09 outubro 2015

Eu pensava que com os anos a coisa seria melhor...

... mas não, cada vez é mais difícil estar longe, cada vez é mais difícil encontrar meios para driblar a saudade, desdobro-me em mil maneiras de me fazer presente para os meus, os que lá estão. Ando sempre a contar fuso horários (será que estão acordados? será que já se deitaram?), a caçar bilhetes aéreos com descontos que me permitam correr para os braços dos que amo, a instalar novos aplicativos que nos simplifique as conversas... há dias melhores que outros, é verdade. Mas também há dias em que tenho tantas saudades (principalmente da minha avó), que penso que deveríamos estar juntas e aproveitar todo o tempo que pudermos, que fico angustiada ao pensar que ela já não vai para nova e que se calhar, um dia chego tarde demais. Ao mesmo tempo em que me sinto verdadeiramente abençoada por ter a minha família cá comigo (mãe e irmãos) - não conseguiria mesmo estar cá sem eles - sinto que deixo sempre uma parte de mim lá, no Rio...

(e depois uma pessoa lê textos desses e fica de lágrimas nos olhos. Raios partam as saudades. E as distâncias.)

[... Então você olha para sua vida, e para os dois países que a seguram, e percebe que agora você tornou-se duas pessoas distintas. Por mais que os teus países representem e preencham diferentes partes de ti e o que você gosta na vida, por mais que você tenha formado laços inquebráveis com pessoas que você ama em ambos os lugares, por mais que você se sinta verdadeiramente em casa em qualquer um, você está dividido em dois. Para o resto de sua vida, ou pelo menos você se sente assim, você vai passar seu tempo em um incômodo anseio pelo outro, e esperar até que você possa voltar por pelo menos algumas semanas e mergulhar de volta à pessoa que você era lá. Leva-se muito tempo para conquistar uma nova vida para si mesmo em algum lugar novo, e isso não pode morrer, simplesmente porque você se moveu ao longo de alguns fusos horários. As pessoas que lhe acolheram no país delas e tornaram-se sua nova família, eles não vão significar menos para você quando você está longe.

Quando você vive no exterior, você percebe que, não importa onde você esteja, você sempre será um expatriado. Sempre haverá uma parte de você que está longe de sua casa e jaz adormecida até que possa respirar e viver com todas as cores de volta ao país onde ela pertence. Viver em um lugar novo é algo belo e emocionante, e pode lhe mostrar que você pode ser quem você quiser – em seus próprios termos. Pode dar-lhe o dom da liberdade, de novos começos, de curiosidade e empolgação. Mas começar de novo, entrar naquele avião, não vem sem um preço. Você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e, a partir de agora, você sempre ficará acordado em certas noites e pensará em todas as coisas que você está perdendo em casa...]

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5 comentários

  1. Já estive nessa posição e compreendo-te. Mas se estivesses lá, não sentirias o mesmo em relação a Portugal? Eu já concluí que só serei verdadeiramente feliz, enquanto emigrante, quando puder levar toda a família comigo - sem mais "adeus", sem mais "até à próxima", sem repetir "no Natal volto, falta pouco!".
    Não é fácil, mas as vídeo-conversas são uma benção e facilitam muito. Beijinhos

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  2. Acho que so piora e nao melhora... é ter o coraçao sempre dividido e nunca estar completamente bem quando estamos la ou ca....

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  3. Anne PK sua avó n vem para cá?

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  4. Nesse aspeto sinto-me mais à vontade para ir para outro país, se tiver que ser ou mesmo se quiser. Não sentirei essas saudades tão grandes, o que de certa forma é libertador

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  5. Não faço a mínima ideia do que seja viver longe da minha família, vivo no país onde nasci, com a minha família, vivo na minha terra que amo, vivo com as pessoas que sempre adorei. Não me consigo imaginar de outra forma, mas se um dia tiver que ser será.
    Maria Crescida
    Maria Sem Limites

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