05 janeiro 2015

Em jeito de retrospectiva...

Sem dúvida que este ano de 2014 foi um 'divisor de águas' na minha vida e digo isto por boas e más razões. Foi um ano em que cresci muito em poucos meses, foi essencialmente um ano de muitas mudanças. A maioria boa, felizmente, mas uma ou duas 'mudanças' que quase me tiraram o chão e o norte. Faz parte do nosso aprendizado, dizem. Eu preferia aprender sem passar por certas dores, mas descobri que elas são inevitáveis e que depois que tudo passa, sentimo-nos fortes e grandes, prontos a encarar qualquer situação.

Em 2014 eu...

1) Fui pela 1ª vez à Disney e apaixonei-me de verdade. Era um sonho antigo, que vinha sempre sendo adiado porque escolhia viajar para outros destinos primeiro e este ficava sempre 'para depois'. Mas este ano, no dia dos anos da Vi, fomos todos juntinhos conhecer o sítio onde todos, sem excepção, voltam a ser crianças. Inesquecível, digo-vos. Se puderem, não deixem de ir um dia, com ou sem crianças, é mágico!

2) Viajei para Barcelona com a minha mãe, só nós as duas, numa viagem que a princípio era a trabalho mas que por ser a 1ª vez da minha mãe na cidade (e a minha terceira!) esticámos mais uns dias e foi incrível! Andamos pelas Ramblas de mãos dadas, apanhamos metro e autocarro (há mais de 10 anos que a minha mãe não andava de transportes públicos, foi 'a loucura' pra ela, suuuper adrenalina ahaha), enfardamos tapas e enchemos a mala de 'recuerdos', que se há neste mundo boa companhia para compras, esta é mamãe. Top!

3) Tirei um peso grande do meu coração ao voltar a falar com uma amiga do passado. Na altura acabei por tomar uma má decisão que a prejudicou e não consegui dormir em paz enquanto não arranjei maneira de consertar as coisas. Parece besteira, mas como a consciência pesa, pessoas, quando sabemos que fomos injustos com alguém! Eu sentia-me tão mal comigo, é um peso tão grande que nunca mais na vida cometo o mesmo erro, tenho a certeza. Coisas que só a maturidade nos ensina.

4) Casei-me! Numa cerimónia íntima (com pessoas que nos diziam tanto!) para cerca de 70 convidados, com um tema que foi a nossa cara, onde tratamos pessoalmente de toda a decoração do nosso casamento, pensámos juntos em cada detalhe, personalizámos tudo para que fizesse sentido para nós e foi uma cerimônia linda, com palavras que nos tocaram na alma, com votos também escritos por nós e que puseram os convidados de lenço na mão (e esta noiva aqui, que não conseguiu se conter). Conseguimos, a custo, ficar com o dia 7 de Setembro, dia em que o Brasil se tornou independente de Portugal e dia também em que o Brasil voltou a unir-se a Portugal ahahaha. Adoramos a simbologia da data e já não queríamos outra.

5) Fiquei efectiva no meu trabalho, o que pode não parecer nada mas já me dá uma estabilidade maior, visto que andei os últimos dois anos e meio sempre a contratos de seis meses (que, felizmente, eram renovados). Gosto de saber que fiz uma escolha com cabeça e troquei um trabalho que não me enchia as medidas (só mesmo a carteira) por outro onde consigo as duas coisas. Sabe mesmo bem acordar todos os dias sem ser arrastada para um trabalho frustrante!



6) Pela primeira vez desde que estou cá em Portugal (há 10 anos, portanto) o meu pai criou coragem e decidiu vir conhecer Lisboa, essa cidade incrível. Ele morre de medo de voar (sabem o pânico que eu tenho de aviões? Se multiplicarem por 10, chegarão perto daquilo que ele sente), passa mesmo muito mal, tem que ser medicado, todo um filme... Mas como era o meu casamento e sendo eu a filha mais velha (os árabes super valorizam essa coisa da primogenia), lá veio o meu velho e foi óptimo. Passeamos muito, conversamos horas e horas, fizemos as pazes de verdade, depois de sei lá quantos anos de um relacionamento frio e indiferente. Sinto que ele está muito mais humano, mais emotivo e também com um grande remorso pelo passado. Agora é seguir em frente, esquecer o que ficou para trás e construir uma relação para o futuro. Foi sem dúvida a grande surpresa que este ano me trouxe!

7) Este foi também o ano em que a minha avó, o amor da minha vida, voltou a Lisboa, depois de jurar que não passava cá outro inverno ("nem morta que me meto nesse país gelado de novo, o meu joelho só de pensar nisto já encolheu" - ela tem artrose e sente imensa dores nos ossos) mas a minha guerreira de 81 anos lá se enfiou 9 horas num avião, sozinha, e veio ao meu encontro. Não poderia existir maior prova de amor e valorizo cada instante que passo com ela.

8) Conheci o México e apaixonei-me. Foi o sítio que escolhemos para passar duas semanas fantásticas de lua-de-mel e era menina para estar lá até agora. Um paraíso, senhores. Fiz coisas fantásticas: nadei com tartarugas, aluguei um descapotável em Cozumel e fiz a ilha de ponta a ponta, comi coisas esquisitas que sabiam mal mas, em Roma sê como os romanos e eu não podia deixar de experimentar nada. Andei de tirolesa (e quase tive um infarto), fiz snorkel num rio com raias e peixinhos de todas as cores, vi todos os dias um sereque a passear pelos jardins do hotel, nadei nas águas turquesas quentinhas do Caribe e mergulhei em cenotes incríveis. O México fascinou-me!

9) Depois de alguns percalços com a compra do nosso apartamento (que se revelou um grande tiro no pé), decidimos que a melhor opção era o arrendamento por cinco anos e no meio de tantas e tantas visitas a imóveis, encontramos o 'nosso' apartamento. Moderno, espaçoso para nós dois, numa zona de Oeiras que eu amo por ser sossegada e ao mesmo tempo, pertinho de tudo, estava mesmo destinado para nós. Foi um sufoco para conseguirmos porque já havia um casal super interessado (que até já tinha entregue a documentação) e o M. já estava a ver o caso como perdido quando eu, com o meu poder de negociação, fiz a proposta mágica e em dois dias tínhamos a chave da nossa casa na mão. (bom, também não fiz nada de especial, só disse ao proprietário que tínhamos facilidade em pagar seis meses de renda em avanço, se isso ajudasse em nosso favor. "ah, mas então assim faz toda a diferença e porque é que não disseram antes e blá blá blá.." - fico sempre parva a ver como o dinheiro abre portas)

10) Descobri que a minha mãe tinha cancro no útero. Foi a maior 'pancada' que recebi este ano, fiquei assim a modos que abananada, não conseguia pensar em nada, só via a palavra 'cancro' a piscar no meu cérebro. Graças a Deus ela está a ser bem cuidada, descobriu o tumor no início e isso facilitou a sua remoção. Agora é seguir em frente com o tratamento, sempre acreditando que Deus nunca nos dará um fardo maior do que ele que podemos carregar. Foi através da doença da minha mãe que tornei-me uma pessoa melhor, menos egoísta, menos materialista...aprendi tanto! Aprendi que da mesma maneira que o dinheiro abre portas, há alturas na vida em que ele não nos vale de absolutamente nada. Basta ver o que fizeram com as apólices de seguro de vida e saúde que a minha mãe tinha. Todas foram canceladas pela Tranquilidade. O dinheiro que pagávamos todos os meses de mensalidade não serviu de nada, descartaram-nos à mesma. Com uma facilidade assombrosa. Mais uma lição que este ano me trouxe.

Acho que posso considerar este ano de 2014 como um ano de altos e baixos. Tão depressa estava exultante de alegria a beber água de coco na Isla Contoy, como estava de rastos no corredor do IPO a chorar escondida para ninguém me ver. Acho que este ano quis me testar. Testar a minha resistência, a minha gratidão, a minha fé. E acredito que passei em todas as provas.

E que venha 2015! (mas sem testes de resistência, sim?)
Algo me diz que este próximo ano vai trazer-nos muitas surpresas boas, daquelas que nos enchem o coração para todo o sempre!

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6 comentários

  1. Feliz 2015 Anne! A ti e a toda a familia. Que este ano te traga também muitas felicidades, e claro, que possamos seguir essa felicidade toda que também alegra as tuas leitoras (pelo menos a mim) :-)

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  2. Feliz 2015 Anne que tenhas tudo de bom para ti e para a tua família...
    Já percebi que a vóvó ainda está por estas bandas :) e que felizmente está tudo no caminho certo para a tua mãe (fiquei com o coração apertadinho quando soube).
    Na minha viagem fartei-me de pensar em ti e no que tínhamos falado no dia do teste, apesar de não ter tanto medo como tu de andar de avião, não é propriamente a coisa que mais gosto e só nesta viagem foram 9 voos... ia-me dando uma coisinha má ;)
    Beijinhos grandes para todos
    Andreia (a maquilhadora)

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  3. Feliz 2015. Que seja um ano repleto de coisas boas.

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  4. Na última foto és tu ou a tua mãe? beijinhos

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