30 outubro 2016

Da série: comentários tão, mas tão bons... que até merecem um post! #1

E pronto, iniciamos uma nova rubrica aqui no estaminé. É que isto de ter um blog é mesmo uma caixinha de surpresas e vez por outra somos surpreendidos por comentários que dão que pensar. Gosto de refletir sobre as coisas que me dizem e de rever os meus conceitos - não tenho a pretensão de ser a dona da razão.

A propósito do post sobre a minha ida à feira, recebi esse comentário:
"(...) Segundo ponto: sempre que qualquer pessoa compra um item em que haja a mais leve suspeita da legalidade da sua proveniência está a compactuar com o crime. O facto de não teres sido tu a roubar mas pores a hipótese de que possa ter sido roubado e ainda assim o comprares é um comportamento moralmente condenável (e legalmente, se o item tiver efectivamente sido roubado/furtado)."
E parei para pensar em como isto do 'comportamento moralmente condenável' é subjectivo. Para mim, comprar artigos numa feira e pagar pelos mesmos não tem nada de condenável, antes pelo contrário, em alguns casos sinto mesmo que ajudei a economia nacional ao comprar, por exemplo, 100€ em três pares de sapatos made in Portugal e 100% nacionais, numa barraca de calçados na feira. É verdade, não pedi factura com NIF (nunca peço quando se trata de pequenos comerciantes - sim, crucifiquem aqui a pessoa mas tenho pena e sei que muitos negócios estão mal das pernas e com impostos atrasados), e percebi claramente que aquela venda fez a alegria do dono do negócio (e era um senhor tão simpático que até eu fiquei feliz!).

A verdade é que cada um terá o seu conceito muito próprio do que é ou não moralmente condenável e isso vai muito da educação e dos princípios que nos ensinaram (ou que fomos adquirindo). Para mim, por exemplo, moralmente condenável é...

... Inventar doenças e pedir  àquele amigo-parente-conhecido que é médico para conseguir um atestado falso para apresentar no trabalho só naquela de prolongar o fim-de-semana por mais um dia;

... Vender um carro na internet (olx, standvirtual, etc) e alterar o contador do quilómetros para enganar o novo comprador e dizer que o carro está 'impecável' quando na verdade está cheio de problemas escondidos (aconteceu ao meu irmão e não houve polícia nem queixas que nos valessem... perdeu o dinheiro).

... Ter usufruído do 1º ano de isenção de impostos nos Recibos Verdes mas querer continuar a passar recibos (e não querer pagar a devida contribuição à Seg. Social) então passar Recibos em nome de outra pessoa para fugir ao imposto;

... Viver numa zona de residência mas utilizar uma morada falsa para beneficiar de um hospital ou centro de saúde de outra zona porque aquele é que é;

... Ir com o carro à inspeção e saber que não vai passar à primeira, então toca de subornar o funcionário e oferecer um dinheirinho (sim, vi acontecer à minha frente, ninguém me contou);

... Levar cábulas escondidas na manga de um casaco no dia daquele exame crucial para passar numa cadeira na faculdade. E conseguires acabar o curso com um notão mas na verdade sabes que pouco do mérito pode ser atribuído à tua inteligência;

... Fingir que estás desempregado para receber o subsídio-desempregado quando na verdade até trabalhas por fora mas ninguém sabe, já que não o declaras;

... Deslocar-se aos serviços públicos que por norma estão apinhados de gente (como Finanças, Loja do Cidadão ou Seg. Social) com aquele bebé da tua prima/amiga só naquela de teres a senha prioritária e bazares dali enquanto aqueles totós que se levantaram às 6h da manhã ainda nem foram atendidos. Ou então pegares ao colo no teu filho que até já tem 5 anos mas como é 'pequenino' passa facilmente por um bebé de 36 meses (um clássico);

... Colar-se às pessoas que estão a sair do metro para ver se consegues entrar/sair sem pagar o bilhete (odeio que me façam isso, quando percebo que vão tentar a façanha, demoro imenso tempo a caminhar, tipo velhota de 90 anos com artrose). Era o que mais faltava!

... Arrendar uma casa e pedir 'um desconto' ao senhorio porque afinal nem precisas que o teu contrato estejas nas Finanças. Pagar imposto para quê, não é? Um contratozinho feito no word e está a andar!

... Imprimir documentos pessoais na impressora do trabalho para poupar o cartucho de casa.

Enfim, eu poderia citar uma infinidade de situações, algumas bem corriqueiras e que 'toda a gente faz' para exemplificar o que, para mim, é uma situação moralmente condenável. Talvez para vocês algumas dessas situações não sejam nada demais e se calhar até fazem uma ou outra sem qualquer problemas de consciência. Como eu disse, é um conceito muito subjectivo.

Respeito quem pense diferente e não consiga comprar nada em feiras por receio de estar, inconscientemente, contribuindo para uma economia paralela ou até mesmo com furtos. Não aceito é que me queiram impingir essa opinião como sendo uma verdade absoluta porque para mim, comprar artigos em feiras ou no comércio popular não constitui nenhuma mácula na minha moral. E tanto assim é que me senti confortável em vir partilhar convosco a experiência. Mais tolerância, por favor.
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28 comentários

  1. Sinceramente, acho esta rubrica este post desnecessário.
    JA existem bastantes blogs com esta rubrica e acho imbecil.
    Depois, eu gosto do blog mas a Anne também revela aqui coisas mais negativas da sua personalidade que estão na categoria das que enumerou: devolver roupa e depois voltar a compra la com descontos, a sua irmã andar numa escola que não corresponde nem a morada de emprego da mae nem a morada de residência, and so on and on.
    Como seres humanos fazemos muitas coisas lamentáveis. só hipocrito vir apontar um dedo quanto temos 3 a apontar para nós ;)

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    1. Apesar de quase sempre concordar em tudo com a Anne neste caso também acho este post desnecessário. Concordo plenamente com o que a Ana disse!

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    2. Olá Ana,

      Lá está, é mais um daqueles casos em que o que é necessário para uns, pode ser desnecessário para outros. Eu achei interessante o comentário (não estou a ser irónica) e apeteceu-me dissertar sobre ele. Deu-me que pensar e gosto disso.

      Agora se realmente acha 'imbecil', a solução é bastante simples: salta este post e quando eu fizer um novo post (que não seja imbecil ou desnecessário - se é que eu escrevo algo assim), a Ana volta e amigas como antes.

      Acho imensa graça como consegue encontrar 'coisas negativas na minha personalidade' sem saber metade da missa. Como já antes referi, a minha irmã está matriculada na escola de forma totalmente legal e sem infringir qualquer lei. O que se passa é que a minha mãe mudou de residência na última semana de Agosto (por razões profissionais) e deixou de viver ao pé da escola. Nem sempre as coisas são tão 'preto no branco' mas claro que é mais fácil achar que se aldrabou o sistema.

      Sobre eu ter devolvido a roupa que comprei numa altura em que não era de saldos, roupa que não usei e menos de 24h depois (ou seja, no dia a seguir) fui devolver porque senti-me aldrabada em pagar quase 30€ a mais por uma questão de 24h... não acho que fiz nada de errado, muito sinceramente. Hoje não o faria pelo trabalho que me deu ter que voltar a meter tudo no saco, ir à loja, etc... E felizmente, 30€ não me fazem a menor falta.

      Não seria hipócrita de fazer um post a condenar situações que acho tristes se fizesse exactamente o mesmo, não acha? Seria só contraditório.

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  2. O teu terceiro ponto contradiz-se com o teu "não pedi factura". A obrigação de pagar impostos não é subjectiva nem depende daquilo que achas correcto ou como deve ser, pagar impostos é uma questão de igualdade, ou pagamos todos ou não paga nenhum, cada um na medida dos seus rendimentos obviamente. Agora não podes dizer que não pedes factura e "condenas" quem passa recibos verdes para obter benefícios fiscais. Tudo isto está sob a alçada do Direito fiscal, como podes calcular se está na lei, não é subjectivo, é obrigatório, é um dever.

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    1. Quanto a mim, pago os meus impostos em dia, não usufruo (nem nunca usufruí) de qualquer benefício do estado, nem sequer uso o SNS, ou seja, sou uma contribuinte que 'só dá a ganhar' ao estado, por isso sinto-me na liberdade de optar se quero ou não factura. E não, nunca quero.

      Não me serve de nada, não me dá nada a ganhar, é uma chatice que fiquem a saber onde gasto o meu dinheiro (já somos tão controlados que sinceramente... não me apetece) e sinto uma genuína empatia por quem tem o seu pequeno comércio, vê-se obrigado a baixar preços para continuar a subsistir e ainda têm que pagar um imposto verdadeiramente absurdo (1/4 do preço, isso entra na cabeça de alguém?) ao estado que mais facilmente dá a quem não precisa do que aos que verdadeiramente necessitam (idosos, crianças em risco, etc).

      Eu não peço factura para beneficiar quem acho que merece (pequenos comerciantes nacionais). Não é para meu benefício (antes pelo contrário). Quanto aos 'falsos recibos verdes', é algo que só beneficia a pessoa em questão e não 'ajuda' a ninguém.

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    2. Anónimo30 de outubro de 2016 às 18:36, há umas situações relcioandas com "vendas ambulantes" em que o comerciante é dispensado da obrigação de passar factura. Não sei o regime ao pormenor, mas até acredito que quem vende nas feiras esteja abrangido por essa excepção.

      Anne, não digas que "não usufruo (nem nunca usufruí) de qualquer benefício do estado". Há imensas coisas que são "benefícios do Estado" (pagas com os nossos impostos) que nós usamos sem nos apercebermos, ou que usamos pagando um preço abaixo do custo real. Por exmeplo, se tiveres andado numa escola pública, numa Universidade pública (porque as propinas que aí se pagam são apenas uma parte do gasto que o Estado tem por aluno), hospitais e centros de saúde (a mesma coisa para as taxas moderadoras), estradas (a mesma coisa para as portagens), justiça, polícia, iluminação pública, recolha do lixo, etc.

      Quanto a não pedir factura porque não dá nada a ganhar, pelo menos as facturas de cabeleireiros e gabinetes de estética, reparações de carros e motociclos, restaurantes e hotelaria, saúde, educação, lares e despesas gerais e familiares até 250€ dão um benefício no IRS.

      Eu peço sempre factura porque sempre cumpri com as minhas obrigações fiscais e acho que é obrigação de todos cumprirmos. Se todos cumprissemos podíamos todos pagar muito menos. E os direitos/benefícios seriam exercidos por quem realmente precisa (e não por quem declara ganhar 100€, quando na verdade ganha 1.000€ e tem acesso a uma série de benefícios que eu não tenho).

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  3. Ora bem, como o comentário em questão é meu, acho por bem fazer um esclarecimento básico:
    Comprar em feiras nada tem de condenável, seja social, económica ou legalmente. O que é condenável é comprar mercadoria contrafeita ou alegadamente resultante de furtos/roubos.
    Como qualquer pessoa com o mínimo de conhecimentos sabe, a maioria das marcas medium/hight fashion tem um controlo de qualidade na sua produção muito apertado, a levi's, p.e., conta todos os metros de ganga, linhas e quantidade de botões que entram e posteriormente saem das fabricas para evitar mercados paralelos. Ou seja, é impossível que material verdadeiro seja vendido ao preço da uva mijona numa feira sem que haja ilegalidades pelo meio. Se afirmas que o material é indubitavelmente verdadeiro, saberás que houve alguma coisa que correu menos bem para o estares a comprar ali com aqueles valores. Se o compras sabendo disso, PARA MIM, isso é a postura moralmente condenavel. Atente-se ainda que Zara não é marca com este estatuto e as próprias fabricas fazem escoamentos de stock de peças com pequenos defeitos que a marca rejeitou, por isso encontrar Inditex na feira é normal e, à partida, nada ilegal já que muito do seu material é made in PT.

    Para terminar, não se confunda comprar toalhas de crochet feitas pela D.Maria ou meias 100% algodão de Guimaraes na banca do Sr. Pereira sem factura com comprar material roubado ou contrafeito.

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    1. Olá Cláudia,

      Antes de mais, queria agradecer o teu comentário (são poucas as pessoas que sabem comentar com inteligência e sem ofensas gratuitas).

      A questão é que quando uma pessoa compra em uma feira não tem como saber que 'alegadamente aquela mercadoria é resultante de furto/roubo' só se o cigano desatar aos gritos "comprem, comprem que é tudo roubado!" como até já aconteceu e me fez voar para outra barraca. Quando sei garantidamente que é roubado, obviamente não vou estar a contribuir para tal coisa. Quando não tenho a certeza, não vejo problemas em comprar.

      Os casacos em questão eram verdadeiros, mas estamos a falar de Stradivarius, H&M, Zara e Natura, ou seja, marcas fast fashion e não de seguimento mais elevado como a Levis que citou. (aliás, no post até citei as marcas em questão).

      Gosto essencialmente das feiras por que me dá a oportunidade de comprar artigos nacionais a preços justos (como os lençóis 10% algodão e nacionais por 7€)e de ajudar os pequenos negócios portugueses que ainda resistem.

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  4. Safa, que cansaço. Sempre a postos com as faquinhas na mão.
    Se compra na feira é porque é roubado.
    Se vai de viagem é porque é exibicionista.
    Se compra uma mala de pele é porque não se peocupa com os animais.
    Se dá um erro (oh, que sacrilégio) é porque é analfabeta.
    Se compra umas botas de material sintético é porque é pelintra.

    E lerem outros blogues, não?

    Paula

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    1. Hahahaha o seu comentário fez-me rir, Paula.

      É verdade, cada vez mais a blogosfera assume-se como um lugar para destilar ódios e venenos, onde se é preso por ter cão e preso por não ter, onde temos que medir cada palavra daquilo que escrevemos (não vá ferir as susceptibilidades de alguém), onde as pessoas não assumem o que fazem com medo de julgamentos alheios... Está a transformar-se num sítio chato e sinceramente, quando as coisas deixam de ser um prazer uma pessoa já começa a pensar o que está aqui a fazer e se realmente vale a pena continuar a dar 'pérolas aos porcos'.

      Obrigada pelo comentário, resumiu tudo o que eu também acho.

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  5. Anne, pores este comentário em destaque num post deste género até te fica mal. O comentário é educado e toda a mensagem que transmite é super correcta. E depois há os vários exemplos que dás que são um tiro no pé. Não vês mal em não pedir factura mas já achas mal que o trabalhador independente tente contornar os impostos, sendo que ambas as situações são de fuga aos mesmos deveres legais.
    Como já alguém comentou, dizeres que não usufruis de nada do Estado porque não vais ao hospital público é de uma ignorância gigante. Policia, bombeiros, estradas nacionais e camarárias, luz pública, universidades públicas, manutenção de praias, rios e o espólio cultural público que tu tanto gabas... tudo isto é pago com os impostos de cada um de nós!!
    Isso sem falar que quando pagamos impostos na real medida do que ganhamos estamos também a contribuir socialmente para que quem tem menos possa ter acesso a cuidados básicos de saúde e educação e assim para ter uma sociedade mais justa. Essa tua postura é profundamente sem sentido, para não dizer mesmo muito egoísta.

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    1. Cats P., o que será que entendeu por 'um post deste género'? Não fiz um post a ridicularizar o comentário que deu origem ao dito, mas sim um post a explicar o porquê de pensar diferente do comentário, que aliás, foi feito com educação e inteligência. Se tivesse se dado ao trabalho de ler a minha resposta à autora do comentário (Cláudia) teria visto que elogiei o comentário dela e a forma como o escreveu.

      Quando não peço factura não estou a fugir aos impostos (para mim é totalmente igual pedir ou não factura, não vou pagar a mais por isso) mas para a entidade que passa a factura, poderá fazer diferença ter aqueles 23% para pagar de IVA ou não.

      Comentei que não usufruo de benefícios do estado no sentido dos benefícios sociais como: Abonos (nem eu nem os meus irmãos usufruíram - por opção nossa), Subsídios (nunca dependi disso para nada), RSI (menos ainda), Arrendamento Jovem e Casas dadas pela Câmara (nunca precisei), Centro de saúde, vacinas e Hospital (faço tudo no privado), ou seja, com isto quis exemplificar que o meu 'custo' para o estado é quase equivalente a zero, se comparar com todas as pessoas que estão à minha volta. Apesar de não usufruir de nada dessas coisas que citei, ainda assim desconto todos os meses (e não é pouco), pago sobretaxa de IRS e merdas que tais... faço a minha parte.

      A minha postura é egoísta? Epá, acho que não.

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  6. Eita gente amarga que nunca vê o lado bom das situações; gentinha que procura o erro, que aponta o dedo, que manda bitaites!!!! Tenho idade para ser sua mãe Anne (tenho 52 anos e uma filha pouco mais nova e também com um blogue) e, admito, não sei como vocês têm paciência ... Gosto muito de a ler :)

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    1. Olá Dina! Que engraçado, sempre fico surpresa quando descubro que sou lida por leitoras mais velhas, tenho sempre a tendência de achar que escrevo para meia dúzia de miúdas :)

      Por vezes falta-me a paciência e nestas horas abstraio um bocadinho disto dos blogs e só volto passado uns dias. É para ver se não me salta a tampa, caso contrário corria esta gente daqui aos pontapés!
      Um beijinho e obrigada pelo comentário tão simpático!

      (e o blogue da filhota? É público? *ai que cusca que eu sou*)

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    2. É a miúda dos saltos altos. Não chega la pelo sobrenome da Dina?

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    3. Eu gosto muito de a ler, e tenho 63 anos!!!

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  7. O objectivo de se pagar tributos fiscais, além de obter um retorno pessoal (que nem sempre nos é perceptível ou consideramos que não usufruimos), é sustentar o estado social. Para que haja saúde, educação, segurança, justiça etc acessível a todos, quem obtêm rendimentos, terá que contribuir. Uns dirão que isso não lhes traz beneficios, muito bem, mas eu prefiro viver numa sociedade onde cada um contribui para uma sociedade um bocadinho melhor, do que numa sociedade menos centrada no "eu", com uma grande separação social. Como referido supra, podemos não andar em escolas públicas, frequentar hospitais públicos, não andar de metro etc, mas todos temos iluminação nas ruas, esgotos, estradas pavimentadas, polícias, tribunais, jardins, promoção de actividades culturais, separação e recolha de lixo, etc. De uma forma ou de outra todos usufruimos do estado social. E mesmo que não na mesma medida que uns, é bom saber que contribuimos para que os menos favorecidos possam usufruir.

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    1. Exacto. E eu contribuo de todas as formas possíveis. Só cometo 'o crime' de não pedir factura com contribuinte quando se trata de empresas pequeninas. A fatura não me vai adiantar de nada (fatura de sapatos? de roupa?) e para aquela empresa poderá fazer a diferença no fim do mês. Já me tentaram fazer ver a situação de outro ângulo mas não consigo mesmo, então se for um negócio daqueles familiares com proprietários já idosos... ui, é que nem pago em multibanco que é para não 'forçar' uma fatura, faço questão de pagar em dinheiro.

      Claro que sim, de uma forma ou de outra todos usufruem do estado (com luz, polícia, bombeiros, etc) mas eu estava a falar de benefícios sociais específicos (abonos, subsídios, rsi, arrendamento jovem, etc) coisas que consomem uma enorme fatia das finanças do país e que eu nunca usufruí. E infelizmente só vejo gente que 'não precisa' a comer dessa mama. É uma sensação de injustiça enorme perceber que há gente que trabalhou toda uma vida para ganhar 200€ de reforma (e o dinheiro ficar quase todo na farmácia) enquanto anda por aí gente com 30 anos (e saudável) que nunca na vida descontou para nada a mamar 700€ por mês + abonos por cada um dos 8 filhos que tem + rsi + casas oferecidas pela câmara e o rabinho lavado com água das rosas.

      Está tudo tão distribuído que sempre que posso, mesmo que seja nisto de não pedir factura, tento ajudar quem realmente acho que precisa. Se é uma ilegalidade? Até pode ser mas sinto que fiz alguma coisa para ajudar. Prendam-me.

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    2. Pois,o pior é quando esses "velhinhos"são "podres" de ricos!!E quem os "alimenta"são pessoas como a Anne! E eles agradecem,e ainda gozam!!

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  8. Tenho de discordar deste ponto:
    "... Viver numa zona de residência mas utilizar uma morada falsa para beneficiar de um hospital ou centro de saúde de outra zona porque aquele é que é;"

    E quando a pessoa só tem dinheiro para usar o SNS e o seu centro de saúde sistematicamente lhe falha: adia consultas , cancela outras e marca para daí a um ano? E se juntarmos a isto não uma situação de análises de rotina mas de desconfiança de doença grave, que precisa de ser descoberta o mais cedo possível? Não estou a inventar, isto acontece.

    Ou essa pessoa vai a outro sítio com outra morada ou vai para aurgência do hospital, o que se calhar também é condenável porque a triagem lhe dá a pulseirinha verde. Há casos e casos...

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    1. Olá!
      Bem, eu estava a referir-me a casos mais genéricos como alguns que me chegam aos ouvidos do tipo "ah, o meu hospital de residência é o Amadora-Sintra mas aquilo é só pretos e ciganos, por isso meti a morada da minha tia/avó/prima para ser atendida no São Francisco Xavier, para onde vão os que vivem no Restelo".

      Casos como o que citei, em que as pessoas aldrabam o sistema só naquela de parecerem bem ou por questões inferiores, são os que eu acho mal.

      Casos em que não tens médico de família ou assim (não sei como funciona) ou se não podes fazer um exame, sei lá, sempre que acontece alguma situação em que não se tenha hipótese de mudar para o privado, pois que acho bem que arranjem forma de serem atendidos (mesmo que seja a falsificar uma morada). Estamos a falar de saúde, um bem dito essencial e que pode decidir entre viver ou morrer.

      Concordo consigo em tudo: há casos e casos. (mas o meu post era só para os espertalhões, não para os casos de necessidade).

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    2. Atenção que para se utilizar um determinado hospital (pelo menos a urgências) não é necessário que o mesmo esteja na nossa área de residência! Agora, consultas, que são reencaminhadas pelo centro de saúde, aí acho que sim, porque o centro manda para o hospital da sua área e à partida a pessoa estará no centro da sua área também.

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  9. Não li tudo, não tive paciência. Mas quem comentou tem razão. Comprar um artigo que na loja custa 100€ por 10€ é crime!! É receptação, basta procurar no código penal. A lei não quer saber se efectivamente sabe se é roubado. Mas o "homem médio" tem obrigação de saber.

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    1. Caro comentador, não escreva isso do 'homem médio' aqui, que é um conceito jurídico e ainda vêm as más interpretações do costume ahahah. Irão dizer tal coisa não existe.

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    2. Mas e vender um artigo que custa efetivamente 5€ a 50€, é aceitável?!

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  10. Eu nunca vi tanto alarido por uma pessoa ir à feira e comprar lá coisas. Mas será que nunca ninguém aqui foi à feira? Será que se vissem por 10 euros uma peça que sabem que na loja está a 30 ou 40 não se sentiam tentados em comprar? É uma feira minha gente, ninguém vai lá com o código penal na cabeça, nem com a lei, parem de tentar ser o suprasumo da moralidade!

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  11. Tenho de partilhar da sua opinião Anne! Acho que tem tudo a ver com honestidade. Se uma pessoa (dita "normal", imbuída de valores e princípios) estiver descansada de que o que está a fazer é honesto, pode ter a certeza que não está a fazer nada moralmente (ou o que quer que seja) condenável!
    ***

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  12. Anne não faço a mínima ideia de quem seja o anónimo das 07h58! Nunca percebi porque as pessoas gostam tanto de escrever sob anonimato :( Beijinho

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