19 junho 2016

Coração apertadinho.

São dias estranhos, estes. Dias esquisitos em que estou a rir e no minuto seguinte apetece-me chorar. Sinto que ando numa montanha-russa de emoções e por menos de nada, desabo. Tento ser forte, tento mostrar uma animação e uma alegria que eu não sinto (mas a vida continua, dizem-me eles), tento animar a minha família que está ainda tão abalada, falo besteiras para fazer a minha irmãzinha rir e esquecer que ficou sem avó e sem pai num espaço de dois anos, tento planear viagens de férias com o meu marido mas a verdade é que não tenho ânimo para me enfiar num avião.

Para quem vou ligar quando estiver no aeroporto, prestes a embarcar, só para ouvir um "Deus te abençoe, minha filha..."? Quem vai me dar conselhos sobre a vida quando eu estiver perdida? Quem é que vai me dar o melhor abraço do mundo e me fazer cafuné no cabelo, com a mãozinha enrugada que eu tanto amo?

Por mais que eu tente não pensar no assunto e abstrair, não dá. Tudo me lembra a minha avó. Desde ir ao Pingo Doce e passar pela prateleira dos Tuc Tucs (as bolachinhas que ela amava comer), até ir numa tabacaria e ver a secção das 'sopas de letras' que ela fazia todos os dias e não sossegava enquanto não encontrava todas as palavrinhas... É muito triste. Sinto-me uma privilegiada por ter vivido quase 30 anos com a companhia mais doce que eu poderia ter mas dói tanto... É uma mistura de tudo: saudade, tristeza, alegria, medo...

O que me custa é olhar para o futuro e perceber que não vou poder partilhar nada com ela. A minha avó queria tanto um bisneto homem... falava-me tanto nisso! Ela tinha duas bisnetas mas bisneto ainda não. E dizia sempre que o menininho seria meu, até já tínhamos escolhido o nome e tudo! E ela falava sempre: "não demora pra fazer o meu Pedrinho, senão vai ser tarde..." e por mais que eu tente não pensar nisso, sinto que falhei. Que andei a adiar tanto e não pude dar essa alegria à minha velhinha. É tão difícil! Não estava preparada para isso (acho que nunca estaria) e hoje tudo me parece mais triste. O futuro me parece sem cor, sem vida. Sem ela.
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