08 março 2017

A saga do bidé feioso.

A divisão da casa que eu mais detesto (talvez esteja em empate técnico com a cozinha) é a casa de banho da suíte. Meu bom Deus, aquela casa-de-banho me dá arrepios de pavor e deve ser das poucas coisas nesse mundo que me fazem refletir antes de comprar uma mala ou pagar uma viagem ("se não comprar isso e poupar esse dinheiro, mais depressa consigo comprar a casa dos meus sonhos e ME LIVRO daquela casa de banho dos terrores"). Sim, a coisa está nesse nível.

Não gosto do azulejo do chão, não gosto do tamanho minúsculo, não gosto de ter um bidé ali enfiado (quem raios usa um bidé nos dias de hoje? Mil vezes a ducha higiénica, o famoso 'chuveirinho' instalado ao lado da sanita), não gosto que a banheira não seja de hidromassagem (pronto, é uma mariquice que eu adoro e custa tão pouco que realmente acho uma estupidez não ter), não gosto da faixa de azulejo com lacinhos a meio da parede (já estive mais longe de comprar aqueles adesivos que imitam as pastilhas de mosaico e adesivar tu-do), enfim, aquela casa-de-banho não me desce pela goela, essa é que é.

De todas os defeitos mencionados acima, o que me mói o juízo é a raça do bidé. Já pensei em pedir ao senhorio para remover aquele trambolho (e assumir os custos da obra) mas o meu marido acha idiota estarmos a enfiar dinheiro numa casa que não é a nossa. Nessas horas penso em comprar logo a nossa casa mas aí penso: "porra, vinte ou trinta anos agarrada a um empréstimo?" e sei que isso não é vida para mim, morro de medo de dever, detesto juros bancários, sei lá eu da minha vida daqui a 3 meses, quanto mais 30 anos! E voltamos à eterna questão... o que fazer ao raio do bidé?

Pois bem, armada em decoradora-de-espaços-impossíveis-de-serem-decorados, lá fui eu comprar uma planta para enfiar na casa-de-banho (vi imagens no Pinterest e achei que a planta disfarçava imenso o bidé feioso). Comprei uma planta com cerca de um metro e meio (não era minha intenção comprar algo tão grande mas foi a mais 'real' que encontrei - e sim, é artificial) e espetei com a planta dentro de um jarro ainda provisório e tumbas, foi pro lado do bidé. Achei que super disfarçou e deu todo um toque amazónico ao espaço. Só que...

 ... o meu marido estava a trabalhar quando comprei a planta e a instalei na casa-de-banho. Ele gosta de tomar banho na outra casa de banho, que tem duche, só usa a da suíte de noite, para ir fazer xixi. Quando acorda de madrugada, costuma ir à casa de banho sem acender a luz, em modo piloto automático. Parece que foi fazer o seu xixizinho às escuras e apanhou um susto de morte com a minha plantinha. Só ouvi o grito de madrugada ("foooooda-se, que eu ia morrendo com essa árvore!"). Desculpaaaaa! :P

Já devem ter percebido que nós andamos num dilema sobre 'comprar ou arrendar' num futuro próximo. O assunto está em cima da mesa, especialmente porque pretendemos aumentar a família em breve e eu gostava muito de já estar na 'minha' casinha por esta altura mas depois faço contas e percebo que arrendar sai infinitamente mais barato (não há condomínio, não há IMI, não há seguros obrigatórios, não há empréstimos, não há obras de manutenção) mas lá está, fico condicionada a não poder fazer qualquer tipo de alteração no imóvel... Ahhh não sei o que faça, já me aconselhei com tanta gente e as opiniões são super divergentes (mamãe acha que devo comprar, o meu contabilista - pessoa em quem confio de olhos fechados para assuntos financeiros - acha que o melhor é arrendar, enfim...). O que pensam sobre esse assunto? Gostava muito de ouvir as vossas opiniões.
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25 comentários

  1. Comprar, sem dúvida! O dinheiro, ao fim de uns anos, que já se gastou em arrendamentos já dava para uma casinha boa... Comprar hoje em dia, em relação aos bancos, já é muito mais simples! E é algo que ficará sempre para nós.

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  2. Eu acho que arrendar é sem dúvida mais seguro e mais prático. Por exemplo, se quiserem mudar de cidade é mais fácil, não se pagam tantas taxas e isso tudo. Mas por outro lado podemos passar anos e anos a pagar uma casa que nunca será nossa e isso faz-me alguma confusão! Até porque hoje em dia as prestações estão bastante mais baixas e acabamos por pagar por uma casa nossa uma renda mais baixa que por uma alugada :) Eu vivo numa alugada, mas assim que souber efectivamente onde quero assentar arraiais preferia mesmo comprar.

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  3. Se por um lado gostava de ter uma coisa minha, portanto comprar, morro de medo de empréstimos. Daí se não tiver o dinheiro na mão, ou uma boa parte dele, provavelmente, vou-me manter no arrendamento!

    https://jusajublog.blogspot.pt/

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  4. Os meus pais só compraram casa há uns 12 anos, até lá arrendavam sempre. O maior arrependimento da vida deles é não terem comprado logo que casaram porque na altura ganhavam mais dinheiro do que ganham atualmente e já teriam a casa quase paga neste momento.

    Penso que seja muito mais seguro arrendar porque não sabemos o dia de amanhã, contudo, comprando tem-se sempre a garantia de que se paga algo que é para nós. Há imensos prós e contras de cada opção, mas é como alguém disse em cima: arrendando, paga-se por algo que nunca será nosso e hoje em dia, em muitos casos, fica bem mais barato comprar do que arrendar. Eu, tendo um emprego estável, compraria!

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  5. Depende do dinheiro que tens para avançar. Eu e o meu namorado vivemos em casas arrendadas há 7 anos, mas poupamos bastante por mês e, daqui a uns 2 ou 3 anos, possivelmente vamos comprar e pagar o apartamento a pronto (um t2 em Lisboa que ronde os 200 mil), com um pequeno empréstimo feito aos nossos pais (e não a um banco, portanto, sem juros).

    Para mim, se comprar implicasse fazer um empréstimo a 20 ou 30 anos a um banco, jamais compraria. Se fosse um empréstimo a 5 anos, poderia ponderar. Podendo comprar a pronto, é o ideal e quando tivermos uma almofada financeira para poder avançar nesse sentido (e estudado bem o mercado e processo de compra de uma casa), é o que vamos fazer. Especialmente porque será em Lisboa e é um investimento/valorização garantida (não compraria noutra cidade), mesmo pensando em vendê-la no futuro, arrendá-la, etc.

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  6. Só em Portugal é que há esta mania de comprar casa, em toda a Europa as pessoas arrendam, aqui levam 30 e 40 anos a pagar a casa, e depois batem as botas e os filhos é que t~em a papinha toda feita!!!

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    1. Por acaso tenho muito gosto em deixar a "papinha toda feita" ao meu filho!
      Que pessoas são estas que parecem sentir inveja por os filhos poderem ter algo que os próprios não tiveram? Não estão a roubar nada!
      Fico mesmo triste por saber que há pais que (não ficando prejudicados em nada, já que morreram) não ficam felizes com o bem daqueles por quem mais deviam ficar.
      Sinceramente...

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    2. O que saiu ontem da prisão nem esperou para herdar, matou-os logo aos 23 anos para ficar com tudo, e os que vejo abandonados nos hospitais e lares,que não recebem uma única visita, só quando morrem vão a correr, parecem abutres!! Sinceramente.....

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    3. Anónimo das 19:09,eu não disse que achava mal os Pais deixarem o património aos filhos,leia bem o que escrevi, e além disso não me conhece de lado nenhum para estar a fazer juízes de valor, eu generalizei não se amofine que fica com rugas:(

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    4. Esse argumento de se arrendar pela Europa fora e de ninguém comprar não colhe na totalidade, pelo simples motivo que para arrendar é preciso que alguém seja proprietário. E da forma que fala parece que pela Europa fora não se constrói pq ninguém vai comprar. Falso. Pela Europa fora também se compra, mas não se compra é na mesma medida que fazemos por cá.

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    5. Moro no Algarve, no litoral, e digo-lhe isso de 'no resto da Europa' é treta - não compram no país deles, mas não perdem a oportunidade de comprar aqui. Na minha rua - onde só havia idosos há 5 anos atrás - temos de todas as nacionalidades. Portugueses a comprar é que não há, que o preço das casas subiu loucamente por estas bandas.

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    6. Claro,evidente que generalizei, mas precisamente por toooda a gente querer comprar e não pensar no futuro, é que se assistiu ao triste episódio de Milhares de famílias terem que ficar sem teto com as casas entregues aos bancos e terem que ir alugar ou para casa de familiares!! Temos sempre que pensar, e não ir atrás de ser moda e dar status!

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    7. Anónimo 21:35 :) que engraçadinho/a, acho que o seu texto mostra bem o que pensa.
      Não se preocupe com as minhas rugas (até ver, nem vê-las, obrigadinha pela preocupação, ) preocupe-se sim com o seu fígado, parece ter cá uma azia...

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  7. Acho que a planta fez toda a diferença para disfarçar o bidé. :) Eu não penso comprar nada, sempre aluguei e prefiro realmente assim. Pensamos que por comprar as coisas são nossas, mas não é exatamente o que se passa, continua a gastar-se dinheiro na compra a vida toda, com impostos, manutenções e se há algum imprevisto enquanto a casa está a ser paga? Não ha tolerância nenhuma e é tirado em meio tempo, já vi tantos casos! A vida muda, o local pode mudar, tornar-se desagradável e depois o que fazer à casa, vender muito mais barato do que se comprou? São só opiniões, vejo as compras mais como uma espécie de prisão, uma segurança ilusória, mas nem toda a gente pensa assim... Boa sorte para a melhor decisão, só o momento, as circunstâncias e quem está envolvido é que sabe qual é. Beijinhos

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  8. Olá Anne :)

    Já comprei, já vendi e temporariamente estou numa casa alugada. Para mim - nós - faz todo o sentido comprar. Sobretudo agora que temos as duas experiências. Fizemos o compromisso de não ter mais nenhum empréstimo além do da casa e sempre correu bem. Mas cá está, a prioridade para nós é sempre a casa! Claro que é mais seguro alugar... Mas queremos ter uma coisa nossa e que um dia possamos deixar à nossa filha! Se é correcto ou não, não sei (acho que não há um certo é um errado, mil coisas podem acontecer). Mas é o que ambos sentimos que devemos fazer. Beijinhos e tudo de bom para vocês**

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  9. Ahaha!! Coitado do M!
    Realmente ninguém merece um WC feio! Quando remodelei os quartos de banho (que eram feios de doer) tirei os bidés apesar de haver muita gente me dizer que me ia arrepender (não, nunca me arrependi e ganhei imenso espaço). Em relação à comprar ou alugar, depende muito do que se pretende comprar ou alugar. Aqui onde vivo, fica infinitas vezes mais barato comprar, mas não sei se voltava a comprar, pq às vezes dou por mim a pensar como seria viver noutros sitios. Compramos este apartamento em
    2010 e apanhamos um óptimo spread. É um T3 de boas áreas e pagamos por mês cerca de 270€. Nunca arranjaria um apartamento destes por este preço em regime de aluguer. Entretanto este ano remodelamos o apartamento de uma ponta à outra, algo que queríamos fazer desde o início mas quisemos juntar o dinheiro necessário e só nos foi possível fazer agora. :) Como este era e é o nosso único empréstimo não nos mete
    medo assumir este compromisso. :)

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  10. Depende muito das circunstâncias da vida, eu e o meu marido comprámos numa zona tranquila na altura, mas entretanto já se passaram 12 anos, a zona degradou-se bastante, e agora não conseguimos vender pelo valor que precisamos para podermos pagar ao banco, pois ninguém quer vir morar para ali. Sem falar dos problemas do prédio, do condomínio altíssimo, do IMI, da manutenção com a pintura, com as rachadelas, etc problemas com o barulho dos vizinhos. Além de que a nossa situação profissional também se alterou bastante e tem sido muito difícil conciliar tudo. Recomendo que pensem muito bem pois comprar nem sempre é a melhor opção. Sabendo o que sei hoje jamais compraria, pois já me faltou mais para ter que entregar o apartamento ao banco, depois lá está ficas com o nome na lista negra do Banco de Portugal e sem casa na mesma. Se fosse arrendada podias mudar para outra quando quisesses sem grandes burocracias e nem tinhas tantos encargos. Desculpa o testamento

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  11. http://www.eseestacasafosseminha.com/2012/05/antes-e-depois-banheiro.html
    http://amigosdepelomoveis.blogspot.pt/2014/01/solucao-para-esconder-o-bide.html

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  12. Arrendar, sem dúvida ... eu meti-me a comprar um apartamento usado com muito boas áreas e que achei que tinha bom potencial e gastei um dinheirão a fazer obras (quase tudo com recurso a crédito a 35 anos, quer para a compra, quer para as obras). Entretanto veio a "crise", vi o meu vencimento ser diminuído, vi chegar uma vizinha para o andar de baixo que me fez a vida negra (a minha filha ainda hoje tem verdadeiro medo dela), enfim ... estou agora a vendê-lo por um valor que não compensa tudo o que nele investi, mas realmente quero é ver-me livre de tudo isto. Entretanto arrendei, estou ótima, boa localização, bons vizinhos, casa nova com todos os confortos possíveis, não pago IMI, não pago condomínio, não me chateio ... e se algum dia as coisas mudarem é só avisar o senhorio com 3 meses de antecedência e pôr-me a andar. A vida muda muito e não vale a pena estarmos presos a uma situação, especialmente quando temos que recorrer a crédito.

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    1. Se um vizinho por baixo incomoda, um por cima incomoda muito mais! :D
      Se quisesse tinha tantas ferramentas para também fazer a vidinha negra à sua vizinha! ;)

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  13. Quando tiver 60 ou 70 anos, o que prefere? Estar numa casa sua e provavelmente já paga ou continuar a pagar um arrendamento? Quase ninguém pensa quando tiver 80 anos e a depender de uma reforma que ninguém sabe de existirá. Ter uma casa paga é para mim uma estabilidade quando for mais velha. Quanto mais cedo começar o empréstimo mais depressa acaba e pode sempre ir amortizando o empréstimo.

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  14. Comprar! Comprar uma casa é um investimento. Estás a pagar por algo que vai ser teu enquanto que arrendar nunca será teu.
    A propósito do bidé, quando aumentares a familia vais adorar ter um!
    Beijocaaaaaaaaaaa

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    1. Porquê? Quando construí a minha casa há quase dez anos não quis bidés. Até hoje não senti falta. E já dupliquei a família...

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  15. Ao fim de 8 anos a arrendar casa, não podia estar mais arrependida de não ter comprado antes. Também tinha medo de empréstimos, em especial a longo prazo, até chegar à conclusão que tinha deitado quase 100000€ ao lixo e que, dê por onde der, vou sempre ter de pagar para ter onde viver. Comprar é um investimento inteligente, a meu ver, uma vez que o dinheiro gasto materializa-se em algo. Sim, deixar para os meus filhos uma vida com menos essa preocupação também é uma boa motivação.
    Para o risco ser mais reduzido pareceu-me importante escolher uma localização onde imóvel fosse facilmente vendável e/ou estivesse imediatamente arrendado, nunca passado aquilo que já pago por mês de renda. A procura não é fácil, especialmente com o mercado como está, mas consegue-se.
    Muitas pessoas a quem oiço dizer que não compram casa por não querer um empréstimo, vejo-as a fazer créditos a 10 anos para comprar um carro. Tudo depende das prioridades. De um tecto vou sempre precisar. Ao menos que seja meu para pintá-lo da cor que quiser :)

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  16. Há já muito tempo que também me deparo com o mesmo dilema e ainda não tenho resposta para essa questão, por favor partilhe as suas ideias porque têm ajudado!

    O que eu me ri com a situação do susto da planta ao seu marido rsrsrsrsr. Homens!

    Beijinhos

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