31 janeiro 2015

O maior amor do mundo:

 [fotos da sessão fotográfica em família que fizemos na semana passada]

Não são raras as vezes em que ouço alguém perguntar à minha avó: "Nossa, você vai fazer 82 anos e tem essa pele tão boa, tão esticadinha para a idade... qual é o segredo?".

E a minha avó responde sempre que não há segredo nenhum, que o grande 'mistério' (que vai-se a ver e não é mistério nenhum) é ser feliz, estar rodeada de pessoas que a amam, que a tratam com todo o respeito e dignidade que ela merece, é dar muita risada (até mesmo dos problemas), é nunca faltar a uma consulta de rotina, é ter cuidado com aquilo que come. Nada de especial, portanto.

A minha avó não descuida da alimentação, não bebe nada com gás e não come fritos. Anda sempre perfumada, de unhas pintadas, cabelo escovado (e sem um único fiapo branco à vista), está sempre com as suas pulseiras, anéis e brincos mesmo que vá só ali ao talho da esquina. É uma vaidosona e a a grande matriarca desta família. Sempre que há chatices entre algum de nós, ela é sempre a pacificadora, é ela quem fala e nós, filhos e netos, baixamos a cabeça e ouvimos.

A minha avó tem três filhos, sete netos e duas bisnetas (o terceiro vem à caminho e nasce em Setembro) e nesta família não há ninguém que fale mais alto que ela. O que ela diz é lei, ninguém discute, ninguém argumenta. "Se a avó disse, está dito". E é assim que deve ser. Por detrás das decisões dela, há toda uma vivência, uma história de vida, um conhecimento que nós não temos e há que saber ouvir quem sabe mais que nós.

Já estou em negação desde ontem, quando imprimi os bilhetes da TAP  para o regresso dela ao Rio, daqui há duas semanas. A verdade é que ela veio em Agosto para ficar três meses e assistir ao meu casamento. Convenci-a a prolongar a estadia e ficar mais três meses. Agora é deixá-la ir, com a certeza de que em Julho (se Deus quiser) estarei a desembarcar no Rio para estarmos novamente juntinhas por mais uns dias. E depois em Dezembro ela volta para cá. E depois vou eu novamente. E haja dinheirinho para viagens intercontinentais mas assim é o nosso amor, cheio de encontros e desencontros mas sempre forte, inabalável e para sempre...

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30 janeiro 2015

Adesivos de parede no ebay

Quem é mordida pelo bichinho da decoração sabe que, por muitas voltas que demos, parece que sempre falta 'qualquer coisinha' para a nossa casar ficar realmente 'txarãn'. Eu que o diga! Nunca estou satisfeita e mal compro um móvel/acessório, imediatamente penso em mil outros objectos que poderia comprar para condizer com isto ou aquilo.

Uma das coisas que mais gosto em termos de decor, são os autocolantes de parede. Acho que fazem toda a diferença num ambiente 'sem vida' e dá destaque, para além de ser super fácil de pôr e tirar, via de regra são baratos e deixam a divisão com a nossa cara. Cá em Portugal costumava encontrar alguns giríssimos nos chineses da minha zona mas de uns anos para cá, não sei o que se passou, que só encontro pinderiquices e coisas que não lembram a ninguém. Então fiz uma pesquisa rápida no ebay só assim naquela de ver as novidades e apaixonei-me por 5368 autocolantes fantásticos! Tive que ser racional e ponderada (ahahaha) e comprei 'só' alguns (doze, na verdade). Não deu para resistir e a maioria custou 1,99 libras ou coisa que o valha. Imperdível mesmo:

Bon Appetit: vai direitinho para a coluna que temos ao lado da mesa de jantar.
P.S: I love you: pretendo pôr cima da nossa cómoda, no quarto.
Give Thanks: para cima da lareira, achei fantástico!
Family is forever: provavelmente no corredor, não sei. Mas sei que pre-ci-sa-va comprar, é uma frase que me diz tanto...

Flores e filigranas: Vamos pôr a nossa televisão da sala presa à parede com um suporte (adoro televisões suspensas, nada a fazer) e como a parede por detrás é branca, achei que essas flores a saírem por trás da tv serão o máximo!
Serenity: Ainda não decidi se será no corredor ou num móvel que tenho na varanda. Logo se vê.
In this house...: Adoro, adoro de paixão! Vai ficar numa parede de destaque, no hall de entrada. Andava há que tempos atrás disto! (foi o mais caro de todos, custou à volta dos 6€).
Think Big: Direitinho para o escritório!

Pratos e acessórios: Para decorar a parede da cozinha onde encostamos a mesa. A nossa cozinha é toda branquinha, acho que este adesivo vai dar um destaque fantástico!
Infinity love: Para cima da cabeceira da nossa cama, é lóóógico!
Hello: Em frente à porta da entrada da casa.
Pássaros e galhos: Este comprei para pôr na sala da minha mãe, ela andava há uns tempos a querer adesivos de passarinhos :)

Tudo lindo e baratinho, como se quer. A previsão de entrega é entre 21/Fev a 3/Março (secaaa, odeio esperar) mas pronto, tem que ser e não se pensa mais no assunto. Assim que chegarem mostro-vos para conhecerem a qualidade e saberem se vale a pena comprar também, caso pretendam. Eu sou viciada nesses adesivos, confesso. Adoro-os!


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29 janeiro 2015

Ai a minha vida!

Acho que posso contar nos dedos de uma mão os dias em que não sou brindada com um comentário carregadinho de insultos. Não, não é uma pessoa a discordar do post ou do meu ponto de vista. É só uma pessoa com demasiado tempo livre em mãos e que, sabe-se Deus porquê, é masoquista e gosta de sofrer por que post sim, post também, cá está a criatura a despejar as suas frustrações. Tooodo o santo dia. É que não falha um!

Normalmente limito-me a carregar no botão 'delete' que se há coisa que me dá prazer é pensar que alguém perdeu tempo da sua vida a escrever coisas verdadeiramente ridículas e, coitado deste comentário, ficará para sempre no mar do esquecimento. Tumbas, foi pro lixo. Adeus! Sinto-me assim uma espécie de Kim Jong-un dos blogues, uma grande ditadora que comanda este estaminé com mão de ferro. No fundo, diverte-me. Mostro ao marido e ele se ri. Rio-me eu. Só não ri a querida anónima já que, infelizmente, pessoas assim não sabem mesmo rir de nada.

Na minha concepção, um blog é um sítio para trocarmos informação, ideias, opiniões... Daí que para mim não faça sentido fechar a caixa de comentários (como sugeriu o meu marido) porque adoro ler o que vocês têm a dizer e estou aberta à opiniões contrárias e críticas, desde que com alguma educação. Mas topo à distância os comentários que pura e simplesmente não têm nada a acrescentar, são apenas pessoas maldosas, mesquinhas, frustradas e infelizes. E esse tipo de comentário merece apenas um destino certo: o botão delete. bye bye!

[uma coisa que me diverte particularmente é perceber que a maior parte destes comentários (senão todos) vem sempre de uma mesma pessoa. Sempre. É que chega ao ridículo de comentar três ou quatro posts seguidos, com intervalos de 1 ou 2 minutos, seeempre a criticar e a alfinetar. O vocabulário é o mesmo, as expressões que usa são iguais...e a localização vem sempre da mesma cidade no Norte. Eu bem sei que tenho parentes lá para cima mas caraças, será algum ex-amor perdido? Algum fã esquecido? Não sei, mas gostava de descobrir.]
 
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25 janeiro 2015

Programa de sábado à noite:

Marido a assistir o 'Hotel Hell' na sala.
Eu do lado, portátil ao colo, fazendo algo que não fazia há muito: pesquisar quinquilharias no ebay. Adorooo! As coisas interessantes vão para a minha 'watch list', que eu nunca compro nada à primeira e amanhã, se a compra ainda fizer sentido... vamos embora!

Para já, posso dizer-vos que quero duas ou três coisinhas destas (ou estas):

São horrorosas (é que não há cor que se salve) mas quem quer saber de beleza quando acordamos de madrugada para fazer xixi e espetamos o rabo numa sanita gelada como a morte? E no meu caso, que fui abençoada com um traseiro de fazer inveja (ou não) a qualquer africana, a coisa fica ainda pior. Toda noite arrepio-me quando me sento na sanita e penso sempre: "um dia perco amor ao dinheiro e compro uma merda dum assento aquecido". Enquanto esse dia não chega... acho que me vou render a estas capas foleiras mas deliciosamente quentinhas.

Quem alinha?

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20 janeiro 2015

New in | cabelos - Beauty in blue

Na semana passada fui ao Pingo Doce (eu não sei vocês mas não há semana que passe sem que eu vá espreitar o 'folheto da semana' e não fique com vontade de comprar uma porcaria qualquer com 50% de desconto...) e entre as compras habituais, passei pelo corredor das promoções e vi que toda a gama Gliss da Schwarzkopf estava com 50% de desconto.

Apesar de não ter o hábito de comprar produtos de cabelo no supermercado (porque sempre acho-os tão baratos que duvido que façam alguma coisa no meu cabelo 'complicadinho' e opto sempre por usar marcas profissionais), fiquei encantada com a embalagem da linha Million Gloss, com um packaging azul turquesa com brilhinhos encantadores e a promessa de deixar o cabelo cheio de luminosidade (coisa que eu mais aprecio num cabelo), por isso, não resisti e trouxe o shampoo e o condicionador (infelizmente não havia o restante da linha: óleo e máscara - normalmente, os meus produtos preferidos). Agora que penso nisto, percebo que sou mesmo gaja e um potencial alvo para as campanhas de marketing: comprei um produto basicamente pela embalagem fofinha, ai ai ai...


Ontem experimentei o shampoo e o condicionador pela primeira vez e posso dizer que poucas vezes um produto 'baratinho' me deixou tão impressionada! Adorei a textura do shampoo mas o factor diferencial foi um só: o cheiro. Meu Deus, o cheiro é muito, muito parecido ao perfume 'Pomegranate Noir' da Jo Malone! Assim que comecei a massajar o cabelo e o cheiro surgiu, pensei: "ai, que coisa, cheira igualzinho ao meu perfume, que comparação ridícula, é claro que não pode ser o mesmo cheiro, nem sequer têm os mesmos extratos...".

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17 janeiro 2015

Pequenos dilemas da vida doméstica #4

Quando viemos conhecer o nosso apartamento, é verdade que soube logo que era este, tinha basicamente tudo aquilo que queríamos: dois quartos e um escritório, duas casas de banho (indispensável), uma cozinha grande, arrecadação gigante para destralhar a casa toda, lareira na sala e da janela da sala posso ver a praia de Oeiras, portanto, a proximidade da praia também era uma mais valia. Amamos a casa e, sendo alugada, perguntamos logo se o proprietário tinha intenções de vender. Que sim, tinha interesse na venda, que era um investidor e comprava imóveis para remodelar e depois vender. Óptimo.

O apartamento está todo remodelado mas há ali duas ou três coisas que me chatearam desde o início. Como o nosso senhorio é uma pessoa impecável e que possui vários imóveis (logo, não 'precisa' da renda para pagar as contas), combinámos que todas as melhorias que nós fizéssemos no apartamento, descontaríamos do valor da renda (obviamente que eu ligo-lhe e pergunto-lhe se posso).

Comecei pelo que mais me incomodava: o apartamento estava todo pintado de bege. Há tons de bege que eu gosto mas o tom da casa era aquele bege com ar de encardido, amarelado, feio mesmo. Pintámos a casa toda de branco (com excepção dos corredores que felizmente estavam pintados num 'branco-gelo' giro). Guardamos as facturas de tudo e como a mão de obra foi nossa (eu, o meu irmão e o marido), não ficou nada caro e abatemos o valor da renda.

A segunda coisa foi a cozinha e os seus azulejos. A nossa cozinha é toda branquinha (azulejos e armários) mas não sei quem foi a pessoa esperta que achou bonito enfiar uma faixa fininha de azulejos amarelos a meio da parede, coisa horrorosa. Não gosto de cozinhas com cores garridas (laranjas, vermelhos...) e andei ali cismada até encontrar forma de esconder a faixa amarela. Como a casa é arrendada e eu não queria/podia fazer uma alteração definitiva, optei por colar uma faixa de vinil preto em toda a faixa amarela e fiquei satisfeitíssima com o resultado. Tão satisfeita que encomendei no ebay vinil autocolante a imitar pastilhas azuis e tumbas, adesivei a casa de banho da suíte, que era toda branquinha mas com o raio de uma faixa azul a meio (um azul tão feio). Quem vê jura que fiz uma 'obra' na casa de banho, porque ficou mesmo perfeitinho e bastou uma horinha para o resultado final. Top!

E eis que chegámos ao actual dilema: os interruptores e tomadas. Meu Deus, como eu detesto aqueles interruptores amarelos feios, antigos, quadradões! Por mais giro que sejam os móveis e a decoração, nada realça com aqueles interruptores antigos. Contei quantos tinha na casa, entre interruptores da luz, tomadas, ficha de telefones e outros que tais. Eram 34 caixinhas para trocar.

Liguei para o senhorio (devo ser a inquilina mais chata que o homem tem mas ele adora-me, está sempre a dizer: " ai menina, menina, as coisas que você inventa... Vá, troque lá isso e depois envie-me a fatura". Adoro o homem, já vos disse?) e expliquei-lhe que aqueles interruptores amarelos estavam a dar cabo da minha felicidade conjugal e harmonia deste lar e que o apartamento estava tão novinho e giro com a remodelação, como é que se esqueceram de mudar um detalhe tão importante destes e blá blá blá. Lá consegui a concordância do senhorio e rumei para o Leroy Merlin. Gastei pouco mais de 50€ e acho que fez toda a diferença na nossa casa.

Hoje quando o marido acordou tinha uma caixinha de ferramentas à espera dele e um saco apinhado de interruptores para trocar, o homem até revirava os olhos mas no fundo ele sabe que eu só tenho é boas ideias para o nosso lar. É claro que também ajudei (ele nas tomadas, eu nos interruptores) e ficou tudo impecável. Se precisarem de uma 'faz-tudo', já sabem que podem contar comigo :)


Perceberam o drama? Os antigos interruptores eram horríveis e com um ar de encardidos, a minha empregada estava farta de esfregar com mistolin e o diabo a quatro e não adiantava: eram mesmo feios! Agora está tudo branquinho e novo, como eu gosto.
Senhorio feliz, com o seu imóvel mais valorizado. Inquilina exultante, com tudo branquinho e novinho!

E quem usa a desculpa do "mas a minha casa é arrendada, não vale a pena fazer isto ou aquilo" como desculpa para deixar a casa feia/suja/velha, tem aqui a prova de que com diálogo e negociação, tudo se consegue e ambos os lados ficam a ganhar. Tão bom!

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15 janeiro 2015

Dancing in the rain!


Acordei a pensar que este seria mais um dia chuvoso (detesto chuva) e chatinho, sem nada de novo. Há dias em que acordo um bocadinho desanimada porque lidar com todo o furacão de emoções que vai aqui dentro não é fácil e eu não sou de ferro.

Mas hoje ao fim da tarde descobri que o dia 15 de Janeiro de 2015 vai ficar para sempre na minha memória como um dos dias mais felizes de sempre! Sabem quando damos um mergulho e ficamos muito tempo com a cabeça dentro d´água, estamos a sufocar, ficamos sem ar e por mais que abanemos os braços, parece que nunca mais vamos vir à tona novamente? Hoje senti que voltava a respirar, depois de uns meses com a vida suspensa. Hoje voltei à tona. Voltamos, todos nós.

E apesar da chuva, do tempo manhoso e cinzento, quando recebi o sms com as boas (tão boas) notícias, mandei um grito de felicidade e desatei a ligar a toda a família, um por um, só para ouvir aquelas risadas maravilhosas, os choros emocionados, as preces e agradecimentos ao nosso Deus.

Hoje a nossa família renasceu. Já não há células cancerígenas para ninguém. E essa é só a notícia mais maravilhosa do mundo para nós.  ♥ 

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13 janeiro 2015

ontem perguntaram-me: qual o teu sonho mais maluco?

E eu nem precisei pensar duas vezes: Respondi que aquilo que mais desejo é viajar para um certo país. "sim, mas qual?". Dei a resposta e aguardei pela reacção. Éramos onze à mesa. Todos, sem excepção, olharam-me como se eu tivesse dito que queria ir à lua.

Mas não, só queria mesmo ir aqui:


Adorava ir à Coreia do Norte. Sou absolutamente fascinada por esse país, pela aura de mistério, pelo facto de parecer saído de um filme do pós-guerra, pelas atrocidades cometidas ali, por querer ver com os meus olhos como a loucura de um ditador condicionou todo um país à miséria... É um dos meus grandes sonhos, talvez o mais maluco deles todos.

A verdade é que sempre que penso em Pyongyang, os meus olhos brilham e diz o M. que até a entonação da minha voz fica diferente só de pensar no incrível que seria poder andar por aquelas praças e ver tudo aquilo com os meus olhos. Não conheço uma única pessoa que tenha conseguido (ou desejado) conhecer este sítio mas para mim, seria 'a' viagem da minha vida. Leio tudo o que me cai às mãos sobre a Coreia do Norte, vejo filmes e documentários, pesquiso sobre o assunto, é uma paixão e uma curiosidade incríveis!

Felizmente, o marido acompanha-me nas maluquices e de tanto ouvir-me falar, agora também já conhece a história da dinastia Kim de trás para frente, sabe tudo sobre a gulag, sobre a DMZ (zona coreana desmilitarizada), enfim... consegui acender-lhe o gostinho pelo país mais fechado do mundo.

Para lá ir é caro (cerca de 4 mil euros para uma semana, nós os dois - sim, já andei a pesquisar), são muitas horas de vôo (arrepio-me só de pensar em andar na Air Koryo, considerada a pior companhia aérea do mundo), é preciso ir até a China e depois cruzar a fronteira para lá mas caraças, deve ser inesquecível para quem, como eu, é maluquinho por história! Macacos me mordam se não meto lá os pés um dia destes... E vocês, qual é o vosso sonho mais maluco?

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09 janeiro 2015

Existirá coisa melhor?

No domingo à noite fui ao cinema com a Vi e depois fui jantar em casa da minha mãe. O marido ficou em casa a terminar uma apresentação do trabalho que era já para o dia a seguir e o homem detesta deixar tudo para a última da hora, já estava a ficar enervado e eu 'fugi' logo de casa ahaha.

Na casa da minha mãe, o paraíso. Ela tinha feito a minha comida preferida, tinha Fanta Uva no frigorífico à minha espera (só eu que bebo, sou mesmo viciada) e ainda gravou vários episódios da minha série do coração na box da sala. Tanto mimo que fiquei ali uns segundos a pensar em como conseguiria viver sem a presença constante e o amor da minha mãe.

Ficámos enroscadas no sofá, a ver um capítulo da série. Entretanto o marido liga-me para saber se ainda vou demorar a chegar. A Vi mete-se na conversa: "ahh, deixa a minha mana dormir aqui hoje? Vá lá..." e ele resmungou que não, que sentia a minha falta, que já não sabia dormir sem mim (tudo fita, senhores) mas depois disse: "tudo bem, amanhã ainda estás de férias e eu vou ter que ir trabalhar, assim passas o dia acompanhada". Ahhh, que maravilha!

Espalhei-me no sofá, com a Vi a mandar-se para cima de mim de cinco em cinco minutos a dizer: mooooche! e às tantas, eu e mamãe é que nos mandamos para cima da bichinha a fazer-lhe tantas cócegas que mais um bocado e ela sufocava de rir. Entretanto chega o Pê do trabalho (que já não mora com a minha mãe mas passa lá quase todos os dias para a ver) e foi a maluquice total.

No fim da noite, a avó ajudou-nos a fazer uma mega cama no chão da sala (tipo acampamento) e dormimos os três: eu, Pê e a Vi, ali no meio da bagunça, cheios de almofadas e mantas, todos encavalitados. Eu bem digo que noutra vida devo ter sido cigana, já que nada me dá mais prazer nesta vida do que estar rodeada da minha família, todos juntos e misturados. 
 Existirá coisa melhor? 
 

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08 janeiro 2015

O fim de um ciclo:

Sabes que não és mais a mesma pessoa quando fazes anos e toda a gente, com exceção da avó e do marido, decide oferecer-te coisas para a casa. Mas mesmo tooda a gente. Que audácia dessas pessoas, quer dizer, agora sou só 'dona-de-casa'? Onde estão os perfumes, as roupinhas, os sapatos...? Agora só mereço electrodomésticos e cheques-oferta da Zara Home? Que triste vida, a minha.

Brincadeiras à parte, confesso que houve ali um pequeno estremecimento quando vi o meu irmão sacar de uma varinha mágica/picadora no meio do jantar. Me-do! A verdade é que uns dias antes do natal estava para fazer um doce e lembrei-me que ainda não tinha varinha mágica (ainda tentei no liquidificador mas não ficou a mesma coisa) e com a preguiça de me enfiar num shopping abarrotado, fui surrupiar emprestado a da minha mãe. E o malandro do Pê topou logo que eu 'precisava' de uma varinha.

Mamãe foi mais maluquinha e ofereceu-me um móvel, vejam lá, um móvel! Um aparador da Cerne que eu estava a namorar há uma vida mas por questões meramente simbólicas (leia-se: €), decidi esperar mais uns tempos e pelos vistos fiz bem :-) É liiiindo, adoro-o e já o coloquei em primeiro plano numa das divisões!

Tudo isto para dizer que ganhei muitas prendinhas mas vieram [quase] todas em sacos da Zara Home, da Area, da IKEA e da Loja do Gato Preto.
Adeus, sacos da Parfois, H&M e Longchamp.
Vejo-vos noutra vida, sim?

[juro por todos os santinhos que se me derem coisas para a casa numa próxima data comemorativa, sou pessoa para espetar com um tacho Silampos nos cornos de alguém. Amigos e familiares que passam por este blogue, sintam-se desde já avisados, sim?]

(estou a brincar, vocês sabem. Nesta altura, nada me dá mais gozo que comprar coisas para a nossa casinha e deixá-la do nosso jeito, com objectos que nos dizem muito... É um vício e acho que só lá para o fim de 2025 é que vou dizer: "agora sim, já terminámos de montar a casa".)

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06 janeiro 2015

Morar junto ou casar - eis a questão

No post sobre o meu casamento recebi um comentário que dizia: "ah mas já podias estar a partilhar tudo com o teu marido, sem para isso ter casado, poderiam viver juntos há muito tempo..." e eu respondi, sem qualquer ideia da 'caixa de Pandora' que estava a abrir, que não, que não queríamos ir viver juntos antes do casamento porque para nós, viver junto e casar são coisas diferentes, que não envolvem o mesmo nível de comprometimento entre um casal.

Ui, o que eu fui fazer! Choveram comentários, alguns bastante insultuosos (que obviamente não publiquei, há um limite para tudo e o mínimo que peço é educação), outros a discordar do meu ponto de vista mas de forma educada (e estão todos lá, publicadinhos). Até email me enviaram, enervadíssimos, por eu pensar desta forma.

Tenho a dizer que opinião é algo muito pessoal e felizmente vivo num país livre onde posso exprimir aquilo que penso e sinto. Sobre o assunto em questão, não vou ser hipócrita (porque não faz mesmo parte da minha natureza), esta é a forma como encaro: viver junto e casar não é a mesma coisa para mim. Atenção, para mim.

Admito que venho de uma família bastante conservadora neste aspecto, a minha família paterna é árabe, radicada no Rio de Janeiro desde a década de 50. A minha avó paterna teve 8 filhos, que por sua vez tiveram vários filhos, no total somos 21 netos, todos com idade entre os 15-32 anos. Nenhum dos meus primos viveu junto antes de casar, que a minha família tinha um ataque. Simplesmente, nem se põe essa questão, é como se não existisse. Ou se é solteiro ou se é casado. Não há o meio-termo. E ainda hoje, entre as minhas primas, penso que a maioria ainda é virgem ou só teve um namorado (que entretanto transformou-se em marido). Se eles são uns retrógrados e antiquados? É capaz. Se são felizes assim, com as suas escolhas? Muito! É que são mesmo, topa-se à distância, os casamentos são sólidos, para a vida toda... (o único divórcio na minha família paterna foi o do meu pai).

Portanto, cresci com essa ideia: namoramos, noivamos, casamos. Não havia a parte do 'morar junto' nos meus planos, porque foi assim que fui educada. Para ajudar à festa, desde os 7 anos que andei em colégios católicos (andei no Santa Mônica, nos Salesianos e no Imaculado Coração de Maria), fiz parte dos grupos jovens da minha igreja, cheguei até a ajudar nas aulas de catequese dos mais pequenos. Talvez isso explique muita coisa da minha forma de pensar, não sei.

Vejo o 'morar junto' como uma espécie de teste, de experimentar para ver no que dá, acho que as pessoas que optam por essa via não estão totalmente convencidos de que outra pessoa é a tal. Aliás, sempre que falo com amigas minhas na brincadeira: "ah e então, vamos ter casamento para o ano?" respondem-me: "Eu, casar? Nããã... ainda sou muito nova para isso". Quer dizer, é nova para casar mas não é nova para ir viver junto e, na teoria, fazer vida de casado à mesma? Não percebo a hesitação das pessoas. Se estão tão apaixonados, se querem mesmo ficar com aquela pessoa... então assumam esse compromisso!

Agora se não acreditam em Deus e não praticam nenhuma religião, então sim, realmente não faz sentido o casamento. No fundo, todo esse debate prende-se apenas com a importância que dão a essas coisas.  Há quem não veja diferença entre viver junto e ser casado, dá no mesmo, partilham tudo à mesma, pronto, é igual. São pontos de vista, cada um tem o seu e sabe qual é o melhor para si. 

Nós somos frutos da educação que tivemos, do ambiente em que vivemos, das situações pelas quais passamos. Admito que às vezes sinto que nasci em 1920, que penso à antiga mas foi uma escolha minha, sempre soube que só queria pertencer a uma pessoa e que essa pessoa seria o meu marido. Assim o fiz e não tenho vergonha nenhuma em dizê-lo. Sinto-me feliz e sei que, para mim, foi a melhor escolha. Mas isso sou eu, que sou uma vintage :P

O que interessa é estarmos felizes com o nosso amor, confiantes na nossa relação e com a certeza de que aquela é a pessoa que estará ao nosso lado nos bons e maus momentos, independente de ter assinado ou não um papel. Vamos ser felizes e deixar a polémica de lado? ;)

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05 janeiro 2015

Em jeito de retrospectiva...

Sem dúvida que este ano de 2014 foi um 'divisor de águas' na minha vida e digo isto por boas e más razões. Foi um ano em que cresci muito em poucos meses, foi essencialmente um ano de muitas mudanças. A maioria boa, felizmente, mas uma ou duas 'mudanças' que quase me tiraram o chão e o norte. Faz parte do nosso aprendizado, dizem. Eu preferia aprender sem passar por certas dores, mas descobri que elas são inevitáveis e que depois que tudo passa, sentimo-nos fortes e grandes, prontos a encarar qualquer situação.

Em 2014 eu...

1) Fui pela 1ª vez à Disney e apaixonei-me de verdade. Era um sonho antigo, que vinha sempre sendo adiado porque escolhia viajar para outros destinos primeiro e este ficava sempre 'para depois'. Mas este ano, no dia dos anos da Vi, fomos todos juntinhos conhecer o sítio onde todos, sem excepção, voltam a ser crianças. Inesquecível, digo-vos. Se puderem, não deixem de ir um dia, com ou sem crianças, é mágico!

2) Viajei para Barcelona com a minha mãe, só nós as duas, numa viagem que a princípio era a trabalho mas que por ser a 1ª vez da minha mãe na cidade (e a minha terceira!) esticámos mais uns dias e foi incrível! Andamos pelas Ramblas de mãos dadas, apanhamos metro e autocarro (há mais de 10 anos que a minha mãe não andava de transportes públicos, foi 'a loucura' pra ela, suuuper adrenalina ahaha), enfardamos tapas e enchemos a mala de 'recuerdos', que se há neste mundo boa companhia para compras, esta é mamãe. Top!

3) Tirei um peso grande do meu coração ao voltar a falar com uma amiga do passado. Na altura acabei por tomar uma má decisão que a prejudicou e não consegui dormir em paz enquanto não arranjei maneira de consertar as coisas. Parece besteira, mas como a consciência pesa, pessoas, quando sabemos que fomos injustos com alguém! Eu sentia-me tão mal comigo, é um peso tão grande que nunca mais na vida cometo o mesmo erro, tenho a certeza. Coisas que só a maturidade nos ensina.

4) Casei-me! Numa cerimónia íntima (com pessoas que nos diziam tanto!) para cerca de 70 convidados, com um tema que foi a nossa cara, onde tratamos pessoalmente de toda a decoração do nosso casamento, pensámos juntos em cada detalhe, personalizámos tudo para que fizesse sentido para nós e foi uma cerimônia linda, com palavras que nos tocaram na alma, com votos também escritos por nós e que puseram os convidados de lenço na mão (e esta noiva aqui, que não conseguiu se conter). Conseguimos, a custo, ficar com o dia 7 de Setembro, dia em que o Brasil se tornou independente de Portugal e dia também em que o Brasil voltou a unir-se a Portugal ahahaha. Adoramos a simbologia da data e já não queríamos outra.

5) Fiquei efectiva no meu trabalho, o que pode não parecer nada mas já me dá uma estabilidade maior, visto que andei os últimos dois anos e meio sempre a contratos de seis meses (que, felizmente, eram renovados). Gosto de saber que fiz uma escolha com cabeça e troquei um trabalho que não me enchia as medidas (só mesmo a carteira) por outro onde consigo as duas coisas. Sabe mesmo bem acordar todos os dias sem ser arrastada para um trabalho frustrante!


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01 janeiro 2015

E nos entretantos...

... neste Dezembro fez 10 anos que cheguei em Portugal, de mala e cuia. 10 anos, caraças! E ainda posso sentir um bocadinho daquelas borboletas no estômago quando o avião (ainda da extinta VARIG) aterrou em Lisboa. Toda eu tremia de frio, naquela manhã de Dezembro. Trazíamos (eu, mamãe, a Vi bebé e o Pê) no total 17 malas daquelas gigantes. A nossa vida ali, naquelas malas. Na altura ainda só a minha mãe era portuguesa, nós os três ainda estávamos com o famoso 'visto de turista' e dava uma certa cana entrarmos com tantas malas no país, eu estava com um medo desgraçado que só deixassem a minha mãe entrar, todo um drama na minha cabecinha de 17 anos.

Lembro que o agente do SEF quando nos viu perguntou logo: "a senhora vem passar férias?" e a minha mãe, com a melhor cara de paisagem que conseguiu, respondeu: "sim, vamos passar um mês cá, por isso tantas malas. Sabe como é, viajar com crianças... temos que levar a casa toda connosco" e piscou o olho ao homem. Eu ia morrendo, o homem corou e lá nos deixou passar, sem fazer mais perguntas.

Lembro que tínhamos alugado um T3 na Parede através da internet e estávamos todos um bocado encagaçados da casa ser uma barraca ou nem sequer existir. Apanhamos três táxis (porque as malas não cabiam) e lá fomos nós para o apartamento, já todo mobilado, com roupa de cama, pratos, talheres, enfim... foi só chegar e morar. A casa não era bem aquilo que tínhamos idealizado (nem se comparava ao que estávamos acostumados no Rio) mas chegou perfeitamente para nós, no início.

A primeira noite foi a pior de todas, confesso. A casa não tinha aquecimento central (muito menos aquecedores) e já era muito tarde, não tinha nenhum sítio aberto para comprar. Nós tremíamos no quarto, tivemos que ir dormir todos para o quarto da minha mãe, numa cama de casal: ela no meio, a Vi numa ponta, eu noutra e o Pê aos pés da cama, todos arrepiadinhos até a alma, gelados mesmo. Não tínhamos trazido cobertores e a casa só tinha duas mantas e uns lençóis fininhos. A solução foi nos cobrirmos com umas redes grossas (como estas) que a minha mãe tinha trazido para instalarmos na varanda. Nessa noite eu chorei quietinha, com saudades de casa. A minha mãe abraçou-me e disse: "calma, filha, vai valer a pena".

Hoje, dez anos depois dessa noite, posso dizer que valeu a pena. E continua a valer, caso contrário não estávamos cá. Hoje já não choro com saudades de casa porque descobri que o meu conceito de 'casa' é mais amplo do que aquilo que eu julgava. Hoje sei que estou em casa. Na casa que eu escolhi viver. 

[nota: post agendado, estarei fora de Lisboa e sem acesso à internet. Um 2015 fantástico para vós, com muitas alegrias, sonhos realizados e amores daqueles pra vida toda. Até daqui uns dias, pessoas :*]

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