20 dezembro 2014

Manter o jogo de cintura...

... e não deixar a 'peteca' cair, é o meu lema destes dias. Há dias em que só quero estar sossegada no meu canto, sem grandes conversas, só eu ali a pensar. O M. tem sido o meu maior pilar nesta altura, meu companheiro, aquele que me percebe sem eu precisar abrir a boca. Às vezes chego a casa cansada e sem paciência e tenho a certeza que ele é um homem especial: está à minha espera com a mesa posta, o jantar feito, a minha sobremesa preferida no frigorífico . São pequenas coisas, mas que me transmitem um novo ânimo. Ele, mais do que ninguém, sabe o quanto eu preciso demonstrar força neste momento.

Pelos meus irmãos mais novos, pela minha avó que está de férias cá e foi apanhada no olho do furação. O meu irmão está de tal forma 'mexido' com a doença da mãe que precisou afastar-se desse ambiente de hospitais, IPO e cirurgias, e está fora do país, só chega pra semana. O Pê sempre foi assim, sempre sofreu sozinho, em silêncio, sem ninguém para o consolar, desde pequeno que ele 'se isola' para lamber as feridas. A Vi não sabe da missa a metade, que ela é demasiado pequena para tanto. Só sabe que a mãe tem umas 'coisinhas na barriga' e que está a fazer tratamento. Não quero ter que lhe dizer a palavra 'cancro'. É demasiado pesado para uma miúdinha da idade dela.

A minha avó, surpreendentemente, foi aquela que reagiu melhor. Assim que soube da notícia, suspirou: "Graças a Deus que eu estou cá com vocês, se estivesse no Rio acho que tinha caído para o lado". Pensei em poupá-la dos detalhes mas esta velha de 81 anos parece que sabe de tudo o que se passa, tem um radar especial. Talvez por a minha avó ter tido tantos problemas de saúde (um derrame, dois AVCs, um cateterismo e uma cirurgia ao coração para pôr bypass e fazer ponte de safena) e ter saído 'quase' ilesa de todos eles, ela tem a certeza (a mesma que eu tenho) de que estamos no caminho certo para a cura e que mamãe vai ultrapassar essa fase.

Para mim tem sido difícil porque tanto eu como os meus irmãos, principalmente o Pê, sempre  vimos a minha mãe como uma rocha inabalável, uma mulher que nunca se curvou a nada nem a ninguém, que nos criou sozinha, sem apoio do nosso pai, que chegou a ter três empregos para nos conseguir pôr nos melhores colégios, uma mulher que sempre se pôs à margem para que nós vencêssemos, que sempre pensou: 'primeiro eles, depois eu', uma mãe maravilhosa... Sempre a vimos como uma guerreira e por isso, temos a certeza que esta batalha (que, afinal, é só mais uma) já está vencida.
(mas não posso dizer que está a ser fácil, não senhora).

[e para dissipar um bocadinho a névoa escura em que acordei hoje, vamos todos para o Colombo passar a tarde a passear e fazer compras, que é disto que esta família precisa. Vá, talvez não seja bem isso que precisamos mas para já, é um bom começo. Até a minha avó, que odeia centros comerciais, alinhou no passeio. Isto hoje promete!]

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6 comentários

  1. Que Deus vos proteja! Bom natal.

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  2. vai tudo correr bem! Boas festas!

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  3. vai tudo correr bem! Boas festas!

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  4. Um grande beijinho e imensa força para todos. Estou deste lado a rezar para que corra tudo bem. Tens sido uma guerreira e é linda a maneira como sabes apreciar o homem que tens ao teu lado. Vais ser muito feliz, Anne. Inês Barros

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