08 fevereiro 2017

Saudades de casa, a quanto obrigas!

No outro dia comentei  com o meu irmão que há imenso tempo não ouvia um samba (adoro samba de raiz, aquele 'das antigas'), que sentia mesmo vontade de sair para ouvir música brasileira e o gajo disse-me que conhecia um sítio em Lisboa que era 'a casa do samba brasileiro', que o pessoal é impecável e mais não sei quê. "Ali é tudo na boa, toda a gente se respeita, temos que lá ir...".

Preciso abrir um parênteses: eu sou a pessoa mais 'anti-saída-noturna' da vida, detesto sair à noite porque é só gente a fumar por todo o lado em sítios fechados (e o meu cabelo, como fica? invisto demasiado dinheiro no meu cabelo para sair à noite e voltar com a juba a cheirar a nicotina, dispenso), é só bêbedos e pessoal a vomitar-se pela calçada (eu detesto bebida alcoólica, nem vinho bebo), é só gajos atiradiços que não podem ouvir um sotaque brasileiro (e eu nem considero que tenha muito) que já começam aos risinhos e descobrem um à vontade com a minha pessoa que eu acho fora do normal ("ai é carioca... que sotaque giro, parece uma atriz da Globo a falar..."), enfim... não, muito obrigada.

Se juntarmos a isso o facto do meu marido não gostar muito de música brasileira e também não saber dançar lá muito bem (então samba... era mesmo pra eu me desmanchar a rir), lá combinei com duas amigas e fomos conhecer a ArtCasa, que todo domingo a partir das 17h tem samba de raiz tocado ao vivo. Fui ao Facebook, li as críticas (só elogios) e pensei logo: Opa, vou me 'acabar' de sambar!"



O sítio fica no Bairro Alto, no segundo andar de um edifício. Quando olhei para aquelas escadas e percebi que os degraus ficavam colados à sola dos meus sapatos (os degraus eram de madeira e estavam todos peganhentos do açúcar das bebidas que outrora jaziam derramadas ali), percebi que tinha tudo para dar certo #soquenao. Sabem quando o nosso sexto-sentido parece lançar mão de todos os artefactos para nos avisar que a coisa vai correr mal? Então... o meu avisou-me mas eu não lhe dei crédito. Subi as escadinhas e encontrei uma senhora sentada, a fazer de bilheteira: "Boa noite, são 4€, por favor.". Paguei e entrei. Ou melhor, tentei entrar.

Eu nunca vi tanta gente reunida numa sala tão pequena. A sério. Acho que nem nos souks de Marrakech vi tanta gente por metro quadrado. Fiquei parada à porta, sem conseguir ver um palmo para frente, só via imensa gente de pé a sambar, a música era boa (reconheço que essa foi a minha única motivação para entrar) mas não compensou. Apertei-me entre a multidão de gente e consegui chegar perto do centro da sala, onde estavam os artistas com os instrumentos e apreciei durante uns dois minutos a festa. Sim, dois minutos. Logo depois começou a entrar ainda mais gente (deveriam ter uma forma de limitar a quantidade de gente, o espaço não comportava) e eu vi-me apertada entre um negão de quase dois metros e um português completamente deslocado que claramente estava ali para lavar as vistas (e para apalpar quem lhe aparecesse à frente). As minhas amigas também detestaram, não se respirava ali dentro, era uma loucura. Eu só queria apanhar o meu irmão à frente e encher aquela cara de estalos, que ódio!

O samba era de qualidade, a escolha das músicas foi genial (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Alcione, Martinho da Vila - que adoro, e mais outros tantos mestres do samba) mas o ambiente era péssimo e sem qualquer infraestrutura (nem wc vi por lá, só para terem uma ideia). A ideia com que fiquei foi que aquilo era uma casa particular que 'tentaram' transformar numa espécie de 'casa com música ao vivo' só que se investirem em qualquer infraestrutura. E depois é aquela velha problemática chamada "lugar-que-só-tem-brasileiro" (e contra mim falo), em pleno auge do inverno só se viam mulheres quase nuas, com brutos decotes, costas nuas, cai-cai... tenham santa paciência. É óbvio que 90% dos gajos que lá vão não estão ali pela música mas antes pelo 'potencial' do ambiente e infelizmente, a fama não é nada abonatória.

Eu já cheguei pelas 20h30h (supostamente o samba é tocado das 17h-22h) por isso já fui na hora de ponta, segundo o meu irmão, se chegarmos mais cedo o ambiente é outro. Eu não acredito em mais nada do que ele sugere, por isso não vou dar uma segunda chance ao lugar. É pena, tenho saudades de sítios com boa música brasileira, sem grandes aglomerações, só mesmo um sítio animado para matarmos as saudades da 'nossa música' e nos divertimos. Parece impossível, pelos vistos. No meio do apertanço, ainda fui menina para gravar um mini-vídeo para sentirem o ambiente.



Fez-me lembrar uma vez, há uns sete ou oito anos, em que uma amiga convidou-me para ir conhecer um barzinho com música brasileira em Cascais - o famoso 'Amarelinha' - e quando lá chegámos foi a loucura total, aquilo é uma mistura de bar de alterne com discoteca, começámos a achar estranho toda a gente estar a oferecer-se para nos pagar bebidas (hahaha ainda hoje quando me lembro disso parto-me toda a rir) depois reparámos num grupo de mulheres que dançavam quase nuas e caiu-nos a ficha. Foi um sufoco para sair lá de dentro!

Por isso, não tenho boas experiências com bares ou discotecas brasileiras em Lisboa. Muito depressa se cai num ambiente pesado, com brasileiros classe Z, muito álcool e sexo à mistura, enfim... para quem quer 'apenas' matar saudades de casa e ouvir boa música brasileira, só mesmo nos concertos no Meo Arena :P
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10 comentários

  1. Durante o verão, o bar Zenith no Porto (fica no terraço do hotel Ipanema, zona da Boavista), costuma ter bossa Nova ao vivo, ñ é tanto o ambiente de sambar até mais não, mas a música é muito boa e o ambiente é mais "selectivo" vá. Faz uma escapadinha ao Porto quando o tempo aquecer, até o teu marido irá apreciar a noite. Bom ambiente, boa música, vista soberba e ao ar livre, tem tudo para dar certo! Ñ sou brasileira, mas adoro samba no pé e caipirinha na mão, é a única bebida alcoólica que realmente aprecio (definitivamente devo ter uma costela brasileira). Emigrei, já ñ me é tão fácil lá ir, mas das vezes que fui à noite de bossa nova amei. Espero que consigas ir e que continue com a mesma qualidade ;) Laura

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  2. Ai Anne, o que eu me divirto com esses posts! LOL que risada!
    Pelo vídeo topa-se e bem o ambiente, infelizmente as discotecas brasileiras têm muita má fama e não leves a mal, mas as mulheres brasileiras são muito oferecidas, não se importam se o homem é casado, se tem filhos... metem-se no meio e faziam uma razia em tudo. É triste.

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    1. Anne, não leves a mal que vou só fazer uma generalização altamente ofensiva sobre as mulheres do teu país. Isso não significa de modo algum que a minha mente se mova entre o cliché e o preconceito. Anne, não leves a mal eu ser tão decente e educadinha que nem consigo pronunciar o que me vai na alma: que as brasileiras são todas umas vadias / p***s. Mas não leves a mal Anne. A sério, há comentários que só à chapada. Um beijo, Anne. E leve a mal, sim. É indecente. Há que se insurgir contra a ignorância.

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    2. Cara decente, educadinha... só pra informar-te que vadias/p***s também há em teu país, assim como em todo o mundo... não julgues toda uma gente por uma parte delas. Há brasileiras decentes, há portuguesas que metem nojo. Enfim, não me leve a mal, não me leve a mal, não me leve a mal, há que se insurgir contra a ignorância, pois sim!!!

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    3. Sou a decente educadinha... A serio que nao se percebeu que estava a ser irónica porque me revoltou o comentario do primeiro anónimo?

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    4. Oh!!! Decente educadinha, sorry, só agora vi o coment acima!!! Mas vale a fala pra quem de fato ela serve. E olha que há inúmeras pessoas assim, infelizmente, algumas que mostram a cara e dizem estas parvoices e outras que mantem um repudio calado, velado, que deixam escapar em olhares que por vezes ferem até mais que palavras. Então lá vamos nós, decentinhas e nem sempre educadinhas, insurgindo contra a ignorância! kisses!

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    5. Oh!!! Decente educadinha, sorry, só agora vi o coment acima!!! Mas vale a fala pra quem de fato ela serve. E olha que há inúmeras pessoas assim, infelizmente, algumas que mostram a cara e dizem estas parvoices e outras que mantem um repudio calado, velado, que deixam escapar em olhares que por vezes ferem até mais que palavras. Então lá vamos nós, decentinhas e nem sempre educadinhas, insurgindo contra a ignorância! kisses!

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  3. MEDO, é só o que tenho a dizer. Imagino o teu sufoco para sair dali. Infelizmente, já dizia a minha avó, na noite não se aprende nada.

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  4. Eu acho é que devia denunciar, sem WC,nem saídas de emergência, se fumam e há um azar,ficam lá todos! Ao não fazer nada é conivente, e ainda por cima são conterrâneos!

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  5. Eu fui pela primeira a uma "roda de samba" (acho que foi assim que chamaram!) em Paris a semana passada e adorei! Fiquei hipnotizada! O ambiente era top, o estilo de música era mesmo samba clássico, fiquei fascinada.
    Eu gosto muito de música brasileira, não sei dançar tão bem como gostava mas tento...lá até me ensinaram a dançar a pares :D Sempre tudo no maior respeito. AMEI!

    Já tinha comentado no escritório onde é que havia uma coisas dessas aqui em Lisboa, mas o único Engenheiro brasileiro que lá temos também não gosta de sair, portanto não faz ideia!
    Pergunta lá ao #garotodeipanema se não sabe de outro sítio assim bom?

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