22 maio 2016

Um apelo:

Por favor, parem. Peço-vos isso hoje, num dia em que me sinto sem chão, sem forças, sem nada. Num dia em que descobri que uma das pessoas que mais amo nessa vida está gravemente doente. Nem sei como tenho forças para escrever este post, o que eu sinto é inexplicável, é uma sensação de injustiça sem tamanho, uma dor sem fim... O tabaco mata, não é marketing, não é mentira, não é brincadeira. Mata mesmo. Mata quem fuma. Mata quem convive com fumadores. Mata. Pura e simplesmente, mata.

Se não puderem parar por vocês, parem por amor aos vossos filhos. Porque eles podem adoecer devido à fumaça que inalam do vosso cigarro. Quem fuma até pode vir a não ter nada, mas e quem assiste passivamente ao fumo? Será justo pôr uma pessoa inocente, que nunca fumou, a lutar pela vida por causa de um cancro? Um cancro causado pelo tabaco... Não vou me conformar nunca. É uma irresponsabilidade. Odeiem-me, mas nunca vou me calar. Se já tinha nojo de tabaco, agora tenho pavor. Não aguento nem ver uma caixa de cigarros, essa é que a verdade. Não aguento ver mulheres de mãos dadas com filhos numa mão e o cigarro na outra. Não aguento.



Oiçam o que eu vos digo: por favor, parem com essa merda. O tabaco vai acabar por levar a pessoa que torna a minha vida mais doce, mais iluminada: a minha avó, que nunca na vida fumou ou bebeu álcool. Foi diagnosticada na sexta-feira com um carcinoma de células escamosas na base da língua, palato mole e faringe.

Como se explica isso? Como se lida com isso? Não consigo! No início da semana ela queixou-se de dor de ouvido, foi a um otorrino, ele imediatamente identificou o cancro, é visível sob a pele do pescoço, lá está o caroço. A minha avó nunca sentiu nada. O médico fez uma videolaparoscopia no próprio dia e colheu uma amostra para a biópsia. Nem nos meus piores pensamentos cogitei a hipótese de um cancro. Não na minha avó. O resultado saiu essa semana, é um tumor maligno, não resta dúvidas. O médico foi taxativo: é um cancro de fumador. "A sua avó fuma?" Não, nunca. Mas vive com a minha tia, que enfarda cerca de 40 cigarros por dia, há pelo menos 30 anos. "Pois, está explicado. É que por três cigarros que a sua tia fuma, a sua avó fuma um, ao inalar o fumo".

O que fazer perante isto? Como olhar nos olhos da minha avó, pessoa super cuidadosa com alimentação, com hábitos de vida... e lhe dizer que tem um cancro avançado e com metástases na boca e no pescoço? Como vou conseguir? Não sei. A minha família do Rio está em choque, a minha tia não come desde sexta-feira, diz que a vida dela acabou, que quer morrer, enfim... A minha avó, que de boba não tem nada, no dia do resultado da biópsia disse logo: "Se eu estiver com alguma doença grave, vou embora para Portugal, lá a minha neta e a minha filha é que sabem cuidar de mim".

Foi a maior demonstração de amor que poderia me ter dado. Saber que num momento difícil destes (e ainda sem saber a gravidade da sua situação), é por nós que ela chama e é em nós que deposita confiança. A minha mãe apanhou ontem um avião para o Rio de Janeiro, tão perdida e desesperada quanto eu, mas com um objectivo em mente: trazer a minha avó. Vamos cuidar dela aqui, vamos tratá-la aqui, vamos fazer o impossível por ela.

Não quero olhar a meios, não quero saber se vou parecer maluca, se vou dormir em corredores de hospitais, se a batalha vai ser em vão, não quero saber. Só sei que enquanto a minha avó viver, eu vou estar sempre a lutar por ela, para que viva e com dignidade. Se só houver 1% de chance, é nesse 1% que vou me agarrar.

Estou arrasada, sem saber o que fazer, sem dormir, passei o fim-de-semana na internet a pesquisar especialistas, terapias novas, hospitais de ponta, o que ela precisar. Cheguei ao nome do doutor Jorge Rosa Santos, especialista em cirurgia de cancro de cabeça e pescoço. Temos consulta agendada para 4ª feira (depois de implorar para a recepcionista encaixá-la antes, só havia vagas para Junho) e agora estou a pedir a Deus que a viagem corra bem (elas chegam amanhã - foi a viagem intercontinental mais curta da história: sair de Lisboa rumo ao Rio de Janeiro num sábado para regressar dois dias depois) e que ela não tenha muitas dores (que a minha mãe diz serem horríveis e que não a deixam engolir nada sólido).

Custa-me aceitar que este é um destino ingrato para uma mulher que nunca buscou nada disso, que nunca sequer acendeu um cigarro que fosse, custa-me imenso... Por isso peço-vos de todo o meu coração: Larguem esse vício! Por tudo (e todos) que mais amam, por favor, parem.

(se alguém tiver algum caso semelhante e puder me dar alguma luz... Sei que agora temos que esperar pela consulta de 4ª feira - provavelmente irão começar a Radioterapia (o médico do Rio disse que a minha avó não suportaria uma cirurgia) - mas li vários artigos sobre cirurgia a laser no pescoço. Alguém tem experiência no assunto?)
SHARE:

26 comentários

  1. É realmente um vicio tão feio. O meu namorado fuma, apesar de nem chegar a 1 maço por dia, mas fuma. E eu estou sempre a chatear a cabeça para deixar, porque há 4 anos perdi o meu avô, com cancro no pulmão. Apesar de já não fumar há cerca de 1 década, o mal já estava feito. E ele fumava 2 maços por dia. É uma doença muito triste. Muita fé! :)

    ResponderEliminar
  2. Eu nao conheco muito do meio mas sei que foi o doutor Gentil Martins que operou a minha avo, ele e a equipa dele sao muito conceituados, nao sei se ele ainda opera. Que Deus vos ilumine e ajude na sua imensa sabedoria. Tambem odeio tabaco, nem o cheiro suporto...espero que as pessoas comecem finalmente a pesar os pros e os contras e apedir ajuda se necessario for para deixarem de fumar. Espero que tudo se resolva da melhor forma e nao tenho duvidas que tu e a tua mae irao fazer todo o possivel para melhorar o estado da tua avo e que sao as pessoas certas para estar ao lado dela neste momento.

    ResponderEliminar
  3. Boa tarde.
    não sei muito o que dizer, a não ser que seu grito me emocionou.
    No meio de tudo, só penso que é tão bom ter alguém que nos queira tanto numa hora difícil. Alguém que se atire, num salto a outro continente, do outro lado do oceano, para trazer para junto de si, para cuidar.
    Quanto a uma informação: IPO do Porto ou Coimbra - pelo que sei, um e outro têm todo o pessoal (pessoal médico e auxiliar) muito bem formado. Questão de tentar obter informação directamente.
    bjo amg

    um bjo amigo

    ResponderEliminar
  4. oh Anne fiquei tão triste :( eu própria perdi o meu avô e quase perdi o meu pai por causa dessa merda (desculpem mas não há outro nome). Estamos convosco... Beijinhos

    ResponderEliminar
  5. Muita luz nesta vossa caminhada. Apesar de tudo, é muito bom ter um amor assim. Força!

    ResponderEliminar
  6. Anne enviei mensagem para o teu Instagram. Bj

    ResponderEliminar
  7. Qualquer IPO cuidará e fará o melhor pela sua avó com certeza. muita força neste momento.

    ResponderEliminar
  8. Força, Anne. Fico a torcer pelas melhoras da sua avó.

    ResponderEliminar
  9. Anne, escrevo-te como filha de uma guerreira.
    Muito resumidamente e para entenderes um pouco da história da minha mãe, há uns anos atrás a minha mãe retirou um peito após ter sido diagnosticada com um cancro na mama. Felizmente e apesar de todo o processo doloroso, a minha mãe venceu o maldito, e venceu de forma exemplar. O que deveria abalar a minha mãe, foi motivo de força, e de uma sabedoria gigante.
    Infelizmente, 7 anos após o diagnóstico e quando a minha mãe tinha recuperado, num exame de rotina vieram novamente as más notícias, cancro nos ossos e fígado com metástases em todos os órgãos moles.
    No mesmo dia que a minha mãe soube, o médico pediu para a minha mãe despedir-se de nós filhas. Não havia nada a fazer, era uma questão de poucas semanas.
    Nunca mais me vou esquecer das palavras da minha mãe, foi realmente uma despedida e se houve algo que marcou a minha vida foi aquele dia, e a forma como a minha mãe lidou com a notícia. A minha mãe celebrou a vida, fez um jantar para se despedir de todos os amigos e familiares, e sempre que alguém chorou, ela confortou e aconchegou, não permitiu que a despedida dela fosse um momento infeliz.
    A verdade é que não há nada a fazer, a doença vai vencer a minha mãe um dia, mas o que era uma questão de poucas semanas transformou-se em quase 2 anos. A minha mãe não desiste da vida, a minha mãe não pára com os ciclos de quimioterapia e todos os dias tem um sorriso na cara. Ela diz que o motivo da luta dela somos nós, só para nós ver mais um dia. Ela pode estar muito mal mas para ela, nunca está pior que os outros.
    Partilho isto para entenderes que, primeiro que ótimos médicos está a força dos doentes. Está a forma como lidam com a doença e como a família lida com a mesma. Eu sei que é difícil mas a raiva nunca ajudará, nem o sentimento de perda antecipado. Sei que tens uma família unida cheia de amor, usem isso neste momento. Tenham muita fé.
    O IPO de Lisboa tem ótimos profissionais, muito humanos.
    Desejo-te o mesmo que desejo a mim e a minha mãe, muita força e esperança.

    ResponderEliminar
  10. Um grande beijinho e votos sinceros de melhoras para a tua avó e muita força para a toda a família.
    E obrigada pelo post... Deixei de fumar quando engravidei, e todos os dias me apetece fumar. Não o faço porque ainda amamento e é o que me faz aguentar. Penso no cigarro com carinho e saudade (vê lá o ridículo...), mas hoje ao ler o que escreveste senti nojo do tabaco... Obrigada.
    Muita força!!

    ResponderEliminar
  11. Muita força Anne, vai correr tudo bem. Um beijinho grande, querida.

    ResponderEliminar
  12. Estou chocada. Eu que amei a minha Avo de uma forma tao especial como tu amas a tua custa-me ler estas palavras :'( acho que ninguem merece uma doença assim, muito menos c essa idade e por culpa de outra pessoa. Travo uma luta desmedida todos os dias c a minha mae para que deixe de fumar e ler isto faz-me tremer.

    Força Anne, muita força e fé. A fé e o amor curam tudo e isso vocês têm para dar e vender.

    ResponderEliminar
  13. Muita força Anne! Um abraço apertado desta que já a lê há muito tempo, mas que raramente comenta...

    AC

    ResponderEliminar
  14. Anne um beijinho muito grande e muita força para a sua avó que parece ser uma grande grande senhora, pelo que tenho lido aqui ao longo dos anos que a sigo.
    Espero que seja algo que enfrentem juntas, com muita fé e muita força! Nunca perder o sorriso e a fé!
    Se puder, vá dando notícias que deixou-nós a todos muito preocupados.
    Beijinhos
    Andreia

    ResponderEliminar
  15. Olá Anne,

    Lamento mesmo muito (sabes que gostei muito da tua vóvó), espero que com tratamentos e cirurgia consigam ganhar esta guerra.

    Também não sei se continua a operar mas foi o Dr. Gentil Martins que operou um tumor bastante grande que o meu cunhado tinha na cabeça e ele é dos médicos mais conceituados no nosso país.

    Beijinhos e muita força.

    Andreia Faustino

    ResponderEliminar
  16. anne, aceita radioterapia apenas em ultimo caso, se for imperativo mesmo. um tio meu foi obrigado a tirar todos os dentes do lado do tumor. caso haja alternativa menos dolorosa, é preferivel, pois os tecidos vao ser queimados... mastigar e engolir vai ser a ultima coisa que a pessoa quererá. se quiseres, experimenta pesquisar dietas para doentes oncologicos com uma nutrição adequada para lhe reforçar o sistema imunulogico. espero do fundo do coração que tudo se resolva pelo melhor e que ela nao passe por dor. um abraço cheio de força a toda a familia e coragem neste momento dificil.

    ResponderEliminar
  17. Muita força Anne.
    Um abraço gigante para a família.

    ResponderEliminar
  18. Acabei de ler este post com lágrimas nos olhos.. Mta força, mta coragem e muita fé que tudo vai correr bem. Bjinho

    ResponderEliminar
  19. Anne, há exactamente um ano a minha avó foi diagnosticada com um cancro raríssimo na medula óssea. Os médicos deram-lhe 3 meses de vida e vi uma mulher forte, trabalhadora e em com toda a sua capacidade física e mental a definhar-se. No entanto, por algum milagre (e pq a mulher é mesmo de ferro) hoje está óptima, já anda e segue o rumo normal da vida, tendo melhorado imenso, conseguiu controlar a doença e hj está forte. A minha avó faz 83 anos este ano e acredito que ainda vá viver mais alguns anos contra todas as previsões iniciais. Sei o desespero que deves estar a sentir, mas quero que saibas que nada é impossível e que a luta está a começar mas ainda bem q foi diagnosticada a doença de forma a permitir que ela lute contra ela.
    Beijinho e muita força***

    ResponderEliminar
  20. Anne, um grande beijinho e muita força. Pelo que sempre escreveu, a sua avó é uma guerreira e vai vencer esta batalha! Tenho um amor igual ao seu pela minha avó e sei que neste momento deve estar sem chão... mas tente estar o melhor possível para transmitir-lhe muita força assim que ela chegar a Portugal. Vocês são uma família linda e ultrapassarão este momento difícil. Um beijinho enorme. Estarei a torcer para que tudo corra bem!

    ResponderEliminar
  21. Nunca passei pelo assombro que o cancro trás às nossas vidas mas apenas que quero dar uma palavra de conforto e esperança.
    Vivemos num tempo que muito se pode fazer e acredito vivamente que a tua querida avó vai lutar com todas as forças para ultrapassar qualquer batalha.
    Pode ser duro mas vão conseguir.
    Um grande beijinho

    ResponderEliminar
  22. Tenho certeza que esse teu post vai fazer muita gente refletir sobre esse assunto,devemos sim entender que o cigarro mata e mata bastante.Hoje faz mais ou menos um ano que parei de fumar,claro que meus filhos foi os que me deram bastante força para isso acontecer.Mais não é fácil,mais também não é impossível e quando crer em um Deus e tem um força de vontade toda a magia acontece.E força para vcs!Amei teu blog.
    www.btomporfavor.blogspot.com.br

    ResponderEliminar
  23. Olá Anne,

    Acabei de ler o teu post com as lágrimas nos olhos porque o meu pai passou por um cancro igual.
    O caso dele, fumador mais de 50 anos, acabou por ser um caso feliz porque apesar de algumas limitações hoje pode ter uma vida relativamente normal.
    O meu pai fez muitas sessões de radioterapia e algumas sessões de quimioterapia com o objetivo de ajudar a "fixar" a radiação. Como o tumor diminuiu com os tratamentos, mais tarde foi possível operar para retirar o que ainda sobrava do tumor.
    Foi um processo complicado, não vou mentir... A questão da alimentação foi a mais complicada e houve necessidade de a fazer por uma sonda nasogástrica e depois por uma sonda implantada cirurgicamente no estômago. Pelo facto de ter passado meses com alimentação líquida o meu pai perdeu muito peso (chegou aos 30 e poucos quilos) e isso trouxe problemas a nível físico e mental e muitos internamentos mais por infeções do que propriamente pelo cancro. Nessa fase, sinceramente acho que fomos nós, a família, quem mais sofreu porque o meu pai estava fora da realidade e nem tem grandes recordações desse período.
    Hoje em dia, já passaram quase dois anos, a alimentação já é normal e já é possível manter uma vida normal :)
    Por isso mantenham a força, a coragem e a esperança num milagre.
    Beijinho

    ResponderEliminar
  24. Olá Anne,

    Acabei de ler o teu post com as lágrimas nos olhos porque o meu pai passou por um cancro igual.
    O caso dele, fumador mais de 50 anos, acabou por ser um caso feliz porque apesar de algumas limitações hoje pode ter uma vida relativamente normal.
    O meu pai fez muitas sessões de radioterapia e algumas sessões de quimioterapia com o objetivo de ajudar a "fixar" a radiação. Como o tumor diminuiu com os tratamentos, mais tarde foi possível operar para retirar o que ainda sobrava do tumor.
    Foi um processo complicado, não vou mentir... A questão da alimentação foi a mais complicada e houve necessidade de a fazer por uma sonda nasogástrica e depois por uma sonda implantada cirurgicamente no estômago. Pelo facto de ter passado meses com alimentação líquida o meu pai perdeu muito peso (chegou aos 30 e poucos quilos) e isso trouxe problemas a nível físico e mental e muitos internamentos mais por infeções do que propriamente pelo cancro. Nessa fase, sinceramente acho que fomos nós, a família, quem mais sofreu porque o meu pai estava fora da realidade e nem tem grandes recordações desse período.
    Hoje em dia, já passaram quase dois anos, a alimentação já é normal e já é possível manter uma vida normal :)
    Por isso mantenham a força, a coragem e a esperança num milagre.
    Beijinho

    ResponderEliminar
  25. Sejam fortes, nós ficamos a rezar por ela,
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  26. Anne, fiquei desvastada! Mas tem muita fé, coragem e muita força! Os milagres acontecem...
    Beijinhos enormes Sofia

    ResponderEliminar

© A GAROTA DE IPANEMA . All rights reserved.
MINIMAL BLOGGER TEMPLATES BY pipdig