02 maio 2016

Os cães e as trelas (ou a falta delas)

É sabido que amo animais (especialmente cães), acho que são a coisa mais fofinha, convivo diariamente (apesar de não morarem comigo) com dois cães incríveis que amo de paixão (um labrador e uma maltês) que não poderiam ser mais diferentes (em peso, em tamanho, em personalidade, em tudo...). Se é verdade que ele é todo desastrado, atira-se para cima de nós à bruta, é pachorrento e só quer correr e correr... ela é uma verdadeira dama, só quer saber de ficar no colo (ter 3kg ajuda, é verdade), implora por afagos e miminhos, se deixarmos dorme o dia inteirinho e só acorda quando chegamos do trabalho.

Há aqui uma semelhança em ambos: passeiam na rua sempre de trela. Sempre. Acho fundamental, acho que é um dever de cada dono andar com o seu cão (seja grande ou pequeno) atrelado à si. No nosso caso, o labrador obedece-nos prontamente ao menor comando, não avança em ninguém, nunca mordeu ninguém, é um paz de alma. Teria todos os motivos para passear com ele ao meu lado, sem trela, mas acho uma falta de respeito pelas outras pessoas. Com a cadelinha, a coisa seria ainda mais fácil: ela é minorca, pequenina e amorosa, toda a gente quer lhe fazer festinhas e não há viva alma que tenha medo dela mas... como ainda é bebé, não atende a comando nenhum, é uma desgovernada na rua, deslumbra-se com tudo, puxa-nos (quer dizer... tenta) para todos os lados, fica excitadíssima. Portanto, impossível sair com ela sem trela.

Tudo isto para vos dizer que diariamente convivo com um fenómeno surpreendente: donos de cães enormes (labrador, pastor alemão, são bernardo - tudo raça pequenina, está bem de ver) que insistem em passear os cães sem trela, apenas ali lado-a-lado com o dono. É claro que há cães bem-comportados mas caraças, hoje apanhei um susto de morte!

Vinha eu a sair do prédio de manhã, com a minha tosta de fiambre de peru numa mão e o iogurte de morango na outra (saio sempre à pressa e tenho que comer no percurso casa-trabalho) e como o marido ainda estava a tirar o carro da garagem, fiquei à espera dele à porta do prédio, enquanto terminava de comer. Nisto reparo que no jardim em frente ao prédio está um homem a atirar bola à um cão enorme. O cão, que deve ter um focinho mais farejador que sei lá o quê, imediatamente começa a correr na minha direcção (ou melhor, na direcção da minha tosta) de tal forma que fiquei congelada sem saber o que havia de fazer. O dono aos gritos a chamá-lo e ele a vir na minha direcção, corria tanto que até se lhe abanavam as orelhas... quando percebi que o cão se lançaria em cima de mim (ou algo parecido), fiz a coisa mais segura: atirei a tosta no chão e ele comeu-a em dois segundos. Eu fiquei parada a vê-lo comer a tosta, indignada, à espera que o dono viesse buscá-lo para dizer-lhe que se tivesse dois palmos de testa (e algum respeito pelos outros) tinha o seu cão com trela posta.

Eu não tenho medo de cães mas imagino que se isto tivesse se passado com alguém que realmente tivesse pavor a cães... a coisa não terminaria lá muito bem. Eu percebo que os cães precisam de correr, de espaço, mas há espaços destinados para tal efeito (jardins cercados, por exemplo, onde podemos deixar os cães à vontade), não é andar no meio da cidade com o cão gigante (que mais parecia um ponéi) solto a avançar nas pessoas.

A sorte é que o dono era um senhor impecável e educadíssimo, que desdobrou-se em desculpas e até se ofereceu para me pagar uma tosta no café (que obviamente não aceitei), tenho a certeza que irá pensar duas vezes antes de repetir tal coisa no futuro. Espero eu.
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14 comentários

  1. Concordo completamente contigo, mas só um reparo: parece estar subentendido no texto que é "menos grave" andar com cães pequenos à solta, o que discordo. Tenho um pastor alemão que anda sempre de trela e mesmo assim tenho um vizinho que sempre que passava por nós adorava mandar bocas sobre como o meu cão era enorme e perigoso. Isto enquanto andava com uma cadelinha minúscula à solta, como se não houvesse mal nenhum "porque é tão pequenina", mesmo que ela sempre nos ladrasse e rosnasse. Até que um dia a dita cadelinha "inofensiva", decidiu ferrar os seus dentinhos na canela da minha mãe. É claro que não foi uma dentada tão grave como seria de um cão grande, mas só prova mesmo pequenos os cães têm mais que andar à trela, até porque por vezes são mais nervosinhos e mal educados que muitos cães gigantes ;) É claro que a partir dai o vizinho parou de falar sobre o meu cão.

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    1. Tem razão, Mel, eu tenho a tendência a achar que os cães pequenos não fazem grande coisa, baseio todos pelo exemplo que tenho em casa (que é uma paz de alma e só quer é lamber-nos o tempo inteiro), mas concordo consigo: seja pequeno ou grande, é necessário que estejam de trela. Ninguém tem que andar na rua a pensar se o cão que está solto no jardim vai avançar a qualquer momento... é ridículo!

      Eu sempre ouvi dizer que quanto mais pequeno o cão, mais agressivo e chato ele é (chato no sentido de estar sempre a ladrar) daí que não me espante com essa cadelinha que ferrou a sua mãe. Não compreendo essa onda de passearem os bichos à solta, são animais, são irracionais, se receberem um estímulo do outro lado da calçada, é óbvio que vão avançar... acho de uma falta de responsabilidade enorme (para não falar na falta de civismo que é). E deveria dar origem a multa.

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  2. E há outro perigo, que é o cão não saber atravessar a rua. Já tive de fazer uma travagem de todo o tamanho por causa de uma dona que atravessou descontraidamente a rua e só daí a bocado o seu canito decidiu fazer o mesmo. Que irresponsabilidade...

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    1. Pois, eu nem tinha pensado nesse outro pormenor. Eu acredito que as pessoas que passeiam com os cães à solta devem ter a ideia de que assim estão a dar uma maior liberdade ao animal, que se calhar até fica em casa montes de horas sozinho fechado num apartamento, e então o dono para 'compensar' essa falha, lá anda com o bicho à solta... Não sei, é só uma teoria.

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  3. Que bons reflexos, Anne. Se fosse eu ficava la especada de tosta na mao ate o cao se atirar a mim e me virar ao contrario. Tambem adoro caes e apesar de ja ter sido ferrada 2 vezes ( por caes, por gente muito mais) nunca ganhei medo. Como moro num pais frio (bem, gelado) nao da para ter um cao ao ar livre e tambem nao me estou a ver deixa-lo em casa sozinho o dia inteiro.

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    1. Bons reflexos ou medo do cão pôr as patas em cima das minhas calças brancas? ahahaha é capaz de ser a última hipótese :P Quando percebi que o interesse dele estava na tosta, é que nem pensei duas vezes!

      Pois, eu também acho terrível ter que confiar um animal num apartamento sozinho o dia inteiro, por esse motivo tive de deixar o meu cão em casa da minha mãe, acho impensável criar um cão do porte de um labrador num T2, é mesmo um sofrimento para ele.

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  4. Eu tenho mesmo medo aos cães, eu não saberia o que fazer nessa situação.

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    1. Na tua situação a coisa ainda seria pior. É rezar para que não aconteça e tentar evitar sítios com cães à solta :P

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  5. Eu tenho PAVOR a cães e fico logo desaustinada se vejo um a vir na minha direcção, acho que na tua situação começaria a chorar como um bebé LOL Já é mau o suficiente quando vou na rua e algum cão se lembra de me vir cheirar, e o dono em vez de o tirar de cima de mim ainda começa "Não tenha medo, ele não morde!" e eu fico do género "Mas lá porque não morde não quer dizer que o queira à minha volta!" Mas infelizmente acho que em Portugal há falta de sítios onde os donos possam soltar os cães à vontade, independentemente do porte do animal é sempre bom para eles andarem à solta e devia haver sítios onde o pudessem fazer sem incomodar quem não gosta de cães!

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  6. Anne, tenho um Golden Retriever e nunca o deixo passear sem trela mesmo sendo um paz de alma e tenha medo do vento, no entanto tenho um vizinho com 3 Yorkshire Terrier que já ferraram no meu cão tantas vezes que ele agora quando as sente la fora não quer sair de casa. Mesmo assim ele não põe um trela nas cadelas, se fosse o meu "gigante" já era muito mau e grande para andar sem ela.. acho que cada dono deve ter a responsabilidade do seu cão e irrita-me que façam isso seja grande ou pequeno.

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  7. Anne, concordo contigo o que disse excepto numa coisa: o facto da sua cadelinha ser uma foufinha e só vos lamber e pedir brincadeira não significa que na rua, face a estranhos, ela actue da mesma forma. Como a Anne disse, e muito bem, os cães são animais irracionais que reajem a estímulos... Quem sabe a sua cadelinha não vai na rua e vê uma pessoa que lhe causa desconfiança? Isto para dizer que o facto dos nossos cães nos lamberem e quererem brincar a toda a hora não significa que perante outras situações não actuem de outra forma. Certamente existem cães das chamadas raças perigosas que lambem os donos e pedem brincadeira... E quantas vezes já não ouvimos falar de ataques desses cães a outras pessoas sem os donos perceberem como? "Ai e tal, sempre foi dócil". Isto para dizer que cães grandes e pequenos são iguais, ambos irracionais.

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  8. O meu cão é um Yorkshire Terrier, toda a gente com quem eu falo dizem que esta raça é má e não sei mais o quê, o que eu acho a coisa mais parva. Os cães refletem aquilo que os donos lhes ensinam e ponto. O meu cão não ladra, só quer brincadeira, quando vê alguém só quer dar beijinhos e receber festinhas isto porque nós sempre o criámos assim, com amor e carinho e raspanetes quando precisava para perceber o que fazia de mal.
    Nunca o solto apenas porque ele é dado demais às pessoas e não tem noção da estrada e afins.
    A Anne de certeza que soube criar os seus cães porque como os descreve são cães impecáveis mas há quem não saiba e aí já dão mais problemas, cabe aos donos saber que se o cão não sabe respeitar não pode andar solto.

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  9. Tive dois cães de uma raça potencialmente perigosa e sempre os levei à rua de trela e açaime, e uma das coisas que mais me deixava chateada era outros cães que andavam a passear sem trela virem a correr cumprimentar/cheirar os meus. Nunca nada de grave aconteceu, mas eu tinha os meus companheiros em ordem e não conseguia controlar o que os outros lhes podiam fazer ou despoletar neles! Tentei várias vezes explicar aos outros donos de cães soltos que o cão deles podia não fazer mal, mas se o meu reagisse a qualquer coisa que não gostasse, quem se ia responsabilizar? Eu trazia-os de trela e açaime tal como dita a lei.

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  10. No meu caso, lembro-me perfeitamente de ter uns sete ou oito anos e estar na rua com os meus pais e como tal a passear o meu cão (que na altura andava solto) e é um cão de raça pequena (um caniche) e nem foi ele fazer mal mas sim não ter reparado que o meu pai atravessou a rua e assim que viu o dono, desatou a correr atrás dele. Tá claro que havia uma estrada a meio e ele atravessou-a quando ia a passar um carro. Não foi atropelado porque basicamente ele é que chocou com a lateral do carro... eu desatei completamente a chorar, já a pensar que tinha ficado sem cão - ainda para mais sendo uma criança de 7 ou 8 anos. Passaram-se 13 anos desde então e nunca mais o meu cão andou sem trela sem ser na praia e no campo.

    Outro caso foi uma senhora que mora no meu prédio que tem 3 cães. Um serra da estrela, um pitbull e um boxer. Houve um dia que trazia o serra da estrela solto e ele desata a correr em direção à minha mãe de bocarra aberta a mostrar aqueles dentes enormes e a unica reacção da minha mãe foi pegar no meu cão ao colo. O serra da estrela acabou por morder na minha mãe, quando na verdade queria morder no meu cão (vendo o lado positivo ainda bem que assim foi porque uma dentada daquele bicho no meu mini-caniche bastava para eu ficar sem cão). A minha mãe teve que ir ao hospital, claro e fez queixa da senhora que simplesmente pediu desculpa, mesmo dando a entender que não tinha culpa e que o cão nunca tinha feito aquilo. Apresentamos queixa na polícia e a partir daí os 3 cães dela andam de trela curta (1 metro) e açaime.


    Isto para dizer que pode ser tão perigoso para outras pessoas como pode acontecer qualquer situação como o não saberem atravessar a estrada e ficamos sem os nossos bichos...

    Beijinhos :)
    Mariana

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