06 janeiro 2015

Morar junto ou casar - eis a questão

No post sobre o meu casamento recebi um comentário que dizia: "ah mas já podias estar a partilhar tudo com o teu marido, sem para isso ter casado, poderiam viver juntos há muito tempo..." e eu respondi, sem qualquer ideia da 'caixa de Pandora' que estava a abrir, que não, que não queríamos ir viver juntos antes do casamento porque para nós, viver junto e casar são coisas diferentes, que não envolvem o mesmo nível de comprometimento entre um casal.

Ui, o que eu fui fazer! Choveram comentários, alguns bastante insultuosos (que obviamente não publiquei, há um limite para tudo e o mínimo que peço é educação), outros a discordar do meu ponto de vista mas de forma educada (e estão todos lá, publicadinhos). Até email me enviaram, enervadíssimos, por eu pensar desta forma.

Tenho a dizer que opinião é algo muito pessoal e felizmente vivo num país livre onde posso exprimir aquilo que penso e sinto. Sobre o assunto em questão, não vou ser hipócrita (porque não faz mesmo parte da minha natureza), esta é a forma como encaro: viver junto e casar não é a mesma coisa para mim. Atenção, para mim.

Admito que venho de uma família bastante conservadora neste aspecto, a minha família paterna é árabe, radicada no Rio de Janeiro desde a década de 50. A minha avó paterna teve 8 filhos, que por sua vez tiveram vários filhos, no total somos 21 netos, todos com idade entre os 15-32 anos. Nenhum dos meus primos viveu junto antes de casar, que a minha família tinha um ataque. Simplesmente, nem se põe essa questão, é como se não existisse. Ou se é solteiro ou se é casado. Não há o meio-termo. E ainda hoje, entre as minhas primas, penso que a maioria ainda é virgem ou só teve um namorado (que entretanto transformou-se em marido). Se eles são uns retrógrados e antiquados? É capaz. Se são felizes assim, com as suas escolhas? Muito! É que são mesmo, topa-se à distância, os casamentos são sólidos, para a vida toda... (o único divórcio na minha família paterna foi o do meu pai).

Portanto, cresci com essa ideia: namoramos, noivamos, casamos. Não havia a parte do 'morar junto' nos meus planos, porque foi assim que fui educada. Para ajudar à festa, desde os 7 anos que andei em colégios católicos (andei no Santa Mônica, nos Salesianos e no Imaculado Coração de Maria), fiz parte dos grupos jovens da minha igreja, cheguei até a ajudar nas aulas de catequese dos mais pequenos. Talvez isso explique muita coisa da minha forma de pensar, não sei.

Vejo o 'morar junto' como uma espécie de teste, de experimentar para ver no que dá, acho que as pessoas que optam por essa via não estão totalmente convencidos de que outra pessoa é a tal. Aliás, sempre que falo com amigas minhas na brincadeira: "ah e então, vamos ter casamento para o ano?" respondem-me: "Eu, casar? Nããã... ainda sou muito nova para isso". Quer dizer, é nova para casar mas não é nova para ir viver junto e, na teoria, fazer vida de casado à mesma? Não percebo a hesitação das pessoas. Se estão tão apaixonados, se querem mesmo ficar com aquela pessoa... então assumam esse compromisso!

Agora se não acreditam em Deus e não praticam nenhuma religião, então sim, realmente não faz sentido o casamento. No fundo, todo esse debate prende-se apenas com a importância que dão a essas coisas.  Há quem não veja diferença entre viver junto e ser casado, dá no mesmo, partilham tudo à mesma, pronto, é igual. São pontos de vista, cada um tem o seu e sabe qual é o melhor para si. 

Nós somos frutos da educação que tivemos, do ambiente em que vivemos, das situações pelas quais passamos. Admito que às vezes sinto que nasci em 1920, que penso à antiga mas foi uma escolha minha, sempre soube que só queria pertencer a uma pessoa e que essa pessoa seria o meu marido. Assim o fiz e não tenho vergonha nenhuma em dizê-lo. Sinto-me feliz e sei que, para mim, foi a melhor escolha. Mas isso sou eu, que sou uma vintage :P

O que interessa é estarmos felizes com o nosso amor, confiantes na nossa relação e com a certeza de que aquela é a pessoa que estará ao nosso lado nos bons e maus momentos, independente de ter assinado ou não um papel. Vamos ser felizes e deixar a polémica de lado? ;)

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47 comentários

  1. Para mim também nunca houve o morar juntos.
    mtas mtas felicidades

    Maggie

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  2. Pois, realmente também concordo coma parte do "sou mt nova para casar mas não para viver junto e não me caso pq é só um papel que não muda nada".
    Eu também não tenho vontade de me casar, não sei explicar porquê. Mas, estou muito bem assim!

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  3. Anne, não podia concordar mais com esse post!
    Tambem para mim não ha viver junto, ou casa-se ou nao se vive junto, não ha meio termo.
    Se é so um papel qual o problema de o assinar entao? Viver junto é, no meu ponto de vista, comodismo e falta de certeza na relação, insegurança.

    Do mais, desejo que sejas feliz enque a tua familia continue assim, unida :-)

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    1. "Viver junto é, no meu ponto de vista, comodismo e falta de certeza na relação, insegurança"

      Mas se a situação for essa e se assinar o tal papel, já se passa para uma relação de partilha mútua, certeza e segurança? Pelo amor de deus.

      Não é a questão de a assinatura do mesmo ser um problema. É, simplesmente, para quê? Já temos de "assinar papéis" para uma variedade de coisas na nossa vida e esse assinar está associados a burocracias, filas, dinheiro gasto, chatices... para quê associar algo fantástico e bonito das nossas vidas (o amor) ao mesmo ideário? Eu celebro a minha relação todos os dias, não preciso de um dia designado para o efeito, dia esse que me iria custar balúrdios, só para me vestir de forma diferente do costume, ter os amigos todos reunidos numa quinta, repetirmos umas patacoadas instituídas por lei e sermos, "finalmente", casados. O que muda? O que é isso afinal? É isso que a maioria das pessoas não questiona, simplesmente gostam do ideário associado à coisa. De usar o nome do marido, de ter uma aliança, de dizerem "o meu marido", de terem as fotos do dia, se contarem os pormenores às amigas... isso é o casamento, é um show-off de emoções. Outra coisa é o amor e uma relação à séria entre 2 pessoas. Que pode acontecer, ou não, com casamento.

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    2. Casa te por civil e ponto final. So gastas 120 euros.

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  4. Concordo que n é a mm coisa. Eu fui viver c o meu namorado pq não tinhamos na altura condições económicas para um casamento, mas eu tinha de sair de casa e mudar de cidade e fomos viver juntos, naturalmente. Viver junto não invalida o casamento e, se tudo correr bem, casamos daqui a 9 meses. Beijos

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  5. Anne,

    Fui uma das pessoas que comentou o post anterior. Repara que o que mais indignou as pessoas não foi a tua ideia de que é errado morar junto antes de casar. Não foi isso que lemos todos. O que mais indignou foi dizeres que tu (e todas as pessoas que casam antes de morar juntos) gostam mais do treu marido porque te casaste do que eu gosto do meu namorado por me ter juntado apenas.

    Um papel não mede 0o tamanho do amor. É um passo a dar, sim. É o que quero fazer e está num futuro próximo, mas achas dizer que se ama mais intensamente e que é a sério quando nos casamos, isso sim é uma ideia demasiado "elaborada" para conceber.

    Conheço 2 casais que namoraram muuito, eram super felizes. Casaram e depois foram viver juntos. Deu sabes no quê? Divórcio. "Ai não tinha noção que ele/ela era assim... Não aguento 24h com a mesma pessoa". Não estou a dizer que estou a fazer um teste à minha relação. Apenas é o que acho mais certo.

    Beijinhos.

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    1. Exacto, é aquilo que tu achas mais certo.

      Assim como eu acho mais certo casar e só depois viver junto. São pontos de vista e cada um sabe aquele que mais o preenche as medidas. Esta é a forma como eu penso, é a minha maneira (errada ou não) de enxergar as coisas. Não podemos forçar as pessoas a aceitarem o nosso ponto de vista como certo porque, lá está, é apenas 'o nosso' ponto de vista. E só cabe a nós.
      Um beijo :*

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    2. Sempre tão arrogante a responder

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  6. Olá Anne, leio o blog há muito tempo mas desta vez tive de comentar.
    Concordo contigo: viver junto não é (e nunca será) o mesmo que casar. As pessoas habituaram-se ao viver junto. Hoje vive-se junto porque não se consegue manter uma casa sozinho e então, vá de partilhar contas e rendas. Se não der certo, cada um agarra na sua mala e alá que se faz tarde, não há cá chatices de divórcios e corre tudo pra casa dos papás.
    As pessoas não querem compromissos, não estão para se chatearem com isso. Cá em Portugal é tudo muito descartável: não deu certo com a Maria, não faz mal, agora vou viver com a Joana a ver no que dá. Banalizam as coisas.
    Quando temos aquela certeza na alma de que encontramos a nossa pessoa, queremos casar, é natural. Enquanto esse dia não chega... mora-se junto.

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    1. Esse mesmo relato crítico em relação ao que, supostamente, é hoje em dia viver junto também pode ser feito em relação ao casamento. Também se pode dizer que as pessoas casam sem pensar, sem conhecer realmente o outro, sem terem vivido juntas primeiro para se apereberem do que é estar com aquela pessoa 24/7... e que, quando se apercebem que cometeram um erro, divorciam-se num ápice. É ver o número de divórcios por ano, que não pára de aumentar :) ou, pior. Casos que já deviam ter dado em divórcio, mas que permanecem casados nessa lógica de partilhar as rendas e as contas... de ter vergonha de admitir que foi um erro casar e 'bora lá manter as aparências e continuar casados.

      Se o António acha que não deu certo com a Maria e quer ir viver com a Joana, lamento, mas não vai ser o facto de estar casado com a Maria que o vai impedir, ou que vai tornar a relação da Maria e do António mais forte. E esse tipo de sentimentos pode surgir em casais casados, ou unidos de facto e não é por estarem casados que a ruptura não acontece (aliás, até acho bem melhor a ideia de, estando unidos de facto, terminarem facilmente uma relação que não tinha futuro, do que terem de passar por uma série de contratempos e burocracias para terminar algo que já está morto).

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  7. Olá Anne, eu vivo junto mas não numa casa nossa infelizmente, mas se tal se tivesse proporcionado talvez tivesse preferido casar-me primeiro... e não ligue a comentários idiotas, ninguém tem nada a ver com isso, a escolha é apenas sua, podemos dar uma opinião e com respeito, mas julgar só porque não concordamos...enfim, há sempre mentes conflituosas! Bjs.

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  8. Olá Anne. Antes de mais devo dizer que gosto muito deste blog e acompanho-o diariamente apesar de nem sempre concordar. Em relação ao tema , opiniões são opiniões e nada a fazer. Gostaria apenas de acrescentar uma coisa a tudo o que foi dito : É extremamente injusto tu e outros dizerem que quem se junta e não se casa está a fazer um teste, está a experimentar e que se não se casam é porque não têm a certeza absoluta que é isso que querem. Namoro à quase 10 anos, estou junta, e apenas ainda não me casei por questões monetárias, só e apenas questões monetárias. Tenho certeza que o amo, que quero estar com ele e assumir todas e quaisquer responsabilidades (como aliás já assumi) mas por questões monetárias o casamento ainda não aconteceu. Mesmo pelo registo teria que gastar dinheiro (para o tal papel e para as alianças (que não abdico)),logo preferimos esperar.

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    1. Posso estar a ser injusta, assumo-o, mas essa é a sensação que tenho sempre que as pessoas que 'vivem juntas' dizem disparates como:

      - "ah, estamos a ver se resulta, se tudo correr bem, avançamos com o casório" - isso não é um teste?!

      - "mas é que sou muito nova para casar, daqui há uns tempos penso nisto" - isso não é falta de comprometimento?

      A minha opinião sobre esse assunto advém única e exclusivamente daquilo que vejo/oiço em casais que optam por não casar. Admito que possa ser injusto mas infelizmente essa foi a sensação que eu tive em relação ao assunto. Não tenho conhecimento (nem experiência) suficiente para dizer se é assim ou assado mas a a minha opinião (baseada apenas no que li/vi/ouvi) é essa.

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  9. Cada um como cada qual. Eu, por exemplo, não sei quando poderei gastar dinheiro no casamento, e posso até ir viver com o homem primeiro. Mas ficar sem me casar, não. Sempre foi mesmo um objectivo de vida para mim.

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  10. Primeira observação: todos quantos vivam junto com os seus companheiros e recusem o casamento baseados em argumentos como ‘é muito cedo' e ‘casar não é para mim' não estão nem nunca estarão verdadeiramente numa relação. Estão a divertir-se, a aproveitar o momento, a ir ao sabor da corrente, pacífico para mim e para eles porém facilmente se percebe que não estão num relacionamento que vejam como sendo para manter a longo prazo. Tal como acontece com todos quantos aceitam casar e mesmo assim levam o/a stripper da despedida de solteiro/a para a cama para satisfazerem a sua última noite de liberdade, tal como todos quantos, apesar da bênção do padre, da cerimónia e do papel assinado, continuam a trair uma e outra vez o seu companheiro, tal como todos que mesmo abençoados pelo sacerdote e pela sociedade desrespeitam física e psicologicamente os seus companheiros no dia-a-dia. Há um padrão, não relativamente ao estado civil mas no que respeita à educação. Ou se está inteiramente comprometido de coração ou não. Ou seja, e mais uma vez, o que define a relação é o que o casal faz dela, independentemente do estado civil legal.

    Segunda observação: se o argumento se resume exclusivamente a questões de educação, fé e dogmas religiosos eu aceito, já, por outro lado, se invocam razões de 'eu amo mais porque aceitei casar' eu descarto por falta de credibilidade, lamento. Para mim é um não argumento.
    Eu amo mais porque sou fiel em todos os aspectos da nossa vida, eu amo mais porque estou por inteiro na relação, eu amo mais porque luto diariamente para fazer o meu companheiro feliz, eu amo mais porque respeito todas as suas opiniões (mesmo quando não concordo com elas), eu amo mais porque estou ao lado dele mesmo quando ele toma uma decisão menos acertada, eu amo mais porque o escolhi para (se nada mudar) envelhecer ao seu lado, eu não amo mais porque na conservatória mudaram o meu estado civil a troco de €200. É algo que me parece demasiado óbvio para ser sequer discutido.

    Por fim, relativamente a comentários ofensivos, sejam eles de que lado forem, serão sempre provenientes de pessoas sem civismo e que não sabem viver numa sociedade livre e, portanto, o único destino a dar-lhes é o lixo.

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    1. Este comentário podia ser meu. Parabéns Cláudia pela tua lucidez ao longo desta discussão.

      Quanto ao anónimo das 16h46 só muito recalcamento e inversão de valores justificam tantas barbaridades em tão poucas linhas.

      Anne, casada, junta ou sozinha, o importante é respeitar as opções de cada um e ser feliz.
      Bom Ano

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  11. "Admito que às vezes sinto que nasci em 1920, que penso à antiga mas foi uma escolha minha, sempre soube que só queria pertencer a uma pessoa e que essa pessoa seria o meu marido."

    Lá está, mais um comentário que demonstra grande confusão entre o casar/viver junto e o suposto desnível de comprometimento que existe entre ambas as situações. Eu vivo com o meu namorado há 4 anos e meio e ele foi a única pessoa a quem eu "pertenci" (sim, também nessa acepção da palavra que estás a pensar). E não é por não estarmos casados que a força da nossa relação é menor, não é por uma questão de "conveniência" ou de "logo se vê no que vai dar". Muita gente também se casa com esses pensamentos!

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    1. Sim, se calhar posso estar a confundir algumas situações, principalmente por nunca ter vivenciado a realidade do 'viver junto', a minha opinião baseia-se apenas naquilo que me contam e que vejo. E é daí que advém a ideia que tenho da falta de comprometimento, porque oiço verdadeiras barbaridades sobre o assunto que me faz ficar de queixo caído.

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  12. Por um lado não posso deixar de concordar com a autora do blogue, visto que ser pedida em casamento por um homem é a maior prova de amor que ele pode nos dar. Querer nos dar o apelido, uma aliança e um status, desculpem, mas é só para os que amam de verdade.

    As mulheres que aceitam viver junto sem os benefícios do casamento, infelizmente, são umas fracas que têm medo de perder o gajo e por isso aceitam este tipo de relação. Mas qual é a gaja que podendo casar, prefere antes apenas morar junto? Nao vamos ser mentirosos. Faz diferença, sim.

    E as mulheres que aceitam esta forma de estar são tão frustradas que assumem-se como casadas quando não o são. "ai o meu rico marido", "ai o meu excelso esposo", "ah o maridão isto, o maridão aquilo". Mas qual marido, pá? Qual esposo? Acordem! São uns namoradinhos que dividem a renda e as contas e mai nada! Quanto antes aceitarem a verdade, melhor.

    P.S: Sei que este comentário não vai ser aprovado mas é a minha opinião e quero dá-la.

    Marisa

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    1. Ahah que triste! Frustradas são pessoas como a senhora, que acha que "conseguiu" uma grande coisa por um homem a ter levado ao altar. Por achar que é esse acto que define a felicidade de alguém, ou a concretização de uma mulher.

      Quais é que são os benefícios do casamento? É que se forem amar alguém incondicionalmente, estar junto daquela pessoa "na saúde e na doença", apoiarem-se mutuamente e partilharem uma vida em comum, lamento, mas pode tê-los por inteiro sem casar e vivendo "apenas" unida de facto. Mas se forem, como parecem ser para si, "um apelido, uma aliança e um status", aí, de facto, mais vale casar-se, porque não vale a pena continuar numa existência miserável por não ter essas 3 coisas :) de facto, aqui se vê afinal o que é o casamento para muita gente: aparências.

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    2. Pessoas, por favor, não vamos baixar o nível, sim? Insultos gratuitos não vão nos levar a lado algum e só fica feio para nós e para quem nos lê. De facto, anónima das 16h46, eu quase não aceitei este comentário e confesso que não gosto nada do 'tom' arrogante e prepotente com que nos fala. O resultado disto é gerar ódios gratuitos e a blogosfera já anda tão cheia disto que sinceramente... acho que não precisamos de mais.

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    3. Cara Marisa,

      Confesso o meu choque ao ler o seu comentário (e olhe que eu choco-me poucas vezes que já vi muito nesta vida!). Mas vamos por partes:

      'Querer nos dar o apelido (...) um status' - o apelido, ainda que chegue a casar, continuarei a ter o meu, porque em casando não passo a ser irmã ou filha do meu marido para partilhar apelido com ele; depois porque, para mim, o apelido de família é uma herança da qual eu muito me orgulho. Deixar de assinar com o nome do meu pai para passar a assinar com o nome do meu sogro só se o meu pai entretanto criar uma vertente da bomba atómica e do nada se fizer explodir no meio de um qualquer templo budista, matando vários inocentes. Até lá, pretendo morrer a assinar com o nome que ele me deu quando nasci. Relativamente ao status, só posso relevar e aceitar como sendo piada sua. Já que associar um acto de amor a status dignifica profundamente a instituição que se pretende defender, está mais que visto.

      'mulheres que aceitam viver junto sem os benefícios do casamento' - pois que tirando a partilha da casa e mesa diária, dos carinhos e cumplicidade ali à distância de um olhar e do apoio mútuo, coisa que felizmente usufruo diariamente, não estou a ver outros benefícios exclusivos do casamento que não se verifiquem nos amancebados, mas pode ser limitação minha, que pode, portanto se puder elucidar-me, fico a aguardar.

      'qual é a gaja que podendo casar, prefere antes apenas morar junto?' - gaja não sei mas se a pergunta for extensiva a mulheres aí posso-lhe responder sem margem de dúvidas: eu! E veja lá que até fui pedida em casamento com direito a anel de noivado e tudo e mesmo assim ainda não me vesti de branco porque nunca quis.

      'Faz diferença, sim.' - Pedido meu: dê-me exemplos práticos se os tiver aí à mão, pode ser?!

      'São uns namoradinhos que dividem a renda e as contas e mai nada' - já os maridos não devem dividir as contas, para manter o tal do status devem ser eles a pagar tudo, é isso? Entendi bem?

      Cara Marisa, não sei a sua idade, não me interessa, mas aconselho-a a olhar para o mundo mais atentamente porque está sempre a tempo. A desprender-se do óbvio, dos status, do que pensam os outros, da necessidade de afirmação perante os outros. Aceite que o amor, per se, para muitos é o suficiente. Que essas frustradas que se assumem como casadas não precisam de ostentar a felicidade, basta serem-no dentro de portas. Posso-lhe chamar Excelso Esposo, marido, companheiro e, por norma, faço-o por graça porque o que eu gosto mesmo de dizer é ‘o meu homem’, assim, na versão mais natural e selvática já que, independentemente dos títulos, é o homem que me faz naturalmente feliz.

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    4. Cara Marisa tenho 47 anos não casei por escolha, se me decidir separar do meu companheiro tenho obrigações reguladas por lei, em Portugal há liberdade de escolha, mas isso não significa que quem vive em união de facto há mais de 5 anos não tenha obrigações e deveres que estão previstos na lei.
      Concluindo deve-se ponderar bem as implicações jurídicas de um caso e de outro, as convicções religiosas que se tem ou não e depois ponderar e escolher e Anne não acho nada que é de 1920 é a sua escolha de acordo com os princípios em que acredita pelo que me apercebo é bastante activa dentro da religião a que pertence faz todo o sentido que tenha querido casar.
      Cara Marisa a minha união de facto dura à 30 anos e não me sinto frustrada, seria incapaz de trocar o apelido do meu pai pelo do meu companheiro e uma das razões pela qual não me casei está mesmo relacionada com diferenças patrimoniais entre um e outro, não caso porque temos um filho de 24 anos e quando eu morrer que não sei se é antes ou depois tenho a certeza que o meu filho herda o meu património por inteiro assim como tenho a certeza que o meu companheiro tem direito à minha pensão de sobrevivência e vice versa e claro que não gosto da palavra companheiro e não a uso se não junto de organismos oficiais. Quanto à frustração é coisa que não existe no nosso dia a dia e o conselho que aqui deixo a todas é que ponderem todas muito bem e consultem advogado, sacerdote e o vosso coração porque o amor é lindo mas quando é feio é mesmo muito feio e é a todos os níveis emocional, jurídico e infelizmente também no que diz respeito ás implicações sociais, como está bem demonstrado nas palavras da Marisa que deve ser bem mais antiga que as minhas avós, já que ambas se divorciaram e tinham um pensamento bem mais evoluído face a estas situações, os meus pais são casados pela igreja e vivem felizes, antes que se ponham a dizer que a culpa é das vóvós.

      Maria do Rosário

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  13. Quando referes comentários ofensivos, deves estar a incluir a óbvia chamada de atenção para a situação da tua mãe e a absoluta incoerência do teu pensamento com o estilo de vida por que ela optou. É só mais uma (incoerência), no pasa nada :)

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    1. Nops, quando me refiro aos comentários ofensivos, falo no geral e não apenas no teu. Fica descansada que o poder de ofender e ser má educada não é uma exclusividade tua, sabes?

      Quanto à ‘chamada de atenção para a situação da minha mãe’, desculpe mas… quem és tu para chamares atenção sobre factos que desconheces completamente? Quem és tu para trazeres à baila a minha mãe, como se a conhecesses há vários anos? Fico sempre impactada quando vejo pessoas que seguem este blog há anos (e acham que sabem a minha de trás para frente) e sentem-se no direito de palpitarem sobre algo tão pessoal como a vida da minha mãe e o ‘estilo de vida que ela optou’.

      Como diria a minha amiga Clarice (Lispector): “Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter, calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida.”

      E sim, a minha mãe casou três vezes. A primeira vez, aos 16 anos, com o meu pai, um homem violento que a espancava dia sim dia também. Divorciou-se. Entretanto aos 27 casou-se com o pai da Vi, naquele que foi um casamento que eu considero como um exemplo, com um marido apaixonado e um padrasto que foi mais pai para mim do que aquele que me pôs no mundo. Infelizmente o meu padrasto faleceu vítima de um infarto fulminante em 2013. Viúva e com 45 anos, a minha mãe apaixonou-se novamente e casou-se no ano passado. O que há de errado nisto? Não tenho motivos para me envergonhar, antes pelo contrário, tenho um orgulho enorme da história de vida da minha mãe e da coragem e força que ela sempre teve.

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  14. Para mim, só vejo o casamento a fazer sentido para quem é religioso. Eu não sou, por isso, para mim o casamento resumir-se-ia apenas a uma coisa: um dia de festa, com amigos e familiares. O casamento, enquanto relação duradoura, estável e comprometida, já eu tenho, vivendo com o meu namorado de sempre há vários anos e partilhando, diariamente, um projecto de vida em comum. Como dispenso a parte da festa e de concentrar num dia completamente clichè "o melhor dia da minha vida" e sou apologista de viver todos os dias bocadinhos de felicidade e partilhá-la com o meu namorado, bem como com familiares e amigos, sem ter de haver um dia específico para o efeito, não me vejo a casar. Só o farei se, do ponto de vista jurídico, isso me trouxer (a mim ou à nossa relação) alguma vantagem, nomeadamente quando tivermos filhos.

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  15. A polémica não está na questão casar vs morar junto, mas sim nas afirmações da Anne.

    Se a Anne tivesse respondido algo como: "Sim entendo que em termos prácticos seja o mesmo, mas para mim não dava porque tenho uma maneira de estar mais conservadora, religiosa que me faz valorizar muito o estado civil."; o assunto tinha ficado arrumado e ninguém tinha dito mais nada porque percebiam e respeitavam o ponto de vista. Mas o que a Anne fez foi tecer juízos de valor e foi aí que as leitoras se insurgiram, porque quiseram demonstrar a falácia do argumento!

    "viver junto NUNCA será a mesma coisa que casar" Existem N testemunhos aqui que lhe garantem, com conhecimento de causa, que É exactamente o mesmo! Mas a Anne continua a querer que seja diferente e remata com o argumento " (...) viver junto e casar são coisas diferentes, que não envolvem o mesmo nível de comprometimento entre um casal", ora e aqui está a origem da polémica! Ninguém pode fazer uma afirmação destas, não existe uma escala ou unidade que permita medir o nível de comprometimento e foi isso que lhe tentaram fazer ver. O mundo não é a preto e branco, pelo que reduzir a questão a casado=amor e compromisso vs união de facto=vamos ver se é amor e descomprometimento é desleal, porque requer um juízo de valor que não lhe compete fazer e que até me parece um pouco ofensivo.

    Eu até entendo que a Anne, pela educação que teve esteja "formatada" para fazer questão de casar antes. O meu marido, membro de uma família conservadora também fez questão de casar, já eu não fazia questão, porque lá está, eu SÓ queria estar com ele, de papel passado ou não, se o amo mais porque somos casados? Claro que não! Se tenho o mesmo nível de comprometimento que teria se não o fosse? Certamente que sim! E tenho a certeza que os meus amigos "unidos de facto" têm relações tão estáveis, felizes e igualmente comprometidos.

    (Já ao anónimo da prova de amor lhe digo: a maior prova de amor de um homem é escolher ficar ao nosso lado sem um papel que o prenda, e fracas são as mulheres que para se sentirem (falsamente) seguras necessitam de agarrar um homem pelos tomates com um casamento!)

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    1. Casar não é igual a viver em união de facto e não estou a falar de emoções bem entendido é diferente perante a lei, perante a religião e o que mais me choca perante a sociedade em que vivemos que aceita melhor um ou uma divorciada que uma união de facto feliz, eu mesma já ouvi nas minhas costas que o facto de viver feliz em união de facto há mais de trinta anos se deve ao facto de entre nós não existirem obrigações e assim sendo vamos dando umas voltinhas por aí confesso que me faz muita confusão

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    2. Eu bem sei que existem diferenças perante a lei (eu e acredito que todos os que comentaram), mas em termos prácticos, de convivência diária e da relação no quotidiano, quais são mesmo as diferenças? Da experiência que tenho com amigos que viveram juntos e depois casaram quando se pergunta o que mudou, a resposta é sempre a mesma: NADA! Porque as implicações do casamento não estão patentes no dia-a-dia, mas sim em pormenores pragmáticos (patrimoniais, sucessórios, etc.). A Maria do Rosário diz que vive em união de facto, eu pergunto-lhe: Sente-se menor por não ser casada? Menos comprometida na relação? Que ama menos a pessoa que escolheu? Se casasse, para além do estado civil e das questões legais, mudava alguma coisa?

      Mas o enfoque da questão não foi Casar vs Morar Junto, nunca se prendeu com isso, são escolhas que cada um faz e que ninguém tem a ver com isso! Se bem me lembro alguém quis explicar à Anne, que o que ela amava não era estar casada, o que ela está a amar é viver/morar junto com a pessoa amada e viver todo o potencial da relação que advém de estarem a morar juntos e para isso não é preciso estar necessariamente casado (e isto é inquestionável). A discussão começou porque a Anne, face ao ideal dela (que eu entendo) inferiorizou o "morar junto" com base em análises de conteúdo emocional, que não pode/deve fazer. E quem está "junto" não gostou de ler que estava menos comprometido e amava menos, quando isso não é (pode não ser) verdade. Tão só e apenas isto! (Ou pelo menos é a análise que faço desta troca de opiniões).

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    3. Aryann, a minha afirmação reflete apenas a minha opinião sobre o assunto e opinião cada um sustenta a sua. As pessoas têm todo o direito de pensarem de maneira diferente, mas não de serem mal-educadas. Quando dei a fatídica resposta estava longe de imaginar o sururu que se ia desenrolar, foi uma resposta espontânea, não foi tecer juízos de valor sobre ninguém, estava apenas a justificar o porquê de para nós (atenção: para nós) não fazia sentido o ‘morar junto’, visto que tanto eu como o meu marido encaramos o assunto com a mesma visão. Se é um argunto falso ou não, não sei. É apenas a impressão que tenho sobre o assunto, fundamentada apenas sobre aquilo que oiço de pessoas que vivem desta forma.
      Como todas as opiniões pouco fundamentadas (e assumo isto), posso estar enganada, posso estar a ser preconceituosa, é provável que sim. Mas neste momento, reitero tudo aquilo que disse: “PARA MIM, viver junto nunca será a mesma coisa que casar” por motivos que só a mim cabe, é uma opinião minha, respeitem isso.
      Não vejo em que posso ter ofendido alguém com o meu comentário, visto que ele reflecte apenas a minha forma de pensar. Se as pessoas sentem-se bem da forma como estão, se estão felizes assim, porquê todo esse drama? Cada um é livre de pensar o que quiser, temos livre-arbítrio para tal. Eu penso assim, porque fui educada assim. Ponto. As pessoas discordam porque foram educadas de outra maneira. Em algum ponto eu digo que a minha forma de pensar é a certa? Não! É apenas diferente.
      Quanto à provas de amor, sinceramente, acho um bocadinho ridículo homens e mulheres adultos terem que provar o que quer que seja para o outro. Andamos na primária novamente? O meu marido não preciso me provar que me ama, porque se eu não tivesse a total certeza disso, não estaria ao lado dele. Com ou sem papel assinado, que um papel nunca prendeu ninguém, como toda a gente bem sabe.

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    4. Anne, em relação ás provas estamos completamente de acordo, quando as referi, dirigi-me directamente ao comentário acima que as referia, contrariando e ironizando os argumentos do anónimo "Marisa". Talvez não tenha sido explicita na minha intenção de ridicularizar o extremo do mesmo (com argumentos contrários e da mesma maneira extremos), aí o erro foi meu, não fui tão clara e por isso peço desculpa.

      Em relação ao assunto aqui debatido, já afirmei que percebo a vossa posição e até dei o meu próprio exemplo. Não vi aqui ninguém a desrespeitar as opiniões dadas, não vi aqui (neste e no outro tópico) ninguém a desrespeitar a opinião e a escolha da Anne, percebi que houve até quem tentasse mas que não passaram no crivo (mas esses vêem de pessoas com pouco ou nenhum saber estar e que não contribuem em nada, pelo que fez bem em apagá-los). Aqui tentou-se trocar e refutar ideias, tão só e apenas.

      Claro que a Anne só deu a SUA opinião! Que é tão válida como a minha e a de toda a gente e claro que quem discorda o pode fazer, desde que o faça de maneira educada! Quando comentei, fi-lo porque muitas vezes nos esquecemos (acontece a todos) que a questão não é a opinião em si, mas a maneira como é exposta. Porque me pareceu que o sururu, ao contrário do que se tenta fazer crer neste tópico (ou pela minha leitura dele, assumo) não se prendeu com não concordarem com a opinião per se mas sim com o extremismo das declarações da Anne face ao seu ideal (que eu até entendo), inferiorizou o "morar junto" com base em análises de conteúdo emocional (que advêm de juízos sim), que não pode/deve fazer, ao dar a SUA opinião fez generalizações que podem ofender quem está deste lado (note-se que eu não disse que ofendeu, mas sim que podia ofender), tanto que existiu quem se melindrou e refutou tentando fazer ver que estava a ser injusta e que os argumentos eram apenas ideais pré-concebidos e errados. A Anne explica que as suas impressões vem de pessoas que vivem desta forma, aqui deram-lhe o outro lado da moeda, porque é com opiniões contrárias que crescemos e mudamos.

      Eu não disse que estava errada, nas opiniões não existem certos e errados! Apenas que se estava a focar na troca de opiniões/discussão sem perceber que mesmo inadvertidamente foi a própria Anne que esteve na origem. Tentei ser o mais construtiva, que consegui na MINHA análise, para tornar este "debate" o mais limpo possível sem desrespeitar e para ser respeitada. Tréguas? ;)

      P.S.- Para quando mais um postzinho sobre a casinha! ;)

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  16. Há quem diga que não casa por questões económicas. Não casam porque não têm dinheiro para casar ou para comemorar o casamento? Para se casar não é preciso muito dinheiro... No civil serão 150, 200 euros??? Mesmo com cerimónia religiosa, não é nada que não se consiga pagar. O que me parece, é que confundem o ato de casar com a comemoração, que por hábito implica um banquete para os convidados.

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    1. São 120€ para casar pelo civil.

      Quando há vontade, arranja-se um jeito. É como dizem: desculpas há muitas...

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    2. Mas que desculpas? É UMA ESCOLHA é assim tão difícil de entender, vivemos num Estado laico e democrático, mas a sociedade parece que ainda não chegou à mesma situação e essa é a verdadeira questão.

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  17. Exacto, as pessoas arranjam desculpas pars não casar e acomodam-se em cada um trazer as suas tralhas para uma casa e esta bom, toca a andar. Sem qualquer celebração sobre a uniao, e isso é contentar-se como esta.
    Casar é so um papel? Tambem oné um contrato de compra de uma casa, a propriedade é so um papel, e alguem recusa-se a essas burocracias e contenta-se em pagar e pronto, ja sei que é meu. Contrato de trabalho tambem é so um papel e ninguem contenta-se em trabalhar sem um contrato, so um papel. A importancia de casar nao é o papel ou a falta dele, é o sentimento jacente a esta celebracao, o ter orgulho e o assumir perante a todos que queremos a outra pessoa so nossa para o resto das nossas vidas. A importancia do "papel" somos nos que damos.
    E sim, nao casar é simplesmente deixar a relacao em "banho maria" a ver o que resulta, nao é investir na outra pessoa totalmente, para com ela criar uma familia, uma vida em conjunto.
    Desculpem, mas essa é a minha forma de ver as coisas. Se é so um papel, qual o problema de um casal que se ama assina-lo? E nao, nao é tao caro assim para quem realmente quer.

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    1. Eu quero um contrato de compra e venda de uma casa porque ao efectuar o pagamento isso faz-me adquirir direitos sobre o bem. Eu sou proprietaria da casa durante o tempo que eu entender e quem interferir ilicitamente com o meu direito de posse responde perante a justiça. Eu quero um contrato de trabalho porque isso é a garantia de que a entidade patronal cumpre os meus direitos enquanto trabalhador e, caso nao o faça ,eu posso garantir o seu cumprimento mesmo contra a vontade do faltoso.
      Posto isto, pergunto, a ideia inerente à assinatura do contrato de casamento é, por equiparaçao, para me garantir quais direitos em caso de incumprimento? É para impedir que alguem toque ilicitamentre no marido? É para garantir que ele é bom marido mesmo que não o queira ser? Ou estamos só a falar de dinheiro e é para garantir que caso ele nao cumpra o que prometeu inicialmente eu posso fazer exigencias legais?

      Porque para mim a questao de assinar um papel antes de dar inicio a uma vida a dois é isto, é partir do principio que vai dar para o torto e assim o tribunal é quem vai decidir quem tem razao, depois do conto de fadas acabar. É para isso que servem os contratos, para garantir direitos em caso de outorgantes faltosos.

      Nunca ouvi historias de casais 'unidos' que tenham andado anos e anos em tribunais em verdadeiras guerras após um ou ambos decidirem que nao era aquilo que queriam, já casais casados é uma história por dia. Moral da questão? ...

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    2. É que todos os contratos acima mencionados garantem de facto os nossos direitos jurídicos dizem respeito a situações apenas e só jurídicas, já no contrato de casamento não estão implicadas apenas situações jurídicas, assim é uma escolha que fazemos conscientes dos riscos inerentes e espanta-me que em 2015 ainda existam pessoas que acham que tal contrato é garante de felicidade ou duração da relação e mais vale o aviso se quiserem ser clientes de uma operadora de tv o contrato dura dois anos o casamento garante bem menos tempo e é bem mais fácil de romper e se calhar mais económico.

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  18. "inicio de uma vida a dois"? Mas é suposto conhecer alguem e ir logo casar/viver junto? Penso que essa decisao, seja qual for, so se toma apos ja conhecer a pessoa um bom bocado, e ai ja ha algo da vida a dois criado. Outra coisa é, ja havendo essa "vida" a dois, a outra pessoa nao querer casar, conhecendo a pessoa tomar essa decisao ou simplesmente sem qualquer motivo justificavel nao a querer tomar.
    Por casar de facto nao significa viver eternamente juntos, significa o QUERER viver eternamente juntos. Do mesmo modo que o casamento nao "segura" ninguem, tambem nao é a uniao de facto que o fará. E nao, nem sempre o tribunal tem que intervir, nao é so porque ha um "papel" que automaticamente ha necessidade de intervencao quando "da para o torto".
    Para mim, ja contar que a relacao vai dar para o torto ab initio e por isso nao casar, por ja contar com esse fim quase como obvio, isso é para mim, viver junto. E isso é, para mim, falta de confiança na relaçao, ja contar com o "dar para o torto".

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    1. Anónimo,
      só se conhece realmente alguém (e mesmo assim há casos em que se passa anos a ser enganada) quando se vive realmente com a pessoa. Quando se deita e acorda todos os dias, quando se enfrentam os problema das casa, do carro, das contas no geral, quando após um dia infernal e perante o nosso mau humor vemos a reacção de quem nos espera.
      Eu namorei SEIS anos, cada um a viver na casa dos respectivos pais, casei apaixonada e plenamente convicta que tinha encontrado o homem da minha vida, passados dois anos o divórcio foi a minha luz ao final do túnel. Porquê? Porque o meu marido controlador e agressivo em nada se parecia com o meu namorado doce e romântico, embora por fora fossem a mesma personagem. A vida a dois começa veradeiramente no dia em que se concretiza o projecto de viver junto, tenha ou não havido casamento. Até lá é apenas um projecto de vida a dois, é muito diferente.

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  19. Ai Anne, estás lixada! O que querias evitar no outro post, acabou por repetir-se neste ahahahah xD

    Eu acho q entendo o q quiseste dizer, apesar de também compreender a indignação dos leitores. Penso q terias sido mais "feliz" se dissesses algo como "Casar faz-me sentir mais completa/whatever" e não algo como "Casar e viver junto não tem nada a ver" (eu sei q não foi exatamente isto q disseste)... Sim, para ti pode ser a mesma coisa, mas a verdade é q deste modo ninguém teria nada para agarrar, porque eram coisas que TU sentias em relação a um assunto que só te dizia respeito a TI e não q fosse falado de modo geral, q pudesse "englobar" os outros e/ou as suas relações. Mas enfim, isto são só palavras!

    Pessoalmente... acho q não se deve generalizar! As pessoas pensam, sentem e vivem as coisas de maneiras diferentes, têm prioridades diferentes, etc.
    O casamento/viver junto tem a importancia q cada um lhe dá! E nem sempre a religião tem a ver com o assunto, porque até mesmo ateus podem querer casar, isto porque cada um dá ao casamento o simbolismo que quiser dar.

    Agora, pessoalmente, eu não sou religiosa, não vejo importancia em assinar um papel, e também não dou grande simbolismo ao casamento!
    Isto porque PARA MIM o amor é celebrado, alimentado e provado de maneiras diferentes... Há gente q vê o casamento como uma prova de amor, mas a verdade é q muitas vezes é visto como um "empecilho" para a felicidade (quando corre mal, claro!), uma corda q insiste em atrasar as pessoas na toma de decisões importantes, como terminar a relação, p.ex.

    Pessoalmente, não vejo qual é o mal de ir viver junto, até mesmo "para testar a relação"! Acho até bastante presunçoso da parte de alguém, achar q é por casar q as coisas irão correr melhor do q se fosse de outra maneira... as pessoas podem muito bem acreditar q irão ficar juntas para sempre e que quando casarem e se juntarem serao felizes para sempre MAS, a vida em conjunto com alguém é bem diferente do q a q se tem separado... vão ser confrontadas com problemas q antes nunca tinham defrontado e ninguem sabe se vão conseguir ultrapassa-los ou não. E certamente q não é por estarem casados q irão ter mais ou menos hipóteses de os ultrapassar [comparado aos q apenas vivem juntos].

    Não vejo o "viver junto" como um acto leviano... acho até um acto bastante racional e responsavel das pessoas. Se 2 individuos namorassem anos, casassem a pensar q tudo ia ficar bem, mas depois se deparassem com problemas q os levassem á ruptura... afinal, nesta situação, em q é q o "casamento" ajudou? Provavelmente só tiveram chatisses!

    As pessoas têm a mania de rotular as coisas (e não é q isso seja mau!) mas todos temos a nossa própria percepção das coisas. Uma relação só será bem sucedida quando o casal decide lutar junto e remar na mesma direção, tendo como objetivo a felicidade dos dois... e isto é algo independente da relação ter chagado a casamento ou apenas a viver junto =)

    Beijinhos*
    Deb.

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  20. Anne adoro o teu blog,leio sempre.
    Desta vez fiquei surpreendida com a tua ideia em relação a casar Vs. viver junto.
    Tenho-te como uma pessoa coerente,com os pés assentes na terra e justa. Mas não estás a ser justa ao dizer que os que vivem juntos não estão comprometidos da mesma maneira que os que casam. Ao dizeres isso estás a diminuir a importância e os sentimentos de todas as pessoas que optam por não casar.
    Então o amor que eu sinto pelo meu homem não tem o mesmo valor que o amor que sentes pelo M., só porque não sinto a necessidade de o tornar oficial através de um contrato ou cerimónia religiosa? Porquê?
    Eu estou comprometida na minha relação da mesma maneira que tu estás no teu casamento. Não consigo imaginar a minha vida com mais ninguém,e só desejo ver-nos a envelhecermos juntos.
    Respeito o casamento e respeito todas as pessoas que preferem casar. Gostava de ver os defensores do casamento respeitar os outros da mesma maneira. Porque foi isso que verifiquei nos comentários, os que defendem o casamento atacam muito mais (Atenção:nem todos!!)do que os que apenas vivem ou pretendem viver juntos. A intolerância é uma coisa que me faz confusão.
    Se o casamento é assim tão importante,porque há divórcios? Assim como há pessoas que se juntam e separam com imensa facilidade (eu reconheço que as há),também há casamentos assim.
    Eu tenho uma irmão que já casou duas vezes e viveu junto outras tantas. Qual foi a diferença para ele? Nenhuma! O 1º casamento foi o que durou mais,mas ele até só casou para fazer a vontade á mulher. Para ele tinha sido igual de qq das maneiras. Os meus pais foram casados 30 anos! A minha mãe levava tareia e era traida todos os dias,o meu pai nem aliança usava,mas era casado. Que diferença fez isso para ele respeitar mais e amar a minha mãe? Absolutamente nenhuma!! Acabaram por se separar e a minha mãe nunca mais quis ninguém na vida dela.
    O importante é o que não se vê,o amor,o respeito,carinho,a preocupação,o desejo de passar o mais tempo possivel com a pessoa amada. Isso não se pode quantificar de maneira alguma.
    Agora compreendo perfeitamente as pessoas que por questões de cultura,religião ou educação não dispensam o casamento,mas nunca,nunca por que eu gosto mais do que a outra que se juntou sem casar.

    Apoio totalmente e faço minhas as palavras da Cláudia nos seus comentários e as da Aryann.

    Em relação ás palavras da Marisa apenas digo: as mulheres lutaram muito para terem direito a ter uma conta no banco,poderem gerir o dinheiro da familia como um ser igual ao homem,poderem votar e até conduzir um carro, coisas que hoje temos como garantidas. Foi uma longa luta de algumas que foram muito discriminadas ao longo da história,para verem o seu valor ser reconhecido,serem tratadas como seres iguais. Não acha que pelas suas palavras parece que estamos a regredir novamente? Pense nisso.

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  21. Olá Anne, há muito tempo que sigo o blog e gosto muito. Não poderia deixar de comentar este tema. Namoramos há quase 11 anos (faz em Maio), sou noiva há um ano (com pedido de casamento publico, anel etc.) e vivemos juntos há dois. Também andei num colégio de freiras e dei catequese, sou católica e sempre tive a ideia de casar, com véu e grinalda, tudo a que tenho direito. Apenas fomos viver juntos porque se proporcionou assim, ele não é da minha cidade e arranjou trabalho cá, arranjou apartamento e passava as noites com ele e depois voltava para casa dos pais, até que fui ficando e fiquei de vez, não foi uma coisa pensada e nem nunca pensei que tal acontecesse. Continuo com esse sonho e vamos casar este ano, mas admito que a partir do momento em que 2 pessoas vivem juntas, deixa de ser uma prioridade tão grande, porque já não têm que dar esse passo para ficarem juntinhos. E sim, somos imensamente felizes, só nos conhecemos um ao outro como homem e mulher e não consigo imaginar como poderia ser diferente. Por isto tudo, não concordo contigo, mas respeito a tua opinião, o nosso compromisso não é menor só porque não casamos, somos um casal normal, queremos ficar juntos para sempre, falamos em filhos, fazemos planos, viajamos, etc, e com o tempo a nossa relação ainda ficou melhor.
    Beijinhos*

    Mariana

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  22. Ler isto leva-me a pensar que o respeito pelas opiniões dos outros andam perdidos no abismo!!!
    Cada um defende o que bem entender, e ninguém pode apontar o dedo a ninguém por seja o que for. Se fulano acha que se deve casar porque assim é que é... siga! Se o amigo acha que casar não passa de um contrato/papel, e não vê beneficio nenhum nisso.. siga!
    Agora atirar para o ar a ideia do "gosto mais dele do que tu, porque eu estou casada" é claramente uma frase infeliz. E certamente cada um deve ter um exemplo de pessoas casadas infelizes, e pessoas "unidas" onde o amor é uma coisa do além de tão boa!!!
    O respeito é muito bonito! E a democracia também! =) Casem-se ou juntem-se por aí fora! Interessa é haver amor! No fundo; é disso que se trata!

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  23. Parece que já não se sabe respeitar a opinião das pessoas. Se, para ti, casar é importante e está fora de questão a união de facto onde é que está o problema? Já sigo o blog há algum tempo e nunca vi uma critica negativa da tua parte às pessoas que vivem juntas e neste post apenas dizes que casar/viver juntos não é a mesma coisa. Em momento algum condenas quem tem opinião diferente da tua. E não, eu não ligo nada ao casamento e vivo em união de facto :-)

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  24. Para mim também é impensável, por razões religiosas mas sobretudo, de seriedade. O nível psicológico de compromisso não é o mesmo. Até pode ser verdade que não se conhece alguém até viver com a pessoa, mas tenho para mim que não casando não há o mesmo esforço para manter a relação...além de que para a mulher,gostemos ou não, é um sinal de que o parceiro lhe dá realmente valor. Benefícios sem deveres não fazem sentido para mim, mas é realmente uma opção individual. Até porque como foi dito, casar fica barato - pode perfeitamente fazer-se a festa depois, isso não é o mais importante.

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  25. pessoal nao atrufiem por amor de deus. eu moro junto a 4 anos é como se ja estivesse casada. é o homem da minha vida. se o casamento pela igreja ou pelo civil acontecer muito bem se nao acontecer nao faz mal. tou presa a ele pelo amor que temos um pelo o outro. é isso que interessa. nao precisei de ir a igreja para saber o que é estar casada. tanto bla bla bla. sejam felizes e parem de ser maldosas

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