17 novembro 2016

No dia da Prematuridade...

... não consigo deixar de recordar aquele 4 de Fevereiro em que nasceu a nossa boneca, dois meses antes da data prevista. Um susto enorme, apesar de já estarmos todos mentalizados que eles nasceriam antes do tempo (eram trigêmeos), acho que ninguém esperava que seria tão cedo. A minha mãe já estava internada desde os cinco meses por causa de um descolamento de placenta (não sei se cá o termo médico é esse), depois sangramento, depois um princípio de pré-eclâmpsia com uma tensão arterial de meter medo (e a pesar quase 118kg que isto de fazer 4 inseminações artificiais todas de seguida e com gravidezes múltiplas tem muito que se diga - aliás, a balança que o diga!). Foi uma luta, do princípio ao fim. Eu já era uma mocinha e pude acompanhar tudo de perto (desde a fertilização dos embriões até o momento louco em que a minha mãe decidiu implantar os 9 embriões na esperança de algum vingar, farta de tantas tentativas frustradas).


Nascer antes do tempo é quase sempre sinónimo de luta. São tempos difíceis, nenhuma mãe pensa em sair da maternidade de braços vazios e deixar um filho numa incubadora. Um ser minúsculo, ainda em formação (a Vi, por exemplo, não tinha sobrancelhas e as unhas eram uma pele muito fininha), muitas vezes com problemas típicos da prematuridade (icterícia, por exemplo, ela teve nos primeiros tempos) mas com os cuidados adequados, muito amor e paciência, tudo é possível.

Lembro-me de acompanhar a gravidez da minha mãe (recheada de idas às urgências e mini-internamentos) e pensar que nunca na vida passaria por aquilo, por mais que quisesse um filho. Eu pensava: "Mas a minha mãe já tem dois filhos, porque raios está a submeter-se a tudo isso para ter mais um?" mas hoje não consigo imaginar a nossa vida sem a Vi. Não dá, ela é o amor das nossas vidas, ilumina tudo por onde passa, é a princesa da casa. Desde sempre quis uma irmã para cuidar, enfeitar feito boneca, brincar... E apesar da minha ter chegado com quinze anos de atraso, foi o melhor presente de sempre.

Te amo, meu biscoitinho. Daqui até a lua!

[Parabéns à todos os prematuros e especialmente aos pais de prematuros. 
A luta é enorme mas a recompensa supera tudo! ] 
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8 comentários

  1. Desculpa a pergunta, mas o que aconteceu com os outros dois bebés (apenas referes a Vi)?
    N precisas responder claro.

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    1. Mari, os outros dois bebés não se desenvolveram. Um parou de crescer aos 3 meses e o outro aos 4 meses. Só a Vi continuou o caminho firme e forte! :)

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  2. Também assinalei esse dia que me toca muito. O ano passado o meu menino decidiu vir cerca de dois meses mais cedo, foi o susto da minha vida. Sei perfeitamente o sofrimento que é deixar um filho internado, vir da mãos a abanar, as incertezas sobre a sua saúde e desenvolvimento. Foi o período mais difícil da minha vida. Para todos nós. Mas felizmente tudo terminou bem. Ele tem um ano e não há diferenças no desenvolvimento dele com um bebé de termo. E felizmente a vossa Vi também parece ser uma miúda linda, sem sequelas da prematuridade. Há acontecimentos que só acontecem para unir ainda mais as famílias e vocês não podiam ser mais unidos. É bonito de ver famílias assim. Beijinhos.

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  3. Oh Anne, fico tão feliz por vocês. Apesar de não conhecer a Vi, pelo carinho que te tenho, só lhe desejo que continue firme e forte, como veio ao mundo. Cheia de luz, e a desenhar sorrisos por onde passar.
    Beijo grande.
    lefashionaire.com

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  4. A minha pequenina também quis sair mais cedo (e saiu) e sei bem o aperto no coração ♥

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  5. Parabéns! Que história linda de coragem!

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  6. Tenho pena que não abra a caixa de comentários sobre o post anterior( fim de relacionamentos), era bom ouvir as diferentes opiniões. Digo isto, porque também terminei uma relação de 13 anos porque não me sentia feliz!

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