08 abril 2018

Há dois anos escrevi um post que dizia assim:

(...) É por isso que digo que nesse aspecto ainda sou muito egoísta para pensar em crianças. Se tenho que optar entre um objecto para mim ou um para o meu filho, certamente optaria pelas minhas coisas. Ou se precisar escolher entre um carrinho xpto com alcofa e toda aquela parafernália... ou uma viagem  para mim, pois que venha a viagem. Acho que trabalho demasiado para me privar de certos prazeres e apesar da minha mãe dizer que isso é agora, que quando vemos o bebé cá fora tudo muda e já não somos capazes de comprar nada para nós... tenho lá as minhas desconfianças. Por que conheço mães assim, egoístas, em que tudo para elas vêm em primeiro lugar e os filhos que se amanhem. E é precisamente por odiar esse comportamento que sei que o meu momento de ser mãe ainda não chegou. A transformação vai se dando, já tenho outras vontades, já olho para coisas de bebés com olhinhos de carneiro mal morto mas tudo a seu tempo. Só gostava que as pessoas percebessem isso, será que é pedir muito? Vá, digam-me que não estou sozinha nisto e que vocês, recém-casadas, também passam pelo mesmo - parecendo que não, sempre é um consolo saber que não estamos sozinhas :)

 Hoje, nem de propósito, o M. estava a dizer como este apartamento seria inadequado para criarmos uma criança (porque não tem varanda, porque o quarto extra está ocupado até o teto com um closet gigante, blá blá blá) e eu estava a dizer que tudo isso se ajustava (e acredito mesmo que sim). Ele riu-se:

- Ah, achas que ajustas tudo? E onde é que estás a pensar enfiar o teu closet? No corredor?
- Sei lá, dou um jeito! Diminuo um bocado os roupeiros, guardo uma parte da roupa na arrecadação, vendo um bocado das coisas, sei lá! Vivi anos da minha vida sem um closet, não é algo essencial para mim...

Mal acabei de proferir a frase e até fiquei engasgada: fui mesmo eu quem disse isso? Quem és tu, espírito minimalista e abnegado, que se apossou do meu corpo? Euuuu, a pessoa que adora comprar, que é apaixonada pelo seu quarto de vestir (adoro ver as minhas coisinhas ali todas bonitinhas nas suas prateleiras), eu que odeio que me desarrumem o closet... estou mesmo a dizer que afinal vivo bem sem o meu cantinho? Oh oh oh.

(pois é, xuxu, teus dias de reinado estão contados... ups!)

Por escassos segundos jurei que podia ouvir a minha mãe a sussurar-me no ouvido: "A vida dá voltas, queridinha!" enquanto se ria e esfregava as mãozinhas. Sim, ela sempre me disse "aproveita agora porque quando tiveres filhos vais sempre metê-los como prioridade e entre comprar para ti e comprar para eles, vais ficar a perder..." e pensava "ah tá, vai sonhando que eu vou ser assim..."

Incrível como a nossa perspectiva muda de repente... E as nossas prioridades passam a ser outras. Dá que pensa, não acham?
SHARE:

10 comentários

  1. As prioridades mudam e ainda bem, significa que estamos a evoluir. Vais perceber que o mais importante é ser e não ter. A felicidade está nos momentos e não nas coisas. Não acredito que para ter filhos é necessário o absurdo de coisas que se compram, pois nos primeiros meses eles só querem colo e protecção. Os carrinhos e caminhas são necessidades dos adultos e não dos bebés. Vai abrindo espaço para os filhos na tua vida, no pensamento e atitudes, acredita na lei da atracção. Livra.te de coisas sem significado e vai deixando espaço para os bebés entrarem na tua vida. Beijinho e felicidades

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo que se caiu no exagero no campo maternidade e que sim, cada vez se tem mais e de mais se precisa, mas, os bebés não precisam só de amor e de carinho. Têm necessidades básicas que obrigam a uma logística tremenda (dentro e fora de casa).
      Sim, o carrinho e etc. podem ser necessidade dos adultos, mas e então é suposto um pai ficar em casa até que o pequenote comece a andar?
      Julgo que não precisam de roupa caríssima (que, convenhamos, tem de ser renovada mensalmente) e de brinquedos até ao teto, mas sou incapaz de julgar mães que o fazem. Queremos sempre o melhor para eles! (e não, não tenho filhos)

      Eliminar
    2. Não é necessário nenhum carrinho de bebé para sair de casa. Se acompanhar a tendencia babywearing vai verificar que existem muitos pais que não têm ou nem usam o carrinho. Um ovinho é sim essencial para transporte no carro.

      Eliminar
  2. Bom ver este post. Mais uma queda e levantaste-te com mais força e mais motivação!
    É assim mesmo!
    Deus vai compensar-te por toda a dor que tens passado. Não tenho duvidas

    ResponderEliminar
  3. E eu que não me via no papel de mãe, dizia que não queria ter filhos, agora o meu filho é o melhor do meu mundo. A vida muda, nós mudamos, as prioridades também e isso é tão bom ... chama-se crescer. Ainda bem que mudamos, mau seria ficarmos sempre iguais.
    Espero que o closet rapidamente se transforme num quarto de bebé.

    (Força, nunca desistas de um sonho tão belo como este.)

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. " A vida dá voltasd e ensina nos a viver"
    Sandra

    ResponderEliminar
  5. Não podia concordar mais consigo. Não é porque as pessoas à nossa volta acham que "está na hora de sermos pais" que sentimos e queremos isso para nós. E só faz sentido, como qualquer outra coisa (casar, morar junto, comprar carro, viajar, comprar casa, etc.) quando fizer PARA NÓS e não para os outros.
    Confesso que senti durante muitos anos da minha vida que não seria sequer mãe, que não queria isso para mim e não era capaz. Mas agora já não é bem assim...já tenho mudado de opinião e sentimentos!!!
    Quando chega a nossa hora sentimos, e tudo muda, tem toda a razão. Que tudo corra pelo melhor Anne e que esse bebé tão desejado e já amado venha com toda a saúde e vos encha de alegria.
    Beijinhos
    VerdezOlhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo! A minha grande paixão é viajar e ando sempre entusiasmada a pensar/planear a próxima viagem. Quando percebi mesmo que queria ser mãe foi quando eu e o meu marido decidimos começar a tentar engravidar e eu estava muito mais feliz com a ideia de parar durante algum tempo (gravidez + primeiros meses), que a pensar na próxima viagem. Ainda não aconteceu, mas temos sido cuidadosos nos destinos escolhidos (nada de lugares com risco de zika ou malária) e não me custa nada "abdicar" para já desses lugares ou condicionar as minhas escolhas com o objectivo de ser mãe a curto prazo. Espero que aconteça para as duas e já este ano :) também tenho 30 anos (quase 31) e já estou há uns bons meses a tentar, por isso identifico-me com a tua luta (ainda que de forma diferente). Boa sorte!

      Eliminar
  6. Um beijo muito grande cheiiiinho de amor e carinho, força guerreira....
    Pensamentos positivos sempreeeeeeee bjbjbjbjbjb

    ResponderEliminar
  7. A maturidade, o crescimento, as mudanças na nossa vida, fazem com que as nossas prioridades também mudem ou se ajustem à nossa realidade de então. Quando era miúda achava que casar era um desperdício de dinheiro e que em nada mudaria a vida das pessoas e agora é um desejo cada vez maior na minha vida.

    Ainda bem que mudamos! É sinal de crescimento.

    ResponderEliminar

© A GAROTA DE IPANEMA . All rights reserved.
MINIMAL BLOGGER TEMPLATES BY pipdig