07 setembro 2015

Let's Celebrate!

Foi há um ano que eu acordei com uma mãozinha enrugada no meu rosto e a voz mais doce do mundo que me dizia: "vamos lá, vamos acordar... daqui a pouco chega todo mundo e você ainda de pijama!" (por "todo mundo" entenda-se: cabeleireira, maquilhadora, fotógrafo, florista, madrinhas...) e eu lembro-me de abrir os olhos e ver o rostinho da minha avó, minha coisa mais boa, e pensar comigo: caramba, é hoje! E não é sonho, a minha avózinha está mesmo aqui do meu lado, passou a noite comigo..." (tínhamos dormido agarradinhas).

Levantei-me, tomei um banho e vesti um roupão (mamãe fez questão de comprar um novo, todo branquinho e felpudo para a ocasião) e desci para a cozinha. Entretanto recebi mensagem do noivo a dizer que não sabia das abotoaduras da camisa (oh céus, isso é tudo o que uma noiva precisa ouvir a poucas horas do casamento), entretanto o meu irmão nunca mais chegava (e o gajo nem banho tinha tomado ainda) e de repente surge-me de mota, capacete na mão, cabelo numa lástima a dizer: "relaxa... tô quase pronto!". A coisa prometia.

Dali uns minutos chegou a maquilhadora (a querida Andreia Faustino - sei que ela lê o blog, uma beijoca grande, Andreia, o teu trabalho é incrível!), a cabeleireira da minha mãe, recebi as flores da florista (as lapelas, o meu ramo, as pétalas, o ramo da dama de honor...), o fotógrafo e o ajudante também já lá estavam e comecei a ser penteada e maquilhada... Lembro-me de me colocarem o véu na cabeça e eu achar que tinha ficado com um mega cabeção, tipo aquela coisa que as sevilhanas usam na cabeça e quis tirar... A minha avó a dizer que ai de mim que tirasse o véu, que ela ficava já ali no sofá e não se levantava mais (sim, somos todos mega exagerados e dramáticos). Lá meti novamente o véu e dei o meu toquezinho para a coisa ficar mesmo como eu queria... As madrinhas chegaram, o carro de aluguer e o motorista também, e começamos a distribuir o mal pelas aldeias (que é como quem diz, começamos a dividir o pessoal pelos carros).

Fui com a Vi e a minha avó no carro antigo (um Citroen arrastadeira preto) e foi mega divertido, os carros todos a passarem por nós na autoestrada, tudo a apitar, a mandar beijinhos, a baterem palmas... foi mágico! O único problema é que o carro não andava acima dos 80km... e nós já íamos mais de uma hora atrasados (coitado do noivo, nem sei como não se foi embora) e apesar de estar escrito no convite que o casamento seria às 14h30, só cheguei à quinta perto das 16h30 (duas horas de atraso, ninguém merece). Tinha o telemóvel a tocar a cada cinco minutos mas às tantas já nem atendia (não podia fazer nada, o carro não dava para mais e eu já estava a ficar enervada).

Chegámos à quinta e tinha o meu pai todo emocionado à minha espera, na porta (até parecia mentira, o meu pai ali, ele que nunca tinha saído do Rio para nada - nem para ir a São Paulo - tinha cruzado o Atlântico para estar comigo naquele dia...), ele pegou na minha mão e ela estava gelada de nervoso. Sentei-me um bocadinho, apanhei ar e fiz sinal para a organizadora da quinta e para os músicos: vai começar!

Quando começou a tocar a versão instrumental de A Thousand Years, senti que me tremiam as pernas, que nervos! Fui caminhando o mais devagar que conseguia, com a Vi à minha frente e o meu pai ao meu lado, foi muito especial. Olhei para o altar e o vi o meu amor ali, lindo como um príncipe, com aqueles olhos azuis que me cativaram desde sempre, todo emocionadinho (ai gente, eu amo homem que chora e se emociona nesses momentos, acho a coisa mais linda do mundo) e quis sair correndo na direção dele (aliás, nota-se perfeitamente no vídeo a parte em que eu acelero o passo ahahaha  a motivação era muita!) e finalmente nos encontramos. Nunca me vou esquecer o olhar que o M. me lançou quando me viu vestida de noiva...

O resto é história, segundo dizem.

Há um ano que demos um dos maiores passos (senão mesmo o maior) da nossa vida: decidir partilhar a nossa essência, a nossa vida, a nossa história um com o outro. Decidir que não seríamos mais duas pessoas mas só uma. Tive medo, confesso que tive. Venho de uma família com dois divórcios, era bastante céptica em relação ao casamento, tinha medo de falhar, tinha tanto medo... Hoje, um ano depois de 'juntarmos os trapinhos' posso dizer que o M. se revelou um marido fantástico: companheiro, apaixonado, fiel, preza imenso a família, não troca nenhum programa (por mais aliciante que seja) pela minha companhia e faz os melhores roteiros de viagens deste mundo (com mapas então, o gajo é um génio). Pode parecer exagero, mas amo-o mais agora do que no dia do nosso casamento. Ele me mostrou que é possível viver um casamento feliz, pleno e realizado. É claro que já tivémos as nossas discussões e briguinhas mas nunca ninguém foi dormir para o sofá, sempre demos um jeito de limarmos as nossas arestas e fazer concessões, aprender que nem sempre a nossa palavra é a final... Esse ano de vida em comum foi incrível. Mal posso esperar pelos que virão!

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24 comentários

  1. Parabéns pelo primeiro aniversário, Anne! Estavas uma princesa linda. Que contem muitos aniversários e continuem tão apaixonados como hoje.

    Beijinhos

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  2. muitas felicidades!!
    Que ramo lindo!!

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  3. Respostas
    1. Se calhar tem só o peito grande.

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    2. ???? A sério que fez esta pergunta?

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    3. Daquilo que vi até agora no blog, a Anne não é propriamente uma rapariga magrinha =) parece até cheiinha, e pessoas assim costumam ter uma maminhas avantajadas =P

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    4. Ai valha-me Deus, a confusão que já vai pra aqui.

      Não tenho silicone, mas no futuro, quem sabe? Nunca digo não a nada, a minha mãe tinha pavor de silicone mas depois de uns anos, quis pôr e ficou top, mais bonito e natural que o de muitas meninas de 20 anos :)

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  4. Muitas felicidades minha querida. :) Esse amor é uma inspiração :) <3

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  5. Que continuem a viver intensamente esta linda história de amor. Muitos parabéns :)

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  6. Boa Anne, muitos parabéns! Sempre ouvi dizer que estar casado é isso mesmo, fazer concessões. :)

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  7. Muitos Parabéns!!! E que conte muuuuuitos!!!

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  8. Quero desejar-te os meus parabéns! Estou numa relação complicada neste momento e não sei se algum dia terei um casamento assim. Sei que tudo depende de mim, que se não estou bem é só deixar isto e seguir em frente, no entanto, apenas consigo dizer que é complicado, mas que ainda bem que há pessoas como tu que me mostram que o amor é sim uma coisa bonita e que pode ser para a vida!
    Beijinhos

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  9. Olá miúda gira ;)

    Sim, leio o blog e adoro... é uma forma de ir acompanhando a vida das minhas noivas queridas que ficam gravadas no meu coração.

    Ontem lembrei-me várias vezes de ti :) um aninho e passou a correr, espero que os próximos sejam ainda mais felizes.

    Beijinhos enormes para vocês, para a mãmã e claro para a vóvó mais fofa do mundo.

    Andreia

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    1. Olá querida! Muito obrigada pelas palavras. Passou mesmo a voar e ao mesmo tempo, ainda me lembro de tudo naquele dia, cada detalhe... ficou tudo aqui gravado ;)

      Lembro-me sempre de ti quando vou viajar de avião ahahah (Air France, jamais lol).

      Muitos beijinhos e obrigada por tudo!

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  10. Aí em Lisboa não há o costume de os convidados irem tomar o pequeno almoço a casa da noiva / noivo?

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    1. Sim, é costume servir-se um lanche requintado, tanto na casa do noivo como na da noiva.
      Servem-se canapés variados, vários tipos de amuse bouche e várias bebidas, quase sempre está presente um ponche de frutas com mais ou menos álcool, conforme a hora e o gosto dos anfitriões.
      Nos dias de hoje não sei bem o que chamar a esta pequena recepção mas lembro-me que a minha avó bem à moda dos anos 50, dizia tratar-se de um " beberete ". Agora pequeno almoço? Já ninguém casa à hora do almoço, os casamentos ou são à noite ou a meio da tarde.
      Parabéns Anne , que venham muitos mais com saúde, amor e alegria.

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    2. Inês, nunca tinha ouvido falar desse costume mas no meu caso seria muito difícil já que mais de metade dos convidados vieram de outros países (Brasil, Espanha e Inglaterra) mas almoçamos com as nossas famílias e jantamos só os dois... e foi ótimo! :)

      Maria do Rosário: Não fazia ideia desse costume, mas achei interessante. Obrigada pelos votos :***

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    3. Acho que a Inês Monteiro e a Maria do Rosário se estão a referir a fazer essa "refeição" no dia do próprio casamento, não no 1º aniversário!

      No ano passado tive o casamento de uma amiga que foi assim: a partir das 12h beberete em casa dos pais dela, 14h cerimónia religiosa, 16h ida para a quinta, com acepipes e bebidas ao ar livre, coisas engraçadas para nos entretermos, 20h jantar no interior da quinta e depois dança e bebidas pela noite dentro, com a mesa das sobremesas e dos queijos sempre disponível.

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    4. Sim, é a isso mesmo que me refiro, não sabia que ainda lhe chamavam beberete como a minha avó dizia.

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    5. Aqui no minho os convidados juntam-se na casa dos noivos, há o tal beberete e depois saem para a igreja

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  11. Olá, sou a Isabel e acompanho o seu blog há bastante tempo, sou aliás leitora assídua de muitos outros blogs diáriamente, e, como tal decidi criar um blog onde divulgo os blogs que acompanho, (mas apenas escritos em português) sejam de receitas, artesanato, fotografias, moda, decoração, etc.

    Faço um pequeno tópico onde convido á visita dos blogs com hiperlink bem visível, de alguns posts do dia.
    Não faço reprodução de fotos nem textos dos autores, leio e divulgo.
    (Todas as fotos publicadas no meu blog são minhas.)

    Estou em "Conchas e Búzios" (http://conchasebuzios.blogspot.pt/).

    Resta-me apenas parabenizar o seu trabalho e agradecer uma visita ao meu cantinho quando for oportuno.


    Isabel Guerreiro
    iguerreiro2002@gmail.com

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  12. Parabéns pelo primeiro aniversário Anne!
    Foi muito bonito ler tudo o que escreveu e a forma como descreveu os detalhes fazem emocionar. Deve ter sido um dia tão "grande" para o coração que nem imagino como "coube" lá tudo (é muita emoção, imagino!).
    Que contem muitos e longos anos felizes juntos! Bjos

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