18 outubro 2016

Aiii que hoje estou capaz de matar!

Segurem-me! Estou a inspirar-expirar conforme nos ensinam para tentar acalmar estes nervos mas caramba, a falta de profissionalismo (e o 'sacudir o capote') é coisa que me deixa com vontade de arrancar cabelos!

Não sei se já vos tinha dito (provavelmente não) mas a minha pequenina começou este ano a estudar numa escola pública, depois de toda uma vida no privado. Achámos que era altura ideal, visto que já está uma adolescente e caminha a passos rápidos para a universidade, era altura de lhe abrir horizontes e mostrar que o mundo não é essa bolha perfeita de segurança em que ela sempre acreditou. A mudança custou (acho que custou mais a nós do que a ela) mas tínhamos a nosso favor uma escola pública com excelentes condições (tem até crianças em espera para entrar), instalações modernas e remodeladas, numa zona simpática e segura, enfim, tudo corria de feição.

As aulas da Vi começaram há mais de um mês e como esta escola não fica propriamente ao pé da nossa casa (como o anterior colégio) e os nossos horários na empresa são de doidos (nunca estamos em casa antes das 22h), optámos por colocá-la numa carrinha de transporte escolar.

Repito: as aulas começaram há mais de um mês. E ontem a miúda apareceu com um novo horário. Afinal à 3ª feira já não sai às 16h mas às 17h15. Na 5ª feira já não sai às 16h45 mas às 15h. E na 6ª feira, único dia em que saía cedo (14h) afinal vai passar a sair às 17h. Olha que lindo serviço!

Liguei para a carrinha e... com estes novos horários já não conseguem assegurar o transporte no regresso escola-casa (só conseguem levá-la de manhã) e nós não temos quem a vá buscar a meio da tarde (trabalhamos do outro lado de Lisboa). O inglês, que é sempre às sextas-feiras à tarde (com uma professora particular) afinal também já não pode se e a professora já tem as outras tardes preenchidas, vai ter que passar a ser ao sábado.

Estou neste momento a contactar empresas de transporte escolar, com vontade de desatar aos gritos e sinceramente, já muito arrependida de ter incentivado a mudança da Vi para uma escola pública. Enquanto andou no privado, nunca aconteceu nada semelhante (sim, nestas horas é difícil evitar comparações). Fomos falar com a escola e disseram-nos que houve várias trocas de professores e que era a vida, paciência. Não poderiam fazer nada (como de resto, nunca podem).

E depois esta gente ainda quer que tenhamos filhos? Olha se fosse um filho meu, em que nem eu nem o pai temos horários 'fáceis' de gerir, a coisa seria bonita. Sem transporte escolar, sem ter quem o busque na escola... Bonito serviço. Pelo andar da carruagem, filhos só quando já estiver na reforma (aí sim, vou ter imenso tempo disponível para aguentar todas as trocas de horário que a escolinha dele resolver inventar). Ninguém merece, pois não? Eu cá acho que não.
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24 comentários

  1. Anne, realmente, mudarem o horário passado um mês é só estúpido, e nem sequer é justificável.
    Eu sempre andei na escola pública e não trocaria essa experiência por nada. Contudo, como a escola era perto de casa ia e vinha a pé. Foi sempre assim, desde que fui para o quinto ano.
    No vosso caso, se for longe, talvez tenhas mesmo que tentar outro transporte escolar. Ou talvez ela possa ir de metro ou de autocarro, não sei.
    Seja como for, para quem tem horários de trabalho em que se sai muito depois das seis, é um pesadelo ter onde enfiar os garotos.
    Confesso que por mais que uma pessoa queira ter filhos, perde logo a vontade.
    Beijinho grande.
    lefashionaire.com

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    1. "Contudo, como a escola era perto de casa ia e vinha a pé. Foi sempre assim, desde que fui para o quinto ano."

      Aí está e é assim que é normal ser! Como é que, não sendo essa escola perto de vossa casa, nem perto do vosso local de trabalho e tendo uma enorme fila de espera, conseguiram matriculá-la lá? Cheira-me a aldrabice, como há em Lisboa aos montes, na busca pelas "escolas públicas boas".

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    2. Catarine, é simplesmente estúpido uma mudança de horário em três dias quando as aulas já começaram há imenso tempo... Eu sei que há um período de ajuste e tal (na 1ª semana, por exemplo, a miúda voltava com um horário novo todos os dias) mas caramba, um mês depois? É parvo.

      Eu andei na pública até os 8 anos (entrei na escola com 3 anos - no Jardim de Infância do Brasil) e depois disso passei para a privada. Só voltei a andar no público quando entrei pra universidade e levei um choque porque as realidades são bem diferentes. Era esse choque que queríamos evitar na Vi, por isso optámos por fazer essa mudança agora. Ela ainda não sai sozinha, a minha mãe morre de medo que lhe aconteça qualquer coisa (comigo e com o Pê foi igual - eu só andei de autocarro sozinha aos 17 anos, vê lá), então, a melhor hipótese foi mesmo colocá-la no transporte escolar.

      Essa história fez-me perceber que ter filhos na escola (pública ou privada) exige toooda uma logística que ninguém nos conta. Há imprevistos assim malucos, ninguém assume as culpas e nós temos que andar ali em desespero até pensar noutra solução. É lixado.

      Um beijinho!
      (não tinha reparado que estavas de blog novo, vou já cuscar!)

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    3. Anónimo 15:47h: Lá por esse ser o 'normal' para si, não significa que tenha que o ser para o restante da população, ou só a sua opinião é que conta? Tem muita piada, realmente.

      Cheira a aldrabice? Que bom que tens um olfacto assim pra cima de espetacular! È que foi mesmo aldrabice, subornei o director do agrupamento e ele lá enfiou a miúda na escola. O que mais poderia ser, não é?

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    4. É o normal para a grande maioria das pessoas que anda na pública, uma vez que os dois principais critérios de admissão na mesma é o agregado familiar do aluno morar/trabalhar na zona da escola. Não é uma opinião, são as regras estabelecidas. Daí que imensa gente forje moradas falsas para conseguir pôr os filhos na escola X ou Y porque têm fama de serem boas. E daí que o seu caso cheire a esturro, uma vez que afirma que a escola até tem um problema de vagas e filas de espera de alunos, logo, os critérios de admissão que referi acima deveriam ser os que se aplicam, o que não parece ser o vosso caso, já que diz que vivem/trabalham bem longe da escola.

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    5. Poderá dar-se o caso de não haver escolas perto, e a unica que está "mais perto", ainda assim continua longe.

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    6. Só para esclarecer: não forjamos moradas falsas, não pagamos a ninguém para nos ceder a vaga, não tivemos cunhas para lá entrar. Não quero entrar em pormenores porque não foi esse o objectivo do post, vocês pegaram-se num detalhe que em nada tem de relevante. Não me apetece explicar os motivos, mas não infringimos a lei para matricular a Vi na escola onde está. Simples assim.

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  2. Já há pessoas a ter filhos aos 50 e 60.. secalhar é a resposta :|

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    1. Pois, cada vez mais convenço-me de que é impossível ter filhos e conseguir manter o equilíbrio das coisas... mais vale uma pessoa adiar. E adiar.

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  3. Sempre andei em escolas públicas e desde sempre que ia a pé para escola e no fim das aulas ia voltava para casa sem problemas. Mesmo no primeiro ano. Os meus pais levantavam-se cedinho para ir ganhar o pão, fui habituada a acordar com a ajuda do despertador, preparava o meu pequeno-almoço e lá ia para a escola às 09:30. Fui "obrigada" a crescer desde os meus 6 aninhos.

    E para além de eu agradecer aos meus pais pela responsabilidade e confiança que me deram, agradeço também o facto de ter andado sempre em escolas públicas até porque eles não tinham dinheiro para pagar o luxo que é anda em escola privadas. Admito que eles nos últimos anos têm tido bastante falhas? Sim, admito. Mas das histórias que conheço de escolas privadas, dou graças a Deus por realmente nunca ter frequentado nenhuma.

    Cátia ∫ Meraki

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  4. Também partilho da tua impressao de que nos dias que correm ter filhos é para privilegiados ou para malucos...nunca foi tao difícil equilibrar vida pessoal/profissional...já para nao falar do desafio de disciplinar miúdos hoje em dia.

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    1. É, não é? Estava a comentar sobre isso com duas amigas e elas sentem o mesmo. Eu olho para algumas pessoas da minha idade já com 2 ou 3 filhos e penso: que coragem! Porque nesses tempos que correm, é mesmo preciso coragem.

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    2. Não podia concordar mais, infelizmente :/ Eu admiro imenso quem tem mais do que um filho! Fico a pensar para mim "mas como é que conseguem!?!"

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  5. Olá Anne. Quando no Brasil pus os meus filhos num colégio considerado muito bom...o colégio era realmente fantástico, os nossos dias é que perderam por completo qualidade pelo facto do colégio ser noutro bairro e queimarmos horas todos os dias no trânsito. Passados alguns meses contratamos transporte escolar, mas só nos livrou a nós das horas de trajecto, não aos nossos filhos, além de que achavamos muito estranho nunca os irmos levar nem buscar. No ano seguinte mudamos os miúdos para um colégio no bairro onde viviamos, que por sorte era três ruas atrás da nossa casa...e acabaram-se os stress's.
    Já em Portugal, depois de aprendida a liçao, colocamos os nossos filhos nas escolas da zona de residencia, a do mais novo é literalmente ao lado da nossa casa, a do mais velho é perto, ele vai a pé, e está lá em 10 minutos. O Leandro Karnal, um sociólogo/historiador brasileiro de quem gosto muito, disse em tempos que a "melhor escola é a que melhor se insere na rotina da familia".... e é sem dúvida.
    Em relaçao à escola pública versus privada.... os meus andaram aqui no privado e depois no Brasil também...mas depois da chapada de Brasil, e de perceber o que é o ensino público lá, passamos a valorizar muito o que temos aqui e quando voltamos nem sequer nos passou pela cabeça colocá-los no privado. De qualquer modo muitas vezes fico de cabelos em pé por coisas que correm menos bem nas escolas deles, e é inevitável sim comparar com a esperiência no privado.
    Bjinhos
    Iris

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    1. Oi Iris!

      Eu quando vivia no Brasil sempre tive transporte escolar e andei em colégios privados, a minha mãe (sendo empresária) tinha horários malucos de trabalho e por vezes quem me ia levar/buscar era a minha avó. Nunca senti falta disso, até porque a minha mãe sempre foi do mais presente possível, não perdia uma reunião de escola nem festinhas. Os colégios eram sempre na nossa área de residência, então eu também não andava muito no trânsito.

      Em Portugal as escolas públicas são muito boas, em nada se comparam às do Brasil. Só que a minha mãe vinha ainda com a cabeça muito 'carioca' e achava que a Vi só estaria bem num colégio, facto que depois ela acabou aceitando como 'esquisitice' dela. Acho que passarmos a miúda para o público foi uma das melhores decisões, ela está muito mais autônoma (e só vamos em mês e meio de aulas) e apesar de alguns sobressaltos (roubaram-lhe o telemóvel que estava na mochila, dentro do cacifo da Ed. Física) penso que tudo corre muito bem.

      De todas as mudanças, a que ela mais estranha é não usar mais uniforme. Diz que demora séculos para se vestir de manhã porque nunca sabe bem o que levar, quando antes era só agarrar na saia, nos collants, camisa e está a andar. É uma pena que as escolas públicas portuguesas não incentivem o uso do uniforme básico: calças de ganga + tshirt com logo da escola. Acho que seria tão simples! :)

      Um beijinho

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  6. Se nem tu nem o pai têm horários fáceis de gerir, se calhar é melhor não terem filhos mesmo. Até perceberem que a carreira não deve ser posta à frente da família (caso queiram ser uma família, nada contra quem não quer ter filhos e aposta na carreira), o melhor mesmo é serem só os 2. Saem às 22h e queriam ter filhos para quê? Para os verem de manhã e serem outras pessoas a irem buscá-los à escola, darem banho, jantar, pôr a dormir? Honestamente não percebo isso. Eu e o meu marido, no início de carreira, tínhamos empregos desses. E jamais pensámos em ter filhos nessas condições. Sempre foi nosso objectivo mudar e, só quando conseguimos os dois estar a trabalhar com o mesmo horário e em locais respeitadores dos direitos dos trabalhadores, é que decidimos ser pais. E temos os nossos filhos em escolas públicas da área de residência, jamais nos ocorreria pô-los na outra ponta da cidade só porque "há boas referências". A educação dada em casa é que é a referência!

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    1. E já pensou que secalhar, quando a Anne tiver filhos, a coisa será diferente?

      Ás tantas, o marido dela ou ela reduzem o horário de trabalho e conseguem conjugar tudo! Não é preciso escolher um ou outro, se se conseguir organizar tudo, dá para ter os dois.

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    2. Anónimo das 14:28 - Já pensou que se calhar não tem nada que ver com isso? Da vida dela sabe ela.

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    3. Anónimo das 14:28: Folgo em saber que há alguém mais interessado no meu futuro planeamento familiar do que - imagine! - os principais interessados (eu e o marido). Mas quem é que está a pôr a carreira à frente da família? Não deve mesmo ser uma leitora habitual, senão saberia que nada neste mundo está à frente da minha família. Nada.

      Eu saio às 22h por opção. Porque a empresa é (também) minha e quero dar o litro para que consigamos firmar o nosso nome no mercado. Não sou explorada, faço porque quero, porque me dá gozo construir algo que é para mim (e não para enriquecer os bolsos ao patrão). Estamos a falar de coisas completamente diferentes.

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    4. Acho genial questionarem o que tenho a ver com isso, quando é a própria autora a explicar que acha que a sua vida laboral não é compatível com filhos e está preocupada com isso! Então, se tem essa flexibilidade laboral, problema resolvido. Diz que tem de esperar até aos 50 porquê?

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  7. Vou partilhar o meu caso, porque acho que pode ser pertinente. Sou uma mãe jovem e divorciada. O meu filho está a estudar numa escola que, no início do ano, se encontrava perto do meu local de trabalho.
    Entretanto, mudei de trabalho para uma localização totalmente diferente, e não iria impus uma mudança de escola ao miúdo a meio do ano lectivo, como é evidente.
    Sendo uma escola pública, pretendem que o meu filho compareça ao acompanhamento psicológico (devido ao divórcio e consequente impacto no desempenho escolar) na junta de freguesia perto da escola.
    A consequência directa é eu perder uma tarde todas as semanas, à quarta-feira, para sair do meu actual local de trabalho, buscá-lo à escola dele e deixá-lo na junta de freguesia, no horário do acompanhamento psicológico.
    Todos e todas nós sabemos como é que um Chefe reage quando um trabalhador lhe diz que tem de se ausentar uma tarde por semana até ao final do ano lectivo.

    Por enfrentar problemas destes eu própria, estou muito solidária com a família da Anne. A vida não é a preto e branco e julgar alguém quando se está de fora, como espectador, é muito fácil.

    Força Anne, e um beijinho. Não é fácil, mas os miúdos merecem os esforços todos. :)

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    1. Joana, obrigada pelo comentário. É muito fácil interpretar só o lado pior e aquilo que queremos mas a verdade é que só quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro :)

      Não sei como funciona esta situação do psicólogo (a minha mana também esteve no psicólogo do colégio, quando o pai dela faleceu - mas as 'consultas' eram sempre seguidos ao horário das aulas dela).

      No seu caso é complicado, visto ter que ser você a levar o filhote ao psicólogo e a ter que faltar uma tarde por semana... Numa empresa grande, com muitos funcionários, talvez não seja grave mas por exemplo, na minha empresa, onde somos só 11 pessoas (e o trabalho é muito), a ausência de um funcionário continuamente seria difícil de gerir...

      Mas é como dizes: são esforços que temos que fazer e com certeza as crianças merecem! Um beijinho e que tudo corra bem nesta 'fase' que há de passar rápido :)

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  8. É incrível como as instituições (principalmente as públicas) nos conseguem dificultar a vida. Ainda mais do que dificultar a vida, dificultam imenso, tal como dizes, gerar uma vida. É que uma pessoa pensa em filhos e lembra-se logo da falta de condições que temos para os criar (sim, porque para mim, "ter" filhos não é deixá-los com a ama o dia inteiro ou na escola sem verem os pais ou família, mas isso sou eu)... Infelizmente são as condições que temos :/

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  9. Gosto muito de ti Anne, mas achei este post algo desinformado da tua parte.
    O que aconteceu muito provavelmente é que a escola estava com falta de professores, os substitutos só são colocados mais tarde e possivelmente em várias escolas ao mesmo tempo para terem horário completo, por isso tiveram que mudar os horários dos alunos, como estudante passei por isso, felizmente apenas com uma professora pelo que não foi tão dramático e numa idade mais avançada.
    Percebo que estejas bastante zangada devido aos motivos de transporte, mas dúvido que a culpa tenha sido da escola ou do ensino público e acho que terem colocado a Vi no ensino público é de facto o melhor, sempre é mais diversificado e a verdade é que, um bom aluno, é bom sucedido em qualquer instituição.

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