26 maio 2015

Acabei de receber esse texto pelo facebook...


 "... Então, você vai ser pai. Então, você e sua companheira estão grávidos. Então, você sabe que precisa comprar uma casa maior. Tem que ter mais espaço pra criança. Tem que ter mais um quarto no apartamento. Tem que ter um berço novo, não pode ser aquele que a vizinha se dispôs a emprestar. Então, você sabe que tem que trocar de carro. Aquele carro não é confortável pra levar a família.

Aquele carro não é seguro pro seu filho. Tem que ter seis airbags, no mínimo. Tem que vir com ar-condicionado de fábrica. Coitado do bebê no verão.

Pai novo, fiz tudo aquilo que me diziam, do apartamento maior ao carro quatro portas, depois dos quais precisei trabalhar mais para poder dar conta das prestações. Trabalhava mais pra poder pagar a melhor creche. No supermercado, apenas a melhor fralda. Comprar a fralda mais barata significava amar menos meu filho. Roupa do brechó, nem pensar. De brinquedos caros, nosso armário está cheio. De culpa também, por ter que passar muito tempo no trabalho.

O que aprendi é que não faz diferença alguma. Um apartamento grande não faz diferença, porque as crianças gostam mesmo é de dormir amontoadas na cama dos pais. Um carro grande não faz diferença, porque as crianças gostam mesmo é de andar de bicicleta. A melhor creche não faz diferença, se você é o último pai a buscar seu filho.

Os brinquedos mais caros e os jogos de videogame não fazem diferença: para crianças, não há nada mais divertido do que se equilibrar no meio-fio ou andar na calçada sem pisar nos riscos. Jogar uma criança pro alto e agarrá-la antes de cair no chão, está aí a melhor brincadeira do mundo para qualquer pequeno. E tem a vantagem de ser de graça.

Adoro aquela tirinha do Rafael Sica sobre o sujeito que está sempre no trabalho pensando no bar. No bar, o sujeito está sempre pensando na família. Em casa, com a família, o sujeito está sempre pensando no trabalho. O sujeito nunca está realmente onde ele está. Cria sempre algum tipo de ruído na relação dele com as coisas. Esse cara sou eu, pensei quando vi a tirinha pela primeira vez.

Então, você e sua companheira estão grávidos. Então, você sabe que não precisa de uma casa maior, de um carro melhor, nem da melhor fralda, nem da melhor creche. Você sabe, no fundo, que só precisa estar lá. De verdade."


E fiquei com um nó na garganta porque parei para refletir e lembrar da minha infância (pobre em luxos mas riquíssima em amor) e as melhores lembranças que tenho dessa fase são sempre de momentos simples, de dormir agarrada à minha avó na rede de embalar, de comer esparguete com salsicha da minha mãe e lamber os beiços de tão bom que aquilo é (a famosa 'comida de pobre'), de cantar o hino nacional toda segunda-feira no pátio da minha escola (pública), de apanhar o 'ônibus' lotado na Tijuca a caminho da praia do Leblon, aos domingos de manhã. E percebi que aquele clichê é mesmo muito verdadeiro: as melhores coisas da vida são à borla.

 (eu de patins, o Pê de bicicleta - eu era tão preguiçosa que queria ir sempre agarrada à ele para não ter que patinar ahahaha - momentos tão bons!) - Méier, Rj | 1995

Escusado será dizer que foi a minha mãe que me enviou esse texto (ela anda maluca por um netinho) e ao ler senti que os meus argumentos caíram um bocadinho por terra. As célebres desculpas de "um filho dá uma despesa do caraças", "só quero pensar nisto quando tiver XYZ de saldo na conta bancária", "só posso ter filhos quando puder mudar para uma vivenda com jardim que eu não quero criar filhos em apartamentos" ou ainda "um filho exige tanto! Vamos gastar com colégio, seguro de saúde, fraldas caras, roupas assim e assado...". Confesso que tenho uma visão racional das coisas (se fosse pelo lado emotivo, já eu estava com meia dúzia de filhos - sou louca por crianças, crianças são a maior pureza desse mundo) daí que só queira pensar nisso quando sentir-me totalmente segura financeiramente. E depois de ler esse texto, pus-me aqui a pensar. Não sei, não.

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9 comentários

  1. Acho que o texto (que eu já conhecia) se aplica a tudo na vida. Infelizmente há gente que vive num frenesim de acumular coisas, de ter mais e mais e mais, quando na realidade as coisas de que verdadeiramente precisamos são tão poucas e tão simples. Juro que não entendo aquelas pessoas que trabalham 10 horas por dia, todos os dias, só para acumularem dinheiro que gastam em tralhas desnecessárias e passarem 1 mês de férias algures...sendo esse mês o único tempo de descanso que têm durante o ano todo porque durante o resto do tempo é trabalhar, trabalhar, trabalhar, basicamente para ganhar dinheiro para estourar. Felizmente não são só as crianças que se contentam com o básico - todos os nossos precisamos, na realidade, de muito pouco para sermos felizes!

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    1. Concordo. Trabalhei numa sociedade de advogados e ganhava bem, mas tinha essa vida. Sempre detestei aquilo e sempre soube o que era importante para mim: estar com os meus pais e namorado, viajar e poder fazer aquilo que mais gosto. Sabia que, terminando o estágio, queria saír e foi o que fiz. Sem certezas de que iria arranjar algo certo a seguir, mas consegui, ainda que a ganhar menos, mas com muitooo menos stress e com tempo livre para mim. Ainda mantenho contacto com algumas pessoas que estão "nessa vida" e pergunto-me porquê. Recentemente abriu uma vaga onde trabalho e mandei-a a uma dessas pessoas, que me tinha pedido para a avisar. Resposta: "mas qual é a remuneração? é que quero uma vida mais calma, mas já estou a ganhar X€...". Sim, para quê? Para trabalharem 12h por dia, muitas vezes fds e feriados, viver ainda numa casa partilhada com amigos, viajar 1 vez por ano? Eu não preciso de muito dinheiro para ser feliz. O que ganho dá para ter uma casa arrendada com o namorado no centro de Lisboa, um carro que só usamos aos fds para uma coisa ou outra, viajar umas 5 vezes por ano, comer fora aos fds... quando tivermos filhos, não vão ser um rombo no orçamento. Porque não me interessa se andam vestidos com o fofo da marca XPTO e se andam num colégio bilingue. Vão ser simples e felizes como os pais :)

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  2. Então vamos ver la Anne, eu quando engravidei do meu filho na verdade ainda morava em casa da minha sogra que e bastante grande e tínhamos divisões em separado (cada quem no seu canto, só tinha apenas o nosso quarto a nossa cozinha com uma mini salinha de jantar, uma casa de banho, um bocadinho de quintal e garagem, nada mal para nos dois) quando soube que estava gravida quase me deu um chelique porque nesse dia tinha preparado tudo para começar a trabalhar só que aquelas pontadas no estomago já eram meio esquisitas e duravam já a quase 2 semanas, só por despiste comprei um teste de gravidez e foi na hora do meio dia que fiz em casa quando meu marido chegou, só me lembro de gritar: "ESTAMOS GRAVIDOSSS" não estávamos a contar com tamanha surpresa pois o meu medico tinha-me dito que pêlo menos tinha que emagrecer (naquela altura estava com um bocad (o) inho de peso a mais), e só quando perdesse para uns 15 kg e que poderia engravidar, mais pronto bastou só perder 5 kg e la se formo a criatura, eu desempregada com pouco tempo de estar ca, meu marido era so o sustento de casa, tínhamos contas para pagar, dividíamos o recibo de agua e luz com os meus sogros, comprávamos o nosso gás, pagávamos os nossas contas de telemóveis, comida, combustível etc.... mais desde o inicio criei um saquinho chamado: "o Dinheirinho do nosso Bebe" e todos os meses colocava entre 20 a 30€ de lado para quando chegasse o momento da gravidez já tivesse qualquer coisinha para fazer frente as despesas que por logica iriam surgir. Assim que antes dois 2 anos de casados já estávamos a espera do nosso rebento (acho o tempo ideal para um casal curtir o casamento-namoro, irmos passear, conhecermos sítios fantásticos (que com um bebe não podemos o fazer) graças a Deus meu marido tinha o carro com ar acondicionado de 5 lugares de boa cilindrada kkkkkk... (cada vez que me lembro do que temos que pagar de imposto selo fico em pânico) tínhamos algumas coisas mais não muito, eu mesma fiz e enxoval do meu bebe, (uma coisa não dispensei e juro-lhe Anne que me arrependi aos montes foi de gastar o balúrdio de quase 2000€ na PRENATAL, não caia nessa amiga quando entrar nessa loja leve um terço e assim que vier uma vendedora você diga: Vade Retro satanás) de resto as avos tricotaram bordaram e fizeram montes de coisas para o neto e como já lhe disse só tínhamos um quarto pouca coisa, mais o mais importante e que ele foi recebido com muito amor, e hoje em dia isso se reflecte nele da maneira tao meiga como ele trata as pessoas e a boa disposição com que sempre esta, hoje em dia já moramos num bom T2+1 e na mesma temos poucas coisas (eu mesma por vezes faço questão de lhe fazer os brinquedos com materiais reciclados, e sim já tem um Tablet, porra não sou assim tao pré-histórica) mais sabemos bem viver só com elas, conselho de amiga diga-lhe a sua mãe que espere mais um bocadinho disfrute do seu M. o seu M. que disfrute de si e assim que Deus lhe abençoar com um filho você já curtiu algumas coisas a vai ver que não se vai arrepender de se terrem dado esse tempo. Beijinhos (e desculpe este comentário XXXXXL).

    Mariela Rodrigues

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  3. tb nao é exatamente assim pq uma criança dá mt despesa, quer se queira quer não.
    Tens q pensar no mínimo q lhe queres dar a nível de saúde, educação, brinquedos...
    Até q ponto ser mãe te vai fazer abdicar de algo p q ja estas preparada. (ou nao)

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  4. E, tb há, infelizmente, outra questão:
    gente q trab mt por pouco dinheiro. por 500€ ou 600€. aí nem se pode pedir q trabalhem menos.

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  5. Hum...nem tanto ao mar nem tanto à terra....o nascimento de uma criança trás sim muitas despesas acrecidas e não são poucas e não é preciso marcas xpto nem exageros, é mesmo pelo minimo normal....Começa logo na gravidez com a compra inevitável de roupa para a mãe e principalmente roupa interior, começa a preparação do enchoval do bebé que tirando aquelas pessoas que estão à espera de viver à custa do dinheiro que os oiutros gastam é preciso comprar no minimo cama carrinho, roupas de vários tamanhos e esqueçam o pouca roupa porque se há coisa que os bebé usam é muita roupa eu chegava a mudar o meu filho 3 e 4 vezes por dia). São os médicos, são as vacinas, são os infantários (mesmo os públicos são caros), são fraldas, é o leite, é a fruta, são os iogurtes, as fraldas, isto tudo em grandes quantidades para casa e infantário, e é sempre sempres roupa e calçado que está sempre a deixar de servir, as cadeiras dos carros ....etc etc etc.....
    A história das crianças só precisarem de amor e dos pais é a mesma das relações de "um amor e uma cabana", ou seja fora da realidade....ou então é como eu digo há pessoas a quem não custa nada ter um filho porque se aproveitam daquilo que alguem gastou para os filhos deles....

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    1. Ter amigos/colegas que emprestem coisas é "aproveitar daquilo que alguem gastou para os filhos deles"? Eu ainda não tenho filhos, mas quando tiver, se me emprestarem algumas coisas ou as conseguir comprar em 2a mão, é o que vou fazer. Não faz sentido estar a comprar novo coisas como um berço ou um carrinho, que quem usou só com 1 bebé e já não vai usar mais tem em muito bom estado.

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    2. sinceramente não vejo mal o reaproveitamento de objectos/ roupas que ainda se encontram em boas condições. Se alguém pode dispensar algo que possa dar jeito a outra mãe, porque não? Se houve alguém que gastou dinheiro em dado objecto até acho que o facto de servir um propósito posterior á aplicação que lhe deu, sinal de qualidade e um contributo para a sustentabilidade ecológica. A generalidade das pessoas não tem filhos a pensar em viver às custas do que as outras gastaram com os seus, até porque sustentar materialmente uma criança ultrapassa a idade infantil em que os objectos são substituídos continuadamente. Tecer esse tipo de comentário é redutor e preconceituoso. No meu caso, mantive o meu vestuário igual, optando por recorrer as peças mais largas que tinha e não tive de comprar roupa pré natal e reaproveitei as roupas que a minha mãe de quando eu e a minha irmã eramos bébes (coisas lindas cheias de bordados que todas as outras mães me perguntavam onde eu tinha comprado). Sabe o que não pode faltar mesmo à minha filha? amor e esse amor tem de ser universal! Tudo a favor da reciclagem e da abertura de mentalidades sem julgamentos.

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  6. Anne, nunca vai chegar a altura ideal...um bebé dá muita despesa é verdade mas não é assim o fim do mundo...é uma questão de prioridades...vais acabar por deixar de comprar tantas coisas para vocês e para a casa e passas a estar metida na secção infantil e de puericultura... logo, na carteira não vai ser nada demais!! Para mim a verdade é só uma...o mais importante e o k os bebés mais precisam não há dinheiro do mundo que o possa comprar... ;)

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