04 novembro 2018

Pago eu ou pagas tu?

Preciso compartilhar o meu "choque" com vocês, pessoas. Presenciei esses dias uma situação que me fez ficar de olhos em bico... Estava eu na fila do supermercado à espera de ser atendida quando reparo no casal à minha frente, deviam ter praí 30/35 anos e tinham um miúdo de uns 4 anos. O miúdo fazia uma birra monumental porque queria levar um boneco da Patrulha Pata, a mãe a assobiar para o lado, o pai idem. Às tantas o miúdo manda-se para o chão, aos gritos e pontapés, e a mãe diz para o marido: "olha, leva lá o boneco, pagas tu dessa vez." e o marido responde qualquer coisa como: "olha, este mês já eu paguei os ténis e o casaco dele, esqueceste? Agora pagas com o teu dinheiro..." e eu, que nem sou nada cusca (cof cof) dei logo um apertão na mão do meu marido (é o nosso código quando queremos mostrar alguma coisa ao outro na rua e não podemos dar cana) e ele ficou igualmente parvo. Sussurrou-me baixinho "foda-se, olha-me estes, a fazer divisão de um dinheiro comum... e pior, para o filho!"

A mim faz impressão ouvir casais comentarem "pago eu ou pagas tu?" quando são compras comuns, contas da casa, renda, compras para os filhos, sei lá! Se fazem vida em comum, como conseguem depois na hora de pagar fazerem essa divisão ridícula do "ontem paguei eu, hoje és tu?", acho tão deselegante, para não dizer mesquinho.

Não sei se por ter sido criada numa família onde nunca se deu grande importância a essas divisões, o meu padrasto recebia o ordenado e entrega os cartões bancários na mão da minha mãe, a conta era comum, usavam os dois o mesmo dinheiro e nunca em 20 anos de casamento vi os dois a discutirem por causa da dinheiro.

Quando casei foi a mesma coisa. Abrimos uma conta-conjunta, é nessa conta que caem ambos os ordenados e temos dois cartões multibanco onde cada um gasta conforme quiser. O valor que sobra no fim do mês é transferido para uma conta-poupança e ninguém se chateia. Tínhamos cada um uma conta individual mas no início desse ano vimos que não fazia sentido continuar com duas contas e centralizamos tudo num banco só, numa conta única. Zero chatices até o momento.

Depois do amor, o segundo pilar de uma relação, na minha opinião, é a confiança. E confiar implica dividir tudo com o outro. Assim sabemos sempre quanto temos, se dá para comprar isto ou aquilo, planear viagens com o dinheiro extra... torna tudo mais fácil. Se os nossos objectivos são comuns, para que andar a separar "o meu" e o "teu" dinheiro? Cá em casa não há disso. É tudo de ambos. E sim, há uma significativa diferença entre os nossos ordenados (o meu marido ganha 45% a mais que eu) mas nem por isso fazemos esse género de contas. É tudo dos dois.

Então quando há filhos envolvidos, menos sentido faz andarem a discutir ou jogar na cara um do outro quem é comprou os ténis, quem comprou o casaco, quem paga a creche... pelo amor de Deus. A criança é um elo comum ao casal, é responsabilidade dos dois, que mesquinhez ter esse tipo de atitudes! Ufa, precisava desabafar! E vocês, são a favor ou contra a divisão do dinheiro entre o casal?
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