor para o nosso quarto e outra para a sala (depois mostro-vos). Ontem foi dia de pedir os serviços básicos: luz, gás, internet, água - e aqui, senhores, preciso fazer um aparte: mas porquê será que os gajos da SMAS ainda não modernizaram as coisas e nos obrigam a ir lá perder uma tarde inteirinha para pedir uma ligação de água? A sério, não percebo).

Recebemos também um mail muito querido da nossa agência de viagens a dizer que... a lua-de-mel já está toda paga pelos convidados (yey) e se nós queríamos fechar já a lista de casamento (visto que eles não devolvem o dinheiro) ou se criávamos uma outra, com uma viagem mais curtinha (e mais barata, obviamente) para que o restante dos convidados pudesse contribuir. E nós, que não somos pessoas de recusar viagens, lá abrimos a segunda lista, com uma semana numa cidade européia que ainda não conhecemos.

E para somar com os últimos acontecimentos, papai comunicou que já comprou a passagem para Lisboa e a minha mãe fritou, que não quer vê-lo nem pintado de ouro, que ele isto, ele aquilo, que sempre pensou que era 'só garganta' e que ele não teria coragem de pôr cá os pés depois de tudo o que (nos) fez e eu a dizer que temos que perdoar e que da minha parte já não há rancor, que toda a gente erra e que ele está arrependido e amargurado, não vale a pena arrastarmos mais esta situação.... E ela diz que não, que não lhe perdoa (e eu, que conheço toda a situação, não posso culpá-la por não conseguir perdoar, não foi fácil). De maneiras que é isto. Ando aqui a fazer 'a neutra' para acalmar os ânimos de todos mas penso seriamente em instalar um ringue de boxe no meu casamento. Só assim por causa das coisas.

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26 julho 2014

Acho que já posso encerrar estes saldos, não?

Fomos tomar o pequeno-almoço na IKEA (adoro) e aproveitar para ver os saldos e comprar mais umas coisinhas para a casa (esta é a frase mais proferida por nós ultimamente). E eis que fizémos 'a compra' destes saldos: compramos um puff (ou, como a IKEA gosta de referir: 'respousa-pés') Tidafors na cor 'grey-brown' (o tal castanho-acinzentado da cor das nossas cadeiras de jantar) que custava originalmente 179€ e pagamos... 29,90€! Uau!

O móvel no início dos saldos foi rebaixado para 51,99€, que já era um desconto assim pra cima de espetacular. Só que... já estava esgotado na loja de Alfragide. Continuei as minhas comprinhas e quando fomos pagar, resolvi passar pela secção das oportunidades para ver se havia algo interessante (e não, não tenho preconceitos em comprar um móvel de exposição desde que goste e que dê para 'arranjar' o defeitozinho). E eis que estava um funcionário da IKEA a pôr a etiqueta com o preço novo no puff e eu ia caindo para trás quando vi marcado os tais 29,90€. Era o último e é obvio que agarrei-o logo. Fofiiinho!

O defeito é que esteve uma semana em exposição no início dos saldos e, por isso, precisou estar afixado no chão com dois parafusos, um em cada pé lateral. O M. tirou os parafusos e ficou esse buraquinho ai, que é quase imperceptível e nos fez trazer um puff super confortável por um valor irrisório. =)

Entretanto também trouxemos este candeeiro de pé que adoramos (e veio com 50% de desconto) e um banquinho (só que em preto) com ar vintage para a cozinha (que me ajudará a chegar nos armários lá do alto) com 70% de desconto (custava 24€ e veio por 6€ e tal).


Por cá somos totalmente Ikeaholics! Adoro a praticidade dos móveis, os preços (quase) sempre em conta, as embalagens planas, a facilidade de montar os móveis, adoro mesmo.

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23 julho 2014

Vidas artificiais?

Vi esse vídeo no youtube e não pude deixar de reparar como este 'fenómeno' está a crescer na nossa socidade: as vidas perfeitas na internet. Sim, falo das pessoas que estão sempre felizes no facebook, daquelas que almoçam todos os dias em restaurantes xpto e espetam com a foto no instagram, das que escrevem blogues e que mostram apenas 'o lado b da vida', como se essas vidas fossem sempre assim: perfeitas e 'fotografáveis'.


O vídeo dá que pensar. Qual será a imagem que transmitimos nas redes sociais? Será que nos vêm como pessoas perfeitas, com vidas perfeitas, sem problemas no horizonte, vivendo no país das maravilhas, como a Alice? De vez em quando recebo uns comentários que dizem: "Ah, quem me dera ser como tu/ ter o que tu tens / viver como vives" e confesso que tenho uma certa 'pena' da pessoa que pensa assim. Eu acho que antes de sermos infelizes por ver que um amigo postou uma selfie na Polinésia Francesa, uma fotografia num SPA 5* ou apenas as fotos das férias no Algarve... devemos primeiro pensar: o que eu deixei de fazer para estar lá? Que tipo de sacrifício eu fiz para merecer ter a vida que fulano tem?

É claro que é muito mais fácil sermos dominados por aquele sentimentozinho de "toda a gente viaja, menos eu"; "toda a gente troca de carro, menos eu", "toda a gente tem dinheiro, menos eu". Confesso que não tenho paciência para gente que passa a vida a lamuriar-se e a choramingar pelos cantos. Se alguém se identificou com esse vídeo, acho que é hora de mudar essa mentalidade. De viver a tua vida para ti. De resolver os teus problemas, assumir as tuas escolhas e parar de sofrer porque "a minha melhor amiga casou, e eu ainda não".

Eu não vivo uma vida perfeita, não sou 100% feliz o tempo tempo e não moro num palácio com serviçais espadaúdos que abanam folhas de bananeira ao meu caminhar... Tenho meus momentos de tédio absoluto, quando acho que a minha vida ainda não está com o 'speed' que eu quero, há dias em que chego a casa e janto um bacalhau com natas ultracongelado do Pingo Doce porque o cansaço é tanto que nem um ovo me apetece fazer, enfim... vida de gente de verdade. Mas eu curto muito essa minha vida do 'meu' jeito e não do jeito que eu acho que outros 'devem' ver. E acho que esse é o grande segredo para ser feliz de verdade. [não o tempo todo mas uma boa parte dele].

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22 julho 2014

No se aceptan devoluciones - um filme para rir e chorar.

No domingo à noite decidimos ver um filme no sofá, uma coisa leve e que nos fizesse rir um bocado. Procurei por filmes de comédia e encontrei o filme mexicano "No se aceptan devoluciones" que estreou este mês nos cinemas americanos e tem sido um sucesso absoluto de bilheteira. A sinopse é a seguinte:

O filme começa por contar a história de Valentin, um mexicano mulherengo que insiste em não "levar uma vida de adulto" e se diverte com casos de uma só noite, envolvendo-se com turistas que visitam a praia de Acapulco. Mas um destes 'encontro' resulta num... bebé. A mãe, uma jovem americana, volta para os EUA e deixa a pequena Maggie com o pai. Assustado e nada disposto a assumir-se como pai, Valentin segue a estrada em direcção à Los Angeles para entregar à criança para a mãe. Pelo meio, acaba por encontrar um emprego para manter a filha e apaixona-se pela criança. Seis anos depois, a mãe da menina decide voltar e quer a menina de volta. E e aí que começa a parte mais 'emocionante' do filme, carregada de sentimentos e surpresas que irão surpreender a todos.
 

E se é verdade que no início do filme achei que o Valentin era um completo idiota, a meio do filme já eu estava apaixonada por ele, pelo seu grande coração, sempre disposto a perdoar e a fazer de tudo (de tudo mesmo) para manter a filha junto de si. Derreto-me toda com homens destes, que colocam os filhos acima de tudo e de todos e são pais à sério. 

Não era a comédia tola que eu estava à espera, apesar de ter dado boas gargalhadas com o filme, considero-o mais drama do que comédia. Arrancou-me lágrimas (muitas) no final, que é totalmente surpreendente e nos faz refletir sobre muitas coisas. Sobre a forma como educamos as crianças. Sobre o amor por um filho, que é mesmo sem limites. Sobre a vida e o quão efémera ela é. Recomendo a toda a gente, vale mesmo a pena!


[basta pesquisar no google e  encontram o filme legendado em português para assistir online, sem precisar fazer o download. Foi isso que nós fizemos]

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21 julho 2014

"um dia vais comprar um móvel no ebay..." - Hoje foi o dia!

Andei uns meses a namorar a cadeira DSW (inspirada na de Charles & Eames) mas por cá é difícil encontrá-las e as réplicas custam valores que, na minha opinião, são elevados quando comparados com os precinhos praticados 'lá fora'. O único sítio onde as vi foi no Casas com Design mas sinceramente? 110€ por uma réplica de uma cadeira não faz grande sentido para mim. 

Este modelo foi desenhado em 1950, para o concurso de "móveis de design low cost" em Nova York e foram as primeiras cadeiras de plástico a serem produzidas em escala industrial. E eu, que adoro móveis 'com história', fiquei encantada pelo design minimalista, pelas pernas em madeira serem inspiradas na Torre Eiffel (um dos meus monumentos preferidos) e pelo certo ar vintage que elas possuem.

Então pensei: 'se calhar encontro-as no ebay!' - sim, eu parto sempre do princípio que se não há no ebay, então não existe em mais lado nenhum. E encontrei as tais cadeiras por um valor que em nada se parece aos 110€ que nos pedem por ela em Lisboa. Comprei a cadeira DSW, na cor branca, por 39,95 libras (+- 50€) e mesmo com os portes (o vendedor pedia 22 libras para enviar de Inglaterra para cá mas depois de muita troca de email, lá aceitou as 12 libras de portes - que era o valor justo pelo peso da cadeira). Logo, foram cerca de 15€ de envio. No total, a cadeira ficou-me a 65€, que é quase metade do valor que nos pedem por ela cá! Dá que pensar, não dá?

Encomendei a cadeira há duas semanas (o vendedor demorou quase uma semana para enviá-la, apesar de no anúncio destacar "free next day delivery") e diz que chega nos próximos dias. Vem desmontada em duas partes (assento e pernas) e super bem embaladas, segundo o vendedor. A ver vamos :)


Foi a primeira vez que comprei um 'móvel' no ebay e por enquanto ainda não me posso pronunciar mas tão logo tenha a cadeira em mãos venho contar-vos como correu. Na verdade, a única coisa que me preocupa é se estará bem embalada, se não virá com danos ou peças partidas. Como comprei de dentro da UE, não há lugar para taxas alfandegárias, por isso... só me resta esperar :)

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13 julho 2014

Nostalgia é...

Começar a encaixotar as tuas coisas para levar para a casa nova e encontrar, no meio da bagunça, o teu diário/agenda do ano em que chegaste a Portugal... É tão engraçado poder ler aquelas linhas e reviver um bocadinho do que senti ao chegar cá! Eu costumava guardar todos os bilhetes dos sítios onde ia (oceanário, jardim zoológico, bilhetes de comboio, de metro, enfim... era a loucura). Achava tudo o máximo, tudo era empolgante, tudo era tão diferente do meu Rio...

Ao longo dos anos, fui perdendo um pouco esse 'olhar de turista' sob Lisboa, acho que é normal, habituei-me à cidade, aos transportes, aos monumentos... Hoje sou 'daqui', não sou mais turista. Mas gostava de poder resgatar um bocadinho do entusiasmo inicial, um bocado daquela alegria de estar numa cidade tão civilizada, tão cheia de luz e tão pitoresca. Hoje já acho tudo normal mas houve em tempo em que ficava maravilhada pela cidade. Coisas de adolescente... [e os parágrafos escritos em caneta colorida? Cada parágrafo, uma cor diferente. Que pita!]

P.S: A melhor parte foi chegar no mês de Fevereiro e ler toda a descrição pormenorizada que eu fiz do nosso início de namoro. O que eu sentia, o que eu achava, os nossos diálogos! Até pensei em utilizar algumas coisas no casamento, não sei, foi só uma idéia, preciso amadurecê-la. Mas que seria giro, lá isso seria!

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Dias de sol ☼

acordar tarde. tomar o pequeno-almoço na nossa pastelaria do coração. rumar à praia para apanhar um bocadinho de sol. passear. aproveitar este tempo fantástico. ir até Caxias. caminhar. sorrir. enfardar gelados. conhecer o forte de São Bruno. namorar muito. tão bom...

Praia de Caxias vista do alto da passarela
Entrada do Forte de São Bruno

Campanha: "por um mundo onde os homens tenham 'entradinhas' na barriga". Acho o cúmulo da sensualidade masculina. Uy! [agora só falta o 'six pack', môzão!]

Depois foi chegar a casa, tomar um banho e ficar aqui no sofá, a ver séries e filmes com o meu amor. Pelo meio, lá vamos resolvendo algumas questões do casamento, como os pratos que queremos provar na degustação (que é na próxima semana) e ouvi-lo entrar em desespero quando eu digo "não" ao fantástico bacalhau com broa e espinafres. "Ah, mas esse prato é óptimo, os convidados brasileiros e espanhóis vão adorar o bacalhau, e blá blá blá". Eu detesto espinafres e nos últimos cinco casamentos a que fui o prato de peixe era o tal bacalhau com broa. Será que é assim algo do outro mundo uma pessoa querer variar um bocadinho? Eu por mim enfiava picanha e farofa no pessoal e estava a andar mas diz que não senhora, não é 'chique'. Oh, vida!

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11 julho 2014

Descobertas musicais #3


Estou absolutamente rendida. Esta mulher tem uma voz incrível! Estava a fazer zapping quando passei pela SIC e ouvi essa música [faz parte da novela "A Guerreira"] e decidi investigar quem cantava. Jesuton, uma britânica que se apaixonou pelo Rio de Janeiro e foi 'descoberta' pela rede Globo enquanto cantava nas praias de Copacabana. Uma voz linda que eu não canso de ouvir. E eu, meus amigos, quando 'cismo' com uma música, oiço-a até a exaustão [ou até pôr toda a gente ao meu lado fartinha do raio da música]. Tenho passado os dias a cantarolar: "I knooooow I´ll neeeeever looooove this way again..." 

[e não, não é nada bonito de se ver - ou neste caso, de se ouvir]

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O que mais impressionou os estrangeiros que estão no Brasil:

Vi esta notícia hoje e achei divertido ler e constatar que sim, os 'gringos' têm razão em muitas coisas que afirmam. As melhores observações para mim foram:

Quando cheguei aqui, me perguntava por que todo mundo colocava areia na comida. Depois provei e vi que tinha gosto de bacon. E finalmente comecei a colocar farofa em tudo. Isso é muito verdade, brasileiro ama uma farofa, eu confesso que não consigo estar mais de uma semana sem jogar a minha farofinha por cima do arroz [delícia!] e até o M. já se rendeu e agora me pede para fazer 'aquela farofinha boa' para o jantar.

Achei estranho ver que muitas famílias de classe média têm empregadas domésticas. Nos EUA, só os ricos têm. No Brasil, preferimos pagar a uma pessoa para nos tratar das tarefas domésticas de maneira a que nos sobre tempo para fazer outras coisas... entre ter dinheiro ou curtir a vida, sem dúvida que preferimos a segunda opção [felizmente o meu amor pensa tal e qual como eu - e isso deu-me a desculpinha perfeita para contratar uma empregada três vezes por semana para nos ir tratar da casa, sem me sentir culpada ou ouvir 'mimimi' da parte dele. Este gajo sabe como me conquistar!]

As brasileiras parecem adorar os gringos. Estranho, né? Mas achei isso ótimo. Aliás, minha parte favorita do Brasil, com certeza, foram as brasileiras. Eu me apaixonei. Mais de uma vez. Certamente voltarei um dia ao Brasil para encontrar minha futura mulher. Sim, a maioria das brasileiras têm uma 'queda' por estrangeiros. Aliás, o meu irmão sempre que vai de férias para o Rio mete-se a fazer sotaque português e engata umas quantas na night. Acho piada porque o contrário também se verifica e os estrangeiros também curtem a nossa 'vibe'. O M. teve a lata de dizer-me que, se um dia terminássemos, ele só ia querer namorar com brasileiras [mereço ouvir isso?].

As mulheres sempre usam joias, maquiagem… Elas se arrumam muito. Verdade! Esse assunto já foi tema de discussão entre mim e o M. porque ele resmungava sempre "mas não queres ir à festa porque não pintaste as unhas? Estás a falar a sério?". Enfim. Não saio de casa 'esculhambada', sem ter a manicure e a depilação feita (tenho pa-vor de pêlos), gasto uma pequena fortuna com cremes e produtos de cabelo e adoro andar cuidada :)

Quase todas as lojas daqui parcelam as compras em várias vezes sem juros. Gostei disso. Dá para pagar o mesmo preço dividindo até em dez meses. Essa é a praga do Brasil. Tudo é parcelado, tudo é dividido 'n' vezes no cartão, no cheque pré-datado, no boleto... Lá é o país do endividamento e se não estamos atentos facilmente caímos em tentação e desatamos a comprar este mundo e o outro. No cartão. Em 36 prestações.

Na favela perto de onde eu estava hospedado, soltavam fogos de artifício toda hora, de dia e de noite. No começo, achei que fossem tiros de revólver, mas depois descobri que é um sinal de que as drogas estão chegando por lá. Acabei me acostumando. E, claro, a alma negra do Brasil: drogas, corrupção, violência... um prato cheio. De dar indigestão em qualquer um.

As garotas são lindas, carinhosas e simpáticas. Quero um dia ter uma esposa brasileira. Errr.. como hei de dizer isto? Amigo, não é bem assim, ok? Esquece lá o protótipo da brasuca com o corpão violão à la Gabriela que isso é coisa de rede Globo, sim?

Brasileiros jantam tarde. É normal comer às 22 horas. Ahahaha sim, ao contrário da maioria dos portugueses que são certinhos com as horas de jantar (geralmente entre as 20h-21h), cá em casa jantamos bem mais tarde (o que faz muito mal à digestão, eu sei). Nunca posso chamar ninguém para jantar cá em casa que o espanto é grande: "Tão tarde? Isto nem é jantar, é ceia".

E tanto mais que eu poderia dizer... Mas que os gringos toparam logo a nossa maneira de ser, lá isso é verdade. Em poucas semanas conseguiram descrever na perfeição o povo brasileiro e a sua forma de ser. Não é incrível isto das diferenças culturais? Eu cá adoro!

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10 julho 2014

Dos 'cagaços' desta vida:

Ontem depois do jantar deitei-me a ver televisão no sofá e adormeci em seguida [ando tão cansada que qualquer dia é ver-me a dormir em pé, encostada a uma parede qualquer]. Dormi um sono agitado e tive o sonho mais assustador de todo o sempre:

Sonhei que ia com mamãe à loja onde comprei o vestido de noiva, para fazer a prova final. Ia feliz, estava sorridente, mamãe também... e de repente, a vendedora aparece com o vestido na mão. O meu vestido, o modelo que eu escolhi mas... em preto. Ela tinha na mão um vestido de noiva preto, tal e qual o meu, mas todo negro. O mesmo modelo, o mesmo decote em coração, a saia com folhos, tudo igual mas preto. Mandei um grito e perguntei-lhe se estava maluca, se alguma vez eu ia casar com um vestido preto! Ela não me sabia explicar, só disse: "Foi esse o vestido que recebemos." E eu acordei.

Acordei assustada, levantei-me do sofá a tremer e fui para a varanda da sala. Senti um medo horrível, medo de estar 'de luto' no dia do meu casamento, medo de perder alguém importante, medo de não ter a companhia da minha avó nesse dia... Eram quase 3h da manhã mas não quis saber: liguei para o Rio. "Avó, desculpa, eu sei que já é tarde mas eu precisava falar contigo...". Só consegui adormecer depois de estar quase uma hora ao telefone com ela [obrigada, Vodafone, pelas chamadas para o Brasil a 0.06€/min]. Desliguei a chamada e chorei como uma madalena. Chorei tanto, tanto... Chorei pela saudade que tenho dela, chorei pela falta que ela me faz todos os dias, chorei pelo medo de perdê-la um dia, chorei por saber que esse dia não está tão longe como eu gosto de pensar, chorei por ela não ser eterna.

Eu não acredito em 'sonhos premonitórios' mas fiquei super abalada com este, confesso. Hoje vim trabalhar com os olhos inchados e o coração do tamanho de uma ervilha. Deus queira que seja apenas um sonho bobo. Deus queira...

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09 julho 2014

Levar ou não levar véu - eis a questão!


Muito já se falou sobre esse assunto cá por casa. Eu, por mim, não levava véu nenhum que vai estar um calor desgraçado nos primeiros dias de Setembro e eu quero é sentir-me tão livre quanto possível [como se fosse possível... já que o meu vestido tem uma cauda enorme, folhos e saiote, de maneira que tudo o que vou querer vai ser pular pra dentro de um ar condicionado - azarucho, fiquei maravilhosa dentro dele e isso é que importa]. Mas voltando ao assunto do véu: acho incómodo, faz calor, não é prático e não gosto de nenhum penteado que vejo com véu [até porque amo cabelos soltos]. Vai daí, estava quase decidida a não levar véu.

Mas depois vi as fotos do casamento da minha avó e achei-a linda com o seu véu todo bordado. Achei que o véu era o expoente máximo da feminilidade, da delicadeza, de um romantismo sem fim... aquela aura de mistério que o véu evoca, enfim, fiquei hipnotizada a olhar para as fotografias. Depois lembrei-me que mamãe escolheu casar de véu, mas de uma forma inusitada como se fosse um lenço no cabelo. E ficou lindo.

Por isso, estou para aqui indecisa sem saber se levo véu [e se levar, qual o tamanho ideal? Com bordados ou liso? Com inicio no alto da cabeça ou por baixo do penteado? ui, tantas dúvidas]. E as fotografias, pá? Fotografias com véu são muito mais giras, não posso negar. Aiii que dúvida. Preciso de sugestões, dicas e palpites. Sim?

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08 julho 2014

Sem palavras...


Estou em choque até agora. Estava a jantar na cozinha, na hora do jogo e de repente a Alemanha fez o primeiro. Corri pra sala, com o prato na mão. Pensei: "ah, tudo bem, ainda faltam mais de 80 minutos, vamos conseguir virar o jogo.". Levantei para ir a cozinha buscar um sumo. Quando abri o frigorífico, ouvi os gritos de golo. "Mais um da Alemanha" gritou o Pê. Corri de novo para a sala, sem acreditar. "Não faz mal, ainda assim vamos conseguir virar o jogo", pensei eu, na minha inocência.

Entretanto fui à cozinha levar o prato [quem disse que eu consegui terminar o jantar?] e ouvi o Pê mandar um palavrão, seguido dos gritos do comentarista. Pronto, era o 3 a 0. Sentei-me no sofá, incrédula e peguei no telemóvel para ligar ao M. Ainda a ligação não tinha completado e a Alemanha já tinha marcado o 4º golo. Aí foi o fim. Já só queria que o jogo acabasse logo, para não ficar tão feio para o Brasil.

Nunca, nem nos meus prognósticos mais pessimistas, imaginei um 7 a 1 para a Alemanha. Foi uma vergonha. Nem tenho palavras...

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Mas anda tudo maluco ou o quê?!

Há quem diga que eu compro brigas 'desnecessárias'. Que me envolvo demais. Que sinto pelos outros. Que sou demasiado 'mexeu contigo, mexeu comigo'. Já tentei mudar, já tentei relevar mas caraças, quando atinge um dos meus é certinho: viro um bicho. Se é verdade que sou assim com a minha família, com os meus amigos do peito a coisa também acontece.

Não admito que falem mal de algum amigo meu ao pé de mim que mando logo a pessoa dar uma curva. Não admito ver uma amiga a chorar, que me apetece sacudi-la até fazê-la rir. E não foram uma nem duas, mas quatro. Só nos últimos dias quatro amigas vieram ter comigo de coração nas mãos, olhos vermelhos, voz rouca. O motivo? O de sempre: homens.

E eu não sei se é da minha pouca paciência [é capaz] mas eu estou cansada, verdadeiramente cansada de ver toda a gente encarar os relacionamentos com tanta leveza assim: ele é mentiras, ele é amantes, ele é palitos a torto e a direito... Toda semana escuto histórias absolutamente iguais, só muda o nome do autor da façanha. Vejo pessoas queridas que sofrem, amigas que perderam 10kg em questão de semanas, outras adoeceram, crianças (filhos) que são misturadas ao barulho... Famílias que se desfazem assim, num piscar de olhos.

Ninguém é obrigado a ficar com ninguém. Não há nenhuma lei nesse mundo que obrigue um casal a permanecer junto, nem casamento, nem contrato, nem porra nenhuma. Não estás satisfeito? Chega pra pessoa e fala. Conversa. Solta o verbo. Sê homem e assume as tuas escolhas! Eu sou a favor da liberdade e do diálogo, sempre. O amor acabou? A relação não dá certo? As brigas são uma constante? O desejo sumiu? Então assume, porra! Fala pra pessoa e coloca um ponto final na história.

Eu sempre falei para o M. que aturaria [e aturo] muita maluquice dele (o humor sarcástico, o vício pelo futebol, o ressonar à noite, a desorganização e tantos outros defeitinhos...) mas se um dia ele me trair... acabou. É uma vez sem volta, que isso eu nunca perdoaria. Nunca. Acho que num relacionamento não existe nada pior do que uma traição. Se dedicar a alguém, se entregar, confiar, amar aquela pessoa, fazer planos... e essa pessoa te pôr um chapéu de viking. Não admito.

Homem que trai para mim perde toda a piada. Só consigo pensar que é um fraco da pior espécie, um irresponsável, que não honra compromissos, que não tem 'tomates' para dar um fim numa relação antes de se enfiar noutra. Homem que trai não é homem: é moleque.

P.S: E já nem falo nas mulheres que aceitam ser 'a outra', a 'segunda opção', que sabem que o homem tem uma família por trás, muitas vezes com filhos no meio... e mesmo assim, mesmo com tanto homem livre nesse mundo, escolhe um casado/comprometido. Escolhe ser uma opção, quando poderia ser a única. Falta de amor-próprio, talvez? Não sei, só sei que é daquelas coisas que eu nunca vou entender. 

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06 julho 2014

Lar doce lar // as compras #3

Ultimamente tenho estado totalmente dedicada à casa, a compra das últimas coisas,  encomendas de móveis, a medir tudo e mais alguma coisa... e está a ser delicioso! Cansativo, é verdade, mas é tão bom ver as coisas ganharem corpo e aquela divisão outrora vazia transformar-se num sítio aconchegante e do jeitinho que queríamos!

Corri tudo o que era loja de móveis para encontrar 'a cadeira' para a nossa mesa de jantar. Queríamos com pés em inox, confortável, com um design moderno (a condizer com a mesa) e que fosse macia e gira. Fui à IKEA (gostei dessas mas não fiquei apaixonada), fui à Moviflor (nada de interessante), fui à Feira dos Móveis (nada que gostasse), fui à Conforama e aí a coisa se deu.

Foi a primeira vez que comprei um móvel na Conforama (sou um bocadinho preconceituosa com os móveis deles, confesso - ouço tanta gente a criticar que nunca cogitei a hipótese de comprar lá qualquer coisa) mas no desespero, uma pessoa recorre a tudo. Amei de paixão essas cadeiras, e ao vivo são ainda mais giras e confortáveis. Fiquei receosa pelo tecido ser em polipele, mas decidimos arriscar. Qualquer coisa, sempre podemos trocar o tecido, já que a estrutura da cadeira é óptima!

Adorei o detalhe dos pés [e vai condizer lindamente com a nossa mesa], gostei da cor do assento, numa cor assim a atirar para o toupeira [entre o castanho e o cinzento] e amei a estabilidade e conforto quando sentámos na cadeira. Pensei que este modelo poderia ser instável, já que não tem os quatro pés tradicionais mas o raio da cadeira nem mexe quando nos sentamos! E eu ainda andei ali a balançar-me para frente e para trás, a dar pequenos saltinhos [sob o olhar aterrorizado do meu noivo, é verdade] mas posso dizer-vos que passou com distinção no teste.

Decidimos comprar apenas 4 e as outras 2 das cabeceiras vamos comprar com braços, até já vi um modelo que adoro [este, da IKEA] mas os pés são em madeira e acho que não vai condizer com as outras 4 de pés cromados. Tenho que passar pela IKEA para ver se consigo alterar os pés de madeira por outros.

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05 julho 2014

Verde & Amarelo ❤ Sempre.


Só consegui sair do trabalho quinze minutos antes das nove e fui a voar para casa, que se há coisa que eu amo nisto dos mundiais é a parte do hino nacional (arrepio-me toda). Infelizmente cheguei a casa depois dos primeiros dez minutos de jogo mas fui logo ligar a televisão. O placard mostrava o 1-0 para o Brasil e eu pensei: Mas já?!

Confesso que fui contra este mundial. Fui contra tudo aquilo que ele representava, o gasto descontrolado de dinheiro na construção de estádios no meio da Amazónia quando ainda há tantas crianças sem escola, o país com hospitais de merda e uma saúde pública completamente deficiente, enfim... aqueles problemas brasileiros que todos nós conhecemos. Disse a toda a gente que faria um boicote a esse mundial e que não assistiria um jogo sequer.

A quem eu quis enganar? Assim que ouvi o comecinho do hino  "Ouviram do Ipiranga às margens plááácidas, de um povo heróico...", ficou tudo estragado. Não resisti, foi mais forte do que eu. É o meu país [ou, na versão certa: é o meu primeiro país], é o sítio onde nasci, é a minha terra, o meu coração. Torci, torci como nunca. A princípio um bocado descrente, que estes jogadores não inspiravam grande confiança para mim, basicamente, só conhecia o Neymar [por motivos óbvios], o Júlio César [porque qualquer dia o homem já se reforma e é impossível não conhecê-lo] e o Hulk [por motivos de 'bundinha mais sexy do brasil']. Não acreditei neste Brasil, nestes jogadores. Comecei por torcer um bocadinho descrente, a pensar 'vamos lá ver se passamos da fase de grupos'. E à medida que o Brasil avançava, jogo atrás de jogo, o meu entusiasmo só crescia.

Ontem, ao ver o Brasil dizer 'tchau' à Colômbia, o meu entusiasmo ganhou proporções épicas. Gritei, gritei tanto! Festejei como uma maluca, liguei ao meu pai [outro céptico, que também não acreditava], liguei à minha avó, fiz uma festa do caraças no facebook... Estamos nas meias-finais! Agora sim, posso dizer: eu acredito. Acredito que podemos pôr a mão naquela taça e trazer o Hexa! Agora vai!

[Apesar da lesão do Neymar, que foi uma monstruosidade (e o jogador colombiano nem um cartãozinho levou), acredito que a equipa vai jogar na garra e na raça contra a Alemanha na terça-feira. Acho que vou precisar de enfiar uns calmantezinhos no bucho, sob pena de ter um AVC no próximo jogo.]

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03 julho 2014

Tão bom...


Como diria o Porchat: "Foi do caralho!". Rimos tanto! Saí de lá com a barriga a reclamar, como se tivesse feito abdominais. Foi num dia chatinho, uma quarta-feira, bem no meio da semana mas a praça de toiros estava a rebentar pelas costuras! Tanta gente, tanta gente... Juro que não fazia idéia do sucesso que a Porta dos Fundos faz por cá. Cheguei a casa quase a 1h mas, caraças, valeu a pena. É tão bom ouvir um sotaque igualzinho ao nosso, uma forma de falar que traz tantas memórias, que traz um bocadinho do meu Rio para cá...  Dá pra matar um bocadinho as saudades. E pra rir, é claro.

[a parte mais gira da coisa foi ver o meu irmão todo apaixonadinho pela namorada, um mel, senhores, um mel que até enjoava! Adoro vê-lo assim, tão feliz de novo]

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01 julho 2014

Das palavras que poderiam ser minhas #6

[...Acredito que todo mundo casa fácil porque é também muito fácil se separar. Nos anos 70, o casamento era medido por décadas. Mesmo quando um casamento fracassava, durava no mínimo duas décadas. Nos anos 80, o casamento era medido por anos. Mesmo quando um casamento desmoronava, durava no mínimo cinco anos. O casamento hoje é por dia. Como se fosse hotel.

Agora, o matrimônio cobra diária. Todo dia é dia de se separar. E por qualquer coisa. Las Vegas do divórcio é aqui. Você pode sair de manhã, eufórico e confiante, extremamente disposto, seguro do romance, e quando voltar à noite não encontrar mais ninguém ao seu lado. Se cometeu uma falha, nem terá oportunidade de se explicar. Se não errou, nem terá chance de entender e desfazer confusões.

É tão simples se divorciar que ninguém mais pretende se stressar. Não há nem o civilizado e educado aviso de despejo. É dar as costas, largar o passado e seguir adiante. Quebrou o amor, troca! Quebrou o amor, compra outro! Quebrou o amor, não vale investir consertando!

Os casais não brigam mais até cansar para, então, se separar. Não brigam mais até esgotar as possibilidades para, então, se separar. Não tentam durante semanas e semanas expor as dores, as feridas e a raiva para, então, se separar. Não recorrem ao choro, à histeria, ao perdão, ao abraço, ao exorcismo, aos centros religiosos, aos amigos, aos parentes para, então, se separar.

A separação vem antes. A separação é a regra. A separação é o hábito. A separação é seca, definitiva, sem explicações. As pessoas se separam primeiro para depois discutir. As pessoas se separam primeiro para depois conversar. As pessoas se separam primeiro para depois desabafar o que incomoda.

Elas arrumam todas as malas, esvaziam os armários, realizam a limpa no apartamento e depois, se houver vontade, se encontram e sentam frente a frente para resolver as diferenças. São uniões interrompidas com silenciadores, distante de estampidos e gritos. Ninguém se separa de fato, todo mundo deserta, todo mundo abandona a convivência.

É uma irresponsabilidade extraordinária com o outro, é uma indiferença tremenda ao que foi construído com o outro, é um desprezo ao que foi sonhado a dois. E os motivos podem ser os mais loucos e insignificantes. O desenlace não ocorre mais por justificativas duras como adultério e deslealdade.

Há gente que se separa por incompatibilidade de gênios (expressão que denuncia megalomania, o correto seria incompatibilidade de burros). Há gente que se separa porque não suporta o medo de ser traído. Há gente que se separa porque estava muito feliz e não aguentava tamanha pressão. Há gente que se separa porque se viu entregue ao relacionamento e estava perdendo a identidade. Há gente que se separa porque não sabia mais o que estava fazendo da vida. Há gente que se separa porque não esperava que fosse assim.
Atualmente entra-se numa relação e não se fecha a porta – a porta permanece encostada o tempo inteiro...]   

  Fabrício Carpinejar em "Separações Líquidas"

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