11 novembro 2017

Sobre ser brasileiro (e emigrar)

Ontem depois do jantar ficamos, eu e ele, a ver séries na sala. Eu já estava mais para lá do que para cá, já tinha dormido e acordado várias vezes (sou dessas - e ai de quem me disser que é hora de ir para cama - digo sempre que estou acordada e super concentrada na tv #sqn). Comecei a ouvir uma barulheira de música alta vinda do outro lado da rua e pensei "mas quem é o maluco que está a ouvir música nesse volume às 2h da manhã?" e fui espreitar na janela.

Para meu espanto, no prédio em frente ao meu, com a janela da sala aberta, estavam três brasileiros com violão em punho, a tocar pagode àquela hora. Mas na maior, todos sentados tipo roda-de-samba, a tocar e cantar como se não houvesse amanhã. Chamei o meu marido para ver a cena e ele dispara: "eu sei que ficas fodida quando eu digo isto mas tens que reconhecer: só podiam ser brasucas!"

O que é que se responde a uma coisa destas? Ele está certíssimo, coberto de razão. Muito mais facilmente vemos um brasileiro a fazer arruaça, a falar alto em horas impróprias, a arrumar confusão em todo lado... do que vemos um português. Não vamos ser hipócritas, por favor. Eu sou a primeira a detestar admiti-lo mas é a verdade. Vivo em Portugal há quase 13 anos e não há semana em que não veja um(a) qualquer brasileiro(a) a envergonhar a pátria e a fazer merda grossa por cá.

Ultimamente com a crise económica que o Brasil está a atravessar é cada vez maior o número de brasileiros que vêm cá fazer morada definitiva mas parece que caem aqui de para-quedas: não sabem nada sobre a cultura do país, vestem-se como se ainda vivessem num país tropical, cometem erros sociais gravíssimos (como por exemplo, perguntar "como é que tu tá?" a uma pessoa que se acabou de conhecer), não respeitam o espaço do outro e querem à força toda trazer o Brasil para dentro de Portugal. Parece que não são eles - que acabaram de chegar - que se têm que adaptar ao novo país mas antes nós - que já cá estávamos -  que somos obrigados a levar com a má educação dos recém-chegados. Fico pior que estragada!

Existe um velho ditado que se aplica perfeitamente a essa situação: "Em Roma, sê Romano". Uma pessoa que decida sair do seu país de origem tem que ter a plena noção de que vai precisar de uma boa dose de adaptabilidade ao seu novo país: as pessoas são diferentes, o clima também, os costumes, a forma de vestir... Só temos duas hipóteses: ou aceitamos a mudança e somos integrados na sociedade ou nunca vamos deixar de ser vistos como "o imigrante", "o/a brasuca". E claro, depois são discriminados, são coitadinhos, são humilhados... Eu não tenho paciência para gente assim.

Odeio ser comparada a esse tipo de gente, que eu carinhosamente apelidei de "Sem Noção" por que é muita vergonha-alheia que eu passo. Já menti descaradamente a dizer que era de outro país, com vergonha de dizer que tinha nascido no Brasil. Por causa de gente sem noção, muitas pessoas boas, honestas e trabalhadoras que vêm cá viver são colocadas no mesmo saco, são olhadas de lado. Quão injusto isso é?

                                                                                            #ProntoDesabafei #NaoMorroMaisEntalada
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3 comentários

  1. Ah como eu te entendo!!! A comunidade portuguesa aqui em França é tipo ENORME e lamento, mas a maioria sao uns broncos... eu as vezes também minto e digo que sou de outro pais....

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  2. O meu marido estudou em madrid e recebe várias vezes casais amigos no POrto. Quando passo o fds com eles tenho que falar sempre castelhano pq os meninos não se esforçam para falar a nossa língua. Haja paciência...

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  3. Tenho uma amiga brasileira que é exactamente como a Anne!! Sempre a ficar envergonhada com o que fazem os brasileiros. ela é loira de olhos azuis então ninguem a leva por brasileira

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