24 outubro 2016

No domingo fui à feira...

... e estou absolutamente rendida! Há imenso tempo que não estava numa feira e acho que até já me tinha esquecido de como aquilo funciona (até porque cheguei lá com 5€ na carteira, como nunca ando com muito dinheiro, pago tudo com multibanco - e tive que andar às voltas para encontrar um caixa e levantar dinheiro). Toda a gente sabe que para comprar na feira, só em dinheiro  - mas aqui a menina esqueceu-se desse pormenor. A par disso, adoro feiras!

Adoro cuscar as barraquinhas todas, adoro regatear preços (fiquei deliciada a barganhar preços em Abril deste ano, no Marrocos, desde então não quero outra coisa), adoro encontrar coisas que não estava à espera (desde coisas para a casa, tapetes, móveis, comida, roupas e sapatos... é uma perdição), adoro quase tudo. Só não gosto da gritaria que os ciganos fazem (nesta feira, 90% das barracas eram de ciganos) e também não gosto de sentir 'alguma' insegurança (fui de mochila e andei sempre com a mochila virada para a frente - nunca se sabe). Ah, e não gosto nada (mesmo nada!) de ver montes de policiais a passearem-se pela feira, a ver todos venderem artigos sem fatura, montes de artigos roubados serem vendidos (sim, o que não falta na feira são artigos 'de marca' a preços da uva mijona - não me digam que pagaram por aquilo...) e não deixa de ser injusto ver a monstruosidade que pagamos de IVA trimestral ao Estado (dava para comprar um carro novo de três em três meses) e depois ver que a lei existe apenas para uns. Mas vamos mudar de assunto senão ainda me dá uma coisinha má!


Ir à feira é quase uma experiência sociológica: encontramos de tudo! Crianças, idosos, pessoal a passear os cães (era o último sítio que me passaria pela cabeça para levar os meus cães), sem-abrigos, gente cheia do dinheiro (como uma senhora elegantérrima que estava a comprar lençóis 100% algodão na mesma barraca que eu e que depois teve que ligar à filha em Angola para confirmar a medida da cama dos netos, que os lençóis eram todos para ir para Luanda - que lá não havia nada do género, dizia ela). Há de tudo e eu adoro ficar parada a ver o vai-e-vém das pessoas que passam pela feira.

Coisas que encontrei nas barracas da Feira do Relógio:

--» Uma barraca só com sobretudos e blusões de marcas originais (e sim, conheço-as à distância, não eram réplicas) a preços ridículos: Zara, Natura (não resisti e comprei um sobretudo l-i-n-d-o por 10€ em 100% fazenda de lã), El Corte Inglés, H&M (comprei um sobretudo pra Vi também em fazenda por 5€) e afins. Tudo concentrado numa única barraca, tudo ao molho: os de criança a 5€ e os de adulto a 10€.

--» Imensas (mesmo!) barracas com tênis e botas com réplica (especialmente Adidas e Timberland). Eu não compro réplicas porque não me compensa pagar por um artigo de material inferior, apenas para exibir a marca. Ou tenho dinheiro e compro o original... ou arrumo uma versão mais low cost de outra marca. Réplicas é que não!

--» Uma barraca só com casacos de pele verdadeira: Raposa, Vison, etc, etc. Rondavam os 80€ (fora da feira é coisa para custar pra cima dos 350€) mas lá está, é outro tipo de artigo que não consigo nem olhar. Só compro peles bovina ou que seja um subproduto da carne, nada de animais exóticos.

--» Montes de barracas com loiça daquelas simples mas com detalhes amorosos (bem ao estilo 'Cerâmica da Linha' que eu tanto gosto) mas como tenho dois armários abarrotados de loiça, não averiguei muito bem. Havia barracas com loiças 'de marca' como Vista Alegre, Bordalo Pinheiro e SPAL (a minha mãe comprou um conjunto de copos da V.A) e eu na altura em que fiz o meu enxoval para o casamento também comprei pratos de sobremesa e chávenas de café da VA na feira (paguei tipo 15€ pelo conjunto todo, é muito barato).

--» Barracas com collants e meias de marca (essas fizeram as delícias da minha mãe - que ama essas coisas) com preços muito em conta (era tudo da Calzedónia e Intimissimi - alguns ainda traziam os preços originais) e estavam à venda por 1€ cada collant. É de perder a cabeça...

--» Uma das minhas barracas preferidas (já lá comprei três vezes): a barraca que vende roupa de cama em 100% algodão. É impossível não encontrar essa barraca, ela é gigante, cheia de roupa de cama, almofadas (vi imensas da Zara Home por lá, a 3€) e como já lá comprei lençóis de elástico (7€) para o tamanho gigante da minha cama (que custa sempre mais de 20€ noutros lados), nunca deixo de passar por lá. Dessa vez estavam com os lençóis de cima a 5€ (trouxe 3 em cores lisas, super macios) então aproveitei.

--» Barracas de comida: o verdadeiro motivo que faz o meu marido levantar da cama antes das 11h de um domingo hahaha. Ele é viciada na barraquinha de pastel de vento (e eu também) que vende outras delícias brasileiras por lá: coxinha de frango com catupiry, caldo de cana, bolinho de aipim, brigadeiro... aquilo é uma coisa de maluco, até fujo daquela barraquinha! Para além dessa, existem as famosas barracas com bifanas, couratos, hambúrgueres, cachorros e afins.

--» Também existe uma secção - mais ou menos a meio da feira - com legumes, fruta, ovos, especiarias, bolos e artigos de padaria, vinho, azeitonas... Vale a pena pelos ovos, a caixa com 30 ovos (tamanho gigante - e quase todos traziam gema dupla *_*) fica a 2,50€.

Para resumir, fiz excelentes compras na Feira do Relógio (se quiserem, posso fazer um post com as imagens do que comprei), despi-me de alguns preconceitos e adorei a experiência. É um sítio que reúne tudo no mesmo sítio, com preços fantásticos, roupas de qualidade e muitas fabricadas cá em Portugal (como no caso da roupa de cama) e óptimo para uma manhã de compras em família.


E vocês, já conheciam esta feira? Conhecem outras igualmente boas? 

(fora essa, só conheço a de Carcavelos, ao pé da estação CP, que acontece às 5ª feiras de manhã mas como estou sempre a trabalhar, nunca mais consegui lá ir... Ah, uma dica que já é batida mas que acho importante ressaltar: por favor, lavem tudo que compraram na feira antes de usar. Aquilo passa de mão em mão, cai no chão, pode ser pisado, é guardado em carrinhas que não devem ser muito asseadas, enfim... Eu sou muito cuidadosa com isso: chego da feira e já mando tudo pra dentro da máquina de lavar roupa. Prefiro não arriscar!)
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44 comentários

  1. Anne, também adoro feirar. Há feira na Adroana (perto do antigo Vassoureiro e Cascaishopping) aos 1o e 3o domingos do mês. Aos sábados de manhã há em Monte Abraão (para mim é Queluz), perto da estação da CP. Depois tem as grandes, como a de Azeitão no 1o domingo, em que há de tudo. A bem dizer há feiras em tudo o que é sítio. Creio que o Borda D'água tem os dias.

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    1. Já ouvi falar dessa feira da Adroana mas ainda não fui conhecê-la :(
      Essa outra de Queluz nunca ouvi falar. Já vi que há todo um mundo de feiras que eu desconheço. Lembro-me até hoje da 1ª feira a que fui, há 12 anos, recém-chegada do Brasil: era a Alfornelos. Foi o espanto da minha vida, ver casaquinhos e camisolas de lã a 5€ (convertia para reais e parecia-me roupa 'dada' de tão barata), lembro que cheguei em casa maravilhada, a dizer para a minha mãe que queria lá ir todos os fins de semana :P

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    2. A da Adroana não é muito grande. Antigamente faziam em Cascais, perto da praça de touros. Era um espectáculo. Adorava ir lá. Imensa roupa gira. Desde que mudaram para aqui, não acho tanta piada. Mas é sempre uma questão de sorte...

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  2. Não sei se sabes mas é cá em Portugal é proibido comprar artigos roubados (é punido quem vende e quem compra), logo, cometeste uma infração que até pode ser punível com prisão e ainda vens contar aqui no blog...

    Para quem se gaba de ser tão fina e tão chique (ai que só compro Burbery!), agora andas a comprar em feiras, o teu nível caiu um bocadinho, não?

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    1. Pois então prenda-me! A mim e a todos os outros que estão na feira a comprar. Eu não roubei nenhum artigo, paguei por eles. Não tenho a certeza se são roubados ou não (deduzi porque são artigos caros e de marca, vendidos a 1/10 do valor real).

      Onde é que me viu gabar o quer que seja? Sempre assumi que compro em imensos sítios: feiras, outlets, lojas caras... Desde que goste do artigo e tenha qualidade, quero lá saber a origem!

      Obviamente não gostas do blog (pela forma agressiva de escrever) por isso sugiro que encontres outros blogs para seguir. Era cá um alívio...

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  3. Olá Anne :) em frente às bombas da Cepsa existe uma barraquinha com frutas e legumes de primeira qualidade e maior parte biológicos :)
    E a dona e a filha são adoráveis, minha mãe e eu :) ahah
    Um grande beijinho, e quando quiseres passa por lá.

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    1. Oh que querida! A minha mãe é que teve a comprar frutas e legumes, eu fiquei-me pelas roupas mas da próxima vez que lá for, vou procurar a barraquinha das senhoras adoráveis ;)
      Um beijinho :*

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  4. Anne eu sou do norte, já ouvi falar imenso dessa feira e da de Carcavelos, mas essa é enorme realmente pois já vi vídeos no youtube. Quando for a Lisboa, vou ver se passo por lá. Cá "em cima" as mais famosas são a feira de Espinho que também é muito grande e a de Barcelos (terra do galo)! Beijinho

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    1. Sim, a de Carcavelos é gigante e bastante organizada mas achei que a maior parte das coisas que são vendidas por lá são contrafeitas e não têm grande qualidade. Gostei da feira do Relógio por ter imensas bancas com artigos de algodão ou em pele, confeccionados cá em Portugal, a preços muito simpáticos.

      Também já ouvi falar dessa feira de Espinho mas não conheço (nem a de Barcelos!).
      Um beijinho

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  5. «Toda a gente sabe que para comprar na feira, só em dinheiro - mas aqui a menina esqueceu-se desse pormenor. A par disso, adoro feiras!» WTF???? NASCESTE ONTEM???

    «conheço-as à distância, não eram réplicas» Really???? ui que ingénua! já vi que te enganam todos os dias!

    «No Marrocos»??? e se aprendesses a escrever????

    «Uma barraca só com casacos de pele verdadeira» essa foi a cereja em cima do bolo heheheheh...



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    1. 1)Não, não nasci ontem. Cometo enganos e falhas, como todo ser humano. Esqueci-me de levar o dinheiro para a feira, mas facilmente levantei no multibanco que há dentro da feira.

      2)Não, não me enganam todos os dias. Sei que as roupas eram verdadeiras, até porque 'lembrei-me' de várias que já tinha visto pelas lojas (inclusive um dos sobretudos da Zara que por lá andavam já eu tinha comprado 2 invernos passados, na loja).

      3)Fui alfabetizada no Rio de Janeiro, em outra versão do idioma português. Orgulho-me imenso da maneira como escrevo (e adoro escrever) por isso a tua crítica grosseira não surtiu o efeito desejado. Estou longe de ser considerada analfabeta.

      4)Merece comentário? Eu cá acho que não. Não estavas lá para ver, não sabes o que eu vi, não tocaste os casacos nem viste as etiquetas, estás apenas a falar por falar... Poupa a tua escrita e encontra alguma ocupação para a tua vida.

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    2. "Fui alfabetizada" e "Rio de Janeiro" na mesma frase é uma ironia, não? :D

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    3. Anónimo, deixe de ser imbecil
      Obrigada, A Humanidade

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    4. Anónima das 16.21
      Grandessíssima alimária, só pode ser muito triste, invejosa e profundamente estúpida para escrever um comentário destes. O blog não é de leitura obrigatória, sabia?
      Se a incomoda tanto, dê corda aos sapatos e ponha-se ao fresco.

      Paula

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    5. Infelizmente essa de dizer 'no marrocos' não é um exclusivo de quem aprendeu português do brasil, também é muito comum entre portugueses. Enquanto madeirense faz-me uma confusão tremenda ouvir continentais dizer "estive de férias em porto santo" ou "hoje almocei no Machico".

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    6. Anónimo26 de outubro de 2016 às 00:09, se calhar é a sua educação madeirense que está errada, porque o correcto é mesmo dizer "estive de férias em porto santo"!

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    7. Por acaso não, anónimo das 09:31.

      Quando o nome de um lugar é também nome comum, é possível usar-se o determinante. Ninguém diz "Estive de férias em Porto" ou "Estive de férias em Guarda".

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    8. https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/em-porto-santo-e-no-porto-santo/31411

      Se se referirem à cidade de Porto Santo, é "no". Se for a ilha (caso da maioria dos continentais), é "em".

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    9. Então e se alguém se referir à ilha da madeira, também diz que esteve em madeira ou na madeira?

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    10. Ao anónimo que comentou:

      "Fui alfabetizada" e "Rio de Janeiro" na mesma frase é uma ironia, não? :D"

      Sim, era uma ironia. Toda a gente sabe que no Rio de Janeiro só existem analfabetos. E putas, já agora.

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    11. Ahahahahahahahahahahaah!!!!!!!! Boa resposta!!!!!!

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  6. A Feira da Ladra existe há imensos anos. Feira onde muita gente com a minha idade (cinquentões) se dedicava a vender artigos para ter dinheiro para as suas coisas. A feira sempre teve todo o tipo de gente por lá. E sim, ao anónimo das 23.20, vendiam-se imensos artigos roubados e toda a gente sabia. Não se comporte com arrogância, pois deve ser um exemplo da retidão fiscal.

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    1. Sim, a feira da Ladra deve ser a feira mais emblemática de Lisboa e há alguns anos que não vou lá fazer uma visita. Gostava especialmente dos artigos vintage que vendiam por lá.

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  7. Ate me da pena da Anne ao ler certos comentarios. Ela so queria partilhar algo que considerou util/de interesse. Se sao artigos roubados ou nao isso nao sabemos, isso e trabalho da policia averiguar e apreender(eles nao andavam la a passear?).

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    1. A mim dá-me mais riso do que pena. Esta gente é doida, Ana! Se pudesses ler as alarvidades que escrevem (só deixo passar as que são 'suaves') mas a minha caixa de comentários é um festival de terror. O que só comprova que há muita gente infeliz em Portugal porque gente feliz e de bem com a sua vida simplesmente não perturba ninguém.

      Exacto, quis partilhar uma dica de um sítio barato onde podem comprar roupa de qualidade e de marca a preços baixos.

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  8. Anne, eu amo pastel de vento e não como há tanto tempo que fiquei mesmo de água na boca. Quero!
    Quanto à feira, essa especificamente não conheço, mas eu adoro uma boa feirinha. Às vezes encontra-se coisas únicas.
    Aos sábados de manhã há uma aqui em Coimbra, e eu já lá comprei um casaco de pele lindíssimo e muito bom. Mas concordo contigo: nunca, mas nunca, uso nada comprado lá sem lavar/limpar primeiro.E sim, ir à feira é uma experiência sociológica. :p
    Beijo.
    lefashionaire.com

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    1. Eu também estava há meses sem comer um pastel (desde que iniciei a R.Alimentar). Soube-me pela vida! :D

      A mim faz-me tanta impressão comprar roupa e vestir logo de seguida! Mesmo as roupas de centro comercial e de lojas, tenho sempre a mania de querer lavar antes de vestir. Já trabalhei em lojas de shopping e sei bem os esquemas ardilosos que as pessoas inventam para devolverem uma roupa depois de já as terem vestido (era o pão nosso de cada dia...).
      Um beijinho

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    2. Mas não é suposto lavar tudo o que se compra antes de vestir??? Eu lavo tuuudo!!!

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    3. Teresa, somos duas! Sou completamente maníaca com limpezas e acho sempre que a roupa vem imunda, nem penso duas vezes: já para a máquina de lavar! :D

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  9. Volta e meia lá gosto de vir espreitar este cantinho, gosto imenso da tua escrita, e do conteúdo do blog, mas confesso, delicio-me com os comentários!! É cada pessoa mais infeliz que só dá vontade de rir. É explorar cada post como se de uma missão ultra delicada se tratasse, para encontrarem uma pontinha que seja para virar para implicância...
    Deus foi bondoso contigo quando te dotou de uma paciência do tamanho de uma casa :) Ignorar é o melhor remédio.

    Ps: boas dicas para quem adora pechinchas;)

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    1. Olá Sandrina :)Obrigada pelas palavras, fico toda convencidona!

      Quanto aos comentários, também me dá para rir. É que são sempre os mesmos (identifico-os através da aplicação que o meu marido - engenheiro informático - instalou no blog), não se cansam de serem tão chatas! Neste momento são 2 das minhas 'anónimas de estimação' mas é para o lado lado que durmo melhor. É deixar que se cansem :P

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  10. Para mim ir à feira é uma coisa tão normal como ir ao shopping, não vejo o porquê de te teres despido de preconceitos, visto que não há motivos para haver preconceito. Em relação à dica de se lavar tudo o que se compra na feira por não haver higiene até mesmo nos locais onde são armazenados, isso sim já foi preconceito. Muitas carrinhas servem como meio de transporte de mercadoria, não como local de armazenamento, tudo neste mundo é transportado, logo as condições de higiene são as mesmas em todo o lado. E tão depressa lavo uma blusa comprada na feira como uma blusa comprada na zara. Para mim o nível de higiene é exactamente o mesmo.
    Já em relação ás marcas vendidas na feira, já todos sabemos, ou deveríamos saber, que uma peça com etiqueta zara poderá ser vendida na loja da esquina com etiqueta "esquina", uns sapatos comprados no chinês podem ser vistos na seaside. Acreditem que as fábricas não fabricam só para uma marca... E isto serve também a nível da alimentação. Não acreditam mesmo que cada supermercado tem a sua fábrica onde produz marca própria não é?... (além de que, a Anne ao admitir que viu lá um casaco que há 2 anos atrás estava à venda numa loja de marca, é óbvio que está por esse preço, provavelmente nesse mesmo ano já esteve por esse preço na época de saldos, não foi nenhum achado)
    Em relação ao espanto de na feira se encontrar coisas com grande qualidade, atenção... Na época de Natal fui a uma feira em que uma toalha de mesa gigante custava 60€, era de uma qualidade sem fim, no final paguei 10€ e nem perdi 5 minutos, bastou dizer que não queria pois era bastante caro e foi ver o preço baixar até ser eu a dizer quanto dava por ela. Há que ter atenção para não se ser enganado.

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    1. Despi-me de preconceitos porque sempre tive a ideia de que na feira só se encontrava porcaria e artigos sem qualidade, para além do medo que sentia ao ouvir falar numa 'feira de ciganos'. Não sou hipócrita e afirmo sem medos: sim, eu tinha preconceito com este tipo de feiras.

      Quanto às condições de higiene, as carrinhas que vi na feira, logo por trás das barracas, eram completamente sujas e com tudo ao molho (roupa no chão, etc), enquanto que nas lojas 'de shopping' a roupa vem em caixas de cartão e embaladas em sacos plásticos (já trabalhei na Zara, sei como as coisas funcionam), por isso senti que as roupas da feira estavam sem qualquer higiene e cuidado, daí a dica de lavarem tudo.

      Claro que as fábricas vendem para várias marcas (algumas mais caras, outras mais baratas), só mudam a etiqueta, penso que isto é um consenso geral, toda a gente sabe, especialmente quem já teve oportunidade de trabalhar na área (como eu que trabalhei 4 anos em lojas de shopping).

      O casaco que vi na feira e que tinha comprado no inverno anterior por 99€ estava a ser vendido por 10€. Nem nos saldos dos saldos ele estaria a esse preço, por ser totalmente em fazenda de lã. Este tipo de peça nunca baixa muito para além dos 50% de desconto (já os de poliéster descem para preços ridículos).

      Também regateei preços na feira e baixaram-me o valor (5€ mas enfim, melhor do que nada). Tento sempre ter atenção aos artigos que compro, verifico sempre a composição das peças, as marcas, o preço... e se achar que vale a pena, compro!

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  11. Não percebo esta gente... em x de virem aqui ler e dizerem 'eh pah porreiro, vou à feira do relógio (ou outra qq) porque há lá coisas em conta e valem a pena, porque é uma boa dica e, porque no final ainda se come um pastelinho com mega bom aspecto, vêm aqui criticar porque a pessoa escreveu no em vez de em, porque foi de amarelo em vez de azul e porque se esqueceu de levar dinheiro... quantas vezes não chegamos ao café e olhamos para a carteira e nem 0.50€ temos? É assim um crime tão grande? Deviam era ter vergonha nessas caras porque a hipocrisia está no facto de comentarem como anónimos. Cobardolas!
    Ana, força nisso e faça lá o post com as coisas que comprou.
    Beijo

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    1. Raquel, eu tenho aprendido ao longo dos anos que a frase bíblica que diz "A boca só fala do que o coração está cheio" (Mateus 12:34) é muito verdadeira... As pessoas habituaram-se a só encher o pior em tudo, já se dão ao trabalho de ler um post só para agarrarem nos defeitos, em merdices... porque não estão para mais, a vida delas é só criticar, uma vidinha de merda. É uma tristeza.

      É preciso muita paciência. Hoje já entendo o porquê dos blogs aceitarem parcerias de tudo e mais alguma coisa. É que só o trabalho que dá aturar malucos... deveria mesmo ser remunerado. Fogo!
      Beijinhos

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  12. Nunca fui à Feira do Relógio mas adoro feiras, especialmente se forem de velharias e/ou antiguidades (a minha perdição). Essas coisas de marca que levantam altas suspeitas em relação à sua proveniência (ie, provavelmente são roubadas), nunca compro, fujo assim que vejo essas bancas, faz-me imensa confusão comprar algo que alguém roubou, se fui eu a roubar ou não é indiferente. Fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós e não compactuar com o que achamos errado: é o meu lema :)

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    1. Eu também gosto muito de artigos antigos, possuem um charme inigualável! Eu não tenho qualquer problemas em comprar artigos de feira (sejam de marca ou não) porque: 1) Não os roubei, paguei por eles com dinheiro do meu trabalho; 2)Não sei se são roubados ou não (quem me garante?), já ouvi tanta história... 3)Quando sei que são roubados (porque assumem-no, por exemplo), neste caso não compro mesmo, porque isso estimula que continuem a roubar para manterem 'a clientela'. 4)Não compro artigos contrafeitos, jamais.

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  13. Dois reparos que me deixaram comichosa neste texto:

    - O primeiro, que não é erro exclusivo teu e sim uma ideia cravada a quente na pele dos pequenos empresários nacionais: a tua empresa não paga iva ao Estado trimestralmente. Ponto! O dinheiro que a tua empresa 'paga' por trimestre a título do IVA é, para vocês, um mero fluxo de caixa, deduzido ainda o valor que vocês pagaram eventualmente aos Vossos fornecedores (ou seja, vocês devolvem mas ainda têm alguns benefícios nos entretantos).
    As empresas pagam IVA aos seus fornecedores (salvo raras excepções) mas relativamente à sua própria facturação apenas servem de intermediários entre o cliente final e o Estado. Os únicos que podem queixar-se desse iva trimestral são os teus clientes. Esse dinheiro, seja o valor de uma carcaça ou de um BMW último modelo, não é nem nunca foi da empresa e todas as empresas que o contabilizam como um ganho/despesa é porque têm uma má gestão diária e muito a aprender ainda.

    Segundo ponto: sempre que qualquer pessoa compra um item em que haja a mais leve suspeita da legalidade da sua proveniência está a compactuar com o crime. O facto de não teres sido tu a roubar mas pores a hipótese de que possa ter sido roubado e ainda assim o comprares é um comportamento moralmente condenável (e legalmente, se o item tiver efectivamente sido roubado/furtado).

    Relativamente ao resto, só tem complexos ou preconceitos em comprar onde quer que seja (legalmente, vá!) quem é pobre de espírito ou vive a sua vida para provar alguma coisa a alguém.
    Venham feiras ou Chanel, desde que isso nos faça sorrir por dentro.

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    1. Humm, não me parece que o "preconceito" em comprar em feiras seja pobreza de espírito ou vontade de provar alguma coisa. Não posso falar em relação a outras pessoas, mas eu não compro em/ vou a feiras porque associo a roupa não apenas ao objeto material mas a uma experiência de compra, um momento de uma certa indulgência que começa com a entrada na loja e termina quando visto a peça pela primeira vez. Não me considero uma pessoa com manias, mas quando em criança/adolescente a minha mãe me aparecia em casa com roupa da feira eu nunca conseguia gostar, sentir aquelas peças como minhas, mesmo podendo ser bonitas. Da mesma forma não consigo usar óculos de sol que não sejam de uma boa marca, não porque goste de ostentar (prefiro sempre peças sem logótipos, etc.), mas porque me fazem sentir mais especial, confiante.

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    2. Cláudia,

      Tenho a plena noção que o valor do IVA nunca foi da empresa, mas sim do Estado, logo, é um dinheiro que nem se contabiliza. Contudo, não deixa de ser uma facada no coração ver o quanto se paga de IVA neste país (23% é uma enormidade, é um roubo!) e custa-me perceber que o IVA trimestral que pagamos tem 5 dígitos, faz-me imensa impressão, especialmente quando sei que o dinheiro é distribuído de maneira tão desigual (velhotes com reformas miseráveis e outros com RSI altíssimos sem mexerem a ponta de um dedo). Enfim. Queixo-me da desigualdade, especialmente quando a minha empresa paga uma fortuna de IVA e vejo pequenos comerciantes (se é que posso chamar assim) nas feiras a venderem montes de coisas como 'artigo nacional', "100% português" e afins... mas factura que é bom, está quieto. Foi só um desabafo no post, um parênteses apenas.

      Não sinto que compactuei com coisa alguma, visto que comprei artigos no comércio popular, com montes de GNRs à volta, que estavam mais preocupados em fumar do que em fiscalizar a mercadoria. Ora, se não sei de onde veio aquilo (se é comprado ao peso das fábricas como já me disseram, se é roubado, se é fabricado cá...), não vou me coibir de comprar algo (e pagar por esse artigo). Tenho a certeza que os artigos eram de marca porque dois deles eu tinha comprado em loja e estavam lá idênticos na feira, mas não perguntei ao cigano: "olhe, desculpe, estas roupas são roubadas?", logo, estranhei o preço barato mas não tenho certezas de nada. E não sinto que tenho a minha moral abalada por isso.

      Nunca fiquei com nada de ninguém, sou sempre a primeira a devolver coisas que encontro no shopping e ao contrário de 90% da população, já encontrei dois iphones e devolvi-os em minutos (quando a maioria corre para desligar o telemóvel e trocar o chip). Infelizmente já perdi 'n' coisas, voltei aos sítios poucos minutos depois e já tinham gamado as minhas coisas. Isso sim é uma atitude condenável. Comprar em feiras e pagar pelos artigos? Nem por isso.

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  14. Ao anónimo apenas digo que na minha modesta opinião esses argumentos são não argumentos. Se a sua mãe chegasse a casa com a roupa comprada na feira mas lhe dissesse que tinha sido na boutique mais chic lá da zona já a experiencia sensorial associada era diferente? Se viesse embrulhada em cetim dourado já passaria a sentir a peça como sua?
    Indulgência é nós nos permitirmos fazer o que nos dá prazer sem ter receio de ser julgado por motivos fúteis como a marca da camisola ou dos óculos que usamos.

    Para a Anne,
    Devolver o que não é nosso é uma obrigação legal e, sobretudo, moral. Portanto, sempre que encontraste alguma coisa que não era tua e a devolveste apenas fizeste a tua obrigação. Essa comparação para mim nem sequer faz sentido, portanto, avancemos.
    Voltando à questão das feiras, mercados, barracas ou bancas de ciganos, fui criada com um ditado nos ouvidos: tao ladrão é o que vai à horta como o que fica a porta. Portanto, na minha perspectiva do que é moralmente correcto e do que será necessário para eu dormir de bem com a minha consciência, perante situações dúbias temos duas hipótese:
    1. Temos a certeza que é roubado? Denunciamos.
    2. Temos duvidas se aquilo é roubado? Abstemo-nos de compactuar com um eventual crime.

    Porque uma coisa é fugir aos impostos e comprar sem factura (e aqui tanto o cliente como o vendedor são culpados, atentemos) outra é comprar mercadoria roubada, pouco importa se a policia esta a meio metro ou meio km.
    Eu jamais usaria algo que tivesse a mais leve suspeita da sua origem, tendo pago ou não por isso, mas cada um tem o seu grau de à vontade com a sua consciência e os seus actos.

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    1. Não são argumentos Cláudia, é o que sinto. Nem sequer consigo explicar bem (foi uma tentativa), sei que não consigo comprar na feira e que ainda assim não me enquadro nas duas categorias que identificou.

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  15. Claudia, adorei o que escreveu (de verdade. O que escreve faz bem aos olhos. Porventura é advogada?) Mais, concordo consigo em grande parte mas, de facto, a questão da origem daquilo que compramos não é assim tão simples... certifica-se sempre que as roupas que compra não têm na sua génese, por exemplo, trabalho escravo ou infantil? Como está a sua consciência em relação a isso? Entenda, por favor, que esta pergunta não é nenhuma provocação.

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    1. Embora os assuntos em questão sejam diferentes, a sua questão é pertinente e poderia estar aqui com mil teorias mas a verdade é que não sou pessoa para ir verificar a politica social de todas as empresas a quem compro. À semelhança de uma grande parte da nossa população, o meu armário é 80% de materiais Inditex. Sei que já houve algumas polémicas associadas à marca mas honestamente não é um assunto que siga com olhos de ver, infelizmente.

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