27 fevereiro 2016

Ainda está para ser inventada uma coisa mais poderosa do que o amor de mãe... Não conheço amor maior, força mais indestrutível, paixão maior do que esta. É uma sensação que nem sei explicar muito bem mas sinto que até me falta o ar quando a minha mãe não está bem, conheço-a no olhar, na maneira de falar, nos gestos, até no passar da mão pelo cabelo. Um dia que tenha uma filha, gostaria que ela sentisse por mim o mesmo tipo de amor que tenho pela minha mãe, incondicional.

Isto tudo a propósito de ontem, enquanto estava na fila do Millenium BCP para fazer um depósito, vi à minha frente uma cena tão enternecedora entre mãe e filha  que até me vieram (mesmo!) lágrimas aos olhos ao lembrar-me da minha avó. Eram duas senhoras, uma mesmo idosa, talvez com 90 e tais; e a filha aí com os seus 55/60 anos. Estavam à minha frente na fila.

Mãe: Ó filha, hoje é que dia?
Filha: Hoje é 26, mãe. 26 de Fevereiro.
Mãe: E estamos em que dia da semana?
Filha: Sexta. Amanhã é 27, sábado. Depois é 28, domingo. E segunda-feira é 29, o último dia do mês. Este mês é curtinho, tem 29.
Mãe: 29 dias? Mas Fevereiro não tem 28 dias?
Filha: Sim, mãe, mas este ano é um ano bissexto, por isso tem um dia a mais. E depois na terça-feira entra um novo mês, que é....?
Mãe: É março?
Filha: Sim, vamos entrar em março.

Opá, achei a coisa mais fofa, a sério. A paciência com que a filha explicava-lhe tudo ao pormenor, a forma de estimulá-la e puxar-lhe pelo cérebro, a meiguice com que lhe falava... fiquei mesmo feliz por ter a certeza que num país onde se abandonam velhos como se de roupa usada se tratasse, ainda há filhos que sabem retribuir todo o amor de uma mãe.

Há dias li um texto que dizia que nós, filhos, nunca estamos preparados para sermos 'pais dos nossos pais' e aquilo foi tão verdadeiro que tive que o reler uma segunda vez para absorver o impacto das palavras. Deixo-vos um trecho:


(lembrei-me da altura em que soube, através da minha tia, que a minha avó estava a usar uma bengala para sair à rua. Chorei feito criança, não conseguia aceitar que a minha avó estivesse tão debilitada a ponto de necessitar de um apoio... Aquela bengala para mim representava a velhice latente, tudo aquilo que eu tento dizer para mim todos os dias que não existe: que a avó está ótima, que é mais lúcida que muito jovem, que dá os melhores conselhos, que ainda está aí para as curvas. E está, só que com algumas limitações. O aceitar da coisa é que não foi fácil - ainda hoje não é. Este outro texto explica na perfeição o que aquela bengala representou para mim). É a lei da vida, dizem-me - mas custa tanto aceitar!)
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