05 novembro 2014

Ás vezes pergunto-me se vale a pena ter um seguro de saúde neste país...

Recebemos hoje uma carta muito simpática da Tranquilidade Seguros a dizer, em suma, que a doença da minha já era pré-existente na altura em que ela fez o seguro. Para azar nosso, este seguro é novo, tem 11 meses que a minha mãe o tem - trocou a Médis pela Generalli a pensar que tinha feito um bom negócio e agora isto.

Há oito meses a minha mãe fez uma ecografia e não tinha rigorosamente nada no útero, logo, como podem dizer que há 11 meses (altura em que celebrou o novo seguro) ela já sabia que tinha cancro? A sério, choca-me que estas empresas possam agir assim. Furibunda com esta situação, enviei um mail para eles, com a ecografia que a minha mãe fez há poucos meses e que não acusava tumor nenhum, com a data impressa no exame, para ver se continuam a ter lata de dizer que a porra da doença é pré-existente.

Até agora, nenhuma resposta. Felizmente, o tumor regrediu de tamanho e estamos só à espera desta autorização do seguro de saúde para avançarmos com a histerectomia total e começarmos o tratamento do cancro. E eu odeio pensar que estamos aqui a perder tempo precioso (quando já poderíamos ter retirado o bicharoco) enquanto o seguro decide se vai ou não comparticipar a cirurgia.

E pensar que todos os meses pago um balúrdio de seguro de saúde (quase cem euros - e sim, acho caríssimo para a utilização que lhe dou, que é qualquer coisa como duas consultas de seis em seis meses) mas enfim, se quero ter filhos (e queremos tanto!), preciso investir num seguro de qualidade por que, maricas como eu sou, jamais teria coragem de ter um filho num hospital público (por várias razões) então... só me resta pagar e calar!

[e só Deus sabe como é difícil 'calar' perante situações destas, tão injustas... Vamos esperar até a próxima semana pela resposta do seguro. Se não comparticiparem a cirurgia, são 'só' 12 mil euros a suportar mas quando a saúde da pessoa que mais amamos está em risco, o dinheiro perde totalmente o valor e só queremos é que tudo dê certo. Dê por onde der.]

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44 comentários

  1. anne, liga para eles umas cem vezes por dia se necessário e exige uma resposta. Felizmente tens uma prova em como ela não tinha nada, eles têm mais é que comparticipar! Ameaça com a Deco, com processo, com o que for ;) Se precisares, estou sempre por aqui. Bjinhos

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    1. Já liguei imensas vezes, Raquel, deixam-me montes de tempo a ouvir musiquinha e depois dizem que 'estão a analisar o caso'. Sim, como se nós tivéssemos tooodo o tempo do mundo. Entretanto falei com o médico da minha mãe, que é director de uma ala no Hospital da Luz e está mais que habituado à lenga-lenga dos seguros de saúde e ele já enviou para lá vários exames e documentação toda que prova esta situação. Vamos ver no que dá :) Obrigada pelas palavras, um beijinho :*

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    2. Muita força! E eu compreendo perfeitamente que queiram fazer esta cirurgia no privado. Apesar de eu mesma já ter tido várias experiências más em ambos os sistemas (público e privado). O importante a reter é que o hospital privado em questão seja daqueles mt bem equipados e preparados para tudo e também a confiança que se tem no médico. E sim, neste caso, quanto mais depressa for a cirurgia, melhor. (A minha mãe também teve cancro no útero e antes dos 30 anos). Com a cirurgia tudo vai melhorar! Um grande beijinho

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  2. O melhor local para tratar cancro é no IPO, têm experiência, recursos e equipamentos em que os hospitais privados não investem porque não dá lucro. Hospitais particulares são bons para consultas, tratamentos básicos a coisas pouco graves e pouco mais.

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    1. Concordo; IPO ou outros hospital público (conhecimento de causa); e em Portugal não há experiência em tratar este e outro tipo de patologias graves no privado. O nosso sistema e a nossa situação são bem diferentes da brasileira.

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    2. Anne, não tema o SNS. Pode ser fraco em certas valências (tratamentos mais básicos e mais "supérfulos", não urgentes entenda-se), mas no tratamento de doenças malignas, ele (e por conseguinte o IPO) é o melhor. Há profissionais experientes que providenciam o melhor tratamento possível.

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    3. Espero que não se arrependam dessa decisão e que tudo corra bem, mas concordo que é uma má escolha...

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    4. Sim, mesmo a questão de ter um filho no público, que já foi aqui n vezes debatido... Respeito a opinião da Anne, mas ela anda muito equivocada quanto à realidade do sistema nacional de saúde. Se houver alguma complicação durante um parto no privado, a mãe é de imediato enviada para um hospital público porque o privado não tem todos os meios disponíveis. E toda a gente que sabe que não há melhor do que o IPO para tratamento de cancro.

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    5. Não estou a dizer que o SNS é mau para tratar o cancro (até porque é para o IPO que a minha mãe vai depois da cirurgia - e apesar de achar o 'ambiente' muito deprimente, com vários casos terminais e assim, é uma experiência pela qual vamos ter que passar, paciência). A questão é que neste momento a minha mãe está bastante assustada, apesar de fazer-se de forte e aprendeu a confiar cegamente no Dr. Francisco Godinho, que só opera no Hospital da Luz. E eu sei que ela estará 100% segura nas mãos dele, daí que faça de tudo para que ela opere com o médico que quer, no hospital que quer. É só uma questão de preservá-la e evitar que passe por um susto.

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    6. "jamais teria coragem de ter um filho num hospital público (por várias razões)"

      Uma pessoa diz isto e depois queixa-se do que possa acontecer com seguros, tempos de espera, etc. É mais do que expectável. Se acontecer alguma coisa mais grave com a sua mãe (espero que não), ou se os tratamentos se prolongarem e o seguro inventar mais uma qualquer desculpa para não comparticipar e vocês já não tenham dinheiro para isso, sabe onde vai parar? Ao público, pois claro. Que é, aliás, onde TODOS os médicos de Portugal fazem a sua formação e que é o local melhor dotado para responder a um problema de saúde. Não é uma questão de opiniões ou de gostos, é a verdade.

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    7. O que as pessoas não sabem (ou ainda não se aperceberam) é que as seguradoras podem recusar-se a segurar alguém/algo. És vista como um negócio e se estiveres a dar mais despesa do que lucro eles fogem logo.
      E além de tudo o que já foi relatado acima ainda corres o risco de seres mal tratada no público se te transferirem do privado. Já vi montes de casos desses a acontecer e depois não vale a pena reclamar.

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  3. Fiquei incredula com a situação! Realmente so se querem aproveitar....espero que tudo se resolva!
    Em relação a quereres ter filhos num hosp privado, compreendo pelo conforto que dá, mas pelo medo não...quem tem o azar de algo correr mal, ė transferido para o publico, agora pensa porque será....

    Beijinhos e tudo de bom para a tua mãe!

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    1. Pois, as seguradoras infelizmente lucram com a desgraçada dos outros, é um segmento como outro qualquer mas a mim faz-me espécie que ajam desta forma desleal, a inventarem situações que nunca existiram.

      A minha questão de ter filhos no privado nem passa tanto pelo conforto (que aquilo é mais hotel que hospital, enfim) mas sim porque permitem que o pai assista ao parto (e o meu marido faz questão de assistir, nada a fazer) e também porque queremos uma cesariana electiva e no público, tanto quanto sei (e sei ainda pouco sobre o assunto), não o fazem, apenas se for mesmo necessário. Assumo que morro de medo do parto e acho que numa cesariana as coisas acontecem de forma mais controlada que num parto normal. Mas talvez com o tempo e as opiniões de médicos (que eu vou ser uma grávida chata que vai andar a cuscar tudo), eu mude de idéias, não sei. Sei que no momento é essa a minha idéia: uma cesariana no privado, com o meu marido a assistir. :)

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    2. O meu marido assistiu ao parto normal, no público (Hospital Novo de Cascais) e que, sim, parece um hotel, com quartos privados para mãe e bebé.

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    3. Também estive no Hospital Novo de Cascais com o meu marido a assistir ao parto...e foi excelente.
      Trataram-me super bem e tive um quarto só para mim.

      O problema é fazer cenários cor de rosa da coisa e sai sempre tudo ao contrário.

      Cláudia

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    4. No publico o pai pode assistir ao parto, e isso das complicaçoes é uma ilusão, num parto por cesareana há muitas complicações associadas à própria cirurgia, como infeções,trombos ou embolias, hemorragias, complicações com anestesia, etc. Na cesariana, a taxa de mortalidade neonatal é entre 2,5 a 3 vezes superior à do parto natural, e a materna é cerca de 5x (os valores variam conforme os estudos, mas todos os que li são unânimes que o parto natural tem menos complicações).

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    5. Possas, um pouco estranho o pai querer ver os médicos a cortarem-lhe a barriga e a tirarem de lá um bebé, enquanto q a mulher está quase a dormir, não?
      Claro, é a minha opinião... mas isso não é um parto, é uma operação. Retira grande parte da "intensidade" (nem sei bem o q chamar, foi o q veio agora á cabeça xD) que é o nascimento de uma criança.

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    6. Lamento informar mas no caso de uma cesariana, que é ao fim ao cabo uma cirurgia, não existem hospitais sejam públicos ou privados que permitam ao pai assistir. Só conheço um caso onde tenha acontecido, mas já se passou há 30 anos, no hospital privado, deixarem o pai ficar na sala a um canto, sem visibilidade de maior e apenas porque na mesma semana tinha existido um caso de troca de bebes. Posso afirmar que conheço um caso de um pai que queria assistir no privado e com cunha e não conseguiu a proeza. Logo essa questão deixa de ser prioritária aquando da escolha de público vs privado no caso de parto!

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  4. No SNS é grátis. Para problemas graves de saúde não confio em privados. A minha mãe foi operada no privado e uma histerectomia que ia ser muito simples e rápida demorou 4 horas. A minha mãe esteve quase a morrer com uma hemorragia e tiveram que ir buscar sangue ao hospital público da zona pq já não tinham mais. Os médicos que operaram a minha mãe btu trabalham no público. O que correu mal com ela poderia também ter ocorrido da mesma forma ou até pior. A diferença é que um hospital público está preparado para que as coisas correm mal. Acho exactamente a mesma coisa em relação a partos. A hotelaria nos públicos é pior mas se alguma coisa correr menos bem estão preparados.
    Boa sorte para tudo e lembre-se que o SNS português (ainda) é
    bem melhor que o brasileiro. Tudo de bom! Bj

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    1. Sim, é grátis mas no momento só conseguem vaga para Janeiro, no S. Francisco Xavier. E nós não podemos (nem queremos) esperar mais, por prevenção. Quanto ao sistema de saúde português ser melhor que o brasileiro, é que nem há comparação. A saúde pública no Brasil é uma calamidade, uma coisa assim absurda. Cá em Portugal, antes desta malfadada crise, lembro-me de termos um SNS impecável, que assistia a todos, que marcava consultas de especialidade para dali a poucos dias, mas agora... anda a deteriorar-se pouco a pouco, sem dinheiro para medicamentos, para isto ou para aquilo. Uma triste realidade mas ainda assim, mil vezes melhor que a realidade do Brasil =/

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    2. Duvido que só consigam arranjar uma vaga para Janeiro. Se for um tumor tão agressivo como parece ser (dado que cresceu muito em pouco tempo), no IPO operam numa ou duas semanas. O S. Francisco não é propriamente o melhor local em termos oncológicos, se calhar a vaga para Janeiro seria se não fosse maligo ou assim.
      Se é algo tão agressivo realmente cada dia faz diferença. Até porque correm o risco de operar e verem que aginal não dá para fazer nada por ter avançado muito...
      Indepentemente do resto das coisas, o ÎPO seria sempre a minha primeira escolha... Porque nem sempre operar é a melhor opção, e mesmo quando é, muitas vezes são cirurgias MTO complexas pela distorção da anatomia. E por vezes afinal é preciso mexer nos intestinos e no IPO em 5 min está um especialista dessa área dentro da sala... Enfim, a escolha é vossa, mas pensem bem,,,,!

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  5. Privados são assim: põem em primeiro lugar o lucro, e só depois o interesse das pessoas. Só alguém muito ingénuo pode achar que um seguro é mesmo uma coisa que está lá para assistir o cidadão no momento de necessidade, os seguros querem ganhar dinheiro, e os sistemas de saúde privados lucram com a doença das pessoas o que é um negócio muito maquiavélico mas é assim mesmo que funciona. E se pagas um balúrdio por um seguro de saúde só porque queres ser mãe, talvez fosse melhor passares ao seguro mais básico que tinhas antes. Se vieres a ter filhos, e se algo correr mal (o Diabo seja cego surdo e mudo que isso não aconteça), vais desejar tê-los tido num hospital público onde terás acesso a todos os cuidados necessários e mais alguns, por um valor irrisório face ao que pagarias no privado. Felizmente Portugal é campeão nos cuidados neonatais, e não é às custas dos privados que esse mérito foi ganho.

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  6. Espero que tudo se resolva e que a tua mãe melhore depressa. Vai ficar tudo bem, vais ver! :)

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  7. Sabes Anne, por mais más experiências que possas ter tido no público posso te garantir que partos e cirurgias é o melhor lugar. Acredita que sei do que falo. Respeito quem queira ter filhos no privado mas sim se algo corre mal é no público que nos salvam. Em 2013 estive 11 dias com a pequena no São João, incrivelmente as condições eram péssimas mas sabes, nem questionei muda - la de lá. Foi melhor tratada que em qualquer hospital privado. E já agora ela nasceu prematura e agradeço de coração ao nosso SNS por existir.
    Sistema privado é mesmo para consultas e exames, e sim também tenho seguro de saúde. Esse que igualmente numa situação de cirurgia se pôs de lado alegando exactamente o mesmo.
    Não percam tempo pois seguros esses vão enrolar até não poderem mais.

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  8. Espero que tudo se resolva rapidamente Anne!
    É vergonhoso esta situação...realmente ninguém está "seguro" nem com nem sem seguro de saúde... ;(
    Força e um grande beijinho*

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  9. Infelizmente as companhias de seguro só se lembram de receber os pagamentos mensais, pois quando é preciso fazer aquilo para que são pagas, tentam sempre fugir ás obrigações.
    Maria.
    P.s - as melhoras para a Mãe

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  10. O que as seguradoras inventam...enfim. Mas ainda bem que tinham o exame, assim têm como provar que a razão está do vosso lado!

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  11. Anne, eu posso por experiência própria pois eu tive 2 partos aqui em Portugal um no privado e outrono publico e tambem tive um cancro, e tambem trabalho para uma empresa que dá assistência a praticamente todos os hospitais do país. Quanto aos partos, o privado tem um excelente atendimento ao nível da Hotelaria, no entanto se necessitares de de algo mais complexo terás que ser transferida para um público, no público ( H. Santa Maria) onte tive o meu segundo filho ao nível de hotelaria´um verdadeiro horror, mas são só uns dias e depois tens o conforto em casa, pois se eu tivesse ido ao privado eu tinha morrido de certeza, pois quando abriram minha barriga eu tinha uma aderência da bexiga e tiveram que chamar de urgência montes de médicos especialistas e tive uma hemorragia, portanto uma gravides tranquila não significa que terás um parto simples, tudo pode acontecer e eu preferi ainda bem, abdicar de um bom serviço de hotelaria para ter uma equipa de excelencia como s melhores recursos me atendendo. Quanto à cirurgia do candro, eu fui operada no Curry Cabral, e foram ESPETACULARES, tanto ao nível de hotelaria, quanto à equipa técnica quanto ao cuidado com o doente, e depois fui terminar os tratamentos no IPO.

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  12. Saude no Brasil...olha depende do Estado. No Rio de Janeiro tudo e uma calamidade, ,mas em outros estados a situacao e muito melhor, principalmente no Sul do Brasil. Enfim, espero que a resposta do seguro da sua mae saia logo e que tudo corra bem. Muita forca para voce e sua familia. Um milhao de good vibes para voces.

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  13. "e apesar de achar o 'ambiente' muito deprimente, com vários casos terminais e assim, é uma experiência pela qual vamos ter que passar, paciência". Esta é a fase mais deprimente que já li sobre o IPO. Acorda para a vida miuda as pessoas que são tratadas no IPO não são menos que a tua mãe. Estão a sofrer tanto quanto ela e como é óbvio acreditam salvar-se. Quero ver se vais dizer o mesmo se for ela, a tua mãe,um caso terminal. A propósito como estudante de medicina asseguro-te que um cancro não aparece do dia para a noite. Nem num espaço de meses. Lá porque não foi detectado na ecografia não quer dizer que não estivesse lá. Tens noção de quanto tempo é necessário para um tumor crescer e se tornar inoperável? Espero que corra tudo bem mas há que ter humildade. E pés no chão, minha filha. Um seguro de saúde não vai salvar a tua mãe se o cancro dela for agressivo, como parece pela evolução rápida que descreveste. Muito pelo contrário. Sabes que os tratamentos de quimioterapia são carissimos e eles farão tudo para se livrar deles. Boa sorte e apoia mas é a tua mãe.

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    1. Mas onde é que leu que a minha mãe é mais que os outros? Onde me viu ter pouca humildade a falar dos doentes terminais? Sou realista, apenas. Sei que é uma doença onde, infelizmente, muitas pessoas são diagnosticadas como sendo 'doentes oncológicos terminais' e que nada mais resta que não os cuidados paliativos. E é esse tipo de 'ambiente' agressivo que eu gostava de evitar levar a minha mãe. Não porque ela seja mais que os outros, mas porque a quero poupar de ver essa realidade e dela pensar: "será que este também vai ser o meu fim?".

      A minha mãe já levou com uma porrada muito grande ao descobrir esta doença, recém casada, a fazer planos de adoptar uma criança... e de repente isto. O IPO é um sítio fantástico para curar o cancro, é verdade. Mas não deixa de ser deprimente ver crianças, por exemplo, diagnosticadas com essa doença. Já lá estive e é assustador para quem conhece essa realidade pela 1ª vez.

      Agora já consigo encarar de outra forma, mas antes não. Sei que a minha mãe é forte e que não vai se deixar abater por pisar no IPO mas vou tentar poupá-la dessa realidade o máximo que conseguir. Lamento se isso faz de mim uma pessoa 'pouco humilde' aos teus olhos.
      Obrigada.

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    2. Olá Anne.
      Ler este teu comentário-resposta, fez-me pensar.
      O que preferes: colocar a tua mãe num sitio BOM para tratar os doentes, ou colocá-la num sitio não tão bom só para evitar q ela veja algo q já sabe q existe apenas para não a deprimir? E isto assumindo que não se sabe o dia de amanhã.

      Compreendo o teu lado... mas estarás a dar prioridade áquilo q é realmente importante?

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  14. Anónimo das 13:14 como estudante de medicina também é bom que acorde para a realidade. A realidade é que o sofrimento de uns não é maior que o de outros, mas também as dificuldades de uns são as de outros - o cancro não escolhe classe social, ricos ou pobres, com ou sem seguro.
    Vai ser o que tiver de ser, mas a humanidade com que tratamos os outros, ricos ou pobres, doentes ou não, é algo que se aprende nos livros.
    Da mesma forma que não devemos encarar a doença com leveza, ou esperar por tratamento especial, também não devemos de ânimo leve dizer a uma filha preocupada com a mãe que um cancro parece "agressivo" quando pouco ou nada sabe..são palavras duras para quem "acha" que tem muitas certezas.
    Para ser sincera acho gratuita a forma como falou, de uma insensibilidade tão grande como a de dizer que a operação custa 12 mil euros. A diferença é que a Anne está a sofrer com isto e obviamente a pensar apenas na mãe dela e não na quantidade de pessoas que não possuem nem seguro, nem meios para poderem ser operadas.

    Nota: eu também acredito no SNS e o IPO, apesar dos esforços de quem lá trabalha, não deixará nunca de ser deprimente, porque nos confronta com os nossos maiores medos.

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    1. "não deixará nunca de ser deprimente, porque nos confronta com os nossos maiores medos."

      Um aparte apenas:
      Não será isso uma maneira de tapar o sol com a peneira? Escolhendo-se assim o mais fácil em vez do melhor?

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    2. Eu quis dizer que o IPO dificilmente será um local alegre e cheio de esperança, mas é um local de respeito, com profissionais que se empenham e famílias que se unem em torno do mais importante...e nesse ponto é inglório talvez para quem lá trabalhe ver que é difícil tornar aquele local mais positivo, mas tentam. Nesse tentar está um mundo.

      Para quem já passou por problemas de saúde faz toda a diferença termos ali um apoio, uma palavra amiga, alguém sensível, que em pouco tempo que possa disponibilizar mostre compaixão. Isto nada tem a ver com iludir as pessoas ou ser demasiado positivo e optimista.

      Nós se lá colocamos os pés temos medo. Ou por nós, ou pelos que amamos, ou até por aquele estranho que vemos estar a sofrer. O medo humaniza-nos e não há que o desvalorizar e confundir com pessimismo, depressão...mas obviamente sente-se.
      Faz parte do processo.

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  15. Percebo perfeitamente que a sua mãe esteja a confiar no médico que a consultou e que tenha relutância em mudar. Mas pode ter a certeza que o seguro não vai pagar nada. Se não se conseguir livrar da sua mãe pela razão que expuseram vão arranjar outra desculpa. Se fosse minha mãe tentava contactar outros médicos e tentava arranjar uma vaga num hospital público. A chamada CUNHA. O meu marido foi operado 1 semana depois do diagnóstico e nem era uma cunha assim tão grande. É só preciso que tenha alguém que se interesse por ela. Não é aceitável esperar 3 meses para operar um cancro. Vai correr tudo bem. O cancro não é um bicho papão e vocês são fortes. Bjs para todos.

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  16. Espero que a estudante de medicina que escreveu o comentário em cima escolha uma especialidade que não implique lidar com pessoas... Investigação, medicina legal, patologia... É que se denota já uma sensibilidade extrema para as relações humanas....

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  17. Anne, faz amanha precisamente um ano que gravida de 26 semanas de gémeos tivevque ur de urgência de madrugada para um hospital muito conhecido ali para os lados do parque das nações.
    Foi o escolhido pela localização perto de minha casa, pela fama e óbvio por ter seguro.
    Os meus bebés estiveram em perigo de nascer e por burocracias, porque os seguros só fazem pré-inscrições a partir das 32 semanas, estabilizaram-me, chamaram uma ambulância e correram comigo para a MAC às 5 da manhã.
    Chorei baba e ranho de medo, mas para espanto meu conheci os melhores especialistas do país.
    É certo que estava numa pensão de 2 estrelas, mas no fundo isso n interessa nada, queremos os melhores cuidados e os melhores médicos e isso não há duvida que eles trabalham nos hospitais públicos.

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  18. Um familiar meu faleceu há bem pouco tempo e tiveram o problema semelhante com o teu em relação ao seguro de saúde relacionado com o crédito à habitação. Alegavam que a doença já existia antes do seguro e por isso não considerariam a dívida (do crédito à habitação) saldada. Assim, a viúva, com duas filhas para sustentar e o ordenado mínimo apenas, passou o seu primeiro ano de LUTO em LUTAS burocráticas até que lhes concedessem o perdão da dívida e aceitassem todas as provas e factos mais do que evidentes quanto à doença não ser preexistente! Esses gajos tentam sempre fugir com o rabo à seringa, não te iludas, hão-de sempre tentar a sorte de não ter de perdoar nem assumir nada. Tens de atacar com todas as provas e factos que conseguires e ser persistente. A razão está do teu lado. Força e boa sorte.
    Maria

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  19. Sem palavras... É muito triste que a saúde seja vista como um negócio. Choca-me que eles vejam apenas números, mas infelizmente já sabemos que é assim.

    Força para a mãe e que tudo corra pelo melhor!

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  20. Cara Anne,
    Antes de mais lamento toda a situação que a sua mãe está a passar e faço votos para que tudo corra pelo melhor. Infelizmente os seguros veem as pessoas como números e não olham a meios para não ter de distender gastos em casos que se afiguram mais graves e cujo tratamento acarretará mais custos. Mas com toda a sinceridade, acho que nesta situação, mais do que nunca deveria repensar o preconceito que muitas vezes expõe em relação ao SNS. Eu trabalho num hospital privado, pertencente a um grupo privado que tem negócios na área da saúde e acredite, os hospitais privados não veem os doentes oncológicos com diferentes olhos que os seguros. São números, fontes de facturação... A sua mãe estaria muito melhor entregue aos especialistas do IPO que tem muita experiências e os melhores meios de tratamento, intervenção e diagnóstico deste tipo de patologias. Se o médico da sua mãe é assim um cirurgião tão espectacular, acredite, seria chefe de serviço de um serviço de cirurgia público e teria prática no público. Outro preconceito que mostra, penso que fruto da sua experiência no Brasil, é o de que no privado os partos correm às mil maravilhas e no público é um suplício. Está absolutamente enganada. Se alguma coisa não correr como previsto é para uma maternidade pública que a enviam tal como ao seu bebé, dado que os hospitais privados não dispõem dos meios das unidades neo-natais do público. Desculpe o meu discurso mas trata-se de um alerta e de um desabafo de certa forma. Acredite de quiser mas está muito enganada em relação ao SNS vs Unidades hospitalares privadas. Nestas questões há que pôr de lado o luxo e o comodismo e deixar prevalecer o mais importante que são os cuidados de saúde, ponto.

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    1. Também trabalho num hospital e subscrevo cada palavra.
      Quanto ao parto, acho que a Anne quer a toda a força uma cesariana. As cesarianas têm mais complicações e se não me engano a generalidade dos hospitais públicos têm epidural.
      Anne, pense que a vida da sua mãe e dos seus (futuros) filhos são mais importantes do que encher os bolsos a espiritos santos e afins.
      E por experiência própria, no caso da sua mãe, acho que contactar com a realidade triste mas cheia de esperança do IPO pode-lhe dar muita força

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  21. desde já,deixe -me dizer que estou completamente solidária com a sua situação não estivesse eu a passar o mesmo.Fui diagnosticada com 28 anos,um adenocarcinoma no intestino com múltiplas metástases no fígado e por múltiplas eram incontáveis e entre os 3 e os 8 cm,sim,centímetros.Como já deve saber,o mundo desabou,todos os planos foram adiados e nada voltou a ser como dantes.Caímos,literalmente,das nuvens em que vivíamos.Mas o que quero realmente dizer-lhe,por experiência própria,é que está totalmente enganada em relação ao SNS.Totalmente!!!Faz uma ideia completamente irrealista do que pode alcançar se optar pelo tratamento público.Compreendo totalmente que queira providenciar o melhor à sua mãe e poupá-la de certas realidades mas se ainda nem começou a verdadeira luta e já tem uma série de entraves,pondere outros recursos.E no meu caso,a melhor coisa que me aconteceu na vida foi ter conhecido o meu oncologista,médico no Santa Maria,que aliado ao IPO,garante o melhor tratamento possível.Ele,o meu médico,é o meu anjo na terra.Porque,sem dramas e muito objectivamente,me disse que eu estava muito doente mas que iria fazer tudo o que estivesse ao alcance dele para salvar a minha vida.E tem cumprido com tudo o que disse.Aliado à grande equipa que me operou 2 vezes no Curry Cabral,e com 4 anos de quimioterapia,sei que não podia estar em melhores mãos.As críticas que lhe têm feito são talvez pela sua descrença no setor público,totalmente infundada,e pela sua excessiva e irrealista confiança no setor privado,donde tenho ouvido as maiores barbaridades no que toca a doenças mais graves.Na minha opinião,que vale o que vale,tente contactar um destes dois hospitais,o IPO ou o Santa Maria,que lhe poderão dar uma resposta muito mais eficaz e certamente encaminharão o caso da sua mãe com muito mais humanidade e interesse que talvez não terá no hospital privado.É falso que só se trata quem tem mais dinheiro,não que você o tenha dito,porque nunca gastei um cêntimo e tenho tido todos os recursos ao meu dispor.Desejo que corra tudo bem,que tenham muita força e fé em Deus,e subscrevo o que já foi aqui dito:o cancro não é uma sentença de morte,é um contratempo,um obstáculo que a vida nos dá para nos fortalecer e testar a nossa força.Rodeie-se de gente positiva e que as amparem nestes tempos,que vão ser muito duros,e tudo correrá bem.;)

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