24 abril 2016

Roteiro Marrocos // Marrakech #2

No nosso segundo dia em Marrakech e já refeitas do hammam ahahaha, saímos cedo em direcção à praça Jemaa el-Fna (todos os dias começavam e terminavam nessa praça - já vão perceber o porquê) para tirar umas fotos e de seguida apanhar um táxi para o primeiro passeio do dia. E aqui preciso fazer um aparte: em Marrakech apanhámos alguns táxis porque a minha mãe sente-se muito mal com o calor (fica extremamente inchada dos membros inferiores - sequelas da trombose que teve) e estavam 33ºgraus pelo que andar à pé não era uma opção quando o passeio era superior a 15 minutos. E isto de andar de táxi em Marrocos é tooodo um filme, que passo a explicar:


1) Os táxis marroquinos são divididos em duas classes: os petit táxis e os grand táxis. Os primeiros só levam 3 pessoas (duas atrás e uma à frente) e não me perguntem porquê fazem isto, visto que são carros iguais aos nossos, com espaço para sentarem-se três pessoas lá atrás. Os grand taxis são normalmente carros que levam entre 4 a 6 pessoas e obviamente são mais caros que os petit. Como nós éramos 4 pessoas, só tínhamos duas opções: ou escolhíamos dois petits táxis e dividíamos o grupo; ou escolhíamos um grand taxi para irmos todos de uma vez. Os grand taxis são difíceis de encontrar (a maioria só se consegue por telefone) pelo que a nossa opção recaiu muitas vezes pelos dois petit taxis.

2) Os marroquinos não utilizam taxímetro (apesar da máquina estar lá, bem visível), simplesmente quando vêm que somos turistas mandam-nos entrar para o táxi e combinamos um valor até o destino que queremos. Obviamente que o valor é bastante (para não dizer absurdamente) elevado. Por exemplo, para ir de Guéliz até a praça Jemaa el-Fna começaram por pedir-nos 100 dirhams (10€!) e eu comecei-me logo a rir e disse que só pagava 30 dirhams. Ele não aceitou e a viagem acabou por sair por 45 dirhams, o que eu achei baratíssimo comparado aos táxis lisboetas. No regresso ao riad, estávamos aflitos porque não conseguíamos encontrar nenhum táxi por perto e encontramos um policial que nos ajudou e chamou um táxi para nós. Assim que viu a polícia, o taxista ligou imediatamente o taxímetro (de burro não tem nada) e quando chegou ao nosso riad eu nem queria acreditar: o taxímetro marcava apenas 12 dirhams. Doze. Um euro e vinte cêntimos. E eu tinha pago mais que o triplo para fazer a mesma viagem (e pior, o taxista tinha pedido 10€ pelo percurso!). Fiquei pior que estragada. Nada me deixa mais lixada do que a sensação de que fui feita de parva por algum espertalhão. Lembrei de todos os táxis que já tinha apanhado desde que estava em Marrakech e pensei em quanto dinheiro não tinha perdido! Que raiva, pessoas!

3) A partir do momento em que percebi que o taxímetro era a melhor opção, passei a exigir isso em todos os táxis que apanhava. Os taxistas faziam o maior banzé, diziam que o taxímetro estava avariado, que não conseguiam ligar, todo um rol de desculpas... e dois deles me 'obrigaram' a sair do táxi quando perceberam que eu só viajaria com taxímetro ligado. Mamãe ficou desesperada e só dizia "tu ainda vais levar uma surra de um taxista, deixa lá os três euros, vamos pagar o preço que ele quer..." ela não tem paciência nenhuma para regatear preços mas eu estava irredutível.

4) Um dos taxistas que apanhámos, ao ver que estava um trânsito caótico perto da mesquita Koutobia, vira-se para nós e diz: "ah e tal, está muito tráfego a essa hora, vou vos deixar aqui a meio do caminho e vocês depois fazem o resto a pé..." e eu fiquei tipo: oi?! Disse-lhe que a minha mãe tinha um problema de saúde e não conseguia caminhar grandes distâncias a pé, que tínhamos combinado um preço para aquele destino e eu só sairia do táxi quando chegasse no meu destino final. Era o que mais faltava! O homem bufava por todos os lados, fazia travagens bruscas, estava possuído mas lá nos entregou, com muita má vontade, no nosso destino. Andar de táxi no Marrocos é tooooda uma aventura!

Ao fundo, a mesquita da Koutobia (com entrada proibida para não-muçulmanos) e as caleches em fila à espera de turistas.
A nossa primeira parada do dia foi no El Badi Palace, um palácio em ruínas (que está de momento a ser reconstruído) feito pelo sultão para comemorar a vitória na batalha de Alcácer-Quibir contra os portugueses (a tal batalha em que o rei d. Sebastião esfumou-se). Esse palácio chegou a ser considerado uma das maravilhas do mundo muçulmano mas hoje só restam ruínas e muita história. A entrada custa 10 dirhams (1€).

O palácio conta com uma terrasse no último andar que tem uma vista deslumbrante sobre a medina de Marrakech e também sobre as montanhas do Atlas cheias de neve. Foi uma das visões mais paradoxais de sempre: estava eu ali em baixo, num calor infernal (nesse dia os termómetros marcaram 36 graus) e ao fundo via montanhas cheias de neve, parecia inacreditável. Marrocos é mesmo um país incrível e cheio de contrastes!

Visitar um país como Marrocos e deixar passar a oportunidade de mergulhar nos seus palácios e visitar lugares milenares cheios de história é um desperdício brutal, por isso lá fomos a caminho do Bahia Palace.

O Palácio Bahia foi a residência do conselheiro do sultão e começou a ser construído pelo próprio, que entretanto veio a falecer a meio do projecto, tendo o seu filho mais velho dado continuidade à obra do pai. Diz-se que o filho queria suplantar as ideias do pai e criar algo verdadeiramente deslumbrante e por essa razão o Palácio Bahia não tem uma arquitetura muito uniforme, notando-se perfeitamente que uma parte do palácio (a que foi construída pelo pai) é muito mais sóbria enquanto que a outra metade do palácio é colorida e exótica, obra do filho.

É um palácio lindíssimo e facilmente uma pessoa é transportada para o passado e começa a pensar como seria bom morar naquele colorido vibrante do Palácio Bahia! A entrada custa também 10 dirhams. Saímos do Palácio e fomos caminhando até a famosa praça Jemaa el-Fna. É sem dúvida a praça mais famosa de todo o Marrocos e por lá é possível encontrar de tudo: barracas de sumos, mulheres que fazem tatuagem de henna, encantadores de cobras, homens com animais acorrentados para turistas tirarem fotos (dispenso), contadores de histórias, vendedores de tudo e mais alguma coisa. Essa praça está para mim como uma espécie de ebay a céu aberto: vende-se de tudo!

Caminhamos por toda a extensão da praça e acabamos por entrar num sítio absolutamente perigoso para nós: os souks. Os souks são uma espécie de feira com imensas barraquinhas/lojas que vendem tudo o que possam imaginar: comidas, especiarias, óleo de argão, babouches, malas em pele, roupas típicas, lenços em seda (socorro, comprei uns 10 ahahah), souvenirs, enfim... é o paraíso das compras! Como já sabem, tudo é possível de ser regateado e o preço nunca é o que eles pedem :)

A minha mãe tem uma paixão incontrolável por babouches! Desde novinha que ela usa imensas (era moda no Rio de Janeiro) e quando viu a loja do Mohammed, foi a perdição. Saiu de lá com um saco gigante cheio de babouches em pele, para nós e para oferecer. A loucura! Os preços variam consoante o tipo de trabalho no couro mas as mais baratas custaram 75 dirhams e as mais caras 145 dirhams. Baratíssimo por um sapato em pele e costurado à mão :)

Ver tantas mulheres na rua a usar o hijab foi um choque para mim. Quando vi uma mulher de burka preta, toda tapadinha e com uma rede nos olhos (até luvas ela usava), o meu coração se apertou. Como uma mulher pode ser feliz a andar assim, feito um animal enjaulado? É claro que estamos a falar de diferenças culturais e elas provavelmente acharão que somos umas devassas por termos o cabelo à mostra e usarmos calças de ganga mas que levei um choque imenso ao ver essa realidade, lá isso foi.
 
Ai que o meu coração até deu uma travadinha! Lanternas e lustres, uma perdição! Não resisti e trouxe uma liiinda de morte para o nosso quarto, assim que estiver devidamente instalada mostro-vos. Existem em vários materiais (e consequentemente, vários preços) e em todas as cores possíveis e imaginárias. Em Marrakech fiquei a salivar por elas mas tive medo de comprar sem ouvir a opinião de quem percebe do assunto e deixei para comprar quando estivesse em Fés com o guia local, para não ser endrominada e pagar por uma lanterna de cobre que na verdade é feita de um metal manhoso qualquer.

Especiarias aos montes (e um cheirinho delicioso pelo ar), mel, compotas, óleo de argão 100% natural para diversos fins (cabelo, rosto, massagem, óleo alimentar), uma verdadeira diversidade de coisas. Tivemos um momento de 'pânico' no souk quando mamãe passou por uma barraquinha de carteiras em pele e parou para entrar. E no Marrocos é quase um ponto-assente: se entras numa loja, tens que comprar algo. Os vendedores são um bocadinho insistentes e alguns ficam ofendidos se disseres que estás ali "só a ver". Assim que entramos na loja, o vendedor veio falar que as carteiras eram feitas à mão, que demoravam 3 dias para serem feitas, que isto e aquilo. A minha mãe a dizer "la, shukran" (não, obrigada) e a tentar caminhar para a porta, o vendedor irritado a esbracejar, eu a meter-me no meio e a dizer que não queríamos comprar nada, estávamos só a passear e a ver. O homem saiu da loja e começou a gritar para nós "judias, judias" que deve ser um tremendo insulto visto que eles são muçulmanos... eu morri de vergonha, a minha mãe já queria comprar a carteira para ver se o homem se acalmava, enfim, um caos. Andámos o mais depressa que conseguimos, entre risadas de nervoso (nesse dia o M. e a Vi tinham ficado na piscina do riad - imaginem duas estrangeiras sozinhas pelo souk e ainda sendo ofendidas por um vendedor). Portanto, já sabem: em Marrocos, só entrem nas lojas se realmente tiverem interesse em comprar algo, os vendedores não são como os de cá e detestam perder tempo com um cliente que não está com vontade de comprar algo :)

Saímos dos souks e voltamos para o centro da praça em busca de um café que vendesse gelados (o calor não perdoava!) e acabamos por ir ao Le Grand Balcon Cafe Glacier, um café com um terraço que oferece uma vista panorâmica de toda a praça Jemaa el-Fna. Melhor forma de acabar a tarde :)

Ao fundo da praça, a mesquita da Koutobia. Sabiam que nenhum prédio pode ser mais alto que a mesquita de cada cidade? Quando fomos em direcção ao deserto, no dia seguinte, reparei que mesmo em cidadezinhas de beira de estrada, a mesquita é sempre o edifício mais alto e imponente. E toda cidade, por mais pobre que seja, tem sempre a sua mesquita com os megafones prontos para disparar o chamado das orações, cinco vezes ao dia.

Deixo-vos quatro dias que para nós foram fundamentais para que a viagem corresse de forma tranquila:

1) Sapatos confortáveis. No verão, estou sempre de sandálias havaianas (para mim o calçado mais confortável à face da Terra) mas como achei que os dias estariam assim-assim em Marrakech (que engano...) optei por comprar uns ténis mais clássicos, para usar com saias e vestidos. Uma amiga tinha me falado da Aerosoles para esse tipo de sapato e decidi experimentar. Que conforto, pessoas! Parece que não levamos nada nos pés, uma delícia. Não fosse o precinho e tinha comprado um de cada cor hahaha. Comprei na loja do Colombo e havia em várias cores mas optei por um nude rosado, para a Primavera. Mamãe comprou em preto e a Vi quis em bege. São o modelo Delhi (os primeiros que aparecem aqui).

2) Moeda local em notas pequenas. Como vos disse no outro post, dar gorjetas e gratificações é uma coisa habitual no Marrocos e muitas vezes só temos notas grandes, o que dificulta que recebamos o troco ahahah. No aeroporto deram-me logo várias notas de 200 e 100 dirhams mas fui no dia seguinte a um restaurante almoçar e perguntei se me podiam trocar por notas de vinte e cinquenta (2€ e 5€ respectivamente), foi a melhor coisa. Evitem andar com notas altas porque mesmo nos souks e lojinhas é difícil conseguirem o troco e temos que estar alguns minutos à espera que eles destroquem o dinheiro.


3) Vontade de comer comida 'normal': Não é que a comida marroquina fosse ruim mas ao fim de cinco ou sete dias já começamos a enjoar de tagines, couscous, legumes salteados e frango, muuuito frango. Queria comer arroz, uma massa, sei lá, uma pizza, qualquer coisa assim mais diferente. E a melhor solução que encontrámos foi ir a um centro comercial onde tinha Pizza Hut, Burguer King, McDonalds, comida italiana... Escolhemos um esparguette à carbonara (com frango, para variar hahah) que estava divinal! Assim só para desenjoar dos tagines :)

4) Para as curvas nas viagens de carro: Eu tenho um estômago muito sensível (nem sei como sobrevivi a quase 10 dias em Marrocos sem apanhar uma dor de barriga qualquer) e fico sempre mal disposta em viagens, é um facto. Como sabia que no dia seguinte teria que ficar 10 horas enfiada num carro até chegarmos ao deserto do Saara, achei prudente ir à farmácia e comprar o meu querido companheiro de viagens: Dramin, que além de cortar o mal-estar ainda nos dá um sono daqueles (tipo Atarax) e vamos a viagem toda a dormir. Custou 1,25€ e até me arrependi de não ter comprado mais visto que cá em Portugal nunca vi esse medicamento à venda (estava habituada a usá-lo no Brasil).
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11 comentários

  1. Adorei o post Anne ;) É tão bom viajar um pouquinho contigo :)

    Um beijinho e um Bom Domingo para ti

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    1. Obrigada :)
      Eu também adoro ler posts deste estilo, com relatos de viagens... perco-me a imaginar os sítios, os passeios, é tão bom!
      Um beijinho e bom feriado :D

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  2. Adorei o post! Boas dicas para quem quiser visitar marrocos! O meu namorado está sempre a dizer que gostava de ir lá, assim sabemos com o que contar! :D
    Beijinho

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    1. Olá Juliana, obrigada :) A ideia é mesmo essa, ajudar quem esteja a pensar visitar Marrocos, assim já sabem mais ou menos ao que vão :)
      Beijinhos e boas viagens!

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  3. "... É claro que estamos a falar de diferenças culturais e elas provavelmente acharão que somos umas devassas por termos o cabelo à mostra e usarmos calças de ganga mas que levei um choque imenso ao ver essa realidade, lá isso foi." Não Anne, elas não acham isso, muito menos mulheres que vivem nas grandes cidades. Estão habituadas, e há imensas marroquinas que não andam tapadas. Também andam de calças, de saltos, pintadas e com os cabelos soltos, exemplo disso é a própria princesa Lalla Salma.

    "... Imaginem duas estrangeiras sozinhas pelo souk" Não há problema algum, em quase 3 anos de Marrocos nunca me aconteceu nada e ando muitas vezes sozinha com os meus filhos pequenos. Nunca passei por nenhuma situação chata. O segredo é exatamente esse, entrar só se quiser comprar, caso entre e não queira, seja sincera e directa, "- Não estou interessada, obrigada". Mas por norma os marroquinos são simpáticos, muito brincalhões e não levam a mal, são ainda mais simpáticos quando ouvem o nome Cristiano Ronaldo lool. É um bom trunfo na negociação. Beijinho.

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    1. Estava a referir-me às mulheres comuns marroquinas (não à uma princesa que viaja, conhece vários continentes e sabe como é a vida lá fora), as marroquinas com quem falei, especialmente dentro de cidadezinhas pequenas como Chefchaouen ou Agdz, deixaram-me com essa sensação. Em Marrakech vi várias de calças de ganga, unhas pintadas, saltos... mas a maior parte trazia o cabelo tapado. Espero bem que a tendência seja essa, a julgar pelo rei Mohammed VI, que é todo modernaço, Marrocos tem tudo para ser um país mais liberal :)

      Quanto a andar pelo souk, não senti que estivesse em perigo por ser estrangeira e estar sem o meu marido. A única situação em que realmente tive um bocadinho de medo foi a que relatei no post, com o vendedor marroquino a insultar a mim e a minha mãe. De resto, estava até à espera que fosse um país mais perigoso mas é bastante tranquilo, ruas cheias de polícia, estradas muito vigiadas, achei sempre que estava em segurança. Quando dizia que vivia em Portugal, eles fartavam-se de falar no Cristiano Ronaldo (são fanáticos por futebol ehehe) e diziam muitas vezes: "Portugal? Batatas fritas!" hahaha. Regra geral, sim, os marroquinos são muito simpáticos e deixaram-me uma opinião muito positiva :)

      Um beijinho

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  4. Gostava imenso de ir a Marrocos, mas vou sempre adiando, por é "já ali".
    Absolutamente hilariante as aventuras com os taxistas, o pior é que fico sempre com a sensação que sou enganado em todos os negócios que se fazem em países onde é possível regatear.
    Quando estive em Teerão, também estava imenso calor, quase 40ºC e as montanhas próximas à cidade ainda tinham neve, é realmente surpreendente as diferenças térmicas em locais aparentemente tão próximos.
    http://entrepreambulos.blogspot.com

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  5. Aii estou babando por Marraquexe e cada vez mais ansiosa que chegue junho para lá ir. Obrigada pela partilha Anne, imagino que nem sempre seja gratificante por causa dos haters, mas acredita que são muitos mais os lovers e queremos que continues desse lado fazendo-nos suspirar com os teus posts :)

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  6. Tive sempre uma enorme vontade de ir a Marrocos, especialmente depois de ter visitado - e adorado - a Tunísia. Estranhamente, a parte que me faz mais confusão é o regatear os preços, porque lá essa é a norma (acho até que ficam chateados se não tentares regatear, haha) e eu não tenho feitio para isso. Tinha que ir com alguém com mais paleio!


    Perdida em Combate

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  7. Eu e o meu marido fomos de camioneta para Ouarzazate e greguei me roda! Ehehe tb tenho o estômago sensível! Opah já estou com saudades de voltar a Marrocos!!!!!

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