12 julho 2016

Hoje está difícil...


Há dias em que quase consigo esquecer que ela se foi. Dias em que sorrio, passeio, sou feliz, faço planos, compro coisas, marco viagens... Dias em que 'quase' tenho a minha vida de volta.

Mas depois há dias - como hoje - em que tudo me lembra a minha avó. Encontrei um lenço dela hoje de manhã, enquanto procurava uma coisa na parte de cima do roupeiro. Caiu-me assim, mesmo em cima da cabeça. Chorei como uma madalena. Tanta saudade que eu tenho, Deus!

Estava a chegar ao trabalho e o meu telemóvel tocou. Era do IPO, para marcarem a consulta dos Cuidados Paliativos. Nem consegui falar, só chorava. Consegui explicar que a minha avó já tinha falecido e a senhora do outro lado desfez-se em condolências e no final, educadamente, perguntou-me a data exata da morte, para dar baixa do processo dela.

E esta merda foi a que mais me custou. Dar baixa. Eliminar. Apagar de vez todos os registos dessa doença maldita que levou a pessoa que era a luz da minha vida. A sensação que tenho é que a minha avó desapareceu do mapa, é quase como se para o mundo ela nunca tivesse existido. Foi-se, para sempre.

Mas não para mim, nunca para mim. Ela se foi, sim, mas deixou tantas marcas em todos! Ela nunca será esquecida por que plantou coisas extraordinárias em nós: o amor, o senso de humor (negro, muitas vezes - puxei à ela, dizem), o perfeccionismo, a rebeldia em certas atitudes e o lema de vida que era: "família sempre em primeiro lugar". E assim será: falarei dela aos meus filhos, mostrarei fotos, vídeos, recordações... E ela será eternidade para nós. Para eles.
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