21 junho 2017

Até quando?

Vivo em Portugal há quase 13 anos. Em todos os verões, a história se repete, anos e anos a fio. Incêndios, gente a morrer, bombeiros heróis (alguns mortos no combate ao fogo), as emissoras que transformam a dor dos outros num carnaval sem medidas (tudo pelo lucro, pela audiência e afins), os 'mirones' (ou estúpidos, é capaz de ser mais isso) a desobedecerem a ordem das autoridades para se porem ao lado dos fogos, a ver os incêndios (mais ou menos como aqueles idiotas que vão para a Nazaré ver as ondas gigantes e de repente, pluft, é mais um que caiu ao mar!).

Todos os anos assisto a essa ladainha, é vira o disco e toca o mesmo, parece que não aprendemos com os erros do passado, parece que de nada valeu a pena. Quase 65 pessoas mortas, num incêndio de proporções dantescas, que começou há dias e até ver, nada de ser extinto. 65 pessoas morreram queimadas, famílias inteiras (nem consigo imaginar o desespero de uma mãe presa num carro com os seus filhos, a ver fogo por todos os lados, sem saber o que há de fazer), gente que seguramente nunca mais apreciará o verão da mesma forma (sim, esse mesmo verão que nós tanto adoramos). Eu percebo muito pouco (ou nada) do assunto, sou completamente leiga, mas não consigo compreender como é que este tipo de coisa continua a acontecer. Temos que fazer algo, temos que mudar mentalidades, algo precisa ser feito urgentemente.

Não consigo assistir televisão nestes dias, não aguento ver velhotes a chorarem por terem perdido tudo (numa idade em que dificilmente conseguirão reconstruir as suas coisas), não aguentei ver um pai a falar de como mandou para a morte a mulher e as duas filhas (como se consegue viver depois de uma desgraça deste tamanho?), é muita dor, um sofrimento terrível. Ninguém merece passar por experiência semelhante. Morrer queimado deve ser das mortes mais horríveis de sempre e eu arrepio-me toda a pensar nos familiares, na dor de reconhecer um corpo diminuto, corroído pelo fogo, onde não resta nada: nem rosto, nem corpo, nem cabelos, nem nada que nos lembre daquela pessoa que um dia existiu.

Estou de luto, não consigo pensar em nada que não seja o sofrimento desta gente, deste país. Tudo o resto fica mesmo em segundo plano. Vinha para vos mostrar um post sobre compras que fiz entretanto, numa H&M já em saldos, mas sinceramente? Não tenho vontade, nem ânimo. Nem ninguém está interessado nisso.

Que Deus conforte o coração de quem ficou e dê o descanso merecido aos que se foram.
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3 comentários

  1. Neste momento precisamos de chorar a enorme tragédia, resolver a situação e ajudar todos os que precisam. Mas depois, quando acalmar, precisamos rapidamente de fazer alguma coisa! Precisamos de limpar as matas, de cortar as árvores que estão tão perto de estradas e casas, precisamos de não sujar o nosso país, não atirar beatas, ter cuidado com queimadas e fazer de tudo para que isto nunca mais volte a acontecer. Precisamos também de continuar a doar bens aos bombeiros, TODO O ANO! Somos muito unidos na tragédia, mas quando passa vamos para a praia e está feito. Esquecemo-nos de prevenir, somos melhores a remediar. Mas às vezes, tantas vezes, é tarde de mais.

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  2. Ando doente com esta tragédia :( foi dantesca e de cortar o coração. Para quando o mudar de mentalidades e fazer de conta que nada aconteceu passado uns meses? :(

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  3. Isto tão perto da aldeia onde nasceu e cresceu o meu pai! Já passei por algo parecido em 2005, tinha apenas 10 anos e vi-me rodeada pelas chamas, não quero imaginar o que teria acontecido se os bombeiros não estivessem ali para fazer o que de melhor sabem, AJUDAR OS OUTROS! E nós temos de nos lembrar que também eles PRECISAM DE NÓS, não só no verão, mas em todas as estações!
    É importante que pessoas mais influentes, consigam passar a mensagem!

    Freedom Girl // Instagram

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